segunda-feira, 8 de agosto de 2011

para quê? Paraguaio.


ou: a incrível história de como eu fiquei (ainda mais) surda

Todos sabe que eu não escuto direito, né? Que meu ouvido direito morreu num episódio causado por “““““amigos””””” maconheiros modernos, livres, desapegados do sistema, que achavam que eu era reprimida e tentaram me matar apresentar novas formas de curtir a natureza. O que ninguém levou em consideração foi que eu tenho ALERGIA à natureza como um todo em si e que maconha alguns tipos de mato podem me matar.

Daquela vez chegou perto, mas acabou que eu sou vaso ruim e só matou minha audição mesmo.

A gente se acostuma com a limitação auditiva. Porque assim, não é uma ciência exata. Tem horas em que alguém pergunta “nossa, que será que foi esse barulho?” e eu não ouvi NADA, tem horas que o tic tac do relógio no meu pulso me enlouquece. E tem ainda o caso mais incompreendido pela população: eu OUÇO o que a pessoa diz, mas não ENTENDO. Manja uma pessoa falando japonês com você? Você escuta, mas só um blábláblá, estilo professora do Charlie Brown? Então, é assim que eu escuto a vida na maior parte do tempo. Wah Wah Wah Wah.

De modos que se eu te pedir pra repetir o que você disse, por favor, repita. E repetir só a última palavra vai me deixar irritada, então façavor de repetir a frase toda, porque tudo que eu ouvi foi wah wah wah wah wah.

*****

Outro dia eu estava vendo TV na cama, com a cabeça apoiada do lado esquerdo. DeRRepente, minha irmã entra no quarto aos berros, me dando a maior bronca por causa da altura do volume. Respondo que é pra parar com o chilique, todos sabe que eu tenho que colocar um pouquinho mais alto que o normal. E ela diz “um pouquinho? Tá dando pra escutar lá da esquina!”. Levanto a cabeça pra discutir melhor e só aí me dou conta de que eu estava deitada do lado errado e o bagulho tava mesmo alto pacacete. Não posso fazer nada, já que é impossível enxergar a TV em outra posição.

*****

Então eu ia a um seminário na beirada do país. Eu adoro viajar pra beirada do país, já fui em várias delas. Acho divertido andar 10 minutos e a cara de todo mundo ser diferente, a cara do lugar ser diferente e a língua ser aquele inferno de espanhol que ninguém merece. Aí quando a fronteira é tríplice, meua mô, eu vou ficar muito contente.

O inconveniente é ter que se transportar de avião.

Não me entendam mal, eu adoro avião. Mas eu adoraria mais ainda se a pessoa fosse capaz de ler informações simples, como hora do vôo e poltrona, sabe? Até então eu nunca tinha entrado em um avião sem que tivesse que tirar alguém do meu lugar. Gente que leu o próprio cartão errado, gente que achou o meu lugar mais bonito e “vou ficar aqui mesmo, cê não se importa, né?”, gente que não conseguiu fazer check-in do lado do amiguinho e quer o meu lugar SAI DAÍ PROBLEMA SEU O LUGAR É MEU VAI FALAR COM O PAPA.

Aí eu fico apreensiva.

Troco de lugar nem por um potão de nutella.

Então tava lá na sala de embarque, vendo todos os vôos mudarem de confirmados pra atrasados e esperando a hora que ia acontecer com o meu. Não demorou. Vôo atrasado, gente besta que sabe que o embarque era até meia noite e consegue se atrasar pro vôo atrasado (gente, se sou eu, saio voano sem o babaca.), todos levanta voo, aê.

Só que ninguém conta com turbulência, né?

Veja bem, eu nem ligo pra turbulência, qual a graça de viajar sem a sensação de estrada esburacada? Meu problema é com a mudança brusca de altitude e com a conseqüente mudança de pressão.

Eu sou uma pessoa alérgica. Eu tenho medo de minha cara explodir quando a pressão muda. Mas nesse dia, a cara trabalhou bem, o que não trabalhou foi o ouvido. O esquerdo. O que """""escutava""""".

O avião subia e o ouvido entupia. Descia, entupia. Batia, entupia. Depois de alguns minutos, eu comecei a sentir a agradável sensação de mil facas ginsu fatiando meu cérebro e não conseguia mais viver, respirar, enxergar, controlar meus músculos e essas coisas. Foi lindo. Até que PLOP, adeus um tímpano.

Não sei dizer quanto tempo essa maravilha durou, só sei que quando o avião finalmente pousou, eu não sentia o lado esquerdo da minha cabeça e não ouvia NADA. Pra ajudar, lindos aeroporto sem finger, de modos que tinha que andar pela ventania de -12 graus. Era super agradável a sensação do vento batendo na cabeça amortecida, consigo nem explicar.

Nisso já era altas madrugs, pegamos o taxi da morte pra chegar no hotel (vou pular a história do taxi da morte, porque né?), confusão no hotel, outro taxi da morte, outro hotel, ar condicionado no modo inverno polar (tipo inception, inverno dentro do inverno) e eu debaixo de 4 cobertores, tentando fazer a dor passar.

Acordei na manhã seguinte com uma dorzinha perfeitamente suportável e zero de audição. E depender do meu ouvido direito não é exatamente a maior alegria do mundo. Antes do meio da tarde, na linda paisagem de um templo budista, com o vento batendo e fazendo um som muito estranho, achei que todo meu almoço ia voltar por onde veio, porque ser muito surda dá enjoo.

Agora é a hora em que eu deveria contar as maravilhas da viagem, do Paraguai, da Argentina, mas não vou. Vou só colocar algumas fotos aqui, porque ólia, a viagem em si foi muito maravilhosa demais e a vida neste momento está muito cocô demais, então né? Fique aí com a imaginação.

*****

Aí eu passei os dias todos em crise existencial, porque meu ouvido doía até o pescoço e eu tava surda e ainda tinha que voltar pra casa de avião. MÁ NEM POR UM DECRETO eu voltaria por meio de transporte terrestre daquela lonjura, ousseje, o medo tomou conta de mim.

Comprei um pacote gigante de chiclete, porque disk ajuda a aliviar a pressão, garrei na mão dedels e fui. Com um piloto muito mais rápido que o da ida, pareceu até que a gente veio voando OH WAIT KKK. Com lindos dia seco, não teve turbulência. Com poucas troca de altitude, eu só senti uma faquinha ginsu solitária me cortando o célebro. Everything went better than expected.

Mas ainda saí diretamente do aeroporto para o hospital, pra descobrir que meu pobre tímpano escangalhou-se. Pelo menos 40 dias pra voltar a escutar direito. Direito as in MAL, que é como eu sempre escutei.

Agora reflita.

*****

Peguei a receita que o médico me deu pra aliviar o horror da surdez e fui na farmácia comprar, né? Tava lá quietinha na fila, esperando minha vez, olhando o mundo todo atentamente (tô trabalhada no olho arregalado desde que diminuiu o poder dazoreia), quando minha mãe me dá a maior cotovelada.

- sua vez.

- mas a mulher não chamou o próximo!

- chamou sim, você tá surda?

OH WAIT.

Parece até a vez em que eu perguntei pro cego se ele não estava vendo. Karma is a bitch if you are.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Goodbye, yellow brick road


As pessoas se sentem pessoalmente ofendidas quando eu digo que não faço questão de me envolver romanticamente nunca na minha vida. A pessoa surta como se eu tivesse dito “prefiro morrer a me casar com VOCÊ”. Que drama.

Sempre tem um dedo apontado pra mim ou palavras em caps lock pra dizer “espera só até você se apaixonar de verdade, se esse discurso não muda!!!ONEONEONE”.

Bitches, please.

Eu ouço essa ladainha faz uma base duns 15 anos? Desde que minha so called vida amorosa de fato começou? NUNCA ACONTECEU?

Veja bem, eu não elimino a possibilidade de que isso possa acontecer um dia. Eu acho muito que as pessoas precisam aprender urgentemente a interpretar um texto, porque eu digo que NÃO FAÇO QUESTÃO, o que não é a mesma coisa de dizer que EU NÃO QUERO.

Deu pra entender?

Ok.

Mas gente, toda semana tem pelo menos uma discussão sobre o assunto. Basta uma pessoa dizer que gosta de ruivos e eu emendar que eu gosto de covinhas e, meia hora depois, minha vida se transformou naquela total bizarrice de “você vai ver daqui alguns anos”.

Agora o discurso é “daqui alguns anos”, porque normalmente era “você vai ver quando chegar aos 30” e olha, os 30 tão aqui, mas o desespero se atrasou um pouquinho, vamos aguardar.

Aí eu digo que não faço questão de ter marido e o cidadão se apressa em contar o caso da amiga/parente/vizinha/conhecida que ficou dizendo que não queria qualquer um e acabou se casando aos 40 anos com um maconheiro/bandido/cantor de axé/pagodeiro e que eu provavelmente terei a mesma sorte triste.

Não é com você, meua migo. Não a você que eu me refiro quando digo que prefiro a solidão. Vamo raciocinar? (Não que eu queira você, veja bem. Se eu quisesse, você já teria sido informado.) Não precisa tentar me aterrorizar.

Eu sonho com um mundo em que as pessoas não vão achar nada demais no fato de eu preferir uma vida forever alone do que com qualquer um. E quando eu digo qualquer um, eu não estou insultando a sua pessoa, vamo parar a paranóia.

And just for the record, não tem solidão suficiente nesse mundo capaz de me fazer casar com maconheiro/bandido/cantor de axé/pagodeiro. E eu me arrisco a dizer que nem amor.

*****

Eu sempre digo que pra cair no amor um dia, eu preciso de mágica.

Tava ontem assistindo Orgulho e Preconceito e super me liguei que entre Lizzie e Mr. Darcy acontece mágica.

Duas pessoas que não têm nada a ver uma com a outra, uma até meique odeia intensamente a outra e puf, quando você vê, uma declaração de amor. Most ardently.

É mágico, mas eu não quereria pra mim mesma *o* Mr. Darcy. Nego maleducado! “yo, mina, cê é mó zuada, toda errada, meio caída, sabe nem fritá um zóião, mas eu quero te add na vida e mudar os status do face (como eu odeio quem chama facebook de face) pra amarrado e te chamar de patroa”.

AH VÁ.

Por que eu daria um tabefe em Mr. Darcy: fio, cê bebeu? Cemiama, cê qué casá comigo e vem dizer que eu sou feia e inútil? Tem que ver isso aí.

Sério. Não aceito. Se o indivíduo chega pra mim e fala “ok, você não é bem a Kate Winslet, mas é gatchinha e eu adoro sua personalidade”, eu taco a minha personalidade no meio da fuça dele, amarradinha num tijolo de 6 furos. MANÉ PERSONALIDADE.

A pessoa tem todo o direito de achar que ninguém é capaz de ter a beleza da Kate, mas não tem o direito de dizer em voz alta. Falano nisso, quantos gominho tem aí na sua barriga? Cê acha que eu fiquei com você pela sua nota 10 na escala Zac Efron de perfeição facial? That’s what I thought.

Por que eu acho Mr. Darcy mágico: porque ele passou por cima do orgulho e preconceito GOTGOT e foi atrás da peçoua que ele queria. E não foi uma vez só. E arrumou o cocô fedido que era a vida dela de várias formas.

E depois que a pessoa da família deu piti pelo relacionamento (que nem existia de vdd ainda), ele foi atrás dela de madrugs, com o discurso: “mina, cê tu não tá na minha, eu dou linha na pipa, mas tô aqui perguntano de novo cê tu não qué caí ni mim.”.

Claro que ela quer, né? Sabe nem fritar um ovo e Mr. Darcy ganha DÉIZ MIL por ano, quem não ia querer?

(eu)

Acho que comigo vai ter que ser esse tipo de amor aí, viu? Embora eu inveje um pouco o amor mongol de Mr. Bingley e Jane, eu acho que não sou capaz. Até porque ali é meique motivado pela beleza, né? e eu sou barely tolerable. Pelo menos minha mãe nunca se desculpou pela minha fraqueza de aparência.

*****

Esses dias, passou um daqueles questionários meio bocós de internet na minha frente. Eu estava sofrendo de tédio e respondi, né? Aí tinha que dizer qual era o filme favorito e eu respondi que era “A Casa do Lago”.

Quer mais mágica que isso?

Aliás, foi esse filme que me fez ir procurar a obra da dona Jane Austen e arruinar minha vida nesse quesito mais um pouco.

Quanto mais mágica eu vir nas histórias, mais difícil vai ser eu acreditar em um dia estar na frente dum altar com um fulano dizendo sim. E pra não ir tão longe, tão difícil quanto é imaginar enfiar alguém na minha cama toda santa noite, como se não houvesse despertador amanhã.

Eu, hein.

Um beijo,

Vanessa de lata.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

fashion police


Ai, gente. Fiz um blog novo.
Não me julguem.

Quer dizer, julgar todo mundo vai, só não me contem.

Vou só copiar aqui o post inicial de lá. Tenham uma boa vida.

*****

Eu gosto de moda, sabe? Eu sigo uns mil blogs de moda, de tudo quanto é país, eu sigo um monte de adepta de wardrobe remix e de repente me dei conta de que na maioria das vezes eu passo mais tempo me perguntando “onde é que essa fulana trabalha que ninguém desmaia quando ela aparece vestida assim?” do que apreciando as vestimentas.

De modos que eu percebi que gosto mais de VER moda do que de USAR moda.

Super acho que a pessoa nunca está livre da moda. Mesmo aquelas gente que diz “eu não sigo a moda”, tá aí, vestindo calça-blusa-sapato. Tem jeito não, meus amô. Todo mundo é reflexo do tempo em que vive.

Então o que eu quero dizer não é que eu não sigo a moda, mas eu acho que estou um passo antes do fashion-victim. Eu nunca usei calça capri, jamais compreendi QUEM FOI que trouxe as clogs de volta – e por que raios as pessoas voltaram a usar esse inferno -, não uso bota por fora da calça nem que minha vida dependa disso, acho que essas saionas até o pé são sinônimo de Maria mijona e color blocking meu ovo. Sabe?

Acho digno que a pessoa goste, use, fotografe e poste, mas não consigo compreender. Nem gostar.

Aí eu dei uma olhadinha no meu closet [AHAHHAHA OK] pra analisar como eu me visto e, bom, eu tenho praticamente o armário da Mônica. Sabe? Um milhão de vestidinhos vermelhos? Só no que no meu caso, são jeans e all star. Sem dúvida, a maior parte do meu quarto está comprometida com esses itens de vestuário.

Felizmente eu não preciso trabalhar de terninhos, calças sociais, camisas, scarpins, saias lápis. Então posso me dar ao luxo de ter 38 pares de tênis. Os que não são all star (genéricos, nikes, adidas), seguem o modelo do all star, com aquela frentinha de borracha e o corpo de tecido. Sou besta, eu sei.

De vez em quando eu uso vestido, de vez em quando eu uso pump shoes (e tenho que agüentar as pessoas me perguntando porque eu estou tão alta), de vez em quando eu uso sapatilha, de vez em quando eu uso short, de vez em quando eu uso bota. Sandálias machucam meu pé e eu só uso em caso de extrema necessidade.

E, veja bem, eu moro com duas mulheres que usam o que têm vontade (calças por dentro da bota e clogs, inclusive), só eu sou estragada. É uma questão de falta de estilo e mais nada. Me deixa. Milarga.

*****

Por que fazer este blog?

Não sei.

De repente pra parar de usar jeans com all star. Naquelas de encarar o problema. Ou pra provar que dá pra viver a vida sem parecer biruta e, ao mesmo tempo, que não saiu de casa com a primeira roupa que caiu do armário.

Vamos ver quanto tempo minha paciência dura.

*****

O que não vai ter aqui:

- bota por dentro da calça;

- camiseta sendo chamada de t-shirt;

- flúor sendo chamado de fluo;

- coisas flúor;

O que vai ter aqui:

- jeans;

- all star;

- foto mal tirada com o iphone;

- foto mal tirada com câmera boa;

- tudo auto-foto.

Está permitido:

- chamar de gorda;

- chamar de pobre;

- chamar de feia;

- chamar de infantil;

- chamar de recalcada;

- chamar de Maria vai casotra.

Está proibido:

Xingar a mãe.

Doações de all star são aceitas, sempre no número 36. Um beijo, se divirtam.

terça-feira, 12 de julho de 2011

não me encosta, façavor?


Só eu que tenho aflição de coisas oferecidas pelas quais eu tenho que pagar?

Só eu não sei construir frases que façam sentido?

Sabe telemarketing? Nego liga no meu telefoninho pra me perguntar se eu não quero um aparelho novo, uma operadora nova, um plano novo, um cartão novo, um banco novo, um político novo. Ligar pra perguntar se eu quero um nariz novo, ninguém liga.

Mas assim: eu sei onde adquirir essas coisas, certo? Se eu quiser, eu vou lá, certo? NÃO ME LIGA, ENTÃO.

*****

Ainda se fosse só no telefone, tava lindo. O telefone lá de casa é um som que eu ignoro e meu celular eu só atendo se estiver na agenda. Impressionante, se não estiver na agenda é sempre engano, nem perco mais tempo.

Mas tipo igreja. Tem mais igreja que padaria nesse mundo. Pra ser bem sincera, entre minha casa e o trabalho (umas 10 quadras? 15?) do lado de cada padaria tem uma igreja, praticamente. De modos que se eu quiser me conectar com o plano superior, é só escolher. NA FRENTE do meu lar tem uma igreja, daquelas que acreditam que o Senhor seja surdo, então eu não preciso nem sair da minha sacada pra participar do culto. Igreja delivery, praticamente.

Num sei de onde tiraram a ideia de mandar testemunha de Jeová nas nossas porta. “Você tem um minutinho pra ouvir a palavra do Senhor?”. Tenho não, meu filho. Mas já que seu tempo tá sobrando, vamo parar de praticar bullying espiritual e vamo num asilo ler pra velhinho? Qq6achäo//

Pelamor.

Mas tem o ultimate harassment, praticado pelos amigo da universal. Cê tá lá, exercendo seu direito de ir e vir (que em algumas horas é mais dever, mesmo), com pressa, no sol, nego vem em dupla te cercar e te entregar um papel, onde você só tem que anotar um pedido. Se o Senhor conceder a graça, você volta lá pra agradecer e deixar toda sua mesada, sem compromisso.

Catei o papel e escrevi “querido santo Antônio, me arrume um matrimônio”.

Pergunta se não tentaram me tacar até água benta.

*****

Aí eu tava lá entediada e passei a tarde alternando entre a premiere do último Harry Potter pelo youtube, alguns episódios de Doctor Who Confidential e Sherlock. Tudo sem legenda, né, que essas coisa não são popular aqui pra essas banda.

Meia hora depois de derreter meu cérebro com tanta ““““““televisão”””””, tava subindo a rua pensando em inglês, com um lindo sotaque britânico (todo misturado, ô país pra ter sotaque, pelamor Guilherme, não me julgue), quando uma pessoa de prancheta me aborda na frente duma escola de inglês.

Pausa: aquela dúvida sobre fazer ou não propaganda.

- moça, você já fala inglês?

- sim.

- how can I know if you’re telling the truth?

- maybe you'll believe me if I tell you I was thinking in english before you interrupted me.

E o cara agradeceu a atenção e me deixou ir embora cos meus pensamento mongol bilíngüe.

Só o que me faltava, esse xarope agora toda tarde querendo me vender curso de inglês NA FRENTE da escola. Tá chamando de burra também? Porque só assim pra não ver aquele caixote azul e pensar “poxa, preciso aprender inglês, será que eu entro aí?”. Blé.

*****

Em evento totalmente não relacionado, mas que eu queria dividir com vocês, ontem eu vi o moço bonito da barba alienígena.

E ontem eu finalmente descobri o nome do moço, que é Creisso. Mentira, não é Creiço, mas é tão feio quanto.

Eu acho que deveria existir uma lei proibindo homem bonito de ter nome feio. Li uma vez um livro em que a pessoa dizia “o homem da sua vida nunca vai chamar Vanderlei. É até uma indelicadeza o homem da sua vida se chamar Vanderlei.”. Olha, meus amô. Se você ama/é [/orkut] um Vanderlei, não se ofenda. É só um exemplo. Tipo um menino LHINDO que tinha no meu campus quando eu tava no ensino médio que chamava Roberlei. QUEM quer apresentar um Roberlei prazamiga?

Eu tenho preconceito nominal.

Mas aí tava lá Creiço e sua barba exótica, com seu shortinho de franjinha, olhando o horizonte, cercado por umas 30 pessoas. Em silêncio. Aí Creiço me vê descendo as escadas e, enquanto pessoas carregam as outras nas costas e ficam com bochechas vermelhas (nem pergunte), Creiço pergunta:

- aí, galera? Fico melhor de barba ou sem barba?

Quase quebrei o vidro pra voar parede adentro, gritando "SEEEEEEEEEEEEEM", mas achei que ia ser meio inconveniente.

Então ele começou a relacionar a barba com parecer adulto, mas moço, você já deve parecer mais velho do que é, TIRA ESSA PORCARIA DA CARA. Aí ele começou a relacionar a falta de barba com cara de saudável e eu comecei a achar que ele de repente pode jogar no mesmo time que eu, o que inviabilizaria o amor, anyway. Mas ele perguntou enquanto eu tava passando de propósito, eu sei [/loca do egocentrismo], então eu só concluí que ele não tem namorada mesmo e super tá me querendo.

Vou sair daqui e passar no supermercado e deixar um pacotinho de Mach 3 na mão, pro caso de necessidade.

Mentira, não vou não. Não há maciez facial que conserte o nome CREIÇO.

Forever alone.

A não ser que apareça um britânico, usuário do vocativo LOVE e com todos os dentes brancos e naturais. E sardas. E cabelo bom. Aí pode vir até com um nome tipo Bronwyn, que eu tô aceitando.

Heh.

*****

Falano em dente, hoje eu vi uma entrevista com Alex O’loughlin em que a moça perguntava pra ele qual era o tipo de mulher que ele preferia.

Ele respondeu “uma que tenha dentes” e, mesmo ele sendo australiano, eu tive certeza de que nascemos um pro outro.

Beijo, sejam felizes, tchau.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

tanta gente passano fome, né?

Acho que neste presente momento, todos já ouviu falar daquele tumblr que faz gracinha ca classe média, né?

Não vejo graça.

Mas não numa vibe “ai, é bem assim na minha vida”, porque nem é. Só não vejo graça mesmo.

Divago antes mesmo de começar.

Esta semana saiu por aí em tudo quanto foi tumblr, no meu incrusível, uma lista de first world problems, com aquela carinha clássica de choro do Dawson no topo. E eu vos digo: me identifiquei.

Se não com absolutamente todos os tópicos, com aquele que diz “my GPS made me drive through the ghetto”. O gps não era meu, não era eu quem estava dirigindo, o gueto era uma baita duma favelona e, se eu não me borrei com uma lanterna e uma metralhadora apontada pras minhas fuça, é sinal que meu esfíncter é forte e jamais me borrarei em situações de pavor. Não que vocês precisassem saber.

Só que pra contar essa história, eu teria que violar um dos meus princípios de não falar de ex no blog (dos inteligentes, principalmente). E olha, isso é que é problema real.

(Ex burro e armas apontadas pras nossas fuças, GPS com mapa mais perdido que o guia humano, caso você tenha ficado em dúvida.)

Falando em grandes problemas da humanidade, pense no dia em que você descobre que precisa fazer barra em umas 25 calças (maledeta magricela do inferno que voltou com essas porcaria de skinny, just sayin’) e a costureira só aceita dinheiro. E você paga, né? Cê sabe costurar? Cê quer usar a calça? Pagaê.

Aí você vai no mesmo caixa eletrônico que tizuô com a senha mais mongol do universo, digita a senha, pede 50 real e ele te dá VINTE E CINCO NOTAS DE DOIS. Não consigo pensar num problema pior que esse. Minha carteira não comporta 25 notas de dinheiro, tá obesa. Que pobreza, que pobreza.

Pior que isso é ir ao bar em seguida e descobrir que seu cartão foi cancelado (se eu ganhasse um real pra cada vez que meu cartão é cancelado de surpresa) e ter que pagar a conta com 18 notas de dois, naquelas vibe “é, tio, assaltei a igreja". Porque não bastar fazer a pobre, tem que ter piada de tiozinho.

Falando em tiozinho, não tem tristeza maior quando o moço que você está PAQUERANDO reaparece com shostinho de franjinha e com uma barba que desafia as leis da física pelo tanto que cresceu de uma semana pra outra. O lado positivo é que facilita o desencanamento, porque só dels sabe o nojo que eu tenho de barba.

Aliás, é muito engraçado. Tem um número estatisticamente alto de exes (plural de ex, dã) na minha vida que acaba deixando crescer a barba depois que sai do meu domínio. Fico muito feliz ao ver isso, porque eu posso pensar “glória, glória, aleluia, não sou mais eu que tenho que lidar com essa nojeira aê”. Pelamor, não há homem que fique bem de barba.

Qué dizê, até tem. Mas um homem bonito de barba vai ficar mais ou menos umas três mil vezes mais bonito sem ela.

Alex O’loughlin. Taí um homem que pode ter barba. (Mas é melhor não.)

