sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

down the memory lane

parte I

(Não que eu esteja aqui publicamente me comprometendo com a parte II, eu nunca lembro de fazer a outra parte desses negócios que vêm na minha cabeça.)

aquela forma física causada por uma parte do organismo morrendo, ou "eu, aos 9 anos".

Na minha casa, a gente sempre tenta jantar com o maior número de familiares possível, porque é a única hora do dia que tem mais que duas pessoas em casa. A gente estava lá comendo deliciosas delícias ôntiônti, com a tv movida à antena de bombrill ligada no Jornal Nacional, alguma reportagem citando fatos históricos acontece, minha mãe lembra de uma coisa, outra, outra, começamos a falar sobre meu irmão ter chegado em casa da maternidade exatamente no dia da posse do Collor. 

Isso não tem importância nenhuma pra história [da minha família] hahaha.

*****

Então eu comecei a falar sobre coisas que meu irmão não lembrava, já que ele é 10 anos mais novo que eu e a gente normalmente ainda leva uns 5 anos pra começar a guardar memórias e tal. Coisas sobre a minha infância e a da minha irmã antes de ele nascer. Coisas depois de ele ter nascido, mas que nunca se lembraria. Ficamos quase uma hora rindo dos absurdos, tipo o dia em que meu irmão dormiu à tarde pela primeira vez na vida e minha mãe quase chorou, porque ele tinha quase dois anos e nunca tinha dormido mais de duas horas seguidas e eu e minhas amigas resolvemos """cantar""" ~aquela~ música da Deborah Blando nas alturas e minha mãe veio desesperada mandar todo mundo calar a boca antes do uivo final.

Depois de um tempo, minha mãe falou com muito amor no coração "nossa, Vanessa, você geralmente só tem memória ruim, nem acredito que tá lembrando só de coisa boa". ¬¬

E eu fui explicar que as memórias "ruins" são mais engraçadas, geralmente. E eu normalmente só reclamo dos retards que fizeram da minha vida um pesadelo quando eu era criança, mas em casa, minhas memórias são predominantemente boas.

Não sei o que aconteceu, sério mesmo, não lembro como foi que a gente virou da palhaçada pra catástrofe - e eu tenho certeza de que não fui eu - e minha mãe começou a falar de um tempo que começou a dança das escolas comigo e minha irmã (teve um ano em que eu estudei em QUATRO escolas diferentes hahaha). E me disse que me trocou de uma escola que eu amava pra uma outra bem menor e ~exclusivíssima~ - minha sala tinha apenas cinco alunos e nenhuma sala tinha mais que 12 - porque minha irmã era meio desinteressada pelas maravilhas da educação e precisava de atenção total pra gastar seus preciosos minutos com a escola. Eu dou razão pra ela:  nessa época eu tinha 10 anos e ela 5, que coisa horrível ter que ir pra escola com essa idade.

*****

Foi nesse mesmo ano que meus pais descobriram que meu rim estava morrendo lentamente desde que eu nasci. Eu estava passando as férias de verão na casa da minha avó e um dia eu não comi. Me ofereceram até brigadeiro e eu não comi. Me deixaram de castigo porque eu não comi e não podia entrar na piscina e eu nem reclamei. Me deixaram ir pra piscina porque eu tava muito baixo astral e, depois de nadar por uns 20 minutos, eu dei um grito de horror tão horroroso que meus pais só me pescaram lá de dentro e levaram pro hospital, onde o médico descobriu que alguma coisa estava MUITO errada com meu rim e eu vomitei o que eu não tinha comido por horas. Minha mãe me disse que eu passei a noite no hospital e eu sinceramente não tenho nenhuma memória desse fato. No dia seguinte, voltamos pra São Paulo e começou a maratona até me abrirem, verem que o rim não tinha salvação, consertarem o que dava e eu ir viver. Três meses disso, dois deles indo pra escola normalmente.

Cêis já ouviram aquela história que cólica de rim supera a dor do parto? Pois é, isso é pra quem tem pedra. De acordo com meu médico, minhas dores eram dez vezes piores que uma cólica de pedra. OUSSEJE. Passei mais noites no hospital nesse período do que consigo contar. E às vezes era na escola que essas cólicas aconteciam e minha mãe tinha que me buscar correndo e levar pro hospital. Eu ficava alguns dias meio destruída, melhorava e levava a vida até acontecer de novo.

Na semana anterior à minha cirurgia eu estava relativamente bem. No hospital toda hora pra exames, acabava que tava sempre medicada, tava sossegada. Numa dessas tardes de relativo sossego, fui pular amarelinha no fim da rua, onde tinha uma amarelinha permanente pintada no asfalto. Todas as ruas do condomínio eram sem saída e a amarelinha era bem no cantinho. As poucas vagas que ficavam ali eram ocupadas por pais que trabalhavam o dia todo, não tinha perigo nenhum. Eu estava de costas pra rua, pulando, a rua vazia. VAZIA. Um dos milhares de retardados que moravam naquele condomínio (daqueles que faziam da minha vida um pesadelo, como eu disse antes), estava andando de bicicleta na minha rua, apesar de a rua dele ficar bem longe da minha. Em vez de virar antes e voltar por onde veio, em vez de dar a volta na amarelinha (a rua é larga, cabem mil bicicletas), em vez de fazer alguma coisa útil da vida, esse imbecil esperou eu pular com as pernas abertas e veio pra cima de mim com a bicicleta. As rodas bateram no meio das minhas pernas e o guidão bateu nas minhas costas bem na altura do meu rim. Eu não escutei ele vindo (surda), não esperava ser atingida por nada, porque a rua estava vazia até dois minutos antes, caí com a cara no chão. Quando eu caí, ele passou com a bicicleta por cima de mim e das minhas costas. PARABAINS.

Fiquei com medo de contar pra minha mãe (10 anos, gente. 10 anos) e chorei na rua até parar de doer, fui pra casa, fiquei quieta, passou e de noite eu fui dormir me sentindo bem. Fui normalmente pra escola no dia seguinte, onde tive a pior cólica de todos os tempos. Senti a dor começando (se você nunca teve uma cólica de rim, tente imaginar como se um gancho te fisgasse pela cintura e fosse te rasgando de dentro pra fora). Tentei arranjar uma posição pra ficar na cadeira, mas a dor passou de horrível pra insuportável em menos de cinco minutos e eu não conseguia parar de gritar, nem abrir os olhos e eu caí da cadeira e comecei a me debater no chão e ninguém sabia o que fazer porque nunca tinha sido assim tão horrível. E cada vez que alguém me encostava eu gritava mais ainda, porque era como se eu estivesse sendo flechada por todos os lados, então não dava pra me ajudar a levantar, não dava pra fazer nada.

Em 1991 não tinha celular, só quero lembrar todo mundo disso.

Alguém lembrou que eu carregava remédio na mochila, trouxe água, pegou o comprimido e eu lá tentando respirar, sentar, engolir ao mesmo tempo, tomei o remédio e a dor passou pra um estágio em que eu consegui pelo menos sair da sala pra que a aula continuasse, pra ir berrar por outros lados. Ligaram na minha casa por horas, da primeira aula até a última e ninguém atendia. Não tinha como encontrar minha mãe. Não sei a razão de nenhum gênio ter ligado no trabalho do meu pai, de repente ele dava um jeito, pegava o carro de um amigo, SEI LÁ, alguém salvaria a criança, né? Ninguém chamou ambulância, nada. Não consigo nem imaginar uma idiotice dessa nos dias de hoje. Só sei que eu fiquei no chão da secretaria me contorcendo e gritando até a hora da saída.

