sexta-feira, 7 de agosto de 2015

redação: meu quarto

Eu tô perdida nos rascunhos e nem sei que dia é hoje, nem eu aguento mais falar de mim, vocês ainda aguentam ler?

Se não aguentarem, azar, não tenho outro assunto.

Hoje vou contar do meu quarto.

Por quê? Não faço a mínima ideia. Nada mais faz sentido depois de uma semana escrevendo sem parar. Que seja.

Três anos atrás eu morava numa casa que era meio pequena (ou a gente que tinha coisa demais) e um dia, por razões que não vêm ao caso, minha mãe resolveu morar com a minha vó. 

Minha vó morou temporariamente em Curitiba, mas a gente (eu e meus irmãos) não levou a sério a mudança, porque a coisa que minha mãe mais ama no mundo, a TV, não foi junto. Só que um dia a gente chegou em casa, obviamente interessadíssimos em usar a TV de mamai e... cadê? Sumiu.

Todo mundo se abraçou, porque agora era definitivo. Dos três filhos, dois pensaram "viva, tamo morando sozinhossss". A outra, minha irmã, muito mais inteligente que nós dois juntos, catou a mudança e foi pra casa da minha vó também. Além do quarto de mamai e vovó, tinha um quarto pros gatos (hoje em dia é meu, spoiler) e um quarto sobrando. Com armário e cama de casal. Comida pronta na hora, idas regulares à padaria, espaço e área verde, muito mais inteligente minha irmã.

Eu e meu irmão fizemos um acordo, inclusive, de como a gente ia dividir a conta e tal, a gente tava fazendo planos pro quarto da minha mãe, escala de limpeza e tudo mais. A gente tava felizzzzzzZZzzZzZZ.

Mas felicidade de pobre dura pouco e um dia eu acordei com a minha mãe enfiada no meu quarto, desmontando meu armário, me comunicando que eu estava de mudança pra casa da vovó, já que a vovó herself estava voltando de volta pra sua terra.

O armário que mamai estava desmontando tem a seguinte história: a gente era pobre, mas pobre, mas poooobre. E não tinha armário. A gente se mudou pra uma casa onde esqueceram um armário e tomamos posse, eu e minha irmã. O armário era tão jovem que apelidamos de Chiquinha Gonzaga, porque acreditamos que eram contemporâneos. A gente amava a Chiquinha, mas um dia ela DESABOU-SE. Na pressa de resolver a catástrofe, minha mãe foi (com meus dinheiros) comprar um armário pra gente. Eu falei "qualquer cor menos cerejeira ou marfim". Adivinha o que ela comprou? MARFIM. Pois eu não suporto a cor desse armário e não tinha o que fazer. Ficou.

A minha cama era um beliche gigante e desengonçado, que eu e minha irmã ganhamos de presente e MAS NEM MORTA que eu carregaria aquele trambolho comigo, de modos que na casa nova eu não teria cama. Eu tinha uma TV de tubo e fim, era tudo o que eu tinha. Me desesperei.

No meio do caminho, minha mãe teve a brilhante ideia de dar a cama dela pro meu irmão, já que ela ganhou uma da minha vó. Então o que aconteceu? Eu "ganhei" a cama do meu irmão. Tabaco. Tudo bem que essa é minha cor favorita de madeira, mas eu tava pensando na lindeza que o quarto ficaria. Mas não era só íssio!!! Minha mãe mudou o arranjo da casa e meu computador não poderia mais ficar na sala, OUSSEJE, vai ficar onde? Achei num canto nas coisas destinadas pra lixo ou doação a mesa de computador do meu vô. Sei lá que raio de madeira é essa, mas é escura, vai ver é um tabaco de outra marca, mas pode ser pinhão, não faço ideia. Meus livros também tinham que ficar em algum lugar, de modos que eu fui nas lojas Americanas comprar uma estante. Como eu acreditava que em breve teria lindos móveis brancos, já comprei a estante dessas madeira pobrinha revestida de branco e deu-se um quarto com um móvel de cada cor. AH É, desmontaram um pedaço do beliche, que era de uma madeira clara e rosada e tacaram aqui de apoio pra TV. Era lindo mesmo o quarto.

Pra ajudar, tendo sido pega de surpresa, não tive a oportunidade de pintar a parede do quarto, que é de um creme tristíssimo, não orna com nada. Eu sempre me desespero quando entro neste quarto.

Pior que a cor dos móveis é a disposição deles. Eu me sentia sufocada. O que foi que eu fiz? O que qualquer pessoa sensata faria: comprei uma poltrona.

Aí ficou bom, porque a impressão que dava é que não cabia nem oxigênio no quarto.

Uns 3 meses atrás eu surtei, porque 3 anos se passaram e meu armário ainda é marfim, minha cama ainda é ~de segunda mão~, minha mesa muito digna porém horrorosa do computador tem que escutar sempre que minha vó visita "mas minha filha, você ainda não jogou esse lixo fora?" e nada tem a ver com nada, então eu fiz o que qualquer pessoa sensata faria e comprei uma cômoda.

Vou deixar vocês sem a chatice da novela da cômoda, mas um dia ela chegou, foi montada e....... SURPRESA, não cabia no quarto. HAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHA. Tirei o antigo suporte da TV (que a essa altura já suportava uma moderníssima TV sem tubo, daquelas que ficam com a tela preta se você não assiste no ângulo certo), mexi uma coisa aqui, outra coisa ali, tá a cômoda no lugar dela, desornando com o resto do quarto todo. 

Uma parte do armário horrível está inutilizada, porque eu estou me forçando a ir comprar um armário branco que preste loguinho. Aí só vai faltar ter uma mesinha de computador mais jovem (se eu tacar uma tinta branca nesta aqui, ninguém nem vai notar que não é novinha, porque ela tá ótima) e a cama de tabaco fica lá até eu criar vergonha na cara pra ter uma cama de casal assim que minha irmã fizer o favor de se mudar e eu puder pegar o quarto dela, que é bem maior que o meu.

Pra vocês entenderem essas abobrinhas todas que eu tô falando, o que eu fiz? ISSO MESMO, EU FIZ UM VÍDEO AHAHAHHAHAHAHAAHAHHAHAHAAAHHAHAHAHA. Migas, espero que vocês compreendam a piada. E espero que riam, porque foi um desespero gravar esse negócio.

Primeiramente eu descobri que minha bateria da câmera morreu e está neste momento num carregador de recuperação, pra ver se tem jeito. Aí fui gravar no celular e gravei vertical, porque sou muito inteligente. Fui regravar horizontal e acabou o espaço. Deletei metade dos aplicativos (que eu nunca tinha usado, pra ser sincera) e esqueci que precisava pentear o cabelo, por exemplo. E esconder a bagunça. Lá pela trigésima tentativa eu desisti e ficou essa bela porcaria que vocês poderão ver a seguir (mas eu não recomendo).

