quinta-feira, 26 de setembro de 2013

derrepentchy trinta



título alternativo I: eu crio expectativas porque sei o que elas comem 
título alternativo II: serendipity 
título alternativo III: perdendo os critérios 


Às vezes eu tenho um pouco de medo de me dar conta que perdi muito tempo da minha vida. Fazer aniversário tem esses inconvenientes, a gente fica pensando o que tá fazendo com a vida. (Como se não fizesse isso obsessivamente os outros onze meses do ano.)

Vai dizer que de vez em quando não dá aquela sensação de que você dormiu com treze anos, acordou com trinta e tudo que seu pequeno eu imaginou deu errado e você virou uma pessoa horrorosa, que não lembra em nada o que você queria ser, que não é nem o que você quer ser agora?

Tenho uns 48% de certeza que meu eu de 13 anos ficaria decepcionado e surpreso com o andamento dos fatos.

Um ano atrás, um pouco mais, talvez, esse eu estaria 89% decepcionado. Aí eu fiz uma lista imaginária do que estava errado e fui corrigindo. Dei umas derrapadas bem bonitas no processo, especialmente nas áreas nas quais eu não me desenvolvo naturalmente com graça – essa maravilha que vêm a ser as relações humanas. Mas eu tô tentando.

Devo dizer que na recentíssima história da minha vida, estou dando motivos pro meu eu de 13 anos ficar mais calmo.

Nesse processo de corrigir as vibes, recalcular as rotas e tal, é inevitável estabelecer metas. O que vem a ser apenasmente uma forma bonita de criar expectativas, cêis não acham? Eu acho. E eu tenho um dom, viu? Oda Mae Brown me entenderia, porque eu prevejo linda o futuro. Ou sei lá, sou chata pra cacildis e não paro até conseguir o que eu quero.

(às veiz não consigo)

Bom, o caso é que eu tenho umas metas recorrentes na vida. Não é que eu adapte pra fase que estou passando. É a MESMÍSSIMA ideia fixa, que de vez em quando eu esqueço, de vez em quando volta, de vez em quando fica.

Uma delas vem em ondas como o mar num indo e vindo infinito. Vou confessar: a primeira onda veio daquelas que mal vem já foi. Depois veio uma daquelas ondinhas que acabam fininhas na praia. Depois veio com espuminha, aí veio maiorzinha, aí veio já possibilitando pegar um jacaré, veio bonita pra surfista e, bom, uns cinco mêis atrás chegou o tsunami.

Quem nunca achou que podia sair nadando linda um tsunami, hein?

Peguei minha boia e fiquei aí prendendo a respiração, esperando a hora que eu chegaria na superfície ou a água ia abaixar.

TÔ ME AFOGANDO ATÉ AGORA.


*****

Quando a ondinha começou a bater, eu comecei a criar cenários na minha cabeça. Em todos eles eu sempre via duas saídas em algum ponto. Desde a primeira bifurcação até a última. Chegando, assim, nuns 1024 cenários diferentes, do completamente otimista ao completamente pessimista, tipo aquelas pesquisas eficientíssimas de satisfação.

Claro que como boa discípula de Summer, ficar no lugar do Tom me incomoda um pouco. E tendo a mentalidade pendendo muito mais pra Summer, eu tenho experiência em visualizar os quadrinhos de expectativas e realidades de formas muito próximas pra evitar desapontamentos.

Acontece que nesse caso específico tava falhando tudo. Eu não conseguia evitar o otimismo. Não conseguia evitar visualizar sempre o melhor resultado em caso de impasse. Eu tava o próprio Tom, creize expectations. Plano perfeito pra levar um stuplash da realidade.



******

Já ouviram aquela frase “never meet your heroes”? Tendo a aplicar essa frase pra tudo na minha vida e evitar me aproximar demais das coisas e pessoas que eu gosto muito, porque  né? Mais alto o pedestal, maior o tombo.


Mas você já parou pra pensar  que loco seria se essa pessoa pra quem você dedica tantos pensamentos superasse suas expectativas? Já imaginou ver tudo o que você planejou acontecendo como num script, a pessoa inclusive acertando as falas? E aí você precisa até se distanciar por alguns minutos, pra ter aquele momento de reflexão, tipo "TÁ ACONTECENDO MESMO, EU NÃO TÔ MAIS IMAGINANDO". Aí você volta pra realidade e BOOOM, ela, de repente, num incrível plot twist, fica ainda melhor do que você esperava.

Eu não sei vocês, mas não sei como proceder.










epílogo

A história tá no meio. Quer dizer, acho que tá. Acabei de acordar com 30 anos e ainda tava achando que a expectativa é melhor que a realidade. Acabei de perceber que a realidade é melhor que a expectativa. Pra onde as coisas vão daí, não tenho a menor ideia.

A vida ficou tão boa que eu parei de planejar e resolvi aceitar a minha ligação pro SAC 0800: agora é hora de esperar, porque minha ligação é muito importante, mas os atendentes todos estão ocupados.

Não é todo dia que sua vida fica parecendo um filme do John Cusacknão é todo dia que você se dá conta que Sara Thomas era mesmo importante na sua vida (e olha que as inúmeras referências a Sara Thomas [que nem é uma mulher na minha história] nesse blog eu acho que nem os mais stalkers serão capazes de pegar).

Aguardemos os desdobramentos da sessão da tarde. Que pode muito bem ser vale a pena ver de novo.

domingo, 22 de setembro de 2013

serendipity I

Cheguei em casa de madrugada, com um sono lascado, dor no pescoço e enfiando com força o pé no dorflex. Fiquei DUAS.HORAS. pensando sobre causas, efeitos, previsões e realidades, deprimi, escrevi um post, jurando que estava falando sobre um fim.

Muitas horas depois, descobri que estava falando sobre um meio.

E, gente, ainda bem que eu confiei na falta de noção que eu tenho de madrugada AND com sono e não postei. Teria transformado o meio em fim.