Quando minha mãe finalmente chegou, eu estava rouca, roxa, com as mãos destruídas de tanto apertar as unhas nas palmas, acabada, querendo só morrer de uma vez praquilo acabar. Ela estacionou na frente do portão da escola, e eu, com toda a finesse que aquela manhã me proporcionou, perguntei:

- ONDE A SENHORA ESTAVA A MANHÃ INTEIRA QUE NÃO ATENDEU O TELEFONE?

HAHAHAHAHAHHAHA

Gente. Eu sei. Só eu sei a dor que eu senti, mas reflitam sobre uma criança de 10 anos falando nesses termos com a mãe, se fosse minha filha eu matava. Fui ouvindo a bronca da escola até o hospital, foi delícia os gritos com aquela dor. Obviamente não tenho a mais remota lembrança de como esse dia acabou, porque provavelmente doparam até a minha alma. Alguns dias depois, meus pais pagaram todo o karma, porque meia hora depois que eu entrei em cirurgia, meu avô morreu e meus pais tiverem que me deixar no hospital assim que eu acordei pra irem ao velório a 400km dali. Não fiquem bravos com eles. E eu passei 10 dias no hospital e ele não conseguiram nem voltar a tempo de me buscar, meu outro avô que fez isso. 

E aí eu estava contando essa história pro meu irmão, que tinha mais ou menos um ano na época do ocorrido (a festa dele foi uns dias antes dessa desgraceira toda aí e eu fiz a cirurgia na semana seguinte) e dizendo que toda vez que alguma coisa em mim dói eu lembro desse dia pra parar de reclamar.

Aí minha mãe interrompe e diz:

- o pior você não sabe. A resposta pra sua pergunta naquele dia era shopping. Eu tava no shopping.

AHHHHHHHHHHHHHHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHHAHAHA

Quase caímos os três da cadeira de tanto rir. E eu tinha razão: as histórias mais trágicas são sempre as mais engraçadas, quando todo mundo sobrevive no final :P

É apenas muito amor essa família ♥


sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

oi, tudo bom, como vai?

quando eu ainda era bonita só que não muito


CÊIS AINDA VÊM AQUI?

Gente, deixa eu falar. Eu não consigo funcionar muito bem nesses períodos de 15 de dezembro a 15 de janeiro por mais que eu tente. Que época horrível, que insuportável que fica o mundo, que calor desnecessário.

Por exemplo. Cê entra na internet e o que que tem? Milhões de pessoas fazendo resoluções de ano novo? Adorariam enfiar resoluções no fiofó? Acorda amanhã dando bom dia pro vizinho, beijando o português da padaria, dando flores pro delegado. PRECISA esperar o ano virar? Aí vira, mas férias. Aí acaba, mas carnaval. Aí foi, mas copa. ARRRGHHHHH. E outra. a resolução de todo mundo é igual. Ser mais feliz, viajar mais, comer saudavelmente, fazer exercícios, pelamor dos meus filhinhos que nunca terei, sério mesmo? Como todo mundo é boring, que saco.

Tem também o bonde do feliz natal. Nego vai sair de férias dia 10 de dezembro e não vai te ver mais, o que ele faz? Te deseja feliz natal. HOJE AINDA É DIA 10, SEU IMBECIL. Vai desejar feliz natal pra tuas nega. Quero nem saber, gente. É igual pessoa que fala boa tarde meio dia e um e logo corrige "ou bom dia, não sei se você já almoçou". PFV, chega.

Aí os mesmos retardados do feliz natal dia 10 de dezembro voltam a trabalhar dia 10 de janeiro te desejando feliz ano novo. FELIZ ANO NOVO MEU OVO meu forte é a rima. Amigão, eu aceito feliz ano novo até meio dia do dia dois. Se você só me vir depois do dia 6, vamos todos ignorar apenas? É possível? Ontem veio um desses babaca me desejar feliz ano novo, virei e fui embora sem prosseguir a conversa. A pessoa fica #chatiada, né? E eu pergunto: se você só me visse 18 de março, desejaria feliz ano novo? Em 27 de outubro? ENTÃO NÃO.

Por isso eu fico reclusa, gente. Porque não lido bem nível maracugina.

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Vamos agora aos ~virada de ano's tales~, porque eu super quero contar coisas maravilhosas que só acontecem nesse período mágico de 15 de dezembro a 15 de janeiro pra dar o clima.

Bom, no meu trabalho a gente nunca sabe se feriados serão emendados, se fins de ano terão recesso, se férias serão homologadas. É sempre um mistério. Normalmente a gente descobre as respostas pra perguntas tão difíceis às 17h do dia anterior, sendo 17h o horário de saída. Acho prático, acho motivador. Então dia dezenuóve de dezembro, dia de sol azul, eu estava aqui estressadíssima e encalorada pensando se teria que baixar breaking bad ou se assistiria pelo netflix mesmo no trabalho, porque TRABALHO é uma coisa que não existe em universidade nessa época do ano, quando fui informada de um belíssimo recesso do dia 20 ao dia 6. Não comemorei em voz alta, por motivos de pavor que alguém mudasse de ideia e eu tivesse que engolir o choro e tal.

16:35h minha mãe entra na minha sala. "O prédio inteiro já foi embora, vamo também?". Mas é claro que não, minha senhora. Falta quase meia hora, sossega aê. E ela revoltadíssima, dizendo que mal tinha mosca voando neste campus, pelamor, para de ser assim tão pentelha e blábláblá.

16:52h minha mãe percebe que estou falando mais que o normal pra distrair do relógio e começa a fase dois do discurso "mas não dá pra ir fechando as janelas, desligando as coisas e bláblábláblá?" Digo que não, porque quando foi 16:59h, alguém vai entrar na minha sala com olhos arregalados e respiração descompassada, porque tem alguma coisa que precisa sair com a data de 2013 e só eu tenho competência pra fazer.

Dá 16:59h no relógio e minha mãe me olha com o olhar mais fuzilante que ela consegue. 16:59:47 entra meu chefe na minha sala pedindo pelamordedels pra resolver um negócio que blábláblábláblá. Minha mãe quase desmaiou.

Quando fazia uns 20 minutos que eu tava lutando contra o sistema (que já tava em recesso) e finalmente vencia a guerra, entram duas coleguinhas na minha sala pra falar feliz natal e etc e eu não dou muita bola, porque tenho coisa mais importante pra fazer. Aí elas falam "mas porque você não tá prestando atenção na gente?" Eu respondo que é porque o documento que eu estou fazendo tem prazo e não quero correr o risco de o sistema morrer de vez. Elas gritam em coro "MAS VOCÊ AINDA TÁ TRABALHANDO????".

Sim.