Não sei o que aconteceu com a minha voz em diversos pontos do vídeo, meu cachorro sapateou pelo quarto o tempo todo, latiu, a abertura de Caminho das Índias invade um pedaço, eu emito sons que não têm explicação e não sei filmar, não sei explicar e não sei fazer isso como um todo.

Só que eu coloquei no meu plano do mês fazer essa palhaçada e eu não consigo descumprir regras, nem as que eu mesma faço.

Então tá aí um belíssimo vídeo que não faz sentido e não tem utilidade.

Bgos mil e não precisa me avisar que minha voz é estranha, que eu tenho sotaque, que tô fanhosa, que a roupa tá feia e que dá pra ver o frizz do cabelo, porque eu já sei.

Fiquem agora com um grande ato de desprendimento.





Perdão.


quinta-feira, 6 de agosto de 2015

tem dias que não dá

No meio de uma aula intensa de abdominal, 30 segundos de intervalo entre duas série de 10 minutos. Pois eu fechei o olho de dor, dormi e sonhei.

Isso é quanto eu estou cansada.

*****

Em assunto semi-relacionado, cheguei em casa tardão (a gente vai pra academia quando dá), comi, lavei a louça e fui tomar banho. Onzemeia.

O aquecedor de água daqui de casa começou a morrer uns dois meses atrás e semana passada veio a óbito, precisando passar uns dias na assistência técnica. Deixaram um reserva aqui, que era pior que o outro quando estava capenga. De cereja do bolo, um barulho de sirene cada vez que alguém ligava a água quente. Nem quem estava tomando banho conseguia ignorar. (Nunca na história deste país tomou-se tanto banho rápido ou na academia.)

Ontem aquela bosta parou de funcionar e levou consigo todo o gás da casa.

Depois de um pequeno chilique, fui pegar uma chaleira pra esquentar a água no fogão e tomar um eloquentíssimo banho de canequinha, só que não dáááá, porque o aquecedor gastou o gás todo. UMA PALMA.

Considerei suicídio, porque 

a) nem morta que eu dormiria sem tomar banho

b) os dias de inverno podem estar quentes, porém as noites são GELADAS, assim como a água que sai do cano e eu não sou obrigada.

Nisso minha mãe sugere tomar banho no pavoroso chuveiro elétrico da churrasqueira. Eu quebro um objeto para acalmar os ódios, porém aceito a única alternativa. O chuveiro tem exatamente 8 pingos de água por vez e a temperatura lava do kilauea, ótima pra minha dermatite.

Por motivos de instabilidade emocional, saí de dentro de casa usando apenas uma toalha e foi tudo o que eu tinha pra voltar NO FRIO depois de um banho fervendo. MEIA NOITE.

Tamo aqui viva e saudável (mentira, mas a alergia respiratória não foi afetada pelo movimento) e me perguntando: o que minhas miga leitora véia que não botam a cara no quintal depois das 10 da noite fariam nessa situação?

Pulariam o banho ou perderiam o medo da morte?

Dúvidas, duvidas.


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

vaneça ripe

recebendo os cumprimentos após atuar como a cobra do jardim do Éden, sério

A pessoa enche a boca pra falar que é das engenharia e finge que o começo da carreira não foi de humanas, mas TÃO de humanas, que a pessoa viajava com peça de teatro experimental por teatros underground e costurava o próprio figurino. A pessoa, no caso, eu. Felizmente, não obtive sucesso em encontrar a foto desse momento sublime, em que eu interpretei, numa mesma peça, um elemental Terra (AHAHAHAHHAHAHAHAHAH), uma índia revoltadíssima com o progresso, que dizia a icônica frase "só quando pescarmos o último peixe, cortarmos a última árvore e envenenarmos o último rio, o homem se dará conta que não se pode comer o dinheiro" (AHAHHAHAHAHAHAHHA SOCORRO) e, finalmente, a última pessoa a morrer na guerra, com um grito horroroso e pendurada no palco. Cêis tinham que ver o talento transbordando.

Quando eu fiz 17 anos e faltava menos de dois meses pra acabar a escola, minha família se desesperou. Eu estava viajando com uma peça infantil sobre tolerância e direitos iguais, eu fazia o roxo, que era um filho indigno de um vermelho e um azul nobres AHHAHAHA, o negócio todo rolava em termos de cores primárias e secundárias, de modos que eu era uma criatura aprisionada e com funções sociais de menor prestígio, como tingir defuntos e beliscões. As quiança me amavam porque eu era SOFRIDÍSSIMA, mas, no fim, eu que salvava o rei azul de morrer, com meu poderoso sangue misturado. A heroína do negócio, praticamente. 


fazendo a noiva dos anos 70

Eu fazia parte do Teatro Municipal, a prefeitura tinha meu nome na listinha de pessoas que ganhavam cursos e incentivos, então qual era a lógica? Que eu fizesse vestibular pra artes cênicas. Eu estava decidida. Um pouco revoltada de ver que o futuro seria eventualmente ir pro Rio de Janeiro (eu odeio calor e praia), mas conformada. O que minha família fez?

INTERVENTION.

Um dia eu cheguei na minha vó e todo mundo em volta da mesa pra me falar os ~malefícios de ser de humanas hard core~, todo mundo explicando como eu já estava numa escola pra engenheiros, como eu só tirava 10 em matemática e física, que não podia deixar esse talento maravilhoso escapar. O que eu fiz? Um vestibular pra medicina, obviamente. Passei em 4º lugar. Falei "viram, sou inteligente mesmo e é por isso que eu vou estudar teaaaaaaaatrooooooo". Aí veio a ameaça de ser posta pra fora de casa, sem dinheiro e sem apoio, fui estudar administração, como toda boa descendente bundona de gente rica. Se bem que com 17 anos não dá pra exatamente chamar de bundona a pessoa que tem medo de passar fome e virar mendiga.

Eu tive 5 anos horríveis na faculdade. Vou pular os problemas familiares, porque foram trevosos demais e nunca se sabe quando vem uma família ler aqui. Mas na faculdade eu era a única pessoa pobre. Todo mundo era filho de banqueiro, de herdeiro de fortunas árabes, donos de empresas famosas, famílias tradicionais. Todo mundo estudou na mesma escola de crianças ricas e todo mundo já se conhecia quando eu cheguei. Fora meu sotaque paulistano e a dificuldade de compreender o curitibanês, eu não conhecia ninguém, meu cabelo não era liso (sério, todo mundo tinha cabelo liso), eu vestia as mesmas 6 peças de roupa indefinidamente e tinha um total de zero dinheiros pra viver.