E não tem coisa mais triste que encontrar um clone de Alex O’loughlin na praça de alimentação, com uns 48kg em músculos a menos, trajando calça de moletom e crocs em pleno horário comercial e um penteado que meudeusdocéu-que-raio-é-isso e ter a voz da consciência automaticamente trocada pro modo Tim Gunn, dizendo “make it work”.

Nada mais complicado que o trabalho que daria acender as luzinhas e fazer um clarão do potencial desse homem. Não que eu não fosse capaz de fazer o Hércules e encarar, mas achei melhor encarar meu prato e orar agradecendo pelo alimento do dia.

Falando em prato, me pergunto como a ONU não cria um tratado alimentar em restaurantes. Porque ólia, quando você é criado na culinária mineira, italiana e baiana, torna-se um suplício viver em Curitiba. Me pergunto POR QUE essa gente se alimenta, se não tem graça nenhuma essa gororoba preparada com água e só. Nego vive numa terra que não honra os esforços de Vasco da Gama, que enfrentou monstros e pestes só pra ir buscar um temperinho lá na índia. Essa gente nunca ouviu falar em alho, cebola, orégo, pimenta do reito, salsinha? Que terror.

Aí que faz uns 10 anos que eu não como arroz. Não é que eu não goste, veje bem, é que arroz cozido na água pura, who deserves? Precisa dum alhinho, dum salzinho, dum ólinho. Esses desconhecidos do sul do país.

Nunca vou esquecer da noite em que eu dormi em posição fetal, chorando no cantinho, depois de um dos primeiros almoços na casa do amiguinho aqui abaixo da linha dos trópicos.

Tava a mesa posta, tava a salada, tava o bife, tava o arroz, tava a batata frita. Peguei salada, peguei batata, peguei arroz (eu ainda não sabia), ouvi comentários de que eu não peguei o bife só porque não era filé minhão (sô rica) e fiquei ali, procurando o galheteiro. KD. Não estava. Fiz a monga e perguntei se alguém podia me passar o saleiro. Todos se olha, ninguém compreende o pedido. Chamam a doméstica. Pedem o saleiro. A moça vem da cozinha com aqueles saleiros de parede, sacoé? AQUILO era a definição de saleiro praquelas pessoas, que não possuiam nem mesmo um frasquinho de azeite de metal. QUEM COME salada sem azeite e sal? Não aceito.

Falando nisso, não sei como evitar o constrangimento que eu passo cada vez que tem um vidro de azeite na minha frente. Gente, entendam, eu como a comida como um pretexto pra me entupir de azeite. Eu vou virar o vidro no meu prato, não me julgue. É caro, mas eu tô pagano [/ladykate]. Superem isso.

E hoje, quando eu pedi pizza pra compensar a quantidade de comida feita na água e com gosto de nada, o entregador era paulista. E pizza + melhor sotaque do país me fazem pensar “se eu estivesse em São Paulo a essa hora...”.

Enquanto eu escrevo essas bem traçadas linhas, o Word travou. Que mais me falta acontecer?

Não tá fácio pra ninguém, viu? Não sei nem comé que eu saio de casa todas as manhãs, sabendo as dificuldades que eu vou enfrentar nessa vida. Acho até que vou lá pra debaixo das cobertas, porque hoje ninguém acendeu a lareira aqui de casa e eu vou precisar de dois edrerons pra ficar quentinha. Se alguém sofre mais que eu, eu gostaria de saber.

Bgo.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

I don’t wanna miss a thing



Aí que um dia a gente se depara com um DVD do debi & loide largado na caixa do correio de casa e isso dá todo o tom de seriedade da vida.

Dois dias depois eu fiz uma coisa que eu nunca faço: saque em caixa eletrônico. Sou meio contra esse negózdi de andar com dinheiro se eu já tenho cartão, de modo que eu evito esse momento ao máximo.

Mas aí, tava lá precisando pagar a costureira (oh, como sofre a mulher balofa moderna) e fui pegar dinheiros no caixa eletrônico.

Parei por alguns segundos na frente do banco e tentei lembrar a sequência mongol de letras que eu tenho que digitar, o que nem foi assim tão difícil. Tipos que eu já digitei errado antes, por pura distração, e a máquina cancelou meu cartão sem dó já na primeira tentativa. Achei deselegante. Então eu fui lá, toda concentrada pra não errar de novo e... SURPRESA, agora trocou pra sílaba. Pode esquecer as letrinhas, o banco gera uma nova sequência pra você, sobre a qual você não tem direito de escolha e tem que fazer o favor de lembrar e acertar de primeira. Ok.

Clique aqui pra gerar sua nova sequência silábica. Cliquei.

O papel saiu e eu tive que sentar no chão do banco pra rir. Cêis vão me perdoar a indelicadeza de não dividir aqui lindas sílaba, mas é que gente que já teve o cartão clonado tem medo de água fria. Mas eu posso dizer-vos: a palavrinha que ele formava era algo tipo Ba Ti Ma. Sério. Mas era meio que ofensivo, tipo me insultando, uma coisa meio Ba Ba Ca.

Nem o caixa eletrônico me dá um desconto.

****

Aí tem esse moço que eu acho gatchenho e cuja beleza eu posso apreciar em um lugar onde eu vou frequentemente, mas não quero dizer onde é. Aí que eu chego lá um pouco depois das 17h e fico lendo e tirando fotos do ocaso e normalmente só ouço a voz do cerumano lá pelas 18h/18:15h. (Meu radar de voz é infalível.) Num dia, por causa de um problema técnico, cheguei umas 18h e ele já estava lá na janelinha habitual.

O por do sol estava fantárdigo na frente dessa mesma janelinha, de modo que eu fiz a monga e ranquei as máquina fotográfica tudo (iphone, lomo, Canon, a pessoa tem que ter opções nessa vida) da bolsa e saí fotografando. Niqui o very handsome boy começa a falar sobre hábitos da vida, horas de chegada e partida. Eu olho em volta, ninguém além de mim na frente da janela. Olho dentro da janela e não vejo ninguém. Dou a volta e passo pela parede de vidro, donde posso ver todo o ambiente e, qual não é minha surprise ao ver que não tem NINGUÉM lá dentro? Ou o moço tava fazendo o loco e me contando da vida, assim, como se estivesse no telefone ou ele é só biruta mesmo.

Se eu achei bonito, meua mô, a maior chance é de que seja biruta.