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Eu tinha um amigo muito amigo amigo mesmo, daqueles com quem a gente combina de casar se atingir uma certa faixa etária da depressão sem um relacionamento significativo, daqueles que todo mundo pensa que vocês têm um caso secreto ou por quem você está secretamente apaixonada, que te liga de madrugada porque a mulher que está fazendo da vida dele um inferno aprontou uma coisa nova e você vai consolar. Ele te conta que a fia decidiu que ele não servia nem pra pano de chão, pegou um ônibus pra uma cidade a 600km de distância, no dia do aniversário dele, só pra não ter que olhar na cara dele. Uma fofa, eu diria. Aí seu amigo chora no seu ombro e você dá conselho pela milésima vez, porque foi só esse pouquinho de vezes que essa querida fez com que ele sofresse. Ele insistia, azar dele. Mas obrigação de amigo é dar esculacho e ombro, eu tava lá fazendo minha parte. 

Um ano depois, nesse lindo intervalo de virada de ano, me aparece no facebook uma terceira pessoa comentando "o casamento do fulano estava ótimo". Fulano esse sendo seu amigo do parágrafo acima. A noiva? A DOÇURA DO PARÁGRAFO ACIMA. Cê dá um piti no facebook, porque foi lá que as ~novidades~ apareceram e quiqui seu """""amigo"""" faz? Diz que não te avisou que ia casar porque não tinha dinheiro pra te convidar pra festahahahahahahahahahha. As if eu ingerisse carne e cerveja no churrasco alheio, por qualquer comemoração que fosse. Sério, a pessoa relacionou o fato de esconder o casamento de mim por não querer me dar comida. HAHAHAHAHAHHAHAHAH.

Indignadíssimo, postou no próprio facebook que não entendia como alguém fazia questão de ser convidado pra uma festa que era tão íntima e tal e eu me pergunto se é idiota tanto assim de achar que era sobre a festa ou se era mais fácil se fazer de idiota pra não ter que admitir que casou com uma desaplaudida, né? O mais legal foi um """"amigo""" em comum que comentou o post do noivo com as lindas palavras "vi o mimimi por aí e acho que você tá certo" e no dia seguinte vem querer que eu seja simpática. 

NÃO.

****

Tava caindo uma chuva torrencial, do tipo que você espera a qualquer momento Noé vir remando e chamando Gisele Binxem e Tom Brady pra embarcar - até parece que seriam quaisquer outros dois na cota de humanos, né? - e tudo o que você mais quer é agradecer ao cosmos por ter uma casa que não alaga, não é perto de rio, não tem telha furada e vocês compreenderam o raciocínio e ficar quieta em casa. Mas eu não posso, porque uma pessoa precisa ir do ponto A ao ponto B com hora marcada, bem na hora da chuva. E só eu posso levar, porque meu carro é o único cujo limpador de para-brisa (como escreve esse troço depois do acordo?) é capaz de lhe-dar com aquele tipo de chuva feat. a única com carteira de motorista em dia. 

Aí eu vou sofrendo, porque se tem uma coisa que eu odeio mais que dirigir à noite (zóio sofrido com luz não trabalha bem com faróis na cara e luzes de freio em geral) é dirigir na chuva, então imagina como é gostoso dirigir à noite COM chuva.

Tudo ia bem, estava quase no destino final, o farol ficou vermelho, parei. Do meu lado direito, carros parados em 45 graus, como é o certo naquela rua. De repente, um retardado resolve que quer sair da vaga e simplesmente dá ré em cima do meu carro parado no farol. Eu buzino, eu grito, mas a chuva está forte demais, tipo de novela mesmo, e o imbecil não escuta e NÃO.PARA.DE.DAR.RÉ. Ele não percebe que o carro não vai mais - sim, ele bateu no meu carro, que prendeu o caro dele - e não para de acelerar. Tento convencer alguém a descer do carro ou abrir a janela ou qualquer coisa mesmo, mas com aquela chuva, ninguém faz nada. O sinal abre e o imbecil atrás de mim começa a buzinar e dar luz alta, de modo que eu não tenho escolha a não ser sair dali. Não acho lugar pra parar pra voltar e pegar a placa do animal que destruiu a lateral do meu carro. Não vou mandar arrumar e dane-se, vou ser aquela pessoa que todo mundo tem medo de ultrapassar, estacionar do lado, pegar carona. Porque se o carro tá escangalhado, é sua imagem que vai pro buraco. DANE-SE. Perdi o amor.

Quando todos os acidentes automobilísticos que você teve na vida foram culpa da outra pessoa, sempre numa manobra muito inteligente, cê meio que desiste.

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Falando em carro, levei a minha primeira multa ♥. Que também não foi minha culpa, mas who cares? Cinco pontos na carteira. Como eu disse pra minha mãe: o dinheiro não me incomoda, mas a humilhação de pontos na carteira por uma coisa que eu não fiz e não é possível apresentar o condutor, olha, tô amando. 

Em assunto não relacionado, fui transferir o carro no DETRAN e foi lindo, porque apenas chegando lá eu descobri que estava sem luz de freio (obrigada você que me seguiu outro dia e não foi capaz de avisar, beijão!), sem luz de placa, com placa sem lacre, com extintor vencido (parabéns pra você que olha a validade da válvula e acha que é a mesma do pozinho), insulfilm mais escuro que o permitido, etc.

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Mas o mais legal mesmo foi a epopeia do cabelo. Acho até que nem vou contar mais nenhuma história depois dessa.

Pois todo mundo tá ligado que metade do meu cabelo tava azul, né? Pois é. Tava lindo, eu gostei muito e pensei "por que não aumentar a área capilar colorida?". Não tinha como dar errado, é claro.

Na minha cabeça, ia funcionar como uma belíssima californiana, onde eu tacaria tinta rosa em cima do negócio todo e depois azul e ai que moderna! Prendi o cabelo num rabo bem lindo, peguei o descolorante, passei, embrulhei com papel alumínio e fui faxinar a casa.

Eu só esqueci de um detalhe bem pequenininho.

Quando eu pintei o cabelo de azul, fiquei profundamente entediada com o tempo pra descolorir, de quase meia hora. Comprei água oxigenada de um milhão de volumes, pó descolorante azul poderoso destruidor e não li que levaria cinco ou dez minutos pra descolorir.

No meio da faxina, literalmente meia hora depois, fui colocar alguma coisa na área descoberta da minha casa e notei minha cabeça queimando. Pensei que fosse o sol forte, então coloquei a mão no pedaço irritado pra ver se o sol estava pegando ali. Queimei minha mão - sim, queimadura mesmo, de deixar vermelho - no papel alumínio. Gritei por socorro, porque comé que eu ia segurar aquilo e correr e enfiar a cabeça debaixo da torneira sozinha? 



Taquei a cabeça na água fria e esperei pelo pior. Nada aconteceu. O cabelo estava loiríssimo, mas com a cara até boa. Deixei secar naturalmente, cara boa. Terminei de secar com secador, ficou meio ressecado. Passei a tinta rosa e a textura ficou linda, a cor ficou linda, deixei secar naturalmente por uma meia hora e fui dormir.

Quando.eu.acordei., meu amigo, que pavor.

Nunca vi um cabelo tão feio em toda minha vida hahahaha. Era rosa, era azul, era castanho, era uma vassoura das meninas superpoderosas. Tive um ataque de riso que não podia ser contido. Penteei o cabelo, despenteei, passei silicone, ativador de cacho, alisador, creme de ponta dupla, creme de reconstrução, spray de vida, spray de brilho... Tentei de tudo e não tinha o que domasse aquele pesadelo.