Num certo momento, eu perdi todas as amizades que eu tinha, que consistia de pessoas igualmente excluídas, porque nas férias eu comecei a namorar um cara, sem saber que ele era rico. Eu descobri que ele era rico no dia que foi me buscar na faculdade de Ferrari (sério). Imediatamente, todas as minhas amigas concluíram que pra uma pessoa pobre e feia como eu ser vista com um cara rico, eu só podia ser prostituta.

Tá bom, meu bem? Foi assim essa alegria minha vida escolar.

No último ano, na hora de fazer o trabalho de conclusão de curso, era em grupo e, QUE CHOQUE, eu não tinha grupo. Eu tinha o orientador mais cobiçado da faculdade, mas ninguém queria ter seu nominho junto com o meu, embora eu estivesse nos top 10 alunos mais bem colocados no ranking (em terceiro lugar). No fim me arranjaram lá outros 3 excluídos, que eu carreguei nas costas, terminei a faculdade completamente apaixonada pelo orientador e sendo correspondida, com um total de zero amigos, porque o único que eu tinha se mudou pra California, de modos que nem da formatura eu participei. Pela minha nota no geral e no exame que era obrigatório naquela época no fim da faculdade, eu ganhei uma bolsa integral pra fazer especialização, garantia de manter o orientador e fazer o trabalho sozinha. Parecia que tava tudo """ótimo""", né?

Pois não tava.

Tava tudo um horror, não vou entrar em detalhes do relacionamento imaginário com o professor, a falta de relações humanas, a saúde prejudicada, tudo errado. Aí tinha uma professora que dizia que eu era muito EZÓTICA e até hoje quero entender o que isso significava. Eu trabalhava num lugar horrível e aconteceu um último episódio horroroso sobre o qual não falamos e eu surtei bem linda. Catei uma mochila, um notebook, três pares de chinelo (eu nunca uso chinelo) e fui pro Guarujá.

Eu tinha parentes lá, então não vou dizer que fui com a mochila e dormi na areia. Mas eu passei vários dias usando short e chinelo, com uma caixa de peças pra montar bijuteria (vamo vê se lembro de fotografar minha arte pra vocês verem), andando pela areia, entrando no mar, essas coisas que hoje não consigo nem imaginar como suportei. 

portfólio

Passei uns dias tentando cozinhar no nível do mar, mas não obtive sucesso (é quase impossível adaptar a mente pra uma diferença de altitude de quase um quilômetro), vendo gente que não existia (sério, cara, que fase), acordando cedo, dormindo cedo, batendo palma pro sol.

Foi uma das poucas épocas da minha vida em que eu não cuidei do cabelo, não usava nada movido a eletricidade pra manter minha juba quilométrica comportada MEU DEUS DO CÉU ACHEI A FOTO HAHAHAHAHAH


olha essa saia, olha essa chinela, olha essa trancinha
(lembrando sempre que eu estava obesa e minha família me mandou procurar ajuda)

AHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA SOCORRO.

E cê veja que eficiência em ser hippie: na área vip de um show que tenho vergonha de dizer de quem era asa de águia.

(Na mesma pasta tem uma quantidade de foto de sol nascendo que não dá pra calcular hahahahahaha.)

Não tem muita emoção nesse período, fora essas escolhas erradas de vida, de roupa, de penteado e musical. Eu passei 20 dias comendo comida saudável, sendo zen, usando chinela em público (eu mal uso em casa), usando regata (eu apaguei essa lembrança), saias horríveis, bermudas e shorts. 

Tudo tava indo muito bem, até que eu conheci um lindo surfista alto, louro, bronzeado, de olhinhos verdes e longos dreads no cabelo e um pilçin na sobrancelha. Não foi nada romântico, compreende? Era só uma pessoa que surfava nas maravilhosas ondas do Guarujá na mesma altura da praia onde eu ficava sendo hippie, com um funcionário do prédio onde eu estava hospedada carregando cadeira e guarda-sol, montando tudo, trazendo lanches ocasionais e carregando tudo de volta no fim do dia. 

Aqui no trabalho tem um comunista rico, eu acho super legal ser comunista usando all star de couro, levi's, caterpillar, igual eu sendo hippie na cobertura e com serviçal à disposição, eu acho muito maravilhoso.

Aí era um tal de encontrar ~casualmente~ o menino dos dreads que começou a ficar chato. Um dia a gente foi andando e acabou parando na frente de um estúdio de tatuagem, pilçim e que tinha fazedor de dreads também e... eu entrei pra fazer um orçamento HAHAHAHA.

Minha tia me perguntou casualmente o que eu estava pretendendo fazer e a resposta foi: um pilçim na sobrancelha, um bracelete tribal e dreads, obviamente. Neste momento, shit got real e aparentemente meus pais receberam uma ligação que terminou no meu pai aparecendo também casualmente três dias depois no Guarujá pra me buscar, porque alguma coisa muito importantíssima estava acontecendo em São Paulo. Se ele não chega, quase que dá tempo de eu ter uma história bem diferente pra contar pra vocês hoje. MAGINA UM BRACELETE TRIBAL, GENTE. hahahahaha.

A coisa importantíssima que estava acontecendo em São Paulo era um ônibus me esperando pra levar de volta pra Curitiba naquele mesmo dia, porque tinha alguma coisa também muito importantíssima por aqui. Cheguei 5 horas da manhã, minha mãe esperando na rodoviária com a notícia: às 8 você tem uma prova pra fazer, é concurso. Vai chegar em casa, tomar banho, trocar de roupa e ficar pronta.

Fiz tudo isso e fui carregada pro local de prova, onde entrei e dormi até o fiscal me avisar que era pra começar a responder as questões.

Eu passei nesse concurso.

Nunca assumi a vaga, porque eu passei em mais outros três, no mesmo mês.

Tô de parabéns ou não tô? De espírito livre a burocrata na velocidade da luz. 

Cêis fiquem aí aguardando, que um dia eu entro no curso de letras, que é o projeto: Humanas atual e vamo ver quanto tempo leva até alguma coisa chatíssima me alcançar e me prender de novo. Se bem que tamo aqui forte no projeto: Suécia 2017, de repente toda essa história estúpida de vida foi pra me levar pra Europa antes dos 40.

Vamos todos rir juntos.

Oremos.





terça-feira, 4 de agosto de 2015

under pressure


título alternativo: prendas domésticas com vaneça negão 
episódio de hoje - panela de pressão

Migas, eu não sei nem o que dizer pra vocês. Comecei a usar panela de pressão com uns 14 anos e nunca fui amedrontada por ela, é só uma panela que precisa de um pouco mais de atenção e uma pequena dose de respeito.