Assim que houver desfecho, o post vem.

Ninguém sabe que eu estava escrevendo e mesmo assim eu vim contar isso aqui. Deve ser porque faz 3 noites que eu não durmo mais que 5 horas e meu cérebro perdeu as travas do superego.

Boa noite,

Id.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

terça-feira, 10 de setembro de 2013

♥cardiff♥

Falta de vergonha na cara level: extreme é eu ainda não ter terminado de contar dessa viagem um ano depois de ela ter acontecido.

Mas o blog é meu, a vida é minha, milarga. HAHAHAHAHAH.

Mentira, gente. Não milarga.

Ou larga, cêis que sabe.

*****

bons drink

Tudo que eu vi na Europa era realmente lindo. Dublin cheia de brasileiro, Londres com cara de filme épico e capital de país. Mas Cardiff... Gente, que lugar mais lindo. Também é capital, mas num tem quem diga? De acordo com meu mapa, era uma cidade super pequena. E no espaço dela que eu pude percorrer, pareceu pequena mesmo. 

Eu fiquei hospedada perto da entrada da cidade, que vinha a ser MUITO perto do centro comercial, que ficava a 5 minutos de trem da baía. E se tinha mais que isso por lá, eu não vi.

Meu hotel era lindo. Um Ibis super pequenininho (quer dizer, pequeno pros padrões daqui, né? Lá tava parecendo super de bom tamanho), com uma cama gigantesca e um banheiro futurista (acho que já falei disso aqui :P). A vista era linda, mesmo sendo pro trilho do trem e tinha o shopping ali do ladinho. Mas como nem só de shopping vive a pessoa, mesmo ela sendo eu, peguei meu belíssimo mapa e acreditei nele. Fui desbravar a cidade. A intenção era achar a rua que parecia ser o ponto de referência de todo mundo, um restaurante onde não houvesse pimentas ou fish ou chips (a pessoa tem um limite, né?) e, de repente, umas lojinhas pra aproveitar os mínimos espaços que ainda sobravam na mala.










Considerando que eu cheguei em Dublin com as mão abanando, saí de lá pra Londres com duas malinhas de mão menores que minha mala da academia e saí de londres com quase 60kg de tralha... Era abusar muito da sorte. Mas quem nunca?

*****

Antes de eu viajar pra Europa, muita gente me assustou. OMG brasileiros sempre são seguidos nas lojas porque eles têm medo que você roube coisas. OMG brasileira sozinha vão pensar que é desfrutável (e se for, né? vão pastar). OMG tratam muito mal os brasileiros por causa da fama de má educação e blábláblábláblá.

Ó, não sei onde cêis foi criado, mas todo mundo me amou na Europa. Eu fui super bem tratada em tudo quanto foi lugar. Em Dublin eu não precisei andar sozinha, em Londres eu andei pouco sozinha, mas em Cardiff eu tava só na minha própria companhia. E se todo mundo me tratou bem em tudo quanto foi lugar, em Cardiff eu tava quase me sentindo celebridade.

Primeiro que durante o check-in no hotel as pessoas acharam curiosíssimo que alguém no Brasil soubesse que a cidade existia - vamo combinar, Gales é sempre aquele país que você esquece na prova que pergunta quem faz parte do Reino Unido, né? Aí, onde quer que eu fosse, meu sotaque era óbvio (seria em qualquer país, mas o de Cardiff é bem diferente do inglês do Harry Potter, impossível de imitar), então sempre depois de eu responder "de onde você veio?", as pessoas queriam muito me ajudar. Teve gente saindo do caminho pra andar comigo até onde eu precisava ir. Nunca conversei com tantos estranhos na vida.

Um dia eu tava no meio duma Primark, onde sempre tem oito mil mulheres ensandecidas, mas havia uma comoção especial do lado de um totem de acessórios pra cabelo. Pareciam umas buchinhas de banho, mas em forma de rosquinha. Eu reconheci imediatamente o original que as meninas brasileira copiavam fazia semanas com meias ou coisas do tipo, pra fazer aquele coque de princesa. Vi a mulherada lá tentando entender o que era, pra que servia, e fiz a louca: gritei "I knoooooooow" e vi juntar umas 30 mulheres em volta de mim, pra explicar como usava aquele troço no cabelo HAHAHHAHAHAHA. 

Numa das últimas lojas em que eu passei, uma tia me viu enchendo uma cestinha com tudo que tinha de coruja na loja: camiseta, relógio, bolsa, porcelana... Veio me perguntar se eu fazia coleção, perguntou de onde eu era, saiu pela loja catando corujinhas comigo, me levou pro caixa e ainda me deu a linda dica, que NINGUÉM tinha dado até ali, de que a gente pode levar as notinha tudo das compras no aeroporto e pegar os dinheiros do imposto de volta. Ó que amor, gente. Todo mundo é amoroso em Cardiff. Não tô mentindo quando digo que vou largar esse lugar quente e estúpido aqui pra ir morar lá e viver de geléia e cabras e 10 meses de inverno no ano.

*****

Passei a última tarde na baía. Não sei se era por ser meio de semana ou porque é sempre assim, mas o lugar era tão tranquilo que não dava vontade de ir embora. Mesmo estando do lado de um monte de restaurantes, centros de lazer, brinquedos pra crianças e coisa e tal. Se eu morasse nessa cidade, tenho certeza que ia ser na beira da água, conversando com os pato tudo que eu ia gastar os dias.



















*****

Só.falta.mais.uma.história.

Eu nem sei se vou lembrar dos detalhes que fariam ter alguma graça, mas né? Cheguei até aqui, não vou desistir agora.

Não desistam vocês também.

Pensem pelo lado positivo: neste ano vou apenas pra São Paulo, nem que aconteça uma coisa muito maravilhosa eu consigo produzir um ano de posts a respeito :P






segunda-feira, 2 de setembro de 2013

a coisa mais besta da vida é que ela continua.