*****

Falano em biruta, como eu já disse patrásmente, eu não posso assistir TV, ler livro, ouvir musga. Eu sou imediatamente transportada pro mundo que não me pertence e fico vivendo lá por um tempo. Tipos agora, que eu tô vivendo num universo que tem viagem no tempo, extraterrestres e eventos bizarros. ME DEIXA.

Pois um dia esta cidade emulou o armagedom e foi muito engraçado (não foi nada engraçado), porque rolou toda uma ventania bizarra, formação de nuvens gorduchas e cinza-chumbo e pingos de chuva que pareciam uma bexiga d’água arremessada na sua cabeça. Dizem. Porque onde eu tava não choveu, só ventou. Ventou que parecia o miolo do furacão, mas não tomei um único pingo de chuva.

Tava eu lá, representante da classe proletária e sofredora, à espera de um coletivo (kkk, adoro a palavra coletivo pra busão). E aqui nesta cidade tem uma regrinha: choveu, o trânsito... escangalhou-se. De modo que a espera se tornaria mais longa que o normal.

Pois então a cena era a seguinte: eu, no ponto do ônibus, o cabelo totalmente em pé (literalmente, não figurativamente) por causa da ventania, um buraco azul no céu, onde se via a lua perfeitamente e, em volta desse buraco, as adoráveis cumulus nimbus. Eu tava lá tentando prender meu cabelo pra ele apontar pra baixo, que é o lugar certo e toca meu celular. Minha mãe, obviamente.

- cê tá em casa?

- má é claro que não. Como que uma pessoa dependente de ônibus já estaria em casa meia hora depois de sair do trabalho?

Parêntese: se eu fosse andando, chegaria em casa em 20 minutos. Mas né?

- PELAMORDEDEUS, QUIQUI C TÁ FAZENO NA RUA COM ESSE APOCALIPSE?

Minha mãe não compreende o conceito de esperar pelo ônibus porque ela nunca foi pobre. Eu tive que explicar.

- você vai chegar em casa encharcada!

- mas mãe, não tá chovendo.

- Q

Aparentemente chovia everywhere. Chovia de baldes. Chovia cântaros.

Em cima da minha cabeça o céu estava perfeitamente azul, com lindas vista pra lua.

exhibit A


exhibit B

Aí não demorou 2 minutos pra minha imaginação começar a trabalhar, né? Que eu obviamente era o centro do universo, que tava acontecendo toda uma inundação, mas eu seria poupada, porque o herói, que me conhecia do futuro OBVIAMENTE (e seria lindo, obviamente) tava indo ali pra me buscar pra ajudar a salvar o mundo. O buraco nas nuvens e a ventania era nada mais que o deslocamento de ar da linda nave que estava indo me buscar.

Deu meia hora, o ônibus veio, eu fui pra casa (onde também não chovia), fiz uma sopa, tomei banho e dei continuidade à minha vida bocó de terráquea insignificante. How boring.

No dia seguinte, tava lá na minha hora semanal de transcendentalização, quase dormindo (como de costume), quando uma gravação começou a dizer “Entregue-se. Confie. Deixe-se levar”. Acontece que lá nunca tem gravação dizendo nada, é sempre uma pessoa. E em vez de cair na sonequinha, eu caí foi na risada, imaginando que aquilo era o recado extraterrestre que complementava a Sena do dia anterior. Que a tia que fala tinha sido substituída por um robô. Fechei o zóio e fiquei esperando o extermínio ou o teletransporte.

Pra desespero do querido leitor, nenhum dos dois aconteceu.

sábado, 11 de junho de 2011

I’m not sorry




Hoje alguém compartilhou no reader um post que eu tive preguiça de ler inteiro, só dei aquela passada de olho pra captar a ideia geral. E a pessoa estava lá, parando de se desculpar por escrever o que tem vontade. Na verdade, parecia mais ou menos o meu caso: nunca escreve o que tem vontade, por uma certa reserva em relação a quem vai ler (e a gente nunca sabe). Então, do que eu entendi na minha leitura dinâmica, a pessoa quebrou a algema e assumiu o que tinha na cabeça.

É o que eu vou tentar fazer agora.

(A “““““multidão””””” se pergunta: e ISSO que a gente leu até hoje era auto controle? Era.)

*****

never meet your heroes

Uma web celeb que eu conheço me disse um dia que eu deveria largar esse negózdi blog pra lá e escrever num caderno. Que é bem libertador quando você para de escrever pensando em quem vai ler e escreve só pra você. E eu concordo, eu já fiz isso. Tanto tempo atrás que nem lembro quanto, mas já fiz.

Aí eu fui lá e comprei um caderno do snoopy muito bonitinho, depois de passar por umas 25 livrarias. Porque tinha que ser o caderno que eu batesse o olho e não perguntasse o preço, compreende? Sabe o conceito? Você diz “má é nunca que eu pagaria 600 real num casaco.” Aí um dia você paga, porque você nem perguntou o preço. Era só um caderno, mas tinha que ser assim.

E eu comprei canetas da Bela (da Fera, não a adormecida) pra fazer o conjuntinho.

Ainda não escrevi nenhuma linha.

*****

Eu acho que pessoas mentalmente prejudicadas deveriam ter algum tipo de assinatura nas ondas cerebrais que inviabilizasse o assistimento de séries de ficção científica. Sabe? Tá lá passando na TV, mas o cérebro (pausa pra procurar comé que é scrambles em português. É o que dá ignorar as pessoas e se relacionar amorosamente com seriados em língua estrangeira.) embaralha (obrigada, google translator) o sinal. Todo mundo lá assistindo Kyle XY e sua mente passando uma relax-o-vision, no melhor estilo Freakazoid.

Se você não entendeu o parágrafo anterior, considere-se um ser afortunado. Se não por mais nada, por não morar na minha cabeça.

Resumindo: eu acho que pessoas normais não deveriam ser punidas por causa de gente biruta, como eu. Mas gente biruta, como eu, jamais deveria ter acesso a representações fantásticas da realidade.

Um tempo atrás eu estava lendo um livro, cujo título não revelarei nem sob risco de perda de amizade – porque as pessoas são muito preconceituosas e não esperam explicações antes de saírem julgando a interpretação do amiguinho, ainda que seja um livro do Paulo Coelho. Não, seus besta, não era Paulo Coelho -, que tinha uma vibe... como direi? Fantástica? E minha vida apodreceu por meses. Até porque a história levava mais de um livro pra terminar (dica) e o surto durou até o último livro ser lido até o último ponto.

Eu tenho dó, mas dó sincero, das pessoas que se aproximaram de mim naquele período. Ninguém era bom o bastante, nenhum dia era bom o bastante e essas coisas de todo dia pareciam uma bola daquelas de presidiário enroscada no meu pé, me prendendo a essa vida mais ou menos.

Aliás, é uma dúvida que eu tenho: tá todo mundo contente com a vida ser essa sucessão de dias mais ou menos? Dias absolutamente chatos, em que o despertador toca, você sai da cama contrariado, pra um trabalho que (sejemo franco) você não gosta (ou não liga, na melhor das hipóteses), que não te dá tanto dinheiro quanto você gostaria, que consome mais horas do que você estaria disposto a gastar, de onde você sai pro trânsito e pro supermercado e pra fila no caixa. Onde você compra comidas que você nem gosta, mas são boas pra saúde ou que você gosta, mas vão te matar antes dos 40 com todas as veias entupidas e a pressão na estratosfera. E depois você vai assistir alguma bobagem na TV a cabo, tomar um banho com um sabonete que você nem gosta, escovar os dentes com uma escova que você só comprou porque era azul e vai dormir. Por tédio, por cansaço, porque amanhã você acorda cedo e começa tudo de novo. Tá todo mundo ok com isso?

O primeiro mongol que vier com "pelo menos você tem trabalho, comida e casa" vai ser atingido por um raio. Pelamor, sooo last century essa linha de raciocínio, hein?

Cada manhã em que meu despertador toca, eu penso em treinar arremesso à distância e penso “de novo? Sério? Mais um desses dias iguais?” e aí eu saio da cama e luto contra o meu cabelo, contra a minha alergia, contra a minha (de)forma física causada pela alergia, contra o clima, contra a minha vontade de pegar os poucos dinheiros que eu tenho guardados no banco, comprar uma passagem pro próximo vôo em relação à minha chegada no aeroporto (desde que no ocidente, que eu não sou tão besta), deixar um bilhete dizendo “fui viver, uma hora eu volto” e ir viver de artesanato em algum lugar inusitado.

Um dia eu vou.

*****

Eu sempre esperei mágica.

Outro dia eu tava ali no cantinho chorando e minha mãe quis saber o motivo. Eu não quis contar porque não tava afim de passar o final de semana no hospício, mas aí a pessoa fica achando que é o fim do mundo e a gente acaba falando, né? E eu falei que minha vida era essa coisa bocó aí, mas eu queria muito mais, queria mágica.

E ela me disse “você só vai sofrer assim, mágica não existe”.

Olha, nem vou entrar no mérito da cueshtã. Só que não sei o que é pior: esperar por uma mágica que não existe ou não acreditar na mágica e achar que tudo tem que ser essa grande mancha marrom cocô.

Ou vai ver sou só eu.

*****

Minha mente borbulha. Tem dias em que eu começo umas 43 histórias diferentes. Se eu não tivesse superego ou preguiça, eu já teria escrito uns 8 livros, uns 23 filmes, desenhado o infinito. Porque é o que acontece na minha cabeça. Milhões de histórias melhores do que a minha. A maioria que poderia até acontecer se eu não fosse uma criatura mitológica com perda parcial de memória aprisionada num corpo de contador de meia idade. Não que eu seja careca e tenha pipi, veja bem. É tudo muito no sentido figurado, seus sem imaginação.

Na minha cabeça acontece um monte de mundos em que a vida tem graça e a minha vida é essa coisa enroscada de escola-cinema-clube-televisão. E só porque eu tenho medo. Medo de morrer de fome.

Vai que dá tudo errado?

MAS VAI QUE DÁ TUDO CERTO, SUA ESTÚPIDA?

*****

Às vezes é um livro. Às vezes é uma série. Às vezes é um filme. Às vezes é a vida real de alguém, em que as coisas acontecem E-XA-TA-MEN-TE como estavam na minha imaginação, e eu paro uns 5 minutos com a boca aberta, tentando entender comé que foi que a história aconteceu distorcida. Porque tão perto de mim, ela só pode ter errado o alvo. Era pra mim, era COMIGO. Para, para tudo. Isso aí é meu, eu imaginei antes, não é justo.

Teve um ano na minha vida em que eu tava nesse buraco eterno do tédio e tava lá, criando na minha mente o que seria o cenário perfeito pros 10 dias seguintes. Meus 10 dias seguintes seguiram um roteiro de pesadelo, enquanto os 10 dias seguintes de uma menina que eu conheci no primeiro desses dias aconteceram nos mínimos detalhes da minha imaginação. Eu tinha um mini ataque cardíaco cada vez que ela contava sobre a vida. COMO ASSIM, DELS? Parecia até sacanagem.

Lembrei disso porque hoje aconteceu de novo. Mas assim, mínimos detalhes. De modo que eu acho que isso me fornece provas mais que suficientes de que o que eu quero É POSSÍVEL, só que só pra eu ficar olhando mesmo. E não é porque o universo me detesta, porque eu seja azarada, porque tem uma nuvem sobre a minha cabeça. É só porque eu sou covarde mesmo.

*****

Há uma brincadeira no meu círculo social, em todos eles, desde que eu comecei a participar de círculos sociais, de que eu não tenho coração.

É mentira.

Eu tenho coração. Acreditar no amor eu realmente não acredito, mas eu queria, de modo que estou disposta a dar uma chance.

Mas cêis aí vão me desculpar, ninguém é bom o suficiente. Ninguém tem MÁGICA. Eu já conheci algumas pessoas que brilhavam e pareciam mágica. Mas de perto é todo mundo muito sem graça. Num faiz nem duas semana que uma ******leitora de sorte****** me mandou baixar as expectativas. E não foi a primeira. Taí Madame Kika que não me deixa mentir.

Só que se for pra escolher entre o normal e o nada, eu prefiro o nada. Ou é fantástico ou não é.

(Isso meique explica o lance do amor. Se não há fantasticidade – eu não quis usar a palavra fantasia de propósito – que dure, pra MIM, não há amor que dure.)

E nem venham perguntar se eu sou fantástica o suficiente pra atrair algo ou alguém assim pra mim. Eu sou incrível, só sou covarde.