As duas únicas coisas que minha mãe me ensinou: manter a borracha nova e a válvula de escape de ar desobstruída. A borracha é fácil. A maioria dura bastante tempo e a panela nem pega pressão se ela estiver ruim. O perigoso mesmo é a válvula ficar obstruída, mas é TÃO SIMPLES ver se não está, que não vale o desespero. Pega a tampa da panela e coloca virada ao contrário debaixo de uma torneira e deixa cair um pouquinho de água no furo. Se a água passar e sair do outro lado, tcharaaaaam, tá aberto o furo. 

O desafio é dosar a consistência do que você está cozinhando, a quantidade de água na panela e o tempo na pressão. 

Eu comecei com batata, por exemplo, no método clássico. 

- coloca a batata na panela
- cobre com água
- encaixa bem a tampa
- coloca o pino sobre a válvula
- liga o fogo
- espera dar pressão
- conta a quantidade de minutos necessária
- desliga
- espera a pressão igualar com o ambiente
- abre
- vê se tá no ponto
- seja feliz

Vamos aos desafios:

A quantidade de água varia. Eu gosto de batata desmanchando, então eu faço SEM água, mas aí é level hard, vocês não façam isso. Quando eu tava começando, eu colocava muita água, além da altura das batatas. Porque a água evapora no processo e é aí que as coisas queimam ou a pressão desestabiliza. Tem outra coisa. Eu sempre morei em altitude grande, então as minhas coisas levam mil anos a mais pra cozinharem. Eu deixo a batata quase meia hora na pressão (quando cozinho com água), mas quem mora na praia teria que deixar bem menos. Aí você vai ter que aprender com a experiência.

Com a parte de encaixar a tampa, você não precisa se preocupar. Se ela não encaixar direito, a panela não pega pressão. Eu tenho umas 8 panelas diferentes em casa e todas elas só têm um encaixe, então se não prender o ganchinho no cabo, certeza que não prendeu a tampa. Pode ir treinando no dia a dia até ficar craque.

Colocou a comida, encheu de água, tampou? Liga o fogo. Que altura? A que você quiser. Quanto mais alto, mais rápido pega pressão, eu prefiro. O tempo você conta assim que pegar a pressão. Deu cinco minutos e pavor de morrer? Desliga o fogo pra conferir o cozimento. Não deu pavor, espera mais cinco. Dependendo da altitude do seu lar, tá suficiente.

Agora a parte tensa: abrir a panela.

Seguinte: você desligou o fogo, a pressão vai continuar saindo como estava por alguns segundos, depois a panela vai parar de chiar. Ainda não estabilizou a pressão. Se você tem medo, deixa a panela lá mais uns 5 minutos (lembrando que a coisa lá dentro ainda está cozinhando) e a pressão estabiliza naturalmente. Dá um toquinho no pino da panela e você vai ver que já não escapa mais ar. Pode abrir a panela sem medo de ser feliz. Se parecer que a tampa está colada, não force. Isso só quer dizer que ainda tem mais pressão dentro que fora, então deixa ela lá quieta mais um pouco.

Se você não tem medo, dá uma entortadinha de leve no pino assim que desligar o fogo. A pressão vai sair mais rápido de lá de dentro, você vai sentir a água borbulhando lá dentro. Mas, miga, só faz isso se você tiver controle da situação, porque aí cê pode acabar desequilibrando o balanço da coisa (eu nunca consegui isso) e eu não sei o que a panela faria, mas pode ser que vaze batata pelo pino até seu teto. Eu faço isso porque meu eu interior já sabe quanto entortar do pino pra evitar desastres.

Se você dormiu e a água secou e tá tudo cheirando queimado, desliga o fogo e LARGA A PANELA LÁ, até a pressão estabilizar. No futuro, você será capaz de tacar a panela sob a água fria e interromper o processo de pressão e de queimadura, mas isso também é pros iniciados.

Minha mãe tira a panela do fogo e já taca debaixo da água, faz tipo um vulcão na cozinha, é sensacional. Não façam isso, senão as senhoras vão morrer de pavor.

Então resumindo: coloca a coisa, coloca a água, espera os minutos correspondentes quando pegar pressão conta o tempo, desliga o fogo, espera a pressão estabilizar, abre, seja feliz.

Batatas levam de 5 a 20 minutos, dependendo da altitude e do que você quer fazer com elas.

Lentilhas levam de 5 a 20 minutos, dependendo da altitude e da maciez que você prefere.

Feijão, se colocado de molho na água antes de cozinhar (as senhoras não me perguntem quanto tempo, porque eu não como feijão), fica pronto bem mais rápido, mas aqui nas alturas chega a levar 40 minutos. Como o feijão engrossa a água, eu recomendaria abrir a panela algumas vezes durante o processo pra evitar a surpresa de ver o fundo colado e transformado em carvão (quem nunca?). Depois de algumas tentativas, você vai descobrindo quanta água e quanto tempo precisa pra ficar no ponto que você gosta.

Eu faço inclusivemente arroz na pressão. Coloco meia cabeça de alho amassada, um fio de óleo, sal e o arroz. Coloco a outra metade do alho inteiro no meio, misturo tudo, coloco água um dedo pra cima do arroz. Ligo no fogo alto e conto 3 minutos depois da pressão. Desligo o fogo e deixo lá até a pressão sair sozinha. VOILÁ, arroz pronto, soltinho e temperado. Jogo azeite em cima e NHAM, como a panela inteira.

Agora que tô expert, quando quero fazer batata cozida temperada, descasco as batatas e forro o fundo da panela. QUEM ESTOU QUERENDO ENGANAR? Praticamente encho a panela. Coloco uma cebola inteira picada por cima da batata (isso é importante), sal ou algum tempero tipo sazón, ervas desidratadas e um pouco de óleo, tudo por cima da batata, sem deixar cair no fundo. NÃO COLOCO ÁGUA. Fecho a panela e deixo na pressão por 5 minutos. Abro, espeto a batata até o meio pra ver se não sobrou miolo duro. Se sobrou, mais 2 minutos na pressão, AINDA SEM ÁGUA. Mas foi difícil a sociedade me convencer da possibilidade de cozinhar na pressão sem água, viu? Então as senhoras só tentem isso em casa se estiverem dispostas a lidar com as consequências. 

O que aconteceria se desse errado?

NÃO SEI.

Nunca deu errado nada do que eu fiz na pressão. Quer dizer, eu já queimei muito fundo de panela, já perdi todo o feijão cozido (odeio feijão, odeioooooooo feijãããão) e hoje em dia não cozinho mais essa comida estúpida. Mas o que eu gosto de fazer eu não costumo errar. Nunca vi uma panela explodir, nunca fiz gêiser involuntário, então não sei. Eu realmente não tenho medo da panela, eu só respeito as leis da física (e vocês reclamando de ter que estudar na escola) e tudo funciona.