Fiz o que qualquer pessoa sensata faria: uma trança. Mentira. Depois da trança, corri pra farmácia e comparei a raiz do meu cabelo - única parte ainda intocada pela química - e comprei uma tinta castanha. Dividi o cabelo em 38 partes, de forma que restasse ainda azul e rosa nas pontas, taquei castanho no resto e fui assistir televisão.

Uma hora depois, lavei o cabelo e ele caiu quase todo.

FIM.

HAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHA

Mentira, não acabou não.

Sabe cena de paciente em quimioterapia? Era eu passando a mão no cabelo depois de pintar de marrão. Peguei o secador pra ver mais rápido o desastre e era uma baforada uma despencada. Meu cabelo ficou com uns 4 degraus e nunca mais foi visto solto depois daquele dia. Cinco cores. A raiz, natural. A ponta da franja e da parte que caiu bem amarelas. A parte central um vermelho água de morango. O começo da ponta rosa barbie. A ponta azul. Tava uma graça. O cabelo parecia de boneca velha, a ponta toda estourada, que não tinha Seda Ceramidas que desse jeito. O pior é que lavava e ficava lindo molhado. Secava e ficava um pesadelo.





As cores foram desbotando, taquei rosa em tudo, o que era azul ficou cinza, o rosa não pegou direito, sério hahahahaha. Alguém tinha que fazer parar. Um dia eu resolvi ir na piscina e fiquei apavorada, mas o colorido só ficou esbranquiçado. Voltei na piscina no dia seguinte e saí com o cabelo verde radiativo. Liguei na cabeleireira imediatamente e estava sentada na cadeirinha dela 24 horas depois.

Falei "deixa na altura do ombro, em camadinhas, deve tirar o estrago todo". Ela falou não tira não e tosou o cabelo com vontade mesmo. Tô agora com um corte véia na menopausa, mas tô linda. Mr Esquistossomose disse que tô linda, então a opinião do resto todo da humanidade é inválida e eu vou acreditar nisso até dezembro de 2014, quando meu cabelo deverá estar no meio das costas (sem zueira) e eu serei bonita (hahahahha quem eu quero enganar) novamente.



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E é isso, gente. Um resumão do melhor que pode acontecer na sua vida em um mês, quando esse mês é no meio do verão, com uma virada de ano no meio. Não sei qual é a vibe errada que acomete a humanidade nesse período, porque é muito cocô junto.

O mais engraçado foi que eu fui dizer que tô nem aí pro ano novo, porque eu considero ano novo assim que passa meu aniversário, sendo o dia seguinte a ele o dia em que um ano realmente começa pra mim e ganhei vários votos de felicidades no dia 31 de dezembro ahhahahahahaha. Não tem como não amar essa época do ano ♥

Teoricamente, estamos restabelecendo as atividades normais de hoje em diante, fiquem ligadinhos.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

TMI que ninguém perguntou



Outro dia tava na modinha do feice o povo escrever sei lá quantas coisas que os outros não soubessem a seu respeito. Tinha uns lance de a pessoa ter que curtir o post do amiguinho e receber um número específico, mas ninguém manda em mim e eu postei quantos eu lembrei na hora (e não curti o de ninguém pra não correr o risco ~heh~).


Sei lá a razão de eu ter enfiado na cabeça que isso deveria virar um post, mas vou atribuir à completa falta de inspiração deste mês bocó.

Eu odeio dezembro, é tipo o domingo do ano. Não acaba nunca essa porcaria. (Taí mais um fato não requisitado sobre mim.

Vamos a eles:

Primeiro aqueles que eu postei no facebook. Depois os que eu fui lembrando ao longo dos dias. De repente, se eu nunca mais tiver criatividade, eu publique posts de menos de 10 linhas (hahhahhaha quem nós queremos enganar) cada vez que eu lembrar uma coisa nova.

- não como azeitona nem pra salvar a vida da minha mãe (que horror);



- tenho alergia até à água e isso não é metáfora, é real;



- só tenho um rim (e minha irmã virá comentar que eu tenho dois, é sempre isso, ignorem);



- muita gente acha que eu não uso biquíni por motivos de cicatriz gigante atravessando o tronco, mas eu acho a minha cicatriz LINDA e se eu tivesse barriguinha sarada, só usaria cropped top pra mostrar;



- ao contrário do que todo mundo pensa, eu não tenho nenhuma revolta por ter perdido um rim. mas eu sou EXTREMAMENTE revoltada com a minha alergia respiratória;



- não gosto que as pessoas decidam as coisas por mim, QUALQUER coisa;



- já tive pavor de cachorro um dia, hoje eu enfio a mão em grades e não sei como ainda tenho 10 dedos;



- nunca quebrei nem um pedaço do meu eu, incluindo as unhas. isso mesmo: nunca quebrei nem uma unha;



- eu assisto tanto seriado que não sei como tenho tempo pra viver;



- vou acabar jogando praticamente qualquer jogo estúpido em flash que aparecer na minha frente;



- sei cozinhar desde quando tinha 12 anos. aliás, sei fazer qualquer ~serviço doméstico~, incluindo planejamento de compras pra casa. acho que a pessoa (de qualquer gênero) que não sabe fazer isso tem algum problema sério. tenho vontade de me matar igual didi mocó quando alguém que está pra sair da casa dos pais diz "ai meu deus, como vou viver sem minha mãe?" e acho que darwin deveria dar um jeito.;



- eu raramente penteio o cabelo. mas é assim, menos de uma vez na semana hahaha;



- não consigo levar a sério gente usando regata. homem, mulher, criança. NÃO CONSIGO;



- não uso chinelo fora dos limites do meu lar. "nem na praia???!!" eu não vou à praia;



- eu posso ficar sem comer qualquer coisa. QUALQUER COISA. mas não fico sem pão;



- não como carne desde quando tinha 12 anos, porque é nojento;



- sou a pessoa mais introvertida que eu conheço. Eu já pensei que fosse tímida, mas quem me conhece sabe que não há uma gota de timidez dentro da minha pessoa. É uma hora de convívio intercalada por 15 dias de reclusão. Eu sei que é amor quando eu passo duzentas horas do lado da pessoa e não preciso ficar no cume de uma montanha pelos dias subsequentes. 


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Depois de postar isso, lembrei de mais uma coisa muito idiota sobre mim: eu não consigo sair de casa sem escovar os dentes. Não faz diferença a hora, se eu acabei de comer, se só vou levar o lixo lá fora, se eu escovei os dentes meia hora atrás. Também acontece no trabalho. O melhor é quando eu escovo os dentes pra sair pra almoçar. Não tem explicação, gente.

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Como muita gente sabe, eu perdi uma parte da audição por obra e graça de idiotas na minha faculdade (chega dessa história, né?). Mas como uma quiança propensa a infecções no ouvido, o estrago foi grande. Além de perder parte da audição, eu perdi o poder de compreensão de palavras. Pra ficar mais fácil de entender: se a pessoa fala de costas pra mim ou tampa o rosto enquanto fala, eu escuto, mas não entendo as palavras. É como se estivesse ouvindo a professora do Charlie Brown. Sim, mesmo que a pessoa esteja na.minha.frente.

Dá um misto de desespero com ódio no coração que cêis não calculam. Que mania insuportável de falar tampando a boca, VAMO PARAR? Brigada.

Além disso, acontece de eu não escutar um barulho que todos os outros ouviram. Em casa é direto "ouviu isso?", todo mundo para ao mesmo tempo e eu não escutei porcaria nenhuma. Ou de manhã todo mundo reclamando de barulhos na rua, no vizinho, passarinhos. Eu nunca escuto nada. 

Aí tem uma coisa que eu odeio, que é quando a pessoa berra meu nome infinitas vezes. Pelamor, você quer falar comigo, por que você não vem até mim? Eu vou até você quando eu tô interessada em falar com você, exijo o contrário. Até porque, ok, cê gritou, eu respondi, aí cê começa a falar wah wah wah wah wah e é CLARO que eu não tô entendendo bulhufas, aí quiqui eu vou fazer? Vou até você, né? Que coisa chata. 

De modos que se a pessoa começa a gritar VANESSA, Ô VANEEEEEEEEESSA, VANESSÁÁÁÁÁÁÁ, tem duas alternativas. Uma é eu não ouvir mesmo. A outra é eu ignorar solenemente até você escolher se é importante o suficiente pra mover sua bunda até mim ou se é inútil o suficiente pra deixar pra lá.

(Sou ou não sou um amor? ♥)




segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

karma is a bitch




Eu não bebo.

Não é uma coisa assim, amish nem nada. Também não sou alcoólatra em recuperação, como já me perguntaram infinitas vezes nessas mesas de bar da vida. Eu apenas acho o gosto, o cheiro e o efeito do álcool insuportáveis. (Acho que os bêbado tudo tinha que desmaterializar.)

Diz um dos meus milhares de médicos que o fato de ter nascido com um rim avariado, que foi se estragando até morrer pode ser responsável por isso. Uma defesa do organismo para coisas que sobrecarregam naturalmente o sistema urinário de qualquer pessoa, mas pro meu é trabalho dobrado. Descobri, por exemplo, que é por isso que eu não suporto feijão. Também acontece pra conservas (isso explica o ódio infinito por azeitona) e a maioria das carnes. Cada dia eu consigo comer menos.

Bom, quando eu era criança, minha mãe sempre fazia aqueles bolos com recheio trabalhado no licor, sabe qual? Eu odeio esse tipo de bolo, tadinha. Ela ama e sempre taca St. Remy nos bolo tudo, eu tenho que lembrar toda vez que não vai estar sendo possível. Trufa, não como nem morta. Aqueles bombonzinhos que têm recheio de birita eu não aguento nem o cheiro. 

Obviamente nunca fiquei bêbada na vida. Já tentei, mas minha garganta trava antes de meio copo de qualquer coisa alcoólica. Trava. Não me pergunta como funciona isso, só sei que imagino que seja a mesma sensação de tentar comer, sei lá, minhoca. Não desce.

Isso é só pras vossas pessoas compreenderem que eu não ingiro álcool, essa ainda não é a história.

*****

Eu já fui ainda mais falida.

Teve um tempo em que meus pais tinham três casas operantes (com gente morando, conta pra pagar e tal), minha mãe fazia uma faculdade de mensalidade exorbitante, meus irmãos em escolas caras, só meu pai trabalhando enquanto o resto todo estudava. OUSSEJE. Pra minha alegria, nessa época eu estudava numa business school de gente rica. Mas assim, rico de novela, compreende? Gente que passa o fim de semana em Miami (rico bunda, mas rico). Gente que ganhava Audi TT de aniversário de 18 anos. Gente cujos lavabos eram maiores que meu quarto, que eu dividia com meus dois irmãos. Se eu era pobre num aspecto absoluto, quando comparava com essa gente, eu era praticamente um caso de caridade.

MAAAAASSSSSSSSS eu sempre fui mais inteligente (e pedante) que todo aquele monte de gente rica, de modos que foi assim que eu adquiri amizades. Eu entrava com os neurônios e eles entravam com os convites pra frequentar seus belíssimos solares.

O que ninguém sabe é que, apesar de eu ser pobre, minha família nunca foi. Eu sempre estudei em escolas maravilindas, com gente cuja casa tinha 5 andares e mordomo. Meus avós sempre tiveram dinheiros e coisas, de modos que essa riqueza dos meus ~amigos~ não me deslumbrava. Só me deixava #chatiada mesmo. (Mais por ver meus pais se matando e contando moeda que propriamente por não ter dinheiro em si, mas ok.)

Bom, aí tinha essa menina que era emergente. Filha de ex-favelado que deu certo (ele tinha orgulhinho de se apresentar assim), a nega achava que comprar na Forum era muito chique (HAHAHAHHAHAHAHA). Mas ela era meio gordinha e esse tipo de marca não curte muito cobrir gente que não é esquelética, então rolava meio que um dilema no atendimento. Eu, pobre e magérrima, nunca tive uma peça de roupa daquele lugar. A fia, gordinha e rica, tinha um cartão de fidelidade trocado por mês, e ó que precisava de 10 compras de 100 reais. Se isso não é grandes coisa agora, em 1998 era. Minha mesada era cinquentão HAHAHAHAHAH.

Eu não sei se meus passeios como sidekick aconteciam porque eu era a única pessoa com menos dinheiro que ela ou porque ninguém mais teria paciência pra isso. Como eu não tinha problema nenhum em ver os outros gastando dinheiro em tralha sem sofrer , eu acho que virei a companhia perfeita. Não fosse por essa menina ter uma melhor amiga de infância, tão emergente quanto. Vamos dizer que o nome dessa menina, para fins didáticos, era Eduarda.

A nega se dizia riquíssima, mas se eu contasse pra vocês onde ela morava, eu me pergunto como tinha gente que levava a sério. E a menina se incomodava comigo. Se era meu corpinho raquítico, se eram meus neurônios ou a minha completa falta de interesse em compras, jamais saberei. Só sei que dei 3 chances pra ela, contando com a primeira vez em que ela me esnobou.

Strike one: tava eu um dia na casa da minha coleguinha, quando a fofa chegou. Mal entrou e já olhou com desprezo, porque "cê jura que essa menina tá aqui?". As duas estavam planejando uma viagem de fim de ano pra algum lugar whatever nos Estados Unidos, enquanto eu jogava Mario Kart. Como sempre, eu evitava me intrometer em conversas das duas, mais ainda se eu não tinha nada pra acrescentar. Todo mundo sabia que eu nunca tinha estado nos EUA. Depois de umas duas horas tagarelando, me vira a iluminada e diz "acho chato quando a Vanessa tá aqui, porque a gente tem que ficar procurando um assunto que ela possa conversar e eu realmente não consigo pensar em nenhum". AHAHHAHAHAH não é uma linda?

Strike two: por alguma razão que jamais me lembrarei, fui convencida pela minha coleguinha a ir na casa dessa monstra. Chegando lá, uma vibe meio baixo astral acontecendo, fiquei bem quieta e não perguntei nada. Não demorou muito pra que ela começasse a contar que tinha perdido uma fortuna em roupas exclusivas um pouco mais cedo. Perguntaram como foi, e ela "eu tava no meu carro, aí dois caras me pararam, armados, me mandaram descer do carro. Eu disse que podiam levar, eu só queria tirar minhas sacolas" e choraaaava. "Eles não me deixaram pegar as sacolas!". Todo mundo desesperado por causa das armas, do carro, da violência. E ela "gente, isso não é importante. Minhas roupas eram importantes". Pensa numa pessoa maneira.

