quarta-feira, 25 de novembro de 2015

freaky versa

Gente, cêis curte ver gente pelada? Não tô nem falando do gênero que vos satisfaz sequiçualmente, estou falando de gente, qualquer gente, sem roupa. Cêis curte? Nossa, eu detesto.

Eu acho lindos homem lindos, mas eu curto que sobre pelo menos uma cuequinha grande, se possível, uma camiseta, uma calça, tênis, blusa. Eu gosto de gente vestida, quando é pra olhar. Desembrulhar só na hora de usar mesmo, viu? No geral, eu preciso que as pessoas estejam encapadas.

Banheiro de academia, piscina, praia, acho a paisagem um tormento. Na minha casa os home curte ficar só de short, as mulher de calçola e camiseta, eu me recolho pro meu quarto quando eles se preparam pra dormir, porque eu não tenho estrutura.


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Eu achava que eu era uma pessoa bem feliz. Eu achava que estava realizada profissionalmente, que minha família não tinha defeito, que minha casa era ótima, acreditava superficialmente no amor, etc etc etc. Não sei o que aconteceu uns 8 anos atrás e um dia eu acordei consciente de que a vida era uma merda, especialmente a minha. Não sei se foi quando eu comecei a virar uma gorda, funcionária pública, pobre, adulta que mora com os pais, essas coisas. 

Aí veio aquele sentimento de condenação.

Tipo: eu não posso ir dormir pensando "amanhã eu não sou mais gorda, não sou mais alérgica, não sou mais pobre, não sou mais brasileira, tenho dois rins, não sou mais burra, não tenho mais de 30 anos, não escolhi a profissão errada, não sou mais ridícula enquanto cerumano" e acordar magicamente em diferentes condições. Eu sou condenada a ser eu. Acho isso um horror, sabe? Essa falta de capacidade de ser o que a gente quer me irrita demais.

De modos que o pensamento "eu não aguento mais ser eu" ou "até quando eu tenho que ser eu?" é bastante recorrente.

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Infelizmente, neste momento, eu não sou mais a única pessoa na minha casa com problemas mentais. A diferença é que eu tenho tido que lidar com isso por anos, então meique já tenho prática. Minha irmã tá descobrindo agora os horrores de estar condenada a ser quem é. Esses dias ela entrou no meu quarto reclamando que não queria mais ser ela. Trinta e dois segundos depois de eu ter tido o mesmíssimo pensamento.

MANO, BATEU UMA BAD INTENSA.

Cara, pensa comigo. Quantos filmes existem no rol de roliúde com essa temática? De pessoas que não têm realmente razão para odiarem suas vidas, aí elas odeiam a própria vida ao mesmo tempo (confesso que eu pensei que minha irmã não tinha razão nenhuma pra não querer ser ela mesma, tava reclamando de barriga cheia), aí acontece uma ~magya~ e as pessoas trocam de corpo.

PENSA, CARA.

Falei isso pra ela imediatamente:

- faz favor de parar de falar em voz alta que não quer ser você, porque eu tô frequentemente pensando isso e aí vai que cai a luz, dá um raio, bate um vento, comemo um biscoitinho da sorte e PÁÁÁÁÁ, amanhã eu acordo de Monique.

Eu tava achando muito ótimo acordar magicamente magra e com uma cara que a sociedade considera bonita, tava difícil mesmo imaginar aqui uma desvantagem pra mim, sabe? Já pra ela, hahahahhahahahah, pensa no pesadelo de acordar gorda e feia??? Deve ser um baque na vida da pessoa.

cordei q tá conte seno

ai caraio to gorda socorro


Exatamente como eu imaginei. (E maisomenos como aconteceu com a minha própria pessoa.)

Mas aí eu lembrei que teria que ver minha irmã pelada no espelho e quase desmaiei, cara. Magra sim, pelada JAMAIS.

Aí ela responde "e você tá lascada, porque NUNCA que eu ia passar o tempo que cê passa estudando e indo pra academia".

Me desesperei, né, mores? Gritei que não tem condição a pessoa deixar um corpo gordo privado de exercícios físicos. O mestrado eu recupero, mas e meus muque? PRIORIDADES.

Logo lembrei que a pessoa é a louca do leite e já imaginei ela enfiando canecas de nescau neste corpinho alérgico - e que também ODEIA nescau.