Panela de pressão é amiga do peito de quem tem pouca paciência pra ficar na frente do fogão, porque fica tudo mais rápido e - eu ouso dizer - mais saboroso. Você só tem que lembrar que tem coisa muito dura, que precisa de muita água e tempo (feijão) e coisa muito fofa (que não parece fofa) que precisa de menos água e tempo, tipo cenoura e abóbora.

Minha sopa favorita, que é mandioquinha, abobrinha e tomate é uma bença, porque você taca essas três coisas na panela com água, já com o fogo ligado, a coisa vai meique cozinhando enquanto você ainda tá jogando lá dentro. Termina de colocar tudo lá dentro, taca sal, taca cebola, taca cebolinha, fecha na pressão, espera 5 minutos, BUM, SOPA.

É mágico e não dá trabalho!111

01 receita

Tem uma coisa que eu curto +qd+ de fazer na pressão, mijadra.

O nome tá certo, migas.

Consiste apenas de arroz, lentilha e cebola.

Eu faço o preparo que eu faria pro arroz de todo dia, mas coloco o arroz e a lentilha pra cozinharem juntos, leva uns 4 minutinhos na pressão. Enquanto isso tudo tá acontecendo, eu coloco o óleo e a cebola em outra panela, pra fritar até caramelizar. Normalmente a cebola é feita em rodela. Depois que o arroz com lentilha já estiver cozido, você abre a panela e tem duas alternativas: se for pedreira, como eu, vira a cebola com óleo e tudo lá dentro e come direto da panela (serve no prato, né, mores, mas vocês entenderam). Se vocês for rica e tiver tempo livre, coloca o arroz numa travessa e vira a cebola em cima do arroz, já na travessa. TÁ PRONTO. Pra quem curte, coloca uma pimenta síria. Pra quem precisa de quantidades e etc, fique com o link do melhor site de receitas da internet.

E é isso, migas.

Siga o mantra da trindade: água, tempo de cozimento, estabilização da pressão e não tem motivo pra ter medo da melhor panela que a sociedade já inventou. 

Vocês deviam ter medo daquelas panelas de vidro, isso sim. Ou de le creuset, que leva um ano de salário do seu bolso.

HEH

Deu pra entender? Sobrou alguma dúvida? Vamo conversando e todo mundo me convidando pra comer suas maravilhosas comidas.

AHHHHHHHHHHHHHH! Não adianta me perguntar comofas: carnes, porque não sei. Nem frango? Nem frango. Em casa não tem dessas coisas.


¯\_(ツ)_/¯

*****

Falando em tutorial e perguntas e dúvidas, me digão uma coisa: vocês já quiseram me perguntar alguma coisa completamente fora de contexto? Tipo os absurdos que vocês me perguntavam no ask? Vocês quereriam um post no estilo? Pode perguntar por aqui, pode ser anônimo, pode ser no email. Se juntar, sei lá, umas 10 perguntas respondíveis (critérios, mores), eu faço um post sobre elas e já é um dia a mais de BEDA, né?

SÓ POR HOJE!


segunda-feira, 3 de agosto de 2015

das bandeiras que eu não quero carregar



Meu pai é o penúltimo de 12 filhos, 9 sobrevividos. Minha mãe é a segunda de 4 filhas, 3 sobrevividas. Os dois não poderiam ter famílias mais diferentes, histórias mais diferentes. Mas desse povo todo aí, foram os dois únicos sem o que eu chamo de dependência geográfica. O que quer dizer que são pessoas que não se apegam ao lugar em que nasceram ou cresceram e podem viver em qualquer lugar e serem felizes assim, diferentemente de todos os meus 127 tios.

Isso fez com que eu crescesse longe da família expandida, o que é maravilhoso, porque família só serve pra torrar a paciência. Vanessa não gosta que encostem nela? Mas que menina insuportável. Vanessa não come bife? Mas que menina fresca. Vanessa não come carambola? Mas que menina pedante.

Vão pro raio que os parta, por favor?

Vanessa não queria saber de homem já bem novinha e "olha o que crescer em São Paulo fez com essa menina!!11", mas minha prima que já teve 8 maridos e um filho de cada um é o xodó da família. Quando eu parei de comer carne, era só pra irritar quem tinha que cozinhar pra mim, mas quando minha prima (outra, né? eu tenho mais de 50 primos) parou de comer carne, é porque se trata de um cerumano iluminado. E assim vamos.

De modos que eu não tenho nenhum problema em dizer que não gosto de muitas daquelas pessoas e não faço a menor questão de saber como vivem e de que se alimentam. A maior parte das pessoas eu não vejo há mais de 5 anos, alguns eu não vejo há 20, outros eu não vejo há 1 e cê veja aqui se estou preocupada? Não estou.

*****

Até os 25 anos, eu mal conseguia pesar 50kg. Eu chegava nessa marca algumas vezes, mas não era raro emagrecer sem motivo nenhum e ficar ali pelos 48kg. Minha família materna é assim, todo mundo fino, sem razão aparente. O mais legal era que eu tinha que passar por dois tipos de situação: as pessoas "de fora" viviam me torrando a paciência, dizendo que eu precisava me alimentar, que eu devia estar anêmica ou com distúrbio alimentar e dando palpite não requisitado sobre minha forma física o.tempo.todo. Na família, onde todo mundo sabia que eu comia como se não houvesse amanhã, toda refeição eu tinha que escutar o sermão "vai ficar igual sua tia", tia essa cujo nome não colocarei aqui, mas que teve que fazer redução de estômago sob risco de morrer por problemas de obesidade. CINQUENTA QUILOS e eu ouvia isso.

Eu tinha uns 19 anos quando comecei a trabalhar. Não tinha tempo pra nada e não tenho mãe-que-fica-em-casa, então não tinha comida feita se eu não fizesse. E, sem tempo, sem dormir é que eu não ia ficar. Alguns dias eu almoçava pizza de frigideira. Nunca menos que 3. Eu tomava 2 copos de leite e comia 4 pães no café da manhã. Cada refeição consistia de, no mínimo, dois pratos de comida. Cinquenta quilos. Até que um dia eu fui fazer as pizzas do almoço e não consegui terminar a segunda. Fui tomar café e não consegui comer o terceiro pão. Parei de repetir a comida. Imagino que tenha sido a entrada na vida adulta. O inconveniente foi ver o peso diminuindo e a pentelhação aumentando. VAI MORRER, VAI DESAPARECER. Todo mundo dava palpite e eu só tava lá vivendo. 