Strike three: pra variar, eu tava enfiada na casa da minha coleguinha, quando a monstrinha ligou e convidou pra fazer compras. Minha amiga não disse que eu estava junto e não me disse, quando me chamou pra ir ao shopping, que a gente encontraria a outra fofa lá. Num era mais fácil ter me deixado em casa? Considerando que minha casa era duas quadras dali? Não. Tinha que me levar. Chegamos lá e, antes de cumprimentar minha amiga, a querida virou os olhos e fez a maior cara de derrota. "Por que você traz ela? Ela nunca tem dinheiro pra comprar nada, é chato!".

E eu pedi encarecidamente pra minha amiga não me obrigar a dividir o mesmo ambiente que ela. Me manda embora se ela vier visitar, me diz pra ir pra casa se for se encontrar com ela, me diz que nunca mais vai sair comigo, mas PELAMOR, não me faz mais socializar com essa insuportável.

E assim foi.

*****

Dez anos depois, eu estava muito maravilhosa no silviço público, ganhando muitos dinheiros (sdd dinheiro), com muitos amigos que compartilhavam da minha situação social. Ó que glória. 

Não sei se nos seus grupo de amigo ou na sua região se deu esse fenômeno, mas aqui em curitola, nessa faixa etária dos 30 +/-5 (q), o povo entrou numas de ~cerveja gourmet~ (que preguiça) (aháááá, a função da primeira parte da história finalmente fica esclarecida). E da noite pro dia começaram a aparecer bares especializados em cerveja cheia das firula, desde déizão a garrafinha a preços estratosféricos, que pagam coisas muito mais maravilhosas, como 25 pizzas.

Entre nós, pra começar essa frescura, um """""""""""""""""""""""""""sommelier de cerveja""""""""""""""""""""""""""" (kill me now). Esse infeliz conhecia o dono de um bar fresco, levou um bando de pós aborrescente fresco e endinheirado lá, pronto. Ferrô. Aí hoje eu tenho que conviver com um bando de CHAAATO, que diz "sério que só tem skol nesse bar? Afffe, não vou.". Gente, sério. Que inferno. De modos que naquele ano, a gente foi 50 vezes nesse mesmo.bendito.bar.

Era tanto dinheiro que meus amigos gastavam lá, que a gente acabou conseguindo uma "mesa especial", que ficava isolada do bar todo, com espaço e um tratamento praticamente VIP. O staff inteiro do bar conhecia cada um pelo nome (incluindo a doente que só bebe água ou coca), já sabia o que a gente ia comer, beber, o esquema todo.

Depois de um ano inteiro indo lá, todo mundo resolveu levar a coisa pra todo um novo nível, comemorando absolutamente todos os aniversários lá também. Com o circo inteiro: bexiga, confete, chapeuzinho, língua de sogra, bolo, brigadeiro, etc. E um desses aniversários foi em dupla e uma zona especialmente gigante na ~área vip~. 

Tava todo mundo doido do fiofó nesse dia, me fazendo fazer (q) todos os pedidos de bebida. Nego tacava a comanda na minha mão, dizia o nome da cerveja e eu pedia. "Um chopp weiss", "uma stout", "uma pale ale". Pedindo cervejas pelo nome. Berrando "DESCE TUDO QUE EU SOU RICAAAAAAAAA". Todos ri, tá tudo lindo. Um trilhão de bexigas, confete até na alma das pessoas, tralha de festa colada por tudo que era lado, incluindo o de dentro dos vasos sanitários. UMA.ZONA.

Nesse momento, nosso garçom favorito diz que o bar tá bombando e vai mandar a menina que tá só quebrando galho pra gente, porque nossa mesa é fácil de atender. Vem a menina e as comanda tudo na minha mão e eu pedindo cerveja como se soubesse o que tô fazendo. A menina não olha na minha cara. As pessoas me chamam de rica e me jogam confete. A menina não olha na minha cara. O marido de uma das aniversariantes resolve pedir uma cerveja que custa uma fortuna, me dá a comanda, eu chamo "mocinhaaaa", ela vem, eu peço a bendita cerveja e falo que é por minha conta porque eu sou ricaaaaaaaaaaaaaaaaaa e ela nem.olha.na.minha.cara. Eu fico sem graça, porque pareço mais pedante que o normal, então pego no braço dela pra explicar a brincadeira. Quando a menina se surpreende com a minha mão pegando nela e finalmente olha na minha cara, eu quase caio da cadeira.

QUEM TÁ ME SERVINDO?

Isso mesmo, Eduarda, aquela fofa.

Fiquei em choque. Na minha mente, o barulho todo some e eu só escuto minha própria voz berrando "Eduarda? É você, Eduarda?". A menina ficando branca, baixando os olhos em desespero e apenas desaparecendo cozinha a dentro. Falei pra todo mundo parar a palhaçada de me fazer pedir bebidas, parei de berrar, fiquei ali meio perdida, porque gente, não foi minha intenção. Aí meu eu bocó interior ficou divididíssimo entre a alegria de SAMBAR na cara da infeliz e o pavor de ter o caráter estragado por essa gente ridícula. De qualquer modo, aproveitei a glória de estar do lado oposto e ainda assim ser uma pessoa melhor que ela (pronto, cabô a glória) e parei de palhaçada.

No fim da festa, com o bar vazio, só restava a nossa mesa e a nossa zona. Vi o dono do bar vindo na nossa direção e brinquei com o pessoal que ele tava vindo dizer que era hora de ir pra casa. Ele diz "tá doida? Agora que acalmou aqui e eu posso aproveitar a festa, vocês ficam!". O povo aplaude e ele completa "só vou pedir pra menina dar uma varrida aqui, pra dar uma melhorada nessa zona". E chama a Eduarda. Ameacei levantar da minha cadeira e ele "por favor, fica aí. Só levanta o pezinho e ela varre em volta sem te incomodar". 

GENTE. GEN.TE.

Ela saiu e eu perguntei pro dono se ela era nova ali. Ele responde que na verdade é só uma pessoa que ele conhece e tá ajudando, porque ela tava sem dinheiro nenhum e pediu socorro. Aí ele dava esse extra pra ela em dia de muito movimento. Reflitão.

*****

Fui pra casa e contei essa história pra minha mãe aos prantos, porque eu sou a pessoa mais imbecil que já andou neste planeta. 

Obviamente voltamos lá na semana seguinte (e mais umas outras 100 semanas além dessa) e eu refiz meus laços com Eduarda. Assim, nunca ficamos amigas, mas pela primeira vez na vida passamos mais de 5 minutos no mesmo ambiente sem fazer da vida da outra um pesadelo.

Eventualmente ela achou um trabalho bom de verdade e foi embora. Não só do bar, mas do país. Fui convidada pra despedida, com mais medo de encontrar a """""amiga""""" em comum que qualquer outra coisa. Ela não foi. Eu abracei a Eduarda e desejei boa sorte, do fundo do coração.

Não foi a primeira vez que eu vi o karma atropelando alguém que foi ruim comigo, num vou ser eu a ser ruim com os outros a essa altura da vida, né? Só quero karma bom na minha direção :P


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

ela tá de saia de bicicretinha

uma mão vai no guidão e a outra tapando a calcinha [/finess]




Não sei se é as vibe do momento, esses lance de trânsito saturado e tal, mas as pessoas de repentch perceberam que de vez em quando eu ando de bissy. Tá certo que nas últimas semanas eu tenho andado muito mais e isso se deve ao fato de que eu quero evitar um ataque cardíaco antes dos 40, e nem é por falta de exercício físico (prova), é porque eu não tenho paciência com curitibanos em geral.

Da minha casa até o trabalho são 8 quadras, a academia no meio do caminho. Nessas míseras quadras que eu ando todo dia, eu consigo me estressar 87 vezes. Reflitão. Tomei uma decisão pela minha magreza e pelo meu bom estado de espírito e vou de bicicleta sempre que dá pra voltar pra casa sob a luz do dia (não perguntem, não tô afim).

*****

Minha história com a bicicleta começou cedo. Ganhei a primeira com uns 3 anos. Era uma Caloi preta e amarela, porque eu fiz questão de explicar que cor de rosa nem pensar. Era daquelas pequeniniiiinhas, com as rodinhas e coisa e tal. Aprendi a andar com essa aí.

Depois eu tive uma Cecizinha. Azul, obviamente. Tinha cestinha, tinha coraçõezinhos, tinha os friquefrique tudo, mas não era cor de rosa. Mas eventualmente minhas pernas cresceram além do tamanho da Ceci, meu vô me levou no porão da casa dele e me mostrou a bicicleta mais legal da história: uma Caloi vintage vermelha, LINDA, com aquele guidão bizarro, tipo rarleidêiviso, sabe?

tipo isso

(Minha mãe veio aqui dizer que era Monark, mas não achei nenhuma Monark com essa molinha aí em cima da roda da frente e a minha tinha essa mola preta medonha.)

Bom, qualquer que seja a marca dessa bicicleta, ela saiu do porão escangalhada e foi renovadíssima pelo meu querido vovô, de modos que eu pudesse esfregar na cara da sociedade a minha bicicleta diferente da de todo mundo. Nenhuma BMX, nenhuma mountain bike (hahahaha que vibe), nada rosa, nada verde. Já era hipster naquele tempo? Jamais saberemos.

A única coisa que sabemos é que foi com aquela bicicleta que eu quase me matei.

Eu morava num condomínio com 7 ruas. ISSO MESMO, sete ruas, gente pra cacildis, muito espaço, inshalá. Minha rua era a primeira, aí eu ia pela rua principal e ia fazendo ziguezague de rua em rua e coisa e tal. Na principal dava pra correr, porque era mais comprida. Então eu entrava na minha rua pedalando loucamente, fazia a volta, corria de novo e entrava na principal bem louca, pedindo pra ser atropelada. Minha mãe mandou parar de correr uma vez, duas vezes, na terceira provavelmente pensou "Darwin resolve" e largou mão. Lá pela décima quinta vez, eu errei a curva e subi na calçada. "Subi". Fui arremessada para a órbita terrestre e voltei, dando 48 loopings no processo, parando de quicar mais ou menos uns 20 metros depois do lugar onde eu bati. A última pancada foi da minha cara no guidão. Ele era tipo uma florzinha na beirada e queimou esse belíssimo formato na minha bochecha e foi rasgando a minha cara até a beiradinha do meu olho. Só não me fatiou em duas por JESUS PÔS A MÃO.

Cheguei em casa com mais ralados que podia contar, as duas mãos em carne viva (adoro essa expressão?), os joelhos ensanguentados, um cotovelo que não desdobrava e a cara dividida em duas, com sangue escorrendo da testa até a bochecha.

Minha mãe me olhou com muita calma, me mandou entrar no banheiro e tomar banho imediatamente. IMAGINA OS GRITOS. Quando eu finalmente parei de arder, ela me mandou sentar no sofá e tacou merthiolate. Daquele que ardia, esse mesmo. HAHAHAHAHAHAHAH. Pensa num castigo.

Foi um parto pra desentortar a bicicleta, mas a vida dela nunca mais foi a mesma.

[Aí, enquanto eu tava sem a bendita bicicleta, resolvi que ia só andar de patins. Um dia meu patins arrebentou enquanto eu descia uma ladeira, uma perna foi, a outra ficou e eu caí sentada no asfalto. Até aí tudo bem, se eu não estivesse usando saia-short (pqp, que pesadelo dos anos 90), ela não tivesse voado e eu não tivesse descido ralando na boquinha da garrafa por uns bons dois metros. CABÔ BUMBUM.]

*****

Aos do[u]ze anos eu me mudei pro interiorrrr, naquele tipo de cidade em que NO HAY transporte público. Sempre tem alguém tentando me convencer de que havia uma (UMA!) linha de ônibus circulando, eu vos digo que: nunca vi. Tinha a linha que levava as quiança pra escola - não era linha comum, não era perua, era um ônibus que levava pra escola - e eu usei essa por um tempo, quando morava """"longe"""". Mas rapidamente as crianças do interior percebem que o melhor meio de transporte do mundo é bicicleta. Dá pra andar pela cidade toda a pé, mas num lugar onde faz 38 graus Celsius às 7 da manhã, a gente fica com um pouco de má vontade. Eu ficava.

Não lembro exatamente quando, mas eu ganhei outra bicicleta vermelha. Mais modernets, com marchas, grandona, muito bonita. Era sensacional, porque eu sabia ir pra todos os lugares possíveis com ela e não sabia voltar de nenhum HAHAHAHAH. Sério, problemas inexplicáveis de localização. Tenho uma amiga que nunca supera o fato de que eu chegava facilmente na casa dela e precisava de pelo menos uns cinco minutos de explicações pra ir embora. TODA.VEZ. Um dos meus melhores amigos no mundo até hoje era o único que eu conseguia visitar e partir com a mesma desenvoltura, apenas porque ele morava duas ruas acima de onde eu já tinha morado.

Tinha também aquele pessoal que eu curtia stalkear muito tempo antes das redes sociais. Ser aborrescente nos anos 90 não era fácil, a gente tinha que ficar na rua da casa da pessoa pra saber aonde ela ia, não tinha feice, não tinha foursquare, não tinha check-in no instagram, gente. Era difícil.

Eu tinha uma quedinha por um jovem chamado ATÍLIO (homem bonito não deveria ter nome feio, né? Se bem que Atílio só era bonito na minha imaginação.) (A música tema do nosso amor era short dick man AHHAHAHA. Porque Quatro por Quatro era a novela da época, ai que glória.). Pois eu vivia na rua do Atílio. Se você me levar naquela cidade horrorosa e me largar lá, não tenho a mínima ideia de que lado fica esse lugar. Mas naquele tempo era parada obrigatória. Um dia me dei conta que Atílio jamais me daria bola e fui passear por outras quadras. Sempre com um objetivo nobre em mente. HEH.

*****

Mas eu morava numa casa num bairro assim, como direi, meio caído. Minha casa era muito muito muito grande mesmo, com um quintal de mais de 800 metros quadrados. Num cantinho, minha mãe construiu uma casinha de madeira, que era tipo um depósito. Tinha desde sacos de cimento (casa de engenheiro tem coisas que não fazem sentido empilhadas sem propósito) a uma coelha que moravam lá dentro. Também era o lugar onde minha bicicleta dormia. Nossos muros eram muito altos do nosso lado, mas baixos do lado de fora. De modos que cimentos, rastelos, coelhos, bicicletas, etc, dormiam trancados.

Pois não teve um espírito de porco arrombador que atravessou nossos lindos muros, arrombou a casinha e levou apenas minha bicicleta e a coelha? MINHA.BICICLETA.VERMELHA. Aí teve a investigação da poliça, que recuperou apenas o quadro da minha bici e a coelha inflacionada: emprenharam a coitadinha.

Meus pais sempre tiveram seguro de tudo que é coisa existente no universo, de modos que minha bicicretinha estava segurada. Fomos lá buscar os dinheirinhos pra comprar uma nova. Eu nunca conseguia escolher, porque nenhuma era igual minha bici vermelha maravilinda, meu coração é vermelho ê ê ê ê. Minha mãe acabou com a palhaçada e foi lá comprar uma azul (azul pode) e comprou logo uma roxa igualzinha pra minha irmã.

A bicicleta azul foi muito feliz. Eu tinha dois amigos com quem eu vivia pedalando pelas ruas da cidade. A gente passeava muito muito muito mesmo. Depois veio meu irmão imaginário (ainda que a pessoa fosse real), e a gente também, gastou os pneus dessa bicicleta. Até o dia em que eu fugi de casa pela 39845ª vez (desculpa, mãe) e pretendia ir pra cidade vizinha pedalando (uns 40 km só, chegaria lá em umas duazora, tava tudo certo hahahaha), pra casa da minha vó. Meu irmão imaginário tava chegando de outra cidade que fica entre essas duas e me viu na rodovia. Correu até em casa, pegou a própria bicicleta, me alcançou, me deu 87 broncas e me rebocou de volta pra casa, donde fiquei de castigos eternos por um mês.

Teve também o episódio da corrente quebrada. Eu tava pegando um menino que morava no centro da cidade. Aquela cidade que parecia um buraco, de modos que nas beiradas era tudo subida e o centro era um fundão. Na ida pra casa dele, minha corrente arrebentou. Descida, a gravidade ajuda, cheguei e fiquei de buenas. Na volta, eu tinha toque de recolher. Esqueci da corrente quebrada. Um caminho que me custaria 10 minutos pedalando, custaria pelo menos o triplo andando & carregando bicicleta. Cheguei em casa quase uma hora atrasada, minha mãe cogitou me matar, foi aquele deus nos acuda. Fiquei UM.ANO.INTEIRO. de castigo haahahhaha. 

Aí teve o incrível caso do menino por quem eu tive uma paixonite infinita que dura até hoje, mas o universo não quis que desse certo. Passei por todas as fases: stalkeação, desistência, superação, recaída. Um dia, toquei a campainha dele pra convidar prum criativíssimo passeio de bicicleta. A mãe dele atendeu a porta e disse: não.

Aposentei a bicicleta e mudei de cidade, estado, país. KKK, mentira, o país é o mesmo.

*****

Quando eu fugi de casa de novo e vim parar em curitola, eu só voltei pra buscar duas coisas: a única blusa que eu tinha e minha bicicleta. 

Ela foi companheira de belíssimos momentos, como minhas idas ao estádio de futebol. Eu estava proibida de entrar, mas não de ficar com ela debaixo da arquibancada, ouvindo a torcida e o radinho de pilha dos tiozinhos que dividiam a calçada comigo. De passeios proibidos na canaleta do ônibus. De idas e voltas da academia, quando não tinha um centavo pro busão (mas pra academia tinha, por isso que era magra). De idas e perdidas ao Jardim Botânico, a tudo que é parque e shopping dessa cidade.

Até que um dia. Bom, tentaram roubar a azulzinha também.

Tava eu em casa, na companhia do meu pastor alemão superdesenvolvido, quando ouvi a patinha (bondade minha) dele raspando na porta, pelo lado de fora de casa. Ele NUNCA fazia isso. Não quis abrir a porta pra olhar, então subi as escadas e fui olhar da janela de cima, de onde teria uma visão melhor. Pois não é que tinha um imbecil andando pelo muro do meu lar?

Ao me ver na janela, meu cão saiu então pro ataque do meliante, quase derrubando o imbecil do muro. Antes de cair, ele se agarrou na irmã gêmea da minha bicicleta, arrastou aquela e a que estava presa nela muro abaixo e foi-se embora.

Enquanto tudo isso acontecia, eu ligava pra polícia, que chegou uns dois minutos depois de ele sair. Fiquei com raiva da bicicleta e passei ANOS sem encostar nela.

*****

Aí eu tava lá tendo um problema com o véio e com o turista. Sendo esses dois meus colegas de trabalho. O véio, que chega no trabalho na mesma hora que eu, queria sempre parar na mesma vaga que eu. Mas eu chegava antes, parava e o véio vinha atrás buzinando, DEPOIS que eu já estava estacionada. Sério. Teve um dia que ele me ameaçou trancar meu carro com o dele, se eu não saísse da vaga. Véio descompensado do inferno.

Troquei de estacionamento pra um muito ruim. Mas ruim mesmo. Aí um faxineiro resolveu que minha vaga era lugar de empilhar folhas BEM.NA.HORA. do horário de chegada da galera. E ameaçou amassar minha placa. 

Troquei de vaga por uma meio ruim de manobrar, acreditando na paz cintilante que ela me traria. Bom, aí veio o turista - um amiguinho que só trabalha quando quer, na hora que quer - e, quando aparece magicamente pra trabalhar, adivinha onde ele quer deixar o carro?

Fora a incrível capacidade de stress nessas míseras 8 quadras, um farol, uma rua preferencial. Gente, não tem condição. Curitibano é um povo que leva 30 segundos pra sair depois do farol verde, de modos que arranca o primeiro carro e já tá amarelo de novo. Eles dão seta na curva. JURO. A rua ameaça uma entortadinha, eles dão seta. MAS PERGUNTA SE DÃO SETA PRA TROCAR DE VIA? Mas nem pra salvar a mãe.

Então um dia eu arrastei minha bunda até a loja de esportes mais próxima e comprei o que faltava: buzina, farol dianteiro, luzinha piscante traseira, cestinha, coraçõezinhos, etc etc etc. Capacete não, que eu não sou obrigada e não vou usar, vão reclamar com as suas vó ou até mesmo a vó Gertrudes. Se virar obrigatório, eu largo a bicicleta. Mas capacete eu não vou usar.

E bom, tamos aí, desde o meio do inverno, sendo mais felizes e magras com o meio de transporte. Nunca mais tive que desistir da academia por falta de vaga. Nunca mais vi o véio ou o turista (mas pode ser que no caso do turista ele nem esteja realmente lá). Até pro centro da cidade eu tenho ido de bicicretinha, ninguém segura mais. Projeto magra & rica 2014.

Agora só peço a São Pedro que evite calor, porque é a única coisa que me impede de sair alegre de bici de casa. Porque até chuva torrencial eu já levei de boa. Mas chegar nos lugares com brilho natural é que eu não quero.

Se eu fosse vocês, tentava também :P