(Eu já aviso que esse post pode não ser muito fácil de ler, porque está sendo realmente difícil de escrever)


Sexta feira, uma amiga minha morreu.

Todo mundo sabe que eu trabalho numa universidade, né? Se não sabia, sabe agora.

E eu trabalho lá há 9 anos, apesar de conhecer muitas daquelas pessoas muito antes, porque o meu primeiro chefe era o orientador da minha mãe no mestrado, muitos anos atrás. Quando eu cheguei lá, minha mãe já trabalhava lá. Meu amigo de sala tinha a mãe na sala ao lado. A gente conhecia filhos, sobrinhos, pais. Até meu cachorro eu levei pra passar um dia no trabalho comigo. É tipo família.

Depois de tantos anos, a maioria das pessoas estava acostumada com as minhas roupas que não fazem sentido, com os meus penduricalhos e com toda a sorte de porcaria absurda que eu levava pra lá. Mas ela não. Ela ainda achava tudo engraçado ou curioso e às vezes eu comprava um igual. Outro dia ela gostou de uma dessas coisas minhas e eu fui lá e comprei um pra ela.

No dia seguinte, ela me ligou.

"Vá, compra um pra mim?"

Eu já tinha comprado e ia dar de presente no dia seguinte, mas só disse que sim, eu compraria um pra ela.

No dia seguinte ela não foi trabalhar. Estava com muita dor de cabeça e tinha ido ao médico. Vocês imaginam o tamanho da dor de cabeça que motiva a pessoa a ir ao médico, né? "Mas não é nada, só um remedinho e amanhã eu tô de volta".

Pois amanhã ela estava em coma. Como ficaria por 40 e tantos dias e, por fim, morreria na sexta-feira. 

A morte, em si, não foi surpresa. Mas a condição, sim. Num dia você está falando alegremente com a pessoa pelo telefone, no outro ela está entrando em coma. 

Eu não perdi muita gente na minha vida. Perdi um avô quando eu mesma estava no hospital perdendo um rim. Perdi uma avó em outra cidade. Perdi meus bisavós que também estavam longe (quando morreram). Perdi outro avô que foi enterrado em outra cidade. Todos muito próximos e queridos, mas cujos velórios e enterros eu não participei. E velhinhos, né? Aquele tipo de morte que você entende. "Viveu bastante, faz parte". Porque as pessoas morrem desde a era das cavernas, mas a gente não aprende a lidar com isso. Eu, pelo menos, não sei. Nunca tinha perdido alguém do convívio diário, relativamente jovem, que não estava gravemente doente, sei lá.

A única coisa que me conforta é que minha última conversa com ela foi muito alegre e ela estava muito feliz. E minha última ação em relação a ela foi comprar um presente. (Aquele auto conforto que não pode ser mais egoísta, obviamente.)

*****

O mais triste quando alguém morre, é ver que a vida continua.

Você ainda tem que fazer coisas básicas como escovar os dentes e comer. Você tem que lembrar de ir à farmácia e à padaria e colocar água pro cachorro e colocar a roupa no varal. E você pensa na família da pessoa, nas coisas que você queria poder fazer por eles, mas não pode. E você tem que trocar o gás e buscar alguém no trabalho e lavar a louça.

Chove e você não reclama, porque alguém não pode mais ver chuva. Faz sol e você não reclama porque alguém não está mais lá pra sentir calor. Venta e você não reclama porque alguém não está mais lá pra ficar despenteado. Você fica preso no trânsito e aceita, porque alguém não vai chegar em casa pro café. E por uns instantes você também não aceita que essas coisas todas sejam boas, porque parece injusto ficar feliz por estar vivo, quando alguém não está.

E aí vem a segunda-feira e você volta a trabalhar. E todo mundo tá trabalhando como se nada tivesse acontecido, como se ninguém tivesse faltando. E eu m lembro de todas as vezes em que eu fiquei doente e me recusei a faltar no trabalho pra me recuperar ou ir ao médico e minha mãe dizia "se você morrer, esse lugar continua." Eu não podia imaginar o quanto ela estava certa. Se você não faz, alguém faz. E a realidade passa como um rolo compressor sobre o fato de que você não existe mais.







quinta-feira, 15 de agosto de 2013

oito faxa

Era pra ter postado isso na sexta-feira passada, mas a vida tá tão suave na nave (só que não), que vejem só vocês. Se isso for postado hoje, é lucro.


(Cêis não ficam chateados quando o trabalho atrapalha sua vida? haahhaha)

Então. Eu leio blogs como forma de auto punição, sabe? Eu vivo discutindo unilateralmente com as pessoas, por causa das coisas imbecis que elas escrevem. Aposto que vocês discutem unilateralmente comigo também, acho válido, eu sou muito imbecil. Mas a gente segue nesse processo de ler os outros, por amor, por masoquismo, por tédio, não sei. Tipo, outro dia uma pessoa que eu descobri que leio há 5 anos (a pessoa falou a idade e já são 5 anos a mais do que da primeira vez que eu ouvi dizendo a idade). E cara, eu gostava tanto no começo. Agora entrou numas de frases de efeito e eu fico aqui comendo o canto da mesa de vergonha. É ruim demais. E é um processo dolorido tirar dos feeds. Eu fico tipo ex, com a diferença que eu nunca faço isso com ex, porque ex bom é ex-terminado da face da terra, mas com blogs eu deleto e volto lá pra ver se num quero reatar e tal. Nunca quero, mas a separação é dura.

Q

Tô dizendo tudo isso só pra introduzir a ideia de que de vez em quando eu gosto de ler blogs, e geralmente é quando a pessoa indica uma música que ela ouviu e gostou. 70% das vezes eu odeio a música e desligo antes de 10 segundos, mas as 30% restantes são tão boas que compensam. Eu não ouço rádio, então é muito maravilhoso ter essa forma de descobrir músicas novas. (Mesmo quando o post é super apoteótico, com a pessoa dando lição de superação e sentimentaliszzzzzzzzzzz.)

As outras duas são: seriados e pulando no youtube aleatoriamente, sem ver os vídeos, é claro.

Não sou o tipo da pessoa "movida à música", acho isso até um pouco retardado e tenho ZERO paciência com quem não consegue ficar em silêncio ou usar fones. Deveria ser obrigatório por lei ouvir músicas em ambientes ocupados por mais de uma pessoa COM FONE. Meu saco enche muito rápido até das minhas próprias músicas, imagina das dos outros.

Por exemplo, meu carro conta apenas com um toca-fitas que eu ligo rarissimamente (tanto o rádio quanto as fitas hahahaha, sério), nunca no ~trânsito~. Se tem uma coisa que me irrita é você lá impedida de se locomover e escutando um barulho vindo do rádio. Dirigir é a melhor hora pra bater um papo com as vozes na cabeça, então eu dirijo em silêncio. A não ser de noite, quando eu posso acabar dormindo. Aí eu ligo o rádio e vou cantando.

Em casa também, eu só ligo algum som se vou fazer alguma atividade muito abstrativa, tipo arrumar armário. Lavar louça. Faxina em momentos que a casa está vazia. 

Música eu gosto de ouvir quando dá pra prestar atenção ou cantar alto. Ou no trabalho, pra evitar ouvir a quantidade infinita de asneira que é proferida ao meu redor ou até mesmo pra abafar o barulho do picador de papel do vizinho, porque, pelamordedeus, haja papel no mundo pra alimentar esse barulho infernal que nunca acaba.

Cêis sabe, né? Em um caso auto diagnosticado de Transtorno de Processamento Sensorial, a pessoa tem que se proteger de sons que iniciem uma *crise*.

Foi num desses dias, em que o potencial de estupidez estava atingindo todo um novo nível, que eu fiz esse trem de 8tracks.

Fiquei com muito ódio no meu coração que você não pode pegar, sei lá, links do youtube pra formar a lista, tem que fazer upload de tudo. Porque aqui no trabalho aconteceu uma catástrofe na minha pasta de música (eu realmente não sei como se deu e tenho preguiças eternas de arrumar) e virou tudo uma zona só e eu parei de fazer downloads e ouço tudo em listas no youtube. Aí fui lá downloadar pra uploadar, ai que saco, mas eu fiz. 

Quem já teve o prazer de ter que escutar o meu iphone porque todos os outros celulares estavam sem baterias sabe que eu só ouço musga deprê. Cresci ouvindo os brutos também amam - que vem a ser banda de roques pesados cantando sofrimento por muiés aleatórias e digivolvi pra essas porcaria que embalam momentos chorosos em seriados, um indie suicida, um folk corno, um pop merdão.

Então tentei fazer uma listinha que fosse do semi-alegre até a depressão profunda.

Sei lá, vai que tem alguém que 

************* péra que acabou de entrar um padre aqui pra benzer a sala **************

HAHAHAHA, então, vai que tem alguém que gosta, né?

*****

Disclaimer.

Faixa 1 - Maroon 5. Pop merdão, não entendo como Adam Levine faz sucesso com aquela voz e não entendo como eu gosto. Adoro essa música, especialmente porque eu acho que ela é um fora retardado. Eu dedico sempre pro meu travesseiro.

Faixa 2 - Phillip Phillips ♥♥♥♥♥♥♥. Isso é folk? Que raio é isso? Melhor música, cantarei de zóio fechado no show, com lagriminhas escorrendo pela cara e ficarei rouca em seguida. Declaração de amor do tipo que jamais farei na minha vida, gosto muito.

Faixa 3 - Emmelie de Forest. Como.proceder.com.gente.que.ouve.eurovision? Não sei, só sei que vocês têm que me amar mesmo assim hahahahah. Ouva essas flautinhas enquanto pensa em todas as lágrimas derramadas por amor. Como sofre!

Faixa 4 - Pink. Apenas a melhor cantora muié de todos os tempos. Até as musgas dela que eu odeio, eu amo. Até a voz errada desse moço do Fun deu certo com a voz dela. Mas essa musga todo mundo já ouviu na rádio, né?

Faixa 5 - Gabrielle Aplin da depressão. Não foi fácil escolher uma música dessa senhora, porque é uma melhor que a outra. Na próxima fita (kkk) vai ter outra dela, aguardem. Muita tristeza, me abraça.

Faixa 6 - Brandi Carlile. Se você não conhece, não quero mais ser sua amiga, sai daqui kkkk aquelas grossa. Gente, eu amo Brandi. Eu quero cds da Brandi. Eu grito com Brandi. VAMO SÊ AMIGA E RECLAMAR DA VIDA JUNTAS, BRANDI. Ela também não tem música ruim, cêis vão ouvir muito nas minhas fita.

Faixa 7 - Florence ♥♥♥♥♥♥♥♥♥. Também, né? Não vai me dizer que nunca ouviu. Teve um tempo que essa música tava com encosto, porque eu upei uma versão e o 8tracks tocava outra, que nem no meu computador existe. Agora tá certo, tem que ser essa aí só do pianinho e tal. A outra não dá a emoção certa. NEVAH LET ME GO. 

Considerando que cêis são educado e tão de fone, favor colocar no alto. Qué dizê, eu sou surda, eu posso. Não vão estragar seus ouvidos.

Faixa 8 - Os Mumford tudo. Se você é team "as músicas são todas iguais", SAI DAQUIIII. Não são não, e essa é maravilhosa. Nessa versão também. Tem que estar emocionalmente estável e com a placa de som em ordem pra escutar. Alto.

Agora que eu melhorei o gosto musical de vocês e levei um splash de água benta, já posso continuar minha semana sabendo que fiz uma coisa boa pro mundo.