Foi a época em que eu descobri que era alérgica e a falta de apetite veio com tudo. Eu não conseguia comer. Eu comia quase nada, mas - ó que incrível - o peso começou a aumentar. com 21 anos eu bati a marca dos 54kg e as pessoas vieram me oferecer ajuda psicológica, porque eu estava uma baleia. "Pensa na sua tia, você quer ficar como sua tia?" Eu estava doente, entupida de corticoide sem nem saber o que aquilo era, sem entender o que era alergia, sem saber A QUE eu era alérgica, a saúde do meu coração estava comprometida, minhas articulações estavam sendo corroídas e todo mundo só se preocupava com o fato de que eu era uma baleia, com 54kg.

Remédio vai, alergia vem, com 25 anos eu pesava 52kg, tava todo mundo feliz, porque "graçazadeus você largou aquela magreza, né, fia?" e também porque "já pensou se você não parasse de engordar?". Acontece que eu parei foi de tomar os remédios, porque eles faziam com que eu me sentisse mal sem nem saber o motivo e não contei pra ninguém. O peso desceu de novo e todo mundo queria saber que dieta maravilhosa foi essa que eu fiz. Por mais ou menos uns dois meses. Depois era só o "fazer dieta faz mal pra saúde", "ser magra faz mal pra saúde", "minha filha, olha a finura dessas perninhas, esses osso saltando".

MAS QUE SACOOOOOOOOOOOOOOOOOO.

Só que minha alergia é aquela de saturação, sabe? Nessa época ela chegou no limite e eu pensei que fosse morrer. Não conseguia andar, respirar, me mexer. Eu sentia dores horríveis fazendo qualquer coisa. Eu só chorava e vivia entupida e foi quando a peregrinação pelo médico perfeito começou. Cada um me dava um corticoide diferente, que eu tomava por um mês e não melhorava. Eu não sabia AINDA o que era aquele remédio, que vinha mascarado por diferentes nomes terminados em ona. Um dia, ali pelos 29 anos, já 15kg mais pesada que no começo da história, eu tive uma dor no pescoço tão intensa que considerei me matar. Fui no ortopedista pra descobrir que eu estava com mononucleose. Por causa dos exames que eu fiz, descobri que estava com uma infecção por estreptococos ameaçando perigosamente meu coração, que meu sistema imunológico estava tão descontrolado que tinha comprometido 100% das minhas articulações e que a recuperação total era IMPOSSÍVEL.

Num é maneiro?

E com que as pessoas se preocupavam? Isso mesmo que eu estava chegando em 70kg.

:)

Fiz um LOOOooooOoooooNGo tratamento com antibióticos, benzetacil, antialérgicos aspiráveis, injetáveis e de comprimidos. Salvamos o coração, viva! Salvamos algumas articulações, viva! Salvamos o pulmão e a membrana interna do nariz, uhu! Ficamos com uma doença gêmea de febre reumática para todo o sempre, ahhhh :(. Nunca mais podemos ter dor de garganta na vida sem o risco de morrer, nossa que chato. Mas no processo ganhamos mais alguns quilinhos, totalizando 84.

MAS MINHA FILHA, VOCÊ SE PERDEU NA COMIDA, COMO FOI QUE VOCÊ VIROU ESSA MOÇA RELAXADA.

Olha, gente, não sei, viu? Como dizia um acupunturista muito profissional, deve ser porque eu não consigo me afastar de salames, mortadelas, picanhas e gorduras, vai saber, né? Mesmo que eu não tenha ingerido nenhum desses nos últimos 30 anos, nunca se pode afirmar nada conclusivamente.

*****

Hoje estou no meio de MAIS UM tratamento pra alergia, que tem se revelado bastante promissor. Completou um ano inteiro na minha vida sem corticoide desde 1999? Não. Eu só tenho um rim, o que dificulta todo o processo de desinchamento? Sim. Eu me alimento de forma saudável e pratico exercícios? SIM. Quem olha pra mim percebe isso? Não mesmo. Eu tenho alguma ideia do meu peso atual? Não, já que eu não subo na balança nem se for obrigada.

E o que acontece? Todo mundo quer me dar palpite sobre formas de tratar alergia (AHAHHAHAHAHAHAHA BITCHES, PLS) e dietas e emagrecimento.

Poxa, brigada????????

Como eu nunca fui "normal", eu não sei como é viver sem pessoas perturbando sobre a forma física. Você é magra, você é gorda, as pessoas acham que automaticamente adquiriram direitos sobre sua imagem. É um pesadelo.

E é por isso que eu evito AO MÁXIMO encontrar minha família. Não tem uma vez que eu não escute "eu te avisei que você ficaria como sua tia". Não importa que eu use roupas de loja de departamento de tamanho """""normal"""", se eu não uso 38 eu sou uma baleia candidata a ter que ser removida de casa por um guindaste, pela parede quebrada. Se de todos os assuntos do mundo, o único que a família tem é esse, não vejo uma razão pra querer ver essas pessoas. Se é pra cozinharem batata e falarem que não é pra mim, porque gorda não come batata, eu não quero comer com essas pessoas. Se falarem que vão fazer salada e um grelhadinho pra me ajudar, eu já vou querer sair e comer uma coxinha, mesmo que eu não esteja com vontade nenhuma de comer coxinha. COMPREENDE?

*****

Aí assim. Eu estava vendo a novela das sete semana passada e TODO DIA, sem pular um, a véia da novela enchendo o saco da Maria Casadevall (?) porque ela é magra. Eu cronometrei e ela nunca fala por menos que um minuto inteiro coisas horríveis, dá apelidos grosseiros e insiste que magro é ruim. A menina passa metade das cenas em que aparece comendo, todo mundo já viu QUE ELA COME, ela mesma diz "eu sou assim, véia" e a véia não cala a boca. Posso não ser magra neste momento, mas fico profundamente irritada pelo meu eu do passado e não entendia por que MAIS.

*****

Depois que eu descobri que era feminista, eu juro que tentei ler a respeito. A internet tá aí, cheia de gente falando o que quiser sobre o assunto, parecia fácil. Não é. Eu não leio textos que coloquem x no lugar dos artigos, porque eu duvido da inteligência da pessoa (já falei disso aqui ou só no feici?). Eu não leio quem é radical e fala que mulher trans não é mulher. Eu não leio gente que diz que somos todas irmãs, mas ao vivo me chama de biscate, porque seu marido disse que meu cabelo era bonito.

Porque tem mais essa: eu conheço pessoalmente muito famoso de internet. E se não é meu conhecido direto, é amigo de algum amigo próximo que eu tenho. Então eu sei da vida das pessoas famosas da internet no off. A fia virou um ícone do feminismo sado-maso, mas na vida real se fantasia de princesa disney, repara na saia curta da amiguinha e diz que mulher que conversa com homem casado não vale nada. Tá bom então, né, colega?

Aí tem esse blog que 90% das minhas amigas amam, mas eu conheço as escritoras bem demais pra ser capaz de ter qualquer reação positiva, de modos que não leio. Vez ou outra alguém cola um link no meu mural ou compartilha no facebook e eu não clico. Se alguém tenta discutir comigo em particular, eu peço um link no naofo.de e faço o esforço. Mas contrariada.

Uma das meninas que escreve é gorda, então muitos posts têm, além do feminismo, o problema da sociedade com o peso alheio. A menina escreve bem até, eu não chego a desgostar dela enquanto pessoa (apesar de ter uma pequena rusga pessoal com essa indivídua por problemas do passado que nem têm mais importância). Eu até leria o que ela escreve, se não tivesse que ler os outros posts do blog. Mas prefiro não ler e sigo minha vida.

Um dia uma pessoa falou "mas ela é feminista e gorda, você tinha muito que solidarizar!".

Primeiramente: miga, vamos trabalhar essa sutileza ao falar da forma física da amiguinha que não pediu sua opinião? Vamo? Bora?

Segundamente: desde quando eu tenho que apoiar alguma coisa nessa vida só porque eu me encaixo na característica? Cê sabe o dia que eu vou fazer campanha pró gordura, curvylicious ou qualquer coisa do tipo? NUNCA.

E, sabe porque? Porque eu não estou nem um pouco preocupada com o corpo que não é meu. E nem com a opinião dos outros sobre o meu. Se um dia alguém me perguntar qual é a bandeira que eu levanto, eu vou responder: a bandeira do PAREM DE OPINAR SOBRE O CORPO DAS MULHERES. 

Certo?

Então fica a dica pra você que disfarça de ~preocupação com a saúde~ quando você diz pra sua amiga que ela está gorda ou magra. Ela tem espelho em casa. E tem mãe ou tia ou vó, alguém já está dando palpite na vida dessa pessoa.

Nunca fale com alegria "nossa, mas você emagreceu!!11", porque a pessoa pode estar doente e não vai querer estourar sua bolha. Nunca diga com pesar "você deu uma engordada, né?", porque ISSO.NÃO.É.DA.SUA.CONTA.

Compra umas plantas, adota um gato, assina big brother. Se você curte tanto assim cuidar da vida alheia, faça isso com propriedade.

E nunca, jamais, NEVER, me pergunte "tem certeza que vai comer isso?". Porque se eu não tiver, a comida vai parar no meio da sua testa.

A saúde das miga é dela e o problema não é seu. O corpo das miga é dela e não é problema seu. Canta como se fosse mantra e não esquece mais.

:*


domingo, 2 de agosto de 2015

profissão: glória maria

Migos, cêis têm uma inveja indecente da Glória Maria? Eu tenho. A pessoa ganha dinheiro pra viajar pros lugares mais bonitos do mundo, com guia, hotel bom, todos os passeios incluídos e tem alguém carregando pra cima e pra baixo. Não tem como não ser feliz, sabe? Nem vou entrar no mérito da questã do merecimento, do esforço e dedicação pra chegar até ali. Quero nem saber.



Ao mesmo tempo, eu odeio Globo Repórter. Começa aquela musiquinha e eu já quero encher o ouvido de algodão, SAI DA MINHA SEXTA FEIRA. Se for pra falar de animal ou desgraças ou comida ou """saúde""", eu já programo a tv pra mudar o canal nesse horário. Cê vê que boa a vida do loser que está sempre em casa na sexta à noite. O melhor é que geralmente estou estudando ou fazendo alguma outra coisa contrariada e é por isso que não posso ativamente trocar o canal da tv que está na globo porque eu sou abobada, já que tem um trilhão de canais da tv a cabo, netflix e os canais on demand e nem novela eu vejo. Vai entender.

Mas quando o GR é sobre países, eu vejo. De modos que hoje falarei de 3 lugares que fiquei com vontade de conhecer por causa do programa e um que eu já queria conhecer HÁ ANOS e chorei litros quando vi Glory Mary lá, antes de mim e em condições melhores do que jamais terei.

MONTENEGRO

Faz um tempinho que penso em incluir o leste europeu numa viagem, sempre pensei na Croácia (só eu tive essa ideia). E, como gênio da geografia, eu nem sei perto do que esse país está RYZO. Eu também pensava em Hungria, República Checa (pra onde o bocó do meu irmão acabou de ir, estou 100% feliz por ele e com nada de inveja).



Aí tava lá tranquila na minha vida (not) e o GR me vem com Montenegro. Apashonei pela geografia, pela história, por tudo e já fui bem contente falar pra mamais que incluiria esse lugar na próxima ida pra Europa.

- isso aí não era Iugoslávia antes, Vanessa?
- você realmente acha que eu sei a resposta pra essa pergunta?

Era.

- isso aí tá do lado da Bósnia e de Kosovo, minha filha, você tem certeza que quer correr o risco de levar uma bomba na cabeça?

Poxa, gente. Será? Alguém conhece? Já foi? Pode me garantir que volto viva?

Eu quero ir pra Montenegro!!! Tem uma musiquinha que eu amo que é de lá, eles parecem fofos no eurovision, VAMO PRA MONTENEGRO COMIGO, MIGAS!!1



PANAMÁ

Eu nunca tive as vibe ~América Latina~, as senhora midesgupi, mas de América Latina já basta nóis, né? Mas no Panamá tem aquela coisa maneiríssima chamada: ECLUSA. Eu sou a louca da eclusa e nunca vi uma e a de lá liga dois oceanos, mermão. Não é incrível? Aí eu pensava "ok, vou ver a eclusa, e depois? Faço o que com o tempo livre?

Pois aparentemente o Panamá tem praias de águas azuizinhas (que palavra horrível? ela ecsiste?) e um grande free shop? Infelizmã, não estou encontrando as melhores partes da reportagem, então vocês vão ter que acreditar em mim. Eu não sei dizer se é um país que faz parte do Caribe, mas é ali do lado, então você reflita. Fiquei a doida do Panamá, só falo nisso. E ó que eu sei que é calor, hein? Mas agora eu quero ir e não tem jeito.

CÓRSEGA

Esse é recente, tá inteirinho lá na página do GR disponível. Um pedaço da França no Mar Mediterrâneo, tem calor, tem frio, tem precipício, tem coisa histórica, tem Napoleão e Cristóvão Colombo, tem praia do lado da montanha. JÁ QUERO. O problema é que a alimentação é meique à base de queijo e presunto, o que talvez seja difícil.

Mas rola uma vibe medieval com mar azul, não tem condição, minha gente. Só indo. Fora que rola um azeite intenso e eu acho que toda azeitona do mundo deveria existir só pra virar azeite, né? QUERO.


LLANFAIRPWLLGWYNGYLLGOGERYCHWYRNDROBWLLLLANTYSILIOGOGOGOCH


Não estou de sacanagi e, se você achou isso, é porque vem neste blog há muito pouco tempo. 

No dia que eu vi Glory Mary falando que ia pro País de Gales, eu sofri. Porque quando eu fui, quando eu decidi pisar lá, eu pensei "já que tô, vamo pra isdsdjfhasdfasdfdahgogogo, né? Só que eu não achava passagem de trem de jeito nenhum (sou burra), não tinha ninguém disposto a me ajudar, porque ninguém achava que eu estava falando sério, não consegui com a agência e........... NÃO FUI. Fiquei só em Cardiff mesmo. Forever arrependida. Glory Mary ficou em Cardiff? NÃO. Ela foi pra Igreja d Santa Maria no oco da aveleira branca perto de um redemoinho rápido de da Igreja de São Tisílio da caverna vermelha? Foi. E eu fiquei chorando litros.

A primeira vez que eu decidi ir pra esse belíssimo lugar, deve ter sido ali por 2007. Não sei de onde eu tirei, mas eu OBCEQUEI com esse lugar. Sério, gente, o que me fez ir pra Gales e não ir pra lá????????? Não sei. Mas não passa uma semana inteira sem que eu mentalize. E fale em voz alta. Ainda bem que cêis não tão aqui pra ouvir, né, mores?

Mas eu falo assim, ó:


Igualzinho ao meu marido. E nem foi ele que ensinou.

tá certinho, linda

Eu lembro que na época eu surtei de ir pra Reykjavik e foi na época da modinha do Eyjafjallajökull, donde concluo que eu estava num momento consoante da minha vida ou só fazendo um keyboard smash nervoso pra decidir o destino das viagens futuras.

Como se realmente tivesse dinheiro sobrando pra essa bizarrice toda, não é mesmo?

Eu costumo curtir a ideia de viajar pra lugares onde normalmente as pessoas não vão. Claro que sempre tem aquela coisa super criativa de querer viajar pra Londres, Paris, Nova Iorque, Disney. Mas pra esses lugares todo mundo vai.

Só digo uma coisa: se vocês forem pra Montenegro, Panamá ou Córsega, pode me contar. Se alguém for antes de mim pra llanfairrrkjsaghlfkdghgkjsdfhggogogoh, NÃO ME CONTA, CARA.

E se tem lugares pra onde você gostaria de ir e ninguém que você conhece pensou em visitar, mim conte e vamos dividir devaneios de viagem :)





sábado, 1 de agosto de 2015

lavando a roupa suja

Eu curto muito ter problema psicológico, porque a sociedade aceita essas pessoas com muito amor, incluindo a família. A família ajuda muito, inclusive gritando com frequência "DÁ PRA PARAR DE FRESCURA, MEU DEUS?". É reconfortante.

Eu, por exemplo, só lavo roupa de manhã (no sábado a manhã vai até 13h, eu tenho certeza que vocês já sabiam disso, porque todo mundo sabe disso). Se você quer saber o motivo pra isso, eu respondo, é bem simples. Sol esteriliza a roupa e isso é muito importante pra pessoa alérgica, de modos que eu quero que a roupa tome o máximo de sol possível (e tem outras razões, como já lhos ensinei), mas o importante é a ação bactericida mesmo.

Aparentemente esse é um conceito dificílimo pra minha família alcançar. Reserve.

Um parêntese pra dizer que outro dia eu tava lendo um site americano em que uma pessoa perguntava se era verdade que o sol esterilizava roupas, a outra dizia que sim, aí a primeira perguntava então o que tava fazendo de errado, se colocava sempre as roupas no sol, mas elas permaneciam com o cheiro ruim, especialmente as usadas em esportes. Aí o dono do site teve que explicar com amor que não é SÓ colocar no sol, que tem que ser DEPOIS de lavar e eu quase vomitei a mesa toda com a burrice do amiguinho e quis dividir isso agora com vocês.

Foco.

Lá em casa, cada um cuida das suas próprias roupas. O problema é a corrida pela máquina de lavar, que acontece to.do.sá.ba.do. de manhã. Cê avisa todo mundo que é o único momento que vai ter disponível naquela semana pra lavar roupa, grandes coisa. Chega lá depois das 9 da manhã e já perdeu o lugar. 11:30 cê pode lavar? Não pode. Então se vira no domingo à noite, problema seu. Então o que eu faço? Devido ao meu rim imperativo hiperativo, eu sei que vou acordar antes de o sono acabar pra fazer um xixizinho matinal. O que eu faço? Vou silenciosamente na lavanderia ali pelas 7h da madrugada, coloco tudo na máquina e mando começar o silviço e volto pra minha caminha pra terminar de dormir, bem linda. Quando as véia que moram comigo acordam (nunca vi pessoas dormirem tão cedo e acordarem tão cedo por vontade própria, que horror), minhas roupinhas estão confortavelmente girando na máquina.

MUAAAAAAAAAHAUHAUAHUAHAUHAHAUHAUAHAUAHA

Só que nesse sábado em questã, eu esqueci de fazer isso, tava muito estragada de alergia e falhei. Cheguei na máquina umas 8:30h (curto muito o amor matinal que se espalha na casa e não.deixa.o.cidadão.dormir) e já tinha roupa lá. Esperei acabar, voltei e alguém já estava usando de novo. Isso foi acontecendo até depois do almoço quando, obviamente, desisti de lavar roupa naquele dia.

Lá pelas 18h, eu estava confortavelmente estudando sob pilhas de papel e livros, quando minha mãe berra da lavanderia:

- Vanessa, ninguém tá usando a máquina agora.
- tá bom, brigada.

Nada acontece feijoada, ela grita de novo:

- você não quer aproveitar pra lavar aquela roupa de cama que ficou aqui?
- não.
- e por que não?
- porque eu gosto que minhas roupas sequem no sol.

Duas horas depois, fui levar outras roupas pra lavanderia e o que eu vejo? Isso mesmo: toda minha roupa de cama lavada e pendurada no varal às OITO DA NOITE.



¯\_(ツ)_/¯



Sabendo que eu odeio que lavem minhas roupas, que usem os produtos de limpeza do cheiro errado e eu dei uma razão perfeitamente plausível praquilo não ser feito naquele momento, acho que vocês já podem parar de me perguntar a razão de eu ser como eu sou.