*****

Aí aconteceu uma série de coisas chatas que me fizeram duvidar da humanidade de novo. Aí eu me isolei de novo. Aí eu entrei numas de ficção científica de novo. Aí cabô, gente. Nem lavar roupa eu quero mais. What’s the point? O que eu tô fazendo da minha vida? Aonde eu vou chegar? Por que eu vivo descobrindo ou imaginando coisas e gentes que eu nunca vou ter? Por que eu tenho que viver nessa disgramada dessa era da informação, em que eu sei que o mundo tá cheio de mágica, de gente incrível, de mentes fantásticas, de lugares, de coisas que existem, mas eu nunca vou ver nem chegar perto?

Acho injusto. Acho enlouquecedor.

*****

Se uma hora dessas eu sumir daqui de vez, podem ter certeza: parei de ser babaca e fui viver.


quarta-feira, 1 de junho de 2011

vou de taxi, cê sabe.

Às vezes mei que morre minha vontade de escrever.
Por um tempo morre a vontade de escrever qualquer coisa (eu respondo email na maior má vontade, com meia dúzia de palavras, depois que alguém já reclamou. Até sms eu regulo). Depois fica só a falta de vontade de escrever aqui. Não é nem blog o problema, é quem lê. Quem eu ACHO que lê. Saber com certeza eu nunca vou, né?

De modo que hoje eu vou tentar contar a história do taxista de 102 anos. Mentira, ele tinha *só* 80. Agora é sério.

Eu sei que os causos aqui estão monotemáticos, mas é que este é aquele ponto em que a vida da pessoa que possui blog diarinho se complica.

Aliás, ter um blog e fazer dele um diarinho é tão last decade que dá até vergonha. É incompatível com a minha idade também, mas né? A essas alturas da vida, eu nem tenho mais vontade de ter critério, anyway.

Incrusivemente, hoje combinei uma balada. Pois é. Perdão, minha gente. Eu pequei. Que o senhor tenha pena da minha alma miserável.

*****

O problema em ter gente conhecida demais lendo é que se a gente descreve vagamente uma pessoa e tem que conviver com o fato de que os amigues vão chutar quem é até o fim dos tempos. A gente fala en passant de um acontecimento e os colegue vão perguntar “foi aquele dia lá?” até você querer se enforcar com os próprios cabelos.

Aí, comofas pra contar histórias comparando o dia em que uma pessoa pela qual você tem profundo apreço diz, under the influence, que meique te odeia com o dia em que uma pessoa pela qual cê nem sente grandes afeto, under the same kind of influence, super te abraça, garra suas fuça, olha nos seus olho e diz TE AMO? Não tem como, né?

Gente, sério. Cêis precisam aprender a beber. Tem que ficar locão toda vez e embaralhar a mente da pessoa sóbria? Acho deselegante.


*****

Pois então eu tava lá, sendo assediada sequiçualmente por um cerumano alcoolizado (eu e 98% das mulheres que não estavam em casa no sábado à noite, mas a história é minha, me deixa). Aí fiz o que toda mocinha de família faria: entrei no banheiro, chamei um taxi e fiquei bem quieta esperando que ele chegasse.

Nesse ponto era um pouco difícil decidir o que seria pior: o assédio ou o maluco em potencial que deveria me levar em segurança até em casa. Mas eu tinha que ir embora, não é mesmo? E já tinha recusado carona (porque eu sou mongol, o que se há de fazer?).

Então o taxi chegou e eu corri pra ele como quem corre pela vida. Quase morri do coração ao ver um velhinho MUITO velhinho. Tipo o pai do velhinho do up, sabe? Velhinho com tanta ruga que parecia um mapa hidrográfico, com mais pintinhas que um chocotone, aquela boininha básica da terceira idade. Eu tenho medo de velhinho no volante, tenho PAVOR de velhinho no volante às 3 horas da manhã.

Mas já era.

Aí, o padrão. A pergunta que todo taxista me faz quando me pega num bar: a senhora tá bêbada, moça?

Não. Sou assim mesmo.

Nessa hora ele começou o maior sermão sobre os malefícios da bebida (pra mim, cê jura? Vai falar lá com os meus amiguinhos no bar.) e completou:

- faz uns 6 meses que eu não bebo. Desde que a namorada foi embora.

Aí você para e repensa sua vida, quando um velhinho de 80 anos tinha uma na-mo-ra-da 6 meses atrás e você... bom, você não quer falar do FAIL que é sua vida neste blog, né? É.

- a namorada era nova?
- era. E gostava de uma cerveja, aí eu bebia com ela.
- que bom que ela foi embora então, né? – eu, um poço de delicadeza desde 1980.
- ah, não. Porque ela levou a coisa mais preciosa que eu tinha...

A voz do velhinho fica meio enroscada na garganta e eu acho que ele vai chorar. E eu, do alto da minha experiência, juro que a mulher roubou o cachorro do senhorzinho e quase me ofereço pra ir buscar, quando ele completa:

- ... levou meu filho...

Agora o choque.

- ... DE NOVE ANOS.

Vamos todos calcular a idade em que o velhinho estava fazendo filho? Vamos? Só por um momento? Questionei toda a minha existência ali naquele taxi.

*****

Tenho um pouco (mas só um pouco) de vergonha de confessar que me sentiria mais comovida se a mulher tivesse roubado o cachorro, mas até eu sei que é triste roubarem o filho alheio.

E ó: eu sei que não tenho todas as informações, que não sei o que levou a mulher – cuja idade não foi revelada – a sair fugida com uma criança de nove anos, que não sei se o velhinho era um bom namorado e pai. Mas eu sou obrigada a acreditar que o velhinho era gente boa, porque eu estava dividindo um carro com ele às 3 horas da manhã.

Como minha casa fica na terceira curva depois da pqp, deu tempo de ele contar detalhadamente a história. Tadinho, viu? A não ser que ele seja um velhinho raqueteiro espancador, essa mulher tem que arder no mármore do inferno. O vovô tem mais o que? uns 20 anos de vida útil, se der sorte? Imagina ficar longe do filho. De NOVE fucking anos.

Dei altas dica pro velhinho entrar na justiça, né? Se ele não for um maníaco assassino, quem sabe?

Jamais superarei essa história.

E tenho um pouquinho (mas só um pouquinho) de vergonha de admitir que achei que o velhinho ia me matar de alguma forma. Mas aí não sei se é culpa da namorada fugitiva ou do taxista perdido, né? Que me traumatizou (e quem foi me resgatar) pra todo o sempre. Nego tá querendo me buscar até na conchinchina, só pra eu não sofrer bullying taxístico. Não é fácio.

Mas agora com licença. Eu vou ali orar, que amanhã é dia de bar e nunca se sabe em que condições eu vou chegar em casa.

Fiquem ligadinhos.