Quem quiser contribuir nos comentários com músicas de sofrimento pra minha coleção, ME GUSTA. (Tô falando com você, amigo que me indicou um vídeo maravilhoso uns posts atrás). Se quiser dar sugestão de tema pras próximas fitas, fique à vontade, mas lembre-se de que elas só acontecerão quando a conjunção astral certa aparecer.

De nada. :*

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

~cisney~ branco em noite de lua



Eu nem sei por que vou contar isso, mas é que eu tava outro dia tentando lembrar de um acontecimento do passado e acabei abrindo uns arquivos antigos e me deparei com essas fotos e lembrei dessa história idiota, que está guardada apenas no fundo do meu cérebro e provavelmente em outros 4 ou 5 cérebros e pensei "por que não destruir mais um pouco da minha imagem já tão escangalhada na internet?"

*****

Meu pai trabalha na Marinha do Brasil desde quando eu era muito pequena, de modos que é como se ele sempre tivesse trabalhado lá. Eu e meus irmãos passamos anos intrigadíssimos na portaria, porque ninguém menor de 18 anos podia passar dos portões. E morremos todos de tédio quando finalmente pudemos entrar e não vimos nada demais. Mas como papis sempre sentiu amor pelas forças armadas, hinos cantarolados pela casa sempre foram normais. Especialmente esse do Cisne Branco.

Não sei se vós vos recordais [/pedância], mas na época dos 500 anos do Brasil alguém achou maneiro fazer réplica das caravelas pra virem de Portugal pra cá e uma delas acabou virando o novo Cisne Branco. O barquinho é tipo Doctor, em Doctor Who, e vai regenerando kkk. Uma das funções desse navio é funcionar como escola. E essa é a introdução da história de como eu fui parar abraçada na âncora do Cisne Branco.

JURO.

Um dia eu resolvi que seria especialista em logística e em negócios internacionais. Aí tava eu lá na faculdade, sendo muito perseverante em provar que mulher também pode sim ter esse tipo de profissão, quando um professor muito jovem e muito bem relacionado resolveu oferecer a uma das 8 turmas que teve naquele ano um passeio por Paranaguá. Meu, sério. Qualquer outro ciclo em que eu tivesse resolvido fazer essa matéria teria me feito perder esse momento. Mas eu sou muito sortuda e estava com o timing muito favorável.

Pra quem não conhece (eu também num conheço, vou fingir propriedade no que tô falando porque não há vontade suficiente pra usar o google), Paranaguá tem um porto importante, tem um alto escoamento de soja e tem um parque de container que vinha a ser muito moderno 10 anos atrás, quando essa história aconteceu. Incrusível, o professor fez questão que fôssemos visitar o porto justamente pra ver um empilhador de container mágico, que fazia um pátio gigante parecer um joguinho de tetris.

Então fomos viajando bem bonitos de ônibus de Curitiba pra Paranaguá, uma pequena guerra dos sexos acontecendo lá dentro, uma pessoa me oferecendo um frasco de X-14 e eu respondendo com toda a minha meiguice, arremessando um copo de água mineral na cara do infeliz, rasgando a bochecha dele com o metal da tampinha (hahahahah) e coisa e tal. 

Chegando lá, fomos primeiro nos armazéns de soja. E se eu puder dar apenas uma dica pra vocês, minha dica é nunca vista preto ao visitar um armazém de soja. Eu fiquei marrom em 2 minutos. Felizmente me deram máscaras, porque pensa numa alergia? E ratos HHAHAHAHHAHAH. Cê acha que tá sendo lindo e vegetariano comendo soja, mas tem tanto rato lá no meio que talvez não.

Aí fomos num outro negócio (devo confessar que essa é minha parte menos favorita da logística e eu tava prestando mais atenção no clima que no evento?) de transporte de líquidos para o qual eu não tava nem ligando, porque a gente tinha que ficar vendo dutos e tubulaçõesZZzzZZZZzz e usar capacetes horrorosos e acho que ninguém tava mesmo interessado nessa parte.

quem estou de capacete diferente do de todo mundo?

Fomos pro maravilhosíssimo pátio de containers, a parte disneylândia da viagem pra maioria dos presentes, e ficamos lá, chorando água do mar, enquanto a pessoa dirigia um U invertido gigante empilhando e desempilhando containers colororidos. Quando achamos que nenhuma profissão era mais legal que essa, descobrimos o ofício de ~prático~ ou "manobrista de navio", pros leigos. COARENTA MIU DINHEIROS pra passar o dia de bermuda e chinela no mar, manobrando navio. Onde manda currículo?

Só tinha um navio gigantesco de Itu atracado, mas gente, o negócio era da altura de um prédio de 900 andares. Meu profes foi lá tentar conseguir que eles deixassem a gente subir no navio, até que alguém se tocou da bandeirinha chinesa, na época do hype da gripe asiática HAHAHAHAHA. Nem os pessoal do porto deixou, nem ninguém ia querer. 

Nesse momento, nos demos conta de um naviozinho menorzinho, quase imperceptível perto do ponto vermelho gigante: ~cisney branco~ tava lá, atracadinho, de buenas, apenas apreciando a marola.

O profes muito do cara de pau se aproximou da belíssima embarcação e perguntou se 30 desocupados poderiam, de repente, assim, sem compromisso, visitar o navio. Pra nossa surpresa, a resposta foi sim. Aí começou meu pesadelo.

Eu tenho PA-VOR de água. Cê não tá entendendo. Eu sou a pessoa que entra numa balsa e desce imediatamente do carro. Se ninguém sai da minha frente, eu passo por cima das pessoas e saio pela janela, mesmo que o carro só tenha porta na frente. E isso é a descrição de um acontecimento. Eu pulei por cima das pessoas, dos bancos, saí pela janela e fui lá catar a bóia de salva vida. Se esse trem afundar, eu não quero morrer, ok? Eu sei nadar, já me salvei de afogamento em mar revoltado apenas com as minhas habilidades físicas, mas eu não quero ser tragada por um monte de ferro afundando. EU TENHO PAVOR DE BALSA, eu ando 300 km se puder evitar andar sobre o mar.