Aí pensei que ela falharia miseravelmente na missão de tomar duas colheres de mel por dia, os antialérgico tudo, os 38 sabonetes, hidratantes, as águas que eu preciso beber, os detalhe, gente, socorro? Ela ia me entupir de suco de maracujá de caixinha, de vinagre, de azeitona, EU NÃO POSSO ADMITIR ESSE TIPO DE COISA!!111

Quando a gente percebesse que a vida de todo mundo é uma merda mesmo então melhor cada um ficar com a sua, e tivesse que voltar pro próprio corpo, em que situação eu me receberia de volta?

Com o tanto que minha irmã é sedentária, eu voltaria pro meu corpo pelancudo, trabalhado na dermatite, no entupimento nasal, com o cabelo cheio de frizz, porque quem mais teria paciência pra domar essa juba desgracenta? Ninguém. Magina a pessoa que nunca pesou mais que 50kg e teve cabelo desconjuntado tendo que me levar pra passear na rua? Magina ela tentando me vestir????????????????? Magina querendo enfiar bota nos meus tão sensíveis pezinhos! Encher minha cara de maquiagem! Me cobrir inteira neste país que nunca nem faz frio!

O desespero foi tão grande que quase gostei de mim e da minha vida por 32 segundos. Pode não ser grandes coisa, mas pelo menos eu tomo conta dessa porcaria de envólucro de carne que eu carrego pra baixo e pra cima.

Minha irmã, por sua vez, ficou apavorada que eu pudesse comer uma fatia de peito de peru com seu corpinho vegetariano e usar o cabelo ~au naturel~. E fim.

Em todos caso, vou tentar me conformar com a minha vida até ela voltar ao normal e eu poder reclamar normalmente de estar condenada a ser eu.

O problema é se nesse meio tempo eu acabar descobrindo que no fundo eu me amo. Aí sim vai ser difícil descobrir o que fazer (mas acho que não corro esse risco).

RERERRERERERE



domingo, 22 de novembro de 2015

3 coisas

3 coisas que mal posso esperar 


- esse ano acabar

- esse mestrado acabar

- março de 2017


3 coisas que me dão medo 


- telefone

- comer na casa dos outros

- terminar relacionamentos 


3 coisas que me dão preguiça 

- gente arrogante

- artigos científicos

- atividades fora dos limites do meu lar


3 coisas de que eu gosto 

- dormir

- comer

- silêncio


3 cheiros que eu gosto 

- baunilha

- hidratante de cereja l'occitane

- perfume de gengibre roger & gallet 


3 cheiros que eu não gosto 

- azeitona

- vinagre

- aquele incenso que todo hippie curte 


3 comidas GIMME MORE 

- coxinha

- pão de batata

- sanduíche podrão


3 comidas “prefiro a fome” 

- azeitona

- carne

- goiabada


3 redes sociais favoritas 

- tumblr

- instagram

- flickr


3 redes sociais desgracentas 

- twitter

- snapchat

- whatsapp é rede social essa bosta?


3 bebidas preferidas 

- água

- suco de abacaxi

- suco de laranja


3 bebidas que URGH 

- cerveja

- suco de caju

- suco de laranja de caixinha


3 coisas que eu quero fazer 

- ficar rica

- viver de escrever

- morar num lugar onde nunca faça sol ou calor


3 coisas que eu deveria fazer 

- começar um artigo

- finalizar uma resenha

- arrumar meu quarto


3 coisas que eu sei fazer 

- cozinhar

- desenhar

- drama

3 coisas que eu não sei fazer 

- esperar

- falar no telefone

- café


3 coisas que estão na minha cabeça 

- cabelo

- olho

- nariz


3 coisas que eu falo bastante 

- olhaki, kiridinha

- fuén

- caraio


3 assuntos de que eu falo bastante 

- séries de tv

- morar na europa

- mestrado

3 coisas que eu quero 

- dinheiro

- sossego

- silêncio


3 coisas que me acalmam 

- silêncio

- chuva

- não ter que sair de casa


3 coisas que me estressam 

- sair de casa

- barulho

- calor


3 coisas que eu vou fazer essa semana 

- uma das coisas que eu mais odeio no universo

- tomar no cu de forma não literal ou prazerosa

- chorar


3 coisas que eu fiz na semana passada 

- terminei um relacionamento falido

- tomei no cu de forma não literal ou prazerosa

- chorei

terça-feira, 10 de novembro de 2015

dança da solidão




Esses dias eu tava muito amarguíssima, porque assim: dia 28 (ou algum dia no fim de outubro) é dia do servidor público e apenas duas vezes na história desse país tinha sido "feriado". Eu nem conto com essa data, eu nem LEMBRO dessa data. Mas botaram uns food truck debaixo da minha janela pra lembrar essa data. Estava ignorando solenemente, quando o reitor mandou um comunicado de feriado na sexta. Seria muito maravilhoso porque eu tinha que estudar E resolver problemas longe de casa, isso significaria um dia pros problemas, livrando o fim de semana pros estudos. Mas ó que incrível: tinha o feriado oficial de finados, tudo ia se juntar e QUATRO.DIAS.DE SOSSEGO.

No meio da semana, minha irmã avisou que estava indo pra praia, minha mãe disse que ia pra casa da minha vó a 600km daqui, meu pai ia com ela, meu irmão na Europa... significava o que? O QUE? 

SOLIDÃO!!!!!111111

Gente, que sonho. Eu já planejo meus dias praticamente minuto a minuto, em meia hora eu tinha uma escala de atividades pros 4 dias, totalmente balanceada, de modos que tinha tempo de estudar, cozinhar, dormir, faxinar, estudar, faxinar, estudar, estudar e assistir duas horinhas da final da copa de rugby.

Mas aí deu-se uma desgraça. Assaltos em série nas casas em torno da minha, culminando com a minha vizinha vindo aqui me avisar que os ladrões entraram na casa dela pela minha (o que é uma grandessíssima mentira), 01 horror. Quiqui aconteceu? Todo mundo desistiu de viajar, meu irmão inclusive achou conveniente despencar de hemisférios (ainda não voltou, mas a notícia veio) e eu pensei apenas: ATÉ QUANDO MORAR EM GRUPO?

O feriado foi um enorme cocô mole em que eu praticamente não consegui estudar, não houve limpeza de um mísero metro quadrado desta casa, não consegui assistir o jogo todo porque c e r t a s p e s s o a s queriam almoçar (e eu com isso, caceta????), foi uma merda, um horror.

Aquele que vier comentar sugerindo que eu saia de casa ou perguntando a razão de eu não sair de casa, será solenemente ignorado. A não ser que esse comentário venha acompanhado de um lugar pra eu morar sozinha com as despesas pagas, num lugar de minha escolha. Aí pode, pode comentar o que quiser.

Isso conjuntamente com uma frase que sempre ouço pessoas dizendo ou postando e calhou de aparecer no meu campo de visão, nossa eu filosofei demais.

As pessoas dizem: a melhor coisa de morar sozinho é andar pelado.

MEU DEUS DO CÉU, COMO VOCÊS SÃO BOCÓ.

Sério, cara, eu tenho vontade de implodir numa célula de catapora quando eu escuto esse horror.

Primeiramente porque: que nojo, cara. Jesus amado, que nojo. 

Minha cama, que eu frequento super pouco, eu deito em qualquer direção que der vontade. Já pensou que delícia um dia deitar com a cara onde anteriormente estava o cu? Meu sofazinho, tão confortável. Magina que eu sento lá com as parte toda de fora pra ver um nervosíssimo blacklist ou ler um livro durante 4 horas. Aí levanto, tomo um chá de hibisco, volto e deito no mesmo sofá pra uma sonequinha, com o meu cabelo onde tava ralando a afugentada. AI, GENTE, NÃO. Aquele banquinho da cozinha que a gente usa pra alcançar o armário alto, às vezes sobe com a chinela que passou por guspe na rua, aí cê vai e senta com suas região mucosa nesse local?????? Gente, cêis são porco demais, credo.

Mas isso nem é o pior. Esfregar a cara no próprio fiofó eu até entendo, tem gente que vai comentar dizendo que é limpinha e eu vou só rir um pouquinho aqui do lado de cá, cêis faz o que cêis quiser. Agoooora, nas raríssimas ocasiões que eu vou na casa alheia, especialmente se a pessoa mora sozinha ou passa muito tempo sozinha, eu sempre penso: VOU SENTAR NESSE SOFÁ CARIMBADO DE CU?

Num vou negar, eu penso nisso intensamente. Tanto que calças que vão nas casa dos migo, chegam em casa e vão diretamente pra máquina de lavar, sem passagem por sentadinhas ocasionais no meu banquinho da cozinha, no meu sofá, na minha cama, deus me livre e etc.

E essa é uma das razões pelas quais eu JAMAIS dividirei a casa com alguém que não sejam as pessoas com quem sou obrigada a dividir hoje. Deus me livre passar uma semana fora e ter que dedicar o primeiro dia da volta pra desinfetar tudo que é superfície. Não tenho estrutura emocional.

Por outro lado, eu consigo pensar aqui em mais ou menos 478 coisas melhores pra se fazer ou ~curtir~ quando se mora sozinho.

Exemplos?


Silêncio

Consigo nem imaginar aqui a alegria que deve ser o silêncio. Mentira, sei sim. Meus pais sempre moraram em duas cidades ao mesmo tempo, de modos que com uma frequência razoável eu acabava ficando sem um ou outro ou os dois, sem irmãos, sem ninguém. Nos últimos 5 anos que essa alegria se acabou, mas eu já passei muitos bons momentos em casa e eu vos digo: nada mais maravilhoso que não ter nenhum som quando você quer nenhum som. Precisa se concentrar numa leitura, num exercício, nos seus pensamentos, no seu sono, na sua dor de cabeça? Silêncio. Não quer ouvir o que tá passando na tv, horríveis músicas do Chico Buarque, gente conversando, discutindo, emitindo sons? Não tem. 

Se alguém coloca o ato de encostar o derriê desnudo em objetos não higienizados acima do silêncio, eu já sei que essa pessoa tem algum problema bem grave mesmo.

O contrário também é válido: quer ouvir Wanessa Camarga nas alturas enquanto faxina a casa? Pode. Passar aspirador na hora da novela? Pode. Ligar o chuveiro de madrugada? PODE MUITO.

Banho

Esse é um assunto de alto stress pra mim. Quando eu era criança, eu tive aqueles problema mental (muitos dos quais permanecem até os dias de hoje) que fazem a pessoa querer tomar 38 banhos por dia, mas eu me controlava e só tomava 4. Minha pele apodreceu, assim como meus cabelos, mas eu.não.conseguia.parar. Aí rolou toda uma necessidade médica - que ainda existe - de limitar os banhos a um por dia. "Mas e se..." NÃO. Não que eu siga essa regra, nos meses de calor eu quero mais é que se lasque e tomo quantos banhos eu quiser (e passo 3 meses subsequentes salvando a pele do estrago, porém problema meu). Aí que na minha família rola toda uma patrulha do banho e eu preciso ser muito esperta nos dias que quero tomar dois.

Só que OLHA QUE LEGAL: na casa onde eu moro hoje rola um compressor pro chuveiro, cujo som é escutável até da lua. Não tem como desligar. O que isso quer dizer? Todo mundo sabe quando alguém está tomando banho e quanto tempo esse banho durou exatamente. Nossa, mas é legal demais. A patrulha do banho regozija.

Só que se morar sozinha significaria banho quando eu quisesse e quantos eu quisesse, tem uma coisa ainda mais importante: na hora que eu quisesse. Cê vê, agora. Tô sentada aqui na frente do computador. Se eu pensasse e apenas pensasse "hum, acho que vou tomar um banhinho", enquanto eu andasse pelo quarto juntando roupa, toalha, chinelo, pode apostar: alguém entraria em algum banheiro desta casa e iniciaria um banho 32 segundos antes que eu pudesse chegar no banheiro. Se eu falar em voz alta que tô indo tomar banho, pra tentar evitar essa derrota, o que acontece? 8 pessoas retrucam "ahhh, mas eu tava indo porque..." insira aí qualquer motivo e eu falo TÁ BOM, VAI LOGO. Imagina que loco pensar em tomar banho e IR tomar banho, cara? Deve ser maneiro.

Serviços domésticos

Se tem uma coisa que me estressa em casa comunitária, essa coisa se chama silviço doméstico. Não interessa a configuração de pessoas na casa, ele sempre estará desbalanceado. No caso, pro meu lado. Eu tenho os piores amigos do mundo, porque eles sempre me dão conselhos (EU ODEIO CONSELHOOOOOOOOOOOO) e, além de dar, são os piores conselhos do mundo: deixa a casa zoneada, imunda, nojenta e vê se ninguém se coça de fazer alguma coisa.

1 - pra isso eu vou ter que viver numa casa zoneada, imunda, nojenta e;
2 - foi o que aconteceu nos últimos 15 dias, porque eu estou tendo uma sequência de trabalho, prova, vida que não tem como conciliar (e uns posts pra trás ainda teve alguém me dando o INCRÍVEL CONSELHO de desacelerar, que eu adoraria muito, pode vir aqui em casa lavar a loucinha pra mim que eu vou a-do-rar) e a casa acabou ficando largada. Não fosse nojento e vergonhoso, eu tiraria uma fotinho aqui pra vocês verem. Ninguém se importa, amor. As pessoas adoram viver no limpo e organizado desde que elas não tenham que limpar ou organizar. Entre trabalhar e deixar a entropia tomar conta, entropia.

Então eu fico pensando na magia que deve ser não ter ninguém sujando quando ninguém está limpando. As coisas vão sujar pelo simples uso? Vão. Mas num grau muito menor do que o que pode ser encontrado na pia do meu banheiro, neste momento. Onde alguém, que eu JURO que não sei quem foi, guspiu pasta de dente no mármore da pia e não teve nem o trabalho de limpar, por exemplo. Tá lá, até eu resolver que serei eu a corna a executar essa tarefa.

Então só consigo pensar em quão maneiro deve ser chegar em casa e encontrar na pia apenas a quantidade de copos que você usou durante o dia (um), em vez de todos os copos disponíveis na casa (trinta e sete), mesmo sendo habitada por (três) pessoas. 

Sonho também com o dia que eu vou pensar "hummm, xô lavar uma roupinha aqui" e eu chegar na máquina e ela estar desocupada. Deve dar até um treco na pessoa. Cê vê: quase ninguém na minha casa curte a roupa lá torrano no sol, então custava alguma coisa deixar o sábado de manhã pra mim? Além disso, só tem mais uma infeliz que trabalha em horário comercial de segunda à sexta. O que os outros têm contra lavar em momentos da semana que ninguém tá nem em casa? Não sei. Só sei que sábado de manhã, às vezes eu coloco o despertador pro ingrato horário de 8 horas e, surpresa, a máquina já está em uso. Eu tenho sido uma grande sem noção e largado a roupa lá no molho na sexta à noite, de modos que NINGUÉM PODE MEXER HUAAAAHAUHAUHAUAHAUHA. Mas pensa no stress que é ter que calcular friamente seus movimentos com a máquina de lavar? Porque a pessoa que largou os trapo dela lá 8 da madrugada não vai estar removendo antes das 11 da manhã. Uéééé, mas num tava com pressinha de lavar a bendita roupa? Então tira da máquina de uma vez, caceta.

Hoje foi incrível. Por motivos que não vêm ao caso, não fui trabalhar tinha que estudar, obviamente. Fiz o que tinha que fazer, comprei almoço (porque eu sou trouxa), finalizei o almoço, comi, pensei "e se eu aproveitasse esse sol horrível pra tacar as toalhas na máquina enquanto termino aqui esse exercício escolar" e, meu, sem zoeira, uma pessoa que estava olhando pro teto desde cedo grita "NOSSAAAAAAA, VOU APROVEITAR O SOL E LAVAR TOALHA".

Cara, acabou meu dia, larguei o trabalho escolar pra outra hora e tô aqui reclamando na internet.

Fora esses horrores, eu sempre tenho um ciclo diário de animação pra atividades insuportáveis que não condiz com os das pessoas que moram comigo. Agora (17h) eu tô no melhor horário pra passar aspirador, passar um paninho no chão, arrumar a zona que tá a sala. Mas não pode, porque a novela vai começar e as pessoas que não limpam jogam fora nem o guardanapo que usaram querem assistir à tv no silêncio :)

MAGINA QUE LOCO ARRUMAR A CASA NA HORA QUE DER VONTADE???? Nossa, deve ser incrível.

Alimentação

Não sei nem por onde começar. Eu detesto comer comida dozotro, porque zotro não tem critério. Humanos colocam azeitona, vinagre, tomate seco, salsinha, couve nas coisas que a casa toda vai comer. Por que, cara? O que foi que eu te fiz? Quando eu falo HOJE SIVIREM QUE EU NÃO VOU COZINHAR, quando eu chego pra almoçar tem o que? Feijão e arroz. Mesma coisa que nada, porque eu não vou comer. "Fiz macarrão aqui, mas deixei al dente e o molho é sugo de caixinha, que eu joguei em cima". COME VOCÊ ISSO AÍ ENTÃO.

O que eu faço, então? Vou eu mesma cozinhar. Só que não pode ser o que eu quero, na hora que eu quero. Tem que ser agora, tem que ter cebola, tem que ter alho, tem que ter isso, tem que ser nesse ponto, tem que ser nessa panela, gente, vamo todo mundo arranjar o que fazer? Fora a fase que eu tava com problemas sérios de saúde e não podia comer açúcar (e batata, beterraba, abóbora, manga, melancia contavam como açúcar) nem farinha. Primeiro que todo mundo reclamava que não tinha mais batata na comida, depois que todo mundo reclamava quando eu fazia frango, porque a família é vegetariana e COMO EU OUSO COMER CARNE NESTE LAR PURIFICADO?????? Eu pedia pelo amor de deus pra não comprarem um pãozinho específico (que ninguém nunca compra porque é caro) e nessa fase tinha todo dia, só porque eu não podia comer. Dieta é um sonho impossível numa casa com mais de uma pessoa, mesmo que seja pra salvar sua vida.

Mas pode ser pior. Pode ser que você compre um iogurte, porque daqui uma semana vai ter que acordar uma hora mais cedo e gostaria de tomar um café da manhã bem específico pra atividade que te fez acordar tão cedo e você só tem tempo de ir no mercado hoje. Pode ser que tenha uma mini latinha de coca na geladeira pra quando você precisar tomar um comprimido. Pode ser que a última caixa de chá que você trouxe da viagem pra Coréia do Norte esteja esperando o momento que você guardou pra se despedir dela. 

Aí a hora de ingerir essas coisas chega e, surpresa, alguém comeu.

Tava lá na geladeira, ué. Qual o problema?

QUAL. O. PROBLEMA.

Toda uma insanidade causada pelo roubo de comida, não vou nem entrar em detalhes.

Horários e cronogramas

Nesta casa, com exceção de mim, que sou imbecil, ninguém tá nem aí pra nada. É meia noite e deu vontadinha de tocar piano quando todo mundo já foi dormir? Toca piano. Deu vontade de ligar a tv na corrida de fórmula 1? Liga. Foi metade da família comer na cozinha sábado 8 da manhã? Fala alto debaixo da janela do quarto dos outros. Ninguém sofre (só eu). Tem o pessoal do "dormiu demais, vamo acordar", quando só o que você precisa é de sono. Tem o pessoal do "tô indo passear, tenho que convidar a casa inteira agora", quando a gente tá dormindo e tem zero interesse de ir numa loja da vivo comprar um chip novo. Mas se você falar que não vai jantar agora, porque tá no meio de um raciocínio de um parágrafo do seu artigo, as pessoas vão e comem sem você, guardam a comida toda, congelam coisas que você falou que ia comer, comem todo seu requeijão e te deixam sem. Isso porque você atrasou menos de uma hora. 

Já pensou a glória de pensar "não tô com fome agora, daqui uma hora eu como" e estar lá todo o pão, todo o requeijão, todo o chá de limão siciliano? Deve ser incrível.

Mas aqui tem um negócio muito engraçado. Cê fala, só a título de aviso mesmo, que amanhã, tal hora, vai em tal lugar. A chance de você ir naquele lugar, naquele horário e, principalmente, SOZINHA, é de um total de zero. Isso mesmo. Zero. Alguém vai te convencer que o horário é ruim, que o lugar é ruim ou que precisa ir junto. Num horário mais conveniente. Pra eles. Sério, não tem saída.

Eu curto ir sozinha ao cinema, porque só gosto de sentar em um lugar e se não for naquele lugar, nem compro o ingresso. Ninguém gosta de sentar ali. Eu gosto de ver filme merda sem ter que ficar me justificando (olar, crimson peak). Eu gosto de chegar uma hora antes, eu gosto de comer, eu preciso levar água, etc etc etc. A pessoa tem que ir amordaçada pra não encher o saco com as minhas escolhas. Então eu faço o que? Planejo a ida (e eu só vou em domingos e de manhã, porque odeio gente), acordo, me arrumo todos os domingos da minha vida como se eu fosse sair, pra que no domingo que eu vou de fato sair, ninguém perceba que estou me arrumando. Me fecho no meu quarto quando falta só botar a calça e a blusa, saio correndo, aviso que o cinema é daqui 20 minutos.

Tem dias que não funciona.

E sempre alguém vai ficar indignado que não convidei ou que não fiquei pra fazer o almoço AHHAHAHAHAHAHHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH.

*****

Eu podia ir looOOOoooOonge com essa lista, mas minha sanidade mental já acabou e eu já estou revisitando mágoas que estavam escondidas debaixo de pedras grandes e pesadas. Vamos evitar. Só sei que cada vez que vejo uma pessoa limitando a alegria da solidão ao ato paleozóico de ficar sem uns pedaço de pano cobrindo o corpo, cara, eu tenho vontade de arrebentar.

Não sei como vocês estão saudáveis e não sei como eu ainda não estou internada num hospício de segurança máxima.



quinta-feira, 5 de novembro de 2015

AQUELE ZÓIOOOOOOOOOOOO

Esse post é um post, assim como também é um desabafo (midira), uma pergunta e uma grande piada também. Com disclaimer, que é pra ninguém dizer que não foi avisado.

Já adianto também que não estamos trabalhando com sanidade mental nesta semana.

Pra parecer que eu sei do que tô falando e que minha idade física corresponde à idade mental de 13 anos, vai aqui uma ibagem que é um desenho de uma foto da minha cara pintada de gato. Desenho esse que leva de 6 a 12 horas pra fazer, só pras pessoas me perguntarem "que programinha é esse que transforma foto em desenho????"

É VANEÇA O NOME DO PROGRAMA.

oi

*****

Eu tinha 12 anos e minha família tinha mudado de mala e cuia pra 500km distante do ponto inicial. Primeira vez na vida que eu pensei "vou começar do zero, aqui ninguém sabe nada sobre mim". Tava lá na minha casa, usando roupas horríveis dos anos 90, tentando aprender como era morar numa casa (só tinha morado em apartamento), me relacionar emocionalmente com quintal, vizinhos, essas coisas, vem o menino da casa da frente e me convida pra uma festa. Cê veje: eu estava morando naquela cidade havia exatos 10 dias e já estava sendo convidada por rapazes para ir a festas. GLÓRIA!!! Nesta cidade eu sou uma menina convidável pra festas - pensou a vaneçinha de 12 anos.

No dia seguinte, o dia da festa, arrumei meu cabelinho bem tipo o boi lambeu, na modinha da época. Coloquei um camisetão 3 vezes o meu tamanho, na modinha da época. Vesti um macacão de ~shorts~ de moletom, bem na modinha da época. Botei um nike dum gelzinho lá, que tava na modinha da época. Toda ornano de rosa e cinza, muito linda da modinha da época.

Eu cresci muito depois da cirurgia no rim, de modos que eu era muito mais alta que todos os meninos de 12 anos, uma tristeza pra pessoa que gosta de rapazes imensos. Cheguei na festa sem esperança de encontrar o amor, porém disposta a fazer amizades. O plano ia dando muito certo, até que surgiu um menino, gente, 1,80m. Sério, aaaaalto. Além de tudo, ele me lembrava o xuarzenégue, o que vinha a ser um plus a mais naquele momento da minha vida. Paxonei pelo menino instantaneamente. Foi incrível, porque ele veio me chamar pra dançar. 

Dancemo.

Aí fomo beber um refrizinho, comer um cocretinho, conversa vai, conversa vem, dança de novo, ri, dança, ~seduz~, come, ri, dança... Tava lá dançando no escurinho, pensando É HOJE QUE EU BEJO NA BOCAAAAA, ni qui o rapaz resolve me perguntar minha idade.

- tenho 12.
- ah, legal, depois me diz o endereço da sua casa, porque eu acabei de fazer aniversário e semana que vem é minha festa.
- quantos anos cê fez?
- dez.

10

D

E

Z

Usei a clássica desculpa do banheiro e fui chorar porque PUTAQUEPARIU, como assim 10 anos, gente? O que a gente faz com um menino de 10 anos? Lê turma da mônica pra ele? Acuda, gente, acode, dels, socorro.

Fui embora da festa #chatiadíssima, sem beijar na boca, e fui zoada pelo próprio rapaz e por meia dúzia de amigos pela eternidade. A gente tinha mais de 30 a última vez que todo mundo riu desse momento maravilhoso da minha vida.

*****

Eu tinha 13 anos e estava na oitava série. Minhas coleguinhas de classe tentaram me convencer de que eu estava idosa e caquética e era uma absurdo alguém em tão avançada idade nunca ter beijado na boca. Eu não achava que o problema era ser BV, em si, mas o fato de nunca ter me interessado o suficiente por alguém, a ponto de trocar baba com esse indivíduo. Pois as meninas tanto me infernizaram, que eu escolhi um menino da minha sala para vítima dos meus protestos de amor. Adivinha, né? O menino tinha uns três metros e meio de altura e já estava estabelecido que tinha 14 anos, então TUDO CERTO. Além da altura, foi escolhido por a) não ser horrível, como todos os outros meninos de 14 anos que eu conhecia e b) ser intelectualmente favorecido. Olha, só deus sabe quantas ~armações~ foram realizadas com o objetivo de me fazer beijar o menino (queria tanto escrever o nome, acho que fica mais engraçado com o nome, mas não dá pra escrever o nome), nenhuma nunca dava certo.

Enquaaaanto isso acontecia, numa rara ocasião da qual eu não tenho memória, eu conheci um jovem da sétima série (as senhora já tá rindo? calma que piora). Eu, já obcecada com a idade alheia (coisa que dura até os dias presentes), sabia que esse jovem tinha NOVE MESES a menos que eu, de modos que tinha 12 anos, de modos que inviabilizava o romance, né, mores. Acontece que eu PAXONEI DE AMOR VERDADEIRO E ETERNO por esse jovem, porque ele era mais lindo, mais alto, mais inteligente que todas as pessoas do mundo (ainda é, nos dias de hoje), só que também era engraçado, divertido e 01 sonho de pessoa enquanto cerumano. Mas eu era PASHONADÍSSIMA, cêis não tão entendendo. Eu vivia pendurada nesse jovem.

Um dia, tava eu pendurada no jovem mais jovem, quando o menininho da minha sala vem e...

- NOSSA, NEM SABIA QUE CÊ ERA MIGA DO MEU IRMÃO.

ca-ta-plof.

(num dava pra deduzir que era irmão, juro)

No fim das contas: não bejei o mais velho porque amava o mais novo, não beijei o mais novo porque era mais novo, o mais novo não me beijou porque achou que eu queria beijar o mais velho, fiquei sofrendo de amor pelo mais novo por uns 25 anos mais ou menos (oh wait), que a essas altura já achou outra pessoa pra beijarlho e essa pessoa não venho a ser eu.

*****

Ano passado eu caí no amor por um rapaz muito bonito, porém muito acabado, que eu jurava estar na minha faixa etária. E quando eu digo faixa etária, eu quero dizer que a pessoa tem a minha idade ou 3 anos a mais ou a menos. Só que eu estava enganadíssima e ele tinha OITO anos a menos. Sei lá, gente, dá um choque pensar que cê tem 34 e o menino tem 26. Parece que tá ferindo os mandamentos de jesus, não sei. 

Mas o cara era lindo demaisssssss e eu não conseguia fazer sinapses corretamente na presença daquela pessoa, então fiquei aqui nutrindo um namoro unilateral, até que a vida eu uma merda, mas uma merda daquelas bem fedorentas e o menino foi (grazadeus) arrancado violentamente da minha existência. É uma pena por motivos de beleza, porém foi intercessão divina me livrar daquela encrenca. 

O difícil foi explicar pra todo mundo que teve que me ver com a cara abestalhada que aquilo vinha sendo provocado por um rapaz que a gente nem sabia como ia ser quando virasse adulto, sabe? Mas, migas, ele era ALLLLTO e tinha olhos azuuul, cê veja se a gente pode raciocinar de forma lógica nessas condições. Não pode.

*****

Tava eu sendo mal humorada apenas porque minha vida é horrível mesmo, quando foi introduzido um rapaz no meu convívio, sem que eu pudesse decidir a respeito. Uns 3 meses atrás, de modos que agora eu sou uma senhora de 35 anos (HAHAHAHHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHA KIDS GRAÇA) e o moço fosse - obviamente - muito mais novo.

No começo eu tava muito tranquila em relação à existência dessa pessoa, porque mesmo eu sendo obrigada a conviver, não sou obrigada a interagir. Mas o moço, talvez por condição de sua própria juventude, não se importou com a minha chronic bitch face e veio se aproximando e sendo engraçado e razoavelmente inteligente e divertido e eu pensei SAAAAAAAAAAAAAI ARMADILHA DO TINHOSO, QUE ISSO NÃO ESTÁ CORRETOOOOOO. 

Só que aí teve uma festinha, né, hihihi, e ele é tão bonito, gente. E o cílio dele é tão comprido... E ele é tão alto, e a voz é tão mansinha... MDDC, ajuda, pfv. Respirei fundo, perguntei a idade e fechei o olho igual se eu estivesse num carro desgovernado indo de encontro a uma parede.

VINTEUM.

AHHHHHHHH, MEU. Não tem como ser feliz nessas condições, cara.

Fui pra meditação, fiz uma oração, uma promessa, distribuí cestas básicas, pedi pro senhor tirar de mim essas ideias que não fazem muito sentido. Num deu dois dias e vieram me dizer que o menino vai ter que ir pra outro lugar (antes fosse um lugar melhor, mas é pior, coitado). Eu pensei "é jesus agindo na causa, vamo aceitar". Aí hoje o que aconteceu? A gente tinha que ir pro mesmo lugar. Eu enrolei, eu tentei. Mas ele ficou me esperando. Aí eu tentei ir mais rápido que ele, mas ele me alcançou. Só que isso se deu sob a luz do sol, minha gente. A luz batendo naquele zolho, naquele cílio, aquela vozinha me falando coisas que não fazem absolutamente nenhum sentido, numa altura mais de duas cabeças pra cima da minha.

VAI DAR CERTO ISSO? NÃO VAI.


*****

Minhas pergunta: 

- é normal esse karma?
- está socialmente correto isso?
- alguém pode me ajudar sem indicar psