quarta-feira, 30 de maio de 2012

das coisas que só acontecem com migo (kkk), mas provavelmente não.


(matano co zóio)

Eu lembro a primeira vez que adquiri um guarda-chuva de bolinhas. To.do.mun.do falou mal, disse que era feio, brega e coisa de vovó. Uns 3 meses depois, todos perguntavam onde eu comprei.

Depois foi a mesma coisa com os cardigans de coraçãozinho e as calças boca de sino. Sabe? Aquela coisa que alguém tem que ver no outro primeiro porque não tem coragem de fazer sozinho? Sofro muito por estar nei aí pra sociedade quando eu quero alguma coisa.

De modo algum estou me chamando de trendsetter, pelamor, não vamo viajar na maioneggs.

Mas o caso é que eu tenho um problema, que meu BFF chama de gordura. Tipo, que gordo é como se tivesse gravidade própria, sabe? Aí onde eu tô ozotro quer ir, o que eu quero todo mundo quer.

Cê vê. No maternal tinha Bárbara, que sempre gostou de rosa e resolveu que o giz vermelho era mais legal depois que eu disse que era mais legal. Na primeira série ninguém queria casar com André Luiz porque ele era japonesinho, mas eu casei (COF) e aí André Luiz conseguiu outras 9 esposas.

Aí na terceira série eu gostava do Cacá. Tinha conhecido o minicraque na segunda série e caído no amor depois de ler alguma historinha mongol que ele escreveu no caderno.

Cacá era lindo só que não: tinha um metro e vinte de altura, numa época em que as meninas já tão batendo um metro e meio. Tinha um zóinho minúsculo que acordado parece dormindo. Tinha uma cabeçorra daquelas que dá dó da mãe, se o parto foi normal. Sério, não dava pra entender como Cacá parava em pé. Aí ele tinha aquele cabelo denso, sabe? Quando a mãe dele não tinha 8 horas disponíveis pra mandar aparar aquela moita, a cabeça do menino ficava ainda maior. Todo mundo tinha medo da cabeça do Cacá, até eu entender que era o tamanho necessário pra caber o cérebro imenso dele. Aí todas queria o Cacá.

Hoje eu acho que alguém deveria ter me ajudado, porque a criança se apaixonar pelo cérebro e aceitar um cabeção aos 8 anos é uma coisa que não tá certa. Podia ter poupado a lifetime of sofrimento. Meninos com cabeção com cérebro grande são uns grande boboca, just sayin’.

Cacá, provavelmente consciente de sua incapacidade física de atrair mulheres, deve ter achado muito incrível aquele movimento de amor na sua direção. Passou a escrever historinhas mais mirabolantes e longas e a fazer concursos pras meninë concorrer a um parágrafo na história (!). Até tia Lívia ficou muito encantada, aposto que teria pedido o menino em casamento se ele tivesse altura pra andar na montanha russa do playcenter.

Mas quem deu bola para Carlos Eduardo mesmo foi a nossa personal Maria Joaquina. A pessoa com longos e sedosos cabelos loiros, acessórios cor de rosa complementando o uniforme azul e tiaras da pakalolo. Cacá deve ter percebido que aquilo era o equivalente a um jogador de futebol pegando uma mulher fruta e disse-me adeus. Maria Joaquina era minha BFF na época. RISOS.

Eu nem sofri. Não só por saber que coitado do Carlos Eduardo não ia agüentar Maria Joaquina por uma semana, mas porque eu gostava mesmo era do Rafael. Gente, não dá pra explicar os olho azul do Rafael. Acontece que Rafael ficou de recuperação em matemática e eu muito morri de medo de ter que sustentar um marido (risos) no futuro e achei que não era uma boa ideia prosseguir no romance. Sério, onde tava minha ajuda psiquiátrica infantil?

O engraçado é que minha família é amiga da família do Rafael até hoje. E ele virou comunista desses de shopping e tem uma barba do tamanho da do papai Noel, não teria dado certo mesmo.

Mas o que eu aprendi foi: mantenha seus interesses em segredo. Enquanto a vida do Cacá foi lusho, mulher e notas 10, Rafael só casou com uns 28 anos. Aposto que a mulher é feminista. Credo. Não deve ter UMA gilete naquela casa.

*****

Aí outro dia eu descobri o Creysso. Poxa, o Creysso tava lá no caminho de todo mundo, mas ninguém tinha reparado. Tinha gente freqüentando o lugar pelo dobro do tempo em que eu ia lá e nunca tinha olhado pro lado.

Até que numa noite de chuva, daquelas em que a única opção é esperar passar, eu fiquei com Creysso nas minhas vista, que era pra distrair um pouquinho.

Parou uma, parou duas, parou três.

- quiqui cê tá olhando aí?

Gente, eu precisei apontar. Ninguém ia achar o Creysso ali na multidão sem ajuda. Mas depois que eu mostrei, vishe. Era um tal de nega descobrir que tava amando que ó.

Eu sempre fui vítima de zóio furado e sempre acho que se as pessoas envolvidas preferiram isso a mim, melhor mesmo, dou um tiro os dois da vida e vou ser feliz.

Mas, veja bem: Creysso era casado. E meio brutinho. Minhas vibe com ele era só ficar olhando mesmo. Ninguém perguntou, eu nunca disse, ué. E como ele é professor de lutinha, era aí mesmo que ia parar. Pra mim, né? As outras foram tudo lá ficar amiguinha das outras meninas da lutinha. Depois todas começaram a fazer as aulas do Creysso. E todo mundo me contando a linda amizade que nasceu e me mostrando todas as 34987534 fotos que tiraram juntos na câmera digital e a cor favorita do infeliz e a desenvoltura do rapaz ao dançar não sei onde e zzzZZzzZzZ couldn’t care less.

Aí o namorado *militar* de uma das fura zóio alegre começou a se irritar com a atenção que Creysso vinha ganhando. Perguntou assim, como quem não quer nada, o nome inteiro dele. A fia, muito esperta, passou a ficha. O namorado-com-acesso-privilegiado baixou a ficha de tão belo bruta montes e olha, vou nem enrolar pra dizer: assassino.

HAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAH

(Não tem graça, mas tem, desculpa.)

Agora as fia ficam lá com medinho de falar alguma coisa de atravessado pro bofe e, como mágica, o amor de uma por uma foi acabando.

Enquanto isso, eu fico tranqüila com a companhia de Xubior, o gatchinho bombado e sem cérebro, só pra mim.

Preciso nem falar que foi só eu começar a freqüentar a cadjmia e as nega tudo já tão chegando mais cedo pra roubar minha bicicleta com vista privilegiada pros pesinho de braço, né?

O que elas não sabem é que, enquanto tá todo mundo lá tentando achar meu novo objeto de interesse, eu tô mesmo é assistindo malhação.

(Malz aê, sociedade.)

quarta-feira, 23 de maio de 2012

sua ligação é muito importante pra nós



- Alô?
- Oi, vamo vê se você pode me ajudar.

(Lá vem bomba.)

- Qual é o endereço aí?
- Francisco H. dos Santos, sem número.
- Francisco o que?
- H dos Santos.
- Agá é o que? Um nome?
- Não, é uma letra abreviada.
- E como escreve isso?!

(Sério, universo? Sério? Isso é mesmo necessário?)

- Francisco AGÁPONTO dos Santos.
- Ponto?
- É.
-...
-...
- E.QUAL.É.O.NÚMERO?

*POF*

sexta-feira, 18 de maio de 2012

post reveal




Tenho impressão de que eu fui a penúltima pessoa no mundo a prestar atenção no post secret. Não da nem pra dizer *conhecer*, porque obviamente eu já tinha ouvido falar. Só nunca tinha visto a graça.

Aí recentemente eu me peguei com uns pensamentos aqui na minha cabeça, dentro do meu cérebro, enquanto pessoa e me dei conta de que tem algumas coisas que, ditas em voz alta, me fariam morrer sozinha.

De modos que eu fiz aqui um postal e mandei pro post secret.

Sei lá quanto tempo demora uma carta pra chegar nos estadozunido, sei lá se o tio vai achar relevante pra ser postada, mas nem adianta que jamais revelarei esse segredo.

Uma coisa eu posso dizer: realmente parece muito bocó o que me aflige quando vejo o desabafo de pessoas atormentadas, feridas, drogadas, abandonadas e birutas que tem lá. Inclusive eu acho aquele site super baixo astral. Mas só na hora em que eu saí da agência dos Correios, depois de passar um dia inteiro fazendo a “arte” (RISOS) do meu postal foi que eu entendi. O alívio que dá por pra fora. Foi tão incrível que fiquei uma semana sem nem pensar no assunto e só me dei conta hoje, quando vi os lápis de cor na gaveta. Recomendo a todos.

Fora a sensação poliânica de se alegrar com o próprio quintal, depois de ver o quintal alheio todo esburacado. Enquanto tem gente ali com problemas sérios, eu só tenho um problema na vida: me irritar com os outros. Não acho que meu problema valha menos por causa disso, mas é melhor que a ideia de, sei lá, querer morrer.

***

Chegar ao ponto de escrever pro post secret é um marco tão óbvio na minha vida que chega a ser engraçado. Eu guardo tanta coisa pra mim que dá até um pavorzinho de morrer e imaginar as pessoas revirando minhas coisas e pensando “má desde quando, minha gente?”. Ou então eu virando notícia e as galere comentando “sério que ela estava passando por isso e ninguém tava sabendo?”. Eu tinha um amigo que sempre me dizia que eu deveria escrever um diário. Que quando (veja bem, “quando”, nunca “se”) acontecesse alguma coisa comigo, as pessoas saberiam a razão. Hahaha.

Comprei diários, comprei cadernos, me apavorei com a ideia de alguém lendo isso e pof, não escrevi nenhuma linha até hoje.

Aí tem o blog e a tagarelice, que fazem as pessoas acharem que sabem muito sobre a minha vida e é até bonitinho, porque aí elas falam das vidas delas e parece que é tudo muito normal. Mas toda vez que eu tento contar alguma coisa realmente importante ou séria, vem um “stop the drama, bitch” e aí fim. Porque depois que eu cremo um assunto, não tem como desenterrar. Então não pergunte :)

***

Aí eu tinha esse relacionamento amoroso. Sei lá, não é amoroso porque não tinha amor. Um relacionamento romântico sem romance, um friends with benefits. Quase na concepção de Sheldon Cooper, porque apesar de ninguém pagar plano de saúde pra ninguém, resgates em hospitais, farmácias e locais de bebedeira foram providenciados.

Esse relacionamento está na história recente da minha vida e, num primeiro momento, eu achei que tinha sido o mais bem sucedido. Primeiro porque eu não acredito nesses negózdi amor e forever and ever e ninguém me pediu isso, oremos. Segundo porque eu não acredito em um mais um dá um e eu pude manter minha individualidade, meus pensamentos e minhas decisões. Incrusível, a outra parte concordou com a minha maluquice (e especialidade) em manter o negócio em particular. Eu sou ninja na arte do hidden-date, a sociedade só descobre quando acabou (às vezes nem assim). E por último, como se tratava de um BFF, eu achava que estávamos imunes àquela dinâmica idiota de relacionamento “comum”, de ciuminhos e cobrancinhas e todo o inho que acaba com a alegria de uma boa companhia.

Acontece que eu estava enganada. A outra parte achou que era amor e eu achei que era cilada. Acabou.

A vantagem do relacionamento não amoroso é que ninguém chora quando acaba. É meio complicado readaptar pro modo amizade sem benefícios, mas depois de um tempo tudo se ajeita. E com a maravilha do relacionamento sem propaganda, ninguém te faz perguntas idiotas, tipo “ué, quiqui aconteceu com o fulano?” e tudo fica bem. E eu achei que seríamos amigos pela vida toda e um dia eu iria ao casamento dele, só pra rir e dizer SIFERRÔ.

Mas eu estava enganada de novo, porque nada é simples quando envolve amor, mesmo que não seja amor. O indivíduo um dia quis relembrar o passado, eu não achei boa ideia e aí ele fez a única coisa - a ÚNICA - que sabia que poderia me magoar.

E fim.

Vez em quando vem algum desavisado me dar notícias não requisitadas – mas como a pessoa adivinharia, não é? Raramente alguma coisa que importe. E, como eu acredito que era o elo entre esse indivíduo e a sociedade (sou muito importante), todos foram se esquecendo, até que um dia o nome nunca mais foi dito.

Eu tenho uma facilidade incrível em deletar pessoas do meu eu, mesmo que tenha sido a pessoa mais importante de um período da minha vida, mesmo que meu amor amizadístico tenha sido profundo, intenso e fruto de admiração. A pessoa simplesmente some.

Até esta madrugada, quando meu cérebro resolveu sonhar com isso. Aliás, no meu mundo de sonhos tão alucinantes em que eu sempre sei que estou dormindo, o de hoje fez questão de parecer bem real.

O cerumano se desculpou pela bobagem, eu aceitei, iniciamos um lindo namoro (que palavra baixo astral que é essa), com direito a mãozinha dada (hahaha quequéisso, cérebro) e apresentação pra família.

Até aí tudo bem, muito fácil psicologuear e entender. Mas o mais engraçado é que o sonho inteiro eu olhava pras fuça do infeliz e pensava “se eu nem gosto dele, se ele é capaz de dar uma facada no meu coração, POR QUE RAIOS eu estou fazendo isso?”.

Acordei antes de achar a resposta. Estou procurando até agora. Foi pior que pesadelo de casamento, em que eu nunca consigo entender a razão de cometer um ato de tamanha insanidade.

No meu cérebro acordado eu sei que não aconteceria um namorinho nem em um milhão de anos, mas eu acordei mesmo muito chateada em lembrar que alguém que eu gostava muito simplesmente estragou tudo, virou as costas e nunca olhou por cima do ombro pra ver a destruição. Não voltou até hoje pra pedir desculpas. E provavelmente nem se importa.

Mais uma história que ninguém nunca vai saber e com a qual eu tenho que lidar sozinha. Entender porque acabou é fácil, difícil é mergulhar nas coisas que me fizeram cair na conversinha mole e deixar tudo começar in the first place.

Amizade é o tipo mais cruel de amor que existe, vou te contar. Não vai existir um divórcio nesse mundo que doa tanto quando um amigo partido (infelizmente, não ao meio).

Acho que vou mandar mais um postal pro post secret.


*este assunto acaba de ser cremado*

quinta-feira, 10 de maio de 2012

mas que falta de abuso ca família brasileira!

(Alovose que chegou aqui pelo """"""sucesso""""" desse post: desista de ler se você não entende humor por analfabetismo voluntário. Um beigo no corassaum.)



Gente, já pode embrulhar o mundo e tacar na lixeira que não tem mais jeito não.

Aqui no meu campus tem um menino deficiente visual. A gente pode chamar de cego? É ofensa? Eu não sei mais. Como diz meu BFF, and I quote, “Kátia Portadora de Baixa Visão ou Visão Subnormal [ela não faria sucesso com este nome em dois mil e politicamente correto]”.

Eu já namorei um moço cego, sabe? É uma coisa bem simples, ao contrário do que a sociedade pensa. Conviver com uma pessoa que não enxerga, I mean. Aliás, como todos os meus amigos já ouviram e já quiseram me bater por isso eu sempre digo: melhor que ele não via que eu era feia. Mas divago.

Então, tem esse menino cego aqui. Acho que todo mundo já viu esse menino. Não porque uma pessoa com necessidades especiais chame a atenção por si só, mas é que o menino tem um quilômetro de cabelos lisos, sedosos e brilhantes e uma vibe roqueirinho que é meio difícil não notar. Tinha também a bengala branca, super ok, mas hoje em dia ele tem o labrador guia mais fofo da galáxia e meique não tem quem não note um menino de cabelos esvoaçantes e um cachorro maravilhoso guiando seus passos por aí.

Eu, enquanto pessoa mongol e dog lover, morro de dó involuntário do cachorro, vivo lendo o blog do menino pra saber da parte em que ele tem vida normal de cão RISOS, senão fico nervosa. Mas acho ótimo que ele possa ter essa ajuda na vida.

OK, AINDA TÔ DIVAGANDO (devagar).

Acontece que tem dias em que o menino vem sem o cão. Acontece que o menino tem os amigos mais legais do universo, porque sempre tem um deles guiando, naquela vibe braço dado. Agora visualiza a cena: dois meninos inteiros vestidos de preto, cabelón, camisetas das bandas de rock mais barulhentas que todos já ouviu, de braços dados, andando pelas ruas, indo ao restaurante, ajudando escolher comida, resolver a vida em geral. Acho lindo. Sério.

Aí, ontionti eu tava no ponto de ônibus, sendo rica só que ao contrário, quando chegou uma outra habitante do campus com sua mamãe. As duas mantinham conversas bocós, mas né? 98% da humanidade é issaê. Num certo momento, passa o menino que não vê de braço dado com o menino que vê, bem normal, bem coisa de todo dia.

Quiqui a véia faz, você me pergunta?

Sai BRADANDO sobre o desrespeito com a família brasileira. Sério.

Não sei o que é mais mongol. Não sei se é em pleno ano de 2012 a pessoa achar necessário expressar opinião homofóbica ou não notar que não era uma posição romântica, mas sim, de guia.

"PRECISA andar de bracinho dado? Pelo menos não beijou na boca".

Por isso que eu digo: a maldade tá no zóio de quem vê. Nego fica tão preocupado em julgar o amiguinho, que vê coisa onde não tem.

Vamo tudo entrar num acordo e jogar no lixo essa humanidade, porque não tá prestando. É muito otimismo acreditar que o mundo acaba em dezembro, né não?

We can only hope.



quinta-feira, 19 de abril de 2012

a mãe acha que é uma lady




- fia, cê tá emagrecendo, tá perdendo peitos.
- é mêmo? o último sutiã que eu comprei é tamanho 50, acho que ainda não há razão pra pânico.


*****


- por que cê nunca pegou o ***fulano***?
- não faz muito meu tipo. tá certo que o conjunto da obra poderia até funcionar em tempos de desespero, mas acho que eu me arrependeria 3 minutos depois.
- mas você e ele têm tanto em comum:



* pessoas lindas;
* bem vestidas;
* hipster;
* a mãe acha que é uma lady;
* é tudo bitch e viado;
* quer um homem pra chamar de seuOPA.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

#chatiada



Eu me pergunto se tem um número máximo de neurônios que o cerumano pode ter pra desempenhar com graça, alegria e desenvoltura a atividade de ir à cadjmia. Porque eu, pessoa extremamente inteligente e cheia de neurônios, odeio.

E não é porque agora eu estou chubby que eu odeio a academia e não é porque eu estou chubby que eu vou à academia. Tamos nessa desde sempre, desde quando eu pesava 48kg e um dia a profes me proibiu de entrar na aula porque gastava calorias demais e eu ia morrer. RISOS.

E também não é por causa da minha chubbyness que eu não aprecio o ambiente, porque na minha academia tem vários tipos de cerumanos.

As biscate

Tem em todas cadj, né? Aquela gente que financia a maluquice da “““““moda””””” fitness, com aquelas calças de estampas que fazem Chanel chorar limão, regatinha descombinando e total ausência de top, uma vez que silicone não despenca nem quica. Gente, por que pessoas com pouco ou nenhum problema de visão vestem aquelas calças? É pra aumentar o derriê? É pra atrair o olhar? Hoje, no globo repórter. Acho deselegante.

Talvez eu devesse me sentir intimidada pelas biscate, uma vez que aparentemente é delas o pipi coração dos moço munito, mas eu prefiro ser essa metam... COF essa pessoa básica, discreta e meio fofinha do que usar aquelas estampas pavorosas e ter aquele cabelo que mesmo num ponytail chega na busanfa, caquela progressiva castigando as pontinhas. Deusulivre.

As magra

Tem uma espécie muito bizarra na minha cadj, que é a das criaturas com desnutrição ou anorexia. A pessoa parece que vai desmontar ali no supino (nei sei o que é supino, tô chutando) de tão raquítica. Mas todas têm pochete. Tem uma, incrusível, que além da pochete metafórica, tem uma física. E eu rio loucamente cada vez que ela aparece pra correr naquele aparelho que não corre, sacoé? Aquele filho de bicicleta com esteira que deixa 10 entre 10 usuários com cara e movimento de retardado? Imagina com pochete.

Não sei se tenho dó dessas moça desesperadamente querendo músculos ou se tenho dó daquela pancinha miserável que não se vai. Sogorda mas não sou pançuda, fica aqui meu beijo.

As gorda

Se eu tivesse que escolher obrigatoriamente uma categoria, seria essa, porque né? Não sou biscat, não sou anoréxica, não usaria legging estampada (que a fia provavelmente compra com o nome de ‘leg’ no lojão da economia new ou na kas, não sei), não usaria pochete nem que me obrigassem. Só sobrou as gorda. Só que são umas gorda total new level of chubbyness. Nega sobe na esteira e anda mais devagar que eu quando tô no shopping, sabe? WHAT’S THE POINT, FIA? Ou senta na bicicletinha e fica assistindo malhação, porque obviamente, apesar da TV a cabo, é malhação que passa na minha cadjmia.

As chubby muito me dão força de vontade, porque é olhar pra elas e ver que eu estou pedalando a 30km/h e ficar pensando “melhor que isso eu tô”.

E tem eu.

A pessoa de alma magra e corpo fofo, com neurônios demais pra apreciar esse inferno repetitivo.

Aí você pensa: mas e os menine? Não compensa?

Hahahahahahahahahahaha não.

Porque tem

Os moleq

Quano foi que a lei mudou e dimenor pode passar a freqüentar a musculação? O que tem de pirralhinho lá, falando “ai, minha mãe tá preocupada com o tamanho que meu braço tá ficando” num tá escrito. Nego praticamente tem que deixar a chupeta (ops) no vestiário pra ir lá puxar ferro. Sinto pena dessa geração.

Os gordo

Que coisa chata é gordo em academia. Deveria existir uma academia só de gordo, com paredinha nos aparelhos. Não gosto de ver a cara sofrida da pessoa gorda na academia e não sobra mais o que ver. Me desanima.

Os velho

Meldels, como tem velho nessa cadj. Tem um que faz os exercícios com uma bermudinha de sarja e cinto de couro, é sensacional. Com aquelas perninhas magrinhas de vovô, é excelente.

Teve um tempo que um calega meu de trabalho, muito idoso, fazia bicicleta no lado da minha. Aí eu fiquei doente e passei uns 2 meses sem ir. Aí ele veio até minha sala, pra me avisar que quem não vai à academia fica gordo e eu já tava uma bola. ADORO VELHO EM ACADEMIA. Só que não.

Só gatos

Hahahahaah só que não. Tem um. UM. Um *rapaz* bem afeiçoado no ambiente. Obviamente deve ter 1,70m de altura, porque bonito e *fortchinho*, tem que ter alguma coisa faltando. Ou sei lá, o que falta é neurônio, porque o menino é tão bem talhado que deve ser das pessoas que de fato apreciam o ambiente. O bom é que quando ele para na frente da minha bicicleta, eu pedalo mais rápido. Acho que meu cérebro acredita mesmo que dá pra alcançar e sai assim mandando estímulos *ui* pros músculos. Da última vez eu quase caí da bici.

Mas a maioria é mesmo de camarão, sabe? Nego passou na fila 8 vezes pra ser feio, aí vai lá compensar em músculos. Cada um sabe o nicho de mercado que quer atingir, né? As biscat chega tudo animadinha pra falar oi pros camarão, é uma cena bonita, deveria estar no animal planet.

*****

O que eu mais odeio na cadjmia é a vibe de que todos voltaram pra era das cavernas e ta tudo super ok. Aquela gritaria, aquela música maravilhosa, aquele cheirinho... Aquele vestiário estúpido sem janelas, em que as menine insistem em passar Rexona aroma de dor de cabeça até gastar o tubo. As pessoas nunca ouviram falar em roll-on? Em sem cheiro? Em amor ao próximo? Um dia eu vou começar meu dia de fúria pelo vestiário, vai vendo.

Aliás, o vestiário engloba todo o horror do ambiente. Acho incrível a existência essas pessoas que acreditam em banho comunitário, com todo mundo vendo suas banha e seus derriê. Tem uma tia que ultrapassa todos os limites. Ela faz pipi de porta aberta e aí sai cas calça arriada em direção à pia, pra lavar as mãozinhas. CAS.CALÇA.ARRIADA. Não contente, ela tira a roupa toda no meio do vestiário e sai espalhando pelo único banquinho do local. Coloca até o tênis em cima de onde a gente senta (sentava, né? Não encosto nem meus lixo lá mais), senta lá sem vestimenta (*gorfa*), cata shampoo, toalha e sabonete e vai.

Quase tenho vontade de me trocar no meio da escada mesmo, pra evitar esse pavor.

*****

Cêis ainda lembram que tinha UM rapaz bem afeiçoado no local? Pois então, em tudo que é aula que eu faço, ele é meu único assunto. Incluindo o fato de que ele deveria ser burro, porque né? E sempre que eu falava dele, tinha uma tia over interessada em saber quem era o menino. Temi pelo casamento dela, mas quiqui C A de fazer? Ontem finalmente mostrei quem era o moço pra tia. Qual não foi minha surprise quando ela disse “oi, Junior” e ele respondeu “oi, tia”?

Todas morre e pretende nunca mais voltar à academia.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

um príncipe em minha vida


Tem um sapo morando na minha varanda.

Odeio sapo.

É uma coisa meio bizarra pra pessoa moderna, moradoira de capital de estado e do centro urbano ter que conviver com um sapo.

Quano que eu moravo no interior, houve um trauma, sabe? Meu lar era na última rua antes da rodovia e entre meu lar e a rodovia tinha metros e metros de mato. Os sapinhos nasciam no mato e iam morar atrás da máquina de lavar roupa, daquelas jovens que têm o motor exposto. E eu tinha PA-VOR de explodir um sapo na hora dos afazeres domésticos. Eu tinha 12 anos e lavar roupa já era meu esporte caseiro favorito e todo dia era um tormento quando eu via todo mundo sentar contra o vento pegar a vassoura e cutucar um, dois, três, vinte e cinco sapinhos debaixo da máquina de lavar até o mato, de modos que eu pudesse ameliar em paz.

Odeio sapo.

Aí tem outro trauma que não é exatamente próprio, mas é. Sapo e cachorro não são amigos e eu tenho um cachorro. Que agora só passeia à noite sob supervisão constante, porque cachorro é tudo tapado e a primeira coisa que ele faz ao sair é cutucar o sapo com o nariz. Se fosse com a vassoura, poderiam até achar que fui eu que ensinei.

Olha, eu não sei exatamã o que o sapo faz com o cachorro, mas sei que o cão da minha tia, meu primo foi atacado ferozmente por um sapo e precisou ir pro hospital duas vezes por causa do veneno. E hoje em dia ele tem algumas sequelinhas que o médico diz que foram causadas por esse lindo encontro só que não. De modos que eu tenho PA-VOR que o sapo assassine meu cachorro.

Odeio muito sapo.

Felizmente eu sou uma pessoa de alma boa, que jamais machucaria um bicho. De modos que se a pessoa leitora deste blog sugerir alguma forma de violência contra o sapo, sofrerá alguma maldição, já tô avisando. Mas que é muito deselegante o sapo ir morar no meu solar sem ser convidado, isso é.

Infelizmente eu sou uma pessoa fresquinha e não tenho condição emocional de enfiar o sapo numa caixa ou em qualquer recipiente não maligno pra soltar num lindo brejo cheio de moscas, onde ele seria feliz pra sempre. Não é possível que esse sapo não sinta solidão na minha varanda!

Sigo então odiando esse sapo dos infernos, que faz com que eu tenha que passear com o cachorro de vassoura em punho e com visão noturna ativada, porque nem pra ser colorido e super visível em pouca luz ele serve.

Tô aqui pensando se não seria o caso de dar uma beijoca nele e ver se de repente não é meu príncipe trabalhado no feitiço que tá por ali, olhando pra minha janela o dia todo, sofrendo em silêncio no meio das prantinha do quintal, esperando que eu veja nozolho dele que é só eu fazer a Tiana e seremos felizes para sempre.

quarta-feira, 21 de março de 2012

porque o mundo não para pra gente ficar chorando


- Vanessa?

- Oi.

- Como que eu mando isso aqui que eu tô escrevendo no Word por email?

- Salva em algum lugar que você se lembre, abre o email e me chama de novo.

...

- Pronto. Mas o gmail tá diferente, será que aquela menina de informática mexeu aqui e estragou meu computador?

- Não, o gmail às vezes muda mesmo.

- Onde eu vou?

- Clica em “novo” e procura onde tem “inserir anexo”.

- Tá. E agora?

- Vai lá e pega o arquivo onde você salvou.

- Onde eu salvei?

- Eu não sei! Você não lembra?

- Não tá onde eu salvei, será que aquela menina de informática mexeu aqui e estragou meu computador?

¬¬

- Vai lá e salva o arquivo de novo, mas vai em “salvar como”, e presta bem atenção onde você guardou. Aí me chama.

...

- Pronto. Abri o gmail, tenho certeza que aquela menina de informática mexeu aqui e estragou meu computador... Inserir anexo, pronto. Acheeeeeeeei o arquivo, nossa, deu certinho, pronto. E agora?

- Agora a barrinha azul vai terminar de carregar e é só isso.

- Só isso?

- Só.

*dois dhias depóóóóis*

- Vanessa, o fulano não recebeu meu email, será que aquela menina de informática mexeu aqui e estragou meu computador?

DAI-ME FORÇAS, SENHOR.

- Vamos lá de novo, passo a passo. Abre o gmail, anexa e me chama.

...

- Aí, ó! A barra azul carregou! Será que foi?

- Foi o que?

- O email!

- Mas você nem mandou ainda!

- Ah, tem que mandar? Colocar endereço e tudo? Você falou que depois que carregasse o azul já tava pronto e eu só fiz isso da outra vez.

FOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOM

Só dels sabe o que eu passo.

segunda-feira, 19 de março de 2012

pelo direito de ficar triste.


Eu tenho sorte. Minhas pessoas morrem pouco, morrem de velhas. É uma frase horrível, mas acho que a única coisa que consola a inevitabilidade da morte é pensar na vida de quem morreu. Se foi longa e feliz, ao menos no nosso ponto de vista, é mais fácil suportar a dor da perda. Pelo menos é assim comigo.

O pior da morte é sobreviver a ela. É ter que ir ao banheiro, tirar o lixo, trabalhar, comprar pão. Essas coisas estúpidas que temos que continuar fazendo porque o mundo não acabou e a vida não para. Acho um desrespeito da vida com quem perdeu alguém.

Minhas mortes anteriores foram espaçadas e em circunstâncias especiais, como quando meu avô paterno morreu no dia em que eu estava no hospital perdendo um rim. Sabe? Perdas em perspectiva. Perdas à distância. Perdas de um jeito que eu não sei explicar, mas mais simples de superar, por uma razão ou outra. Perdas que as pessoas compreendem.

Diferente de quando meu cachorro morreu de velho, mas de surpresa. Acordou bem, se sentiu mal, foi ao hospital e morreu. Tudo em menos de 12 horas. Eu, que nunca peço pra faltar ou sair mais cedo do trabalho, pedi pra ir ao crematório. Cinco anos atrás.

No ano passado, quando fui pedir pra faltar três dias pra ir a um congresso internacional, a resposta foi “é até um alívio que o motivo seja esse, vindo de alguém que falta pra funeral de cachorro”. Cinco. Anos. Depois.

Não entendo quem quantifica a dor da perda. Não entendo quem compara. Não entendo quem não entende.

Vinte dias atrás, quando meu avô materno morreu, eu tive que ir a uma reunião de trabalho. Obviamente chateada – porque reuniões são atividades inúteis da humanidade e porque eu queria sofrer em paz – vi quando um conhecido da família avisou meu chefe a respeito. Porque eu nunca aviso, não gosto daquele desejo de pêsames vazio e não gosto de ninguém interferindo no meu processo de dor. Eu prefiro evitar assuntos tristes (e isso é problema meu).

Ao ouvir a notícia, ele veio desesperado “nossa, o que aconteceu com seu pai?”. E quando eu disse que foi meu avô, não meu pai, levei dois tapinhas no ombro, seguidos de “ahh, então não é nada”. Virou e foi embora.

Mas esse foi só o segundo lugar no ranking. Em primeiro lugar ficou a pessoa que ouviu a notícia por outros e não se conteve. “Seu avô morreu? Poxa, eu perdi minha ex-empregada também, a vida é uma coisa triste às vezes”.

Não é incrível a sensibilidade humana?

E eu sou uma manteiga derretida nesse mundo feito de gente com as ferraduras recém polidas. E eu choro porque é triste e eu choro porque as pessoas são idiotas e eu choro porque a louça precisa ser lavada, mesmo que seu coração doa.

A perda que eu sofri essa semana é do tipo que ninguém considera. A perda que eu sofri esta semana é a que eu mais temi em toda a minha vida. Foi aquela que tirou meu sono por antecipação, que me fez pensar duas vezes em um milhão de situações. Foi a que me fez mudar os planos incontáveis vezes, foi a que me impediu de sair de casa, de viajar, de viver despreocupada.

E eu morri um pouquinho quando percebi a inevitabilidade. Eu morri um pouquinho quando virei a general do plano de salvação. Eu morri um pouquinho quando disse quem faria o que, quando gritei, quando arremessei celulares e o que tivesse na minha frente. Eu morri quando peguei um taxi que andava a 2km por hora e morri quando eu cheguei tarde demais e quando eu tive que olhar pela última vez e dizer tchau. Eu, que nunca tenho coragem de dizer tchau.

Eu morri um pouquinho quando meu maior medo virou realidade.

Eu morri um pouquinho e todo mundo superou mais rápido que eu.

E amanhã é segunda-feira e eu tenho milhões de coisas estúpidas pra fazer nas segundas e eu vou deixar metade delas pra lá. Porque é muito injusto que a vida continue, quando meu coração está em pedacinhos.

São Francisco, segura minha mão. E segura a mão do meu amorzinho também.

(E, por favor, não deixa mais ninguém morrer neste ano, porque eu não agüento.)



quarta-feira, 7 de março de 2012

diário de uma magra acima do peso

parte I

Não sei nem por onde começar.

São 10 dias de controle alimentar e eu já quero morrer só um pouquinho e só voltar quando tiver acabado. Eu me transformei de pessoa normal (oh wait) em pessoa que só.pensa.em.comida. E quando chega a hora de comer, eu quero fazer qualquer coisa, menos isso.

Porque tem gente achando que eu estou tomando moderador de apetite and I wish, mas não estou. De modos que eu morro de fome o tempo todo, uma vez que não posso comer NADA do que eu realmente gosto. Mentira, posso comer abobrinha. Ontem considerei comer abobrinha no café da manhã. Veja só a situação da minha pessoa.

O que eu estou tomando é um regulador de metabolismo. Veja bem, não é acelerador, é REGULADOR. Porque meu metabolismo não está lento, ele está só ignorando algumas comidas. Podia conversar com meu sistema imunológico, que não ignora nada e aprender comofas. Ou, sei lá, meu sistema imunológico que poderia aprender a ignorar uma coisa ou outra. VOCÊS ESTÃO TRABALHANDO TROCADOS!

Assim, eu posso comer carboidratos, só não posso comer os que eu gosto, tipo batata. Tipo pão. Não sei que graça tem viver nesse mundo de comidas estúpidas, tipo carne.

Aliás, uma pequena lista de comidas cujo cheiro já não consigo mais sentir: frango, peixe, ovo, alface.

Eu me tornei uma pessoa que não gosta de falar. Sério, achei que nada fosse capaz, mas eu não quero mais falar, sobre nada, com ninguém. Meu humor está péssimo e eu sinto raiva das pessoas no restaurante e na rua, só porque elas estão comendo o que eu não posso ou porque elas não pesam mais de 60kg. Ou porque elas são gordas e nem ligam.

Aliás, a primeira coisa que se desenvolveu no meu eu foi a revolta. Eu nunca fumei, nunca bebi, nunca comi como se não houvesse amanhã, nunca descontei frustrações na geladeira. POR QUE EU TENHO QUE FICAR SEM COMIDA? Eu não fumo e tenho asma. Eu tenho asma e tenho que tomar remédio. Eu tomo remédio e tenho que ficar sem comer. Sabe? Revolta.

E, mais uma vez, minha santa mãezinha prova que adquiriu lugar no céu só por ter que me carregar como fardo. Nunca vi tanta comida diferente com a mesma meia dúzia de ingrediente em casa. Até pizza ela deu um jeito de fazer, pra eu ficar menos reclamona.

10 dias done, 20 dias to go, dels meajude e todos torce pra que eu não morra antes de março acabar.

Ou ao contrário, dependendo do seu apreço pela minha pessoa.

(É muita derrota a pessoa ter que comer sem pão e batata, mas odiar carne e ter alergia a queijo hahahaha. DERROTA.)