Nunca imaginei que isso se estenderia a um navio atracado.

Mas foi pisar no convés e imediatamente começar a passar mal. Eu não conseguia parar de pé com eficiência e o alto movimento de manobras naquela hora no porto deixava o mar agitado e o cisney branco balançando loucamente e eu ficando verde no convés. Aí eu fiz o que qualquer pessoa normal faria: me dirigi pra saída. Veio um marinheiro de 4 metros de altura e 2 de largura e me agarrou pela cintura de modos que meus pezinhos deram passos no ar, enlouquecido, dizendo "cê tá lôca? só sai daqui quando o capitão autorizar!!!!".

Meu, então cê vai AGORA achar esse infeliz, porque eu não vou ficar aqui não.

Alguém acabou obrigando o marinheiro a ficar de meu babá e eu fiquei lá reclamando e quiseram me dar dramin, mas eu tenho alergia a dramin (se eu falasse que a reação consiste em desmaio quase instantâneo que perdura por umas 14 horas, aposto que teriam amassado e me dado na água) e ninguém tinha mais nada pra ajudar, de modos que o marinheiro teve a brilhante ideia de organizar o povo em grupos pra irem fazendo uma excursão pela belíssima embarcação, apenas pra garantir que eu ficasse distraída.


    
tá vendo esse pequeno negão no meio da foto? meu personal marinheiro.

Então a gente foi pra sala de jantar de festa, um negócio de muito bom gosto, com um carpete vermelho cabaré e móveis escuros, lustre estilo candelabro, uma finesse. Tudo com telas pra vídeo conferência, muito moderno, parecendo coisa de filme do James Bond, sabe? Aí sala de jogos, sala disso, sala daquilo, desce aqui esse lance de escada, vamo ali na cozinha.

Uma cozinha gigante, linda, tipo industrial, com a típica cena de pessoas descascando batata (sério) facas ginsu gigantescas, o tio lá cozinhando loucamente e alguém sugere entrar no freezer. Entramos e é engraçado, porque parece filme, um frio infernal lá dentro. O marinheiro gênio diz que a porta é tipo cofre e eles se divertem fechando ozotro lá dentro e eu tenho o trigésimo oitavo ataque de pânico desde que botei o pé no navio e tenho que ser carregada pra fora do freezer aos gritos, e o moço me acalmando "ó, tá vendo, tá aberto, calma, calma".

Em minha defesa, só posso dizer que aquele balanço todo afetou a minha meninge (q) e meu labirinto e eu fiquei assim com as travas comportamentais mais quebradas que o normal.

Continuamos o passeio, tudo era mesmo muito bonito e espaçoso, ainda mais se comparado com o lado de fora (TARDIS, alguém?) e eu não me dei conta que já estávamos no quinto lance de escadas, quando chegamos num corredor estreeeeeeito, com quinhentas e vinte mil portinhas, mais parecendo um cenário de pesadelo. Vinha a ser o andar dos quartos. Fomos andando pelo belíssimo carpete vermelho, até chegar no quarto do nosso personal marinheiro. Ele abriu a porta e disse pra gente entrar e olhar à vontade. Aí eu fui lá olhar na janela e, especialmente burra como eu estava aquele dia, perguntei se ficava assim sempre embaçado por causa da maresia. Ele riu. Eu apertei o zóio e vi alguma coisa voando. Fui olhar mais de perto e vi que a coisa estava NADANDO. Comecei a gritar tudo de novo, me arrastaram pro corredor, onde eu tentava, mas não conseguia explicar que estava MORRENDO DE MEDO DE MORRER AFOGADA, porque eu fiz as contas e entendi que estava cinco andares pra baixo do nível do mar, socorro, SOS, mandem a guarda costeira, ajuda, mayday, mayday.

O marinheiro, coitado, me pegou por baixo dos braços e saiu me arrastando escada acima, enquanto eu gritava por socorro e dizia que não conseguia respirar (tô sentindo uma vergonha tão grande ao lembrar disso, pelamor) e aí os grupinhos espalhados foram se juntando, porque eu tava chamando só um pouco de atenção e de repente tava todo mundo no convés e eu no chão ao gritos, tossindo, tendo ânsias de vômito, fazendo a afogada e pedindo pelo amor de deus pra alguém achar o capitão, porque eu PRECISAVA sair daquele navio. Mas o capitão estava ocupadíssimo fazendo sei lá o que e não podia parar sua importantíssima atividade pra ir salvar uma mocinha indefesa.

Depois do chilique semi finalizado, o marinheiro tentava me botar de pé e eu desmontava tipo aqueles burrinhos que tinha na casa das avós, que a gente apertava embaixo e ele desmontava, sabe? Eu tentava andar em linha reta e fazia uma parábola. Não tinha condição nenhuma de sobreviver naquele ambiente inóspito, quando o marinheiro teve a brilhante ideia de me catar no colo, me levar até a âncora e falar "abraça aí, fia". Eu abracei. "Fica quieta", e eu fiquei. E fiquei lá por infinitos minutos, até todo mundo acabar de visitar o navio, o comandante finalmente aparecer e dizer que podíamos sair.

Se você me perguntar como foi que eu saí do navio, eu te digo: tenho a mínima ideia. Alguém provavelmente me arrastou pra fora. Só sei que fiz o papa ao botar os pés na terra firme e beijei o chão. Do porto. Se foi porque eu quis ou porque eu caí de cara, jamais contarei.

Voltamos para o ônibus em silêncio, 8 pessoas me amparando pra que eu permanecesse em pé. Para a sorte dos envolvidos, voltei em situação total de destruição, de modos que não pude mais atentar contra a vida ou a face de mais ninguém. 

Chegando em Curitiba, descobri que ainda teria que voltar pra casa de ônibus, porque minha mãe achou que não tinha nenhuma necessidade de dirigir até o centro da cidade pra me buscar depois de um dia que eu só fiquei passeando HAHAHHAHAHA. 

E, o mais impressionante: um dos meninos, que até aquele dia nunca tinha me dito nem oi, quanto mais tratado bem, declarou amor eterno. Mesmo morando no quinto dos infernos, foi me acompanhando de busão até em casa, só pra eu não ir sozinha e garantir que eu não fosse vomitar HAHAHAHAHAAHAHAAHAHAHHAAHAHAHHAHA. Eu realmente não vomitei, mas só constatei a beleza em que eu me encontrava ao chegar em casa. Marrom de soja, descabelada por um hit combo soja + maresia + colo de marinheiro, com a cara verde igual de desenho, olheiras e ó, nem um urubu me acharia cheirosa.

Como a gente desperta amor assim, jamais saberei.

O importante é que eu entrei num navio brasileiro feat. caravela comemorativa e você não. Fui carregada por um marinheiro negão maravilhoso e você não. Arranjei um namorado demente e você não. Tô contando isso num blog em que qualquer leitor de língua portuguesa pode ler e você não.

Reflita.

Para minha própria sorte, em 2003 as pessoas não tinham smartphones ou câmeras fotográficas de boa qualidade ou até mesmo redes sociais (oremos), de modos que não há registros da minha cara de pateta dando chiliques de hora em hora tipo a telesena, ou 27 status de instagram com a legenda #abraçada #na #âncora #vergonha #bafão #alok #paranaguá #cisney #branco #negão #labirintite #kkkkk #chantagem #seferrou #x14 #agressiva #vergonha #incidentediplomatico #orgulhinhodopapai.

*****

Nunca mais cheguei perto de um porto na vida, nunca mais pisei num navio (nem numa balsa) na vida, mas marinheiro eu vejo toda vez que vou visitar meu pai no trabalho. Incrusive, se alguém puder mandar umas ondinhas pra São Paulo pra eu ter desculpa pra ser carregada por um deles quando estiver por lá, tô aceitando. Só que não.

terça-feira, 30 de julho de 2013

dois bicudos



heads up: não consigo organizar as ideias pra esse post.


Meus pais sempre fizeram questão que a educação musical dos filhos incluísse absolutamente tudo que fizesse barulho. E se você pensa que funk é ruim, experimenta até sua mãe aparecer com um cd de música tribal, simulando os sons desde o início da humanidade. Cê prefere escutar qualquer ~qualidade~ de batidão a sons aborígenes, vai por mim. Cê prefere escutar Michel Teló que orquestra de flautas doce. MEODEOSDOCÉU, um dia eu vou martelar aquele cd da orquestra de flauta doce até a fissão nuclear dos átomos daquela porcaria. (Mãe, se você tá lendo, cê já sabe do meu apreço por aquele cd.)

Mas assim, a coisa não podia ser feita com amor. Quanto pior o gênero musical, pior a hora de execução. De modos que quanto mais potencial pra ser odiada, mais provável de ser tocada na hora do despertar (como cêis sabe, minha hora favorita do dia). Nunca vou estar esquecendo a época da oitava série e o eterno Gian e Giovani (não me interessa como escreve o nome desses dois, ok?). E não bastava cd, disco. Minha mãe tinha que ligar na rádio e oferecer a música pra gente HAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHA.

Meu pai sempre foi muito roqueiro, do tipos que tem banda cos 38 irmãos (ô gente pra ter filho essa do passado), então a gente pôde escutar muito Pink Floyd, Deep Purple, Queen, Supertramp, Iron Maiden, Metallica, Guns'n'roses e tal. Mas a gente tinha uns vizinhos meio pentelhos, então, quando eles começavam a gritar rock pelo corredor, minha família combatia com Chitãozinho e Xororó, Leandro e Leonardo, Zezé e Luciano. VALEO AÊ GALERA ¬¬

Minha mãe começou tocar piano aos seis anos e tocou a vida toda, fez tudo que é tipo de conservatório, faculdade de música, canto e tal OUSSEJE. Também crescemos ouvindo Beethoven, Bach, Vivaldi, Haendel etc etc etc. Mas de vez em quando tacava um Bananarama na vitrola e vamo nessa, né?

Grazadeus ninguém na minha casa curtia muito Beatles e Chico Buarque, oremos. (Guardem suas preciosas opiniões pros seus espelho, não me interessa, brigada.)

*****

Também tivemos muitos momentos de MPB, mas era o que a gente menos ouvia. Lembro de ter me interessado mais por Marisa Monte, Caetano Veloso, Gilberto Gil já maiorzinha, tipo depois dos 15 anos e com força na época da faculdade, com uns 17. 

Nessa época longínqua da minha vida, quando Alexandre Nero ainda não era famoso e tocava musgas num bar podrão em Curitiba, eu me apaixonei pela sua belíssima voz ao som de Magamalabares e Um Índio. Depois de um tempo eu fiquei tão insuportável que ele sempre oferecia uma dessas cançãs para a minha pessoa, quando eu tava debruçada no camarote ♥♥♥♥♥♥

E, com a finalidade exclusiva de cantar todas as músicas com o Nero, eu cavoquei a internet atrás de todas as músicas de MPB que fossem compatíveis com os meus ouvidos, excluindo terminantemente chicos, gals, vanessas da mata e outros engodos do tipo.

Foi assim que eu e Ana Carolina ficamos amigas kkk.

Por mais que eu seja super a favor de músicas de dor de cotovelo, que me afunde em Brandi Carlile, Gabrielle Aplin, Russian Red, eu tenho um probleminha com música de corno ou de baixa auto estima, sabe?

Eu vou sair nessas horas de confusão
 Gritando seu nome entre os carros que vêm e vão
Quem sabe então assim 
Você repara em mim 

PFV, né, amiga? Vai reparar sim, vai chamar a polícia, vai te indicar o MADA, vai avisar os vizinhos pra tomar cuidado, vai pedir mandado de restrição. 

Mas sei lá, entre isso e Marisa Monte cantando sobre cérebro eletrônico, eu ainda prefiro isso. Acho que a gente acostuma.

(Eu tenho esse probleminha crítico mesmo quando eu gosto do artista. Eu tenho consciência de que é impossível gostar de todas as músicas e to diboa daquelas que são ruins.)

Então eu tava lá vivendo minha vida e apareceu um show da Ana Carolina na minha vida. Não lembro que ano foi isso por mais que eu tente, mas deve ter sido, sei lá, 2007. Lembro que o ingresso custava 60 dinheiros, 30 se a gente levasse uma lata de leite em pó. Lembro também que não sabia que tinha aquele bonito preconceito com cantoras de MPB e não tinha a menor ideia de que iria parar no meio da maior concentração de moças que gostam de moças do universo. Nem que meio mundo ia me julgar por ter ido sozinha. Ó MINHAS RUGA.

Cheguei cedo, fiquei perto do palco, que era baixo e tinha uma visão muito maravilhosa pros instrumentos. Eu estava esperando ansiosamente pela melhor música de todos os tempos (vale muito ouvir a versón ao vivo por causa de belos batuque que eu vi ao vivo111!!!1!!), mas sabia cantar absolutamente todas as músicas. Uma coisa assim muito bonita.

Aí apareceu uma pessoa louca na minha vida que se apossou das musgas da Ana [/íntima] (cêis sabe como é, né? quando alguém se apossa de uma coisa que você gosta e aí você é obrigado a detestar a coisa até expurgar o indivíduo da sua vida? tipo o que aconteceu entre mim e o twix, apenas que eu nunca mais vou poder comer twix na vida?) e eu fiquei de mal e deletei tudo do meu computador e nunca mais ouvi.

Mas meu HD morreu e eu resolvi baixar músicas que me fazem feliz e eu fui num show do Cauby ♥ (e aqui eu devo avisar que li que ele ia cantar retalhos de cetim e não sei por que raios meu cérebro ficou com retrato em branco e preto na cabeça E NÃO ME INTERESSA QUEM ESCREVEU SE NÃO SABE CANTAR) e eu baixei Ana Carolina tudo de novo.

Só que fiquei nas musgas antigas, nunca mais baixei nada novo e tava vivendo normalmente.

Até que alguém ligou o rádio do meu carro (coisa que eu NUNCA faço) e eu escutei que Ana Carolina estaria estando fazendo um show em Curitiba.

Será que vô? Será que num vô? Será que é na PQP? (é) Será que custará milhões? (sim)

Desencanei.

Tava deprimida por assuntos não relacionados, gastando dinheiros que não tenho, pintando unhas com cores que não gosto, toca meu celular.

- Cê gosta de Ana Carolina?

Meu, a falta de carboidrato na vida da pessoa é um assunto sério, porque eu só conseguia pensar em docinhos ocos cheio de recheio doce e ruim.

- Ana Carolina, sua anta, a cantora.

AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

- É que eu ganhei um ingresso extra pro show amanhã, cê qué?

OPA, vô querê!

De modos que no dia seguinte, tava eu linda, loira e japonesa na entrada do teatro que fica pra lá do raio que o parta, esperando pra ver o show da minha querida cantora brasileira favorita. Com uma diferencinha: num sabia música nenhuma.

*****

Quem me deu o ingresso não conhecia o teatro e disse que ficaríamos na fila 39. O teatro é gigante e a fila 39 é na pqp, então nem levei máquina fotográfica, fiquei apenas empolgada em ouvir as cantorias de uma pessoa que não desafina ao vivo - não tem como não amar.

Acontece que a gente ia ficar na CADEIRA 39, na fileira 6. Tipo assim, na cara da dona Ana, cê tá entendendo? Quase morri de catapora com a proximidade que não era suficiente pra essa porcaria de câmera de iphone. Mas não tem problema, porque eu tava vendo ela linda e maravilhosa e perfeita debaixo daquela luz horrível (tem que nascer muito incrível pra ficar bonita nessa luz) e ouvindo e ai ai.

E eu, que sempre tive um problema em me entender com a definição da palavra catarse, tive uma ali mêmo.

Aliás, esse teatro é o campeão. Ali eu vi a linda palestra maravilhosíssima com seu Ariano Suassuna que mudou minha vida, sabe?

Sou muito sortuda. Tenho os melhores amigos do mundo pra me darem um presente desses, viu? Eu e Ana estamos de bem agora.

Mas ó, se você num curte as MPB, recomendo que vasculhe a imensidão do repertório e ache alguma coisa compatível com seus belos ouvidos. Não desista porque um fanho overrated estraga tudo que escreve (heh). Não precisa nem ser Ana Carolina, sabe? Tem tanta música boa aí pra você ouvir e apreciar um pouco da cultura nacional. E ó que eu sou tudo menos xiita da cultura nacional. Só acho que é válido fechar o zóinho e cantar entendendo a letra, a menos que seja Djavan ou Pato Fu HAHHAHAHAHAHAHAHAHAHA.

*****

Gente, já fui em tanto show maravilhoso na minha vida. Tipo, Paulinho da Viola, não tem como resistir. SINTA ESSA CANÇÃO. Ao vivo ele também não desafina, é muito amor. Recomendo também Alexandre Nero, a canção mais triste do cancioneiro brasileiro, também tem essa, muito maravilhosa (também já fui a um show do seu Arnaldão), mas quem não estiver pronto pra esse desafino artístico todo, tem com uma moça e mesma musga. E obviamente esta e esta, né? Sem esquecer a segunda musga mais triste do cancioneiro brasileiro e tal. E, POR FAVOR, me poLpem de clarizzzzz falcão, loser manos, as vanessa tudo (NÃO HÁ UMA VANESSA AFINADA NESSE MUNDO, GARANTO) e seus amores fanáticos por pessoas que tão enriquecendo independentemente dos seus amores e dos meus desgostos.

Tamo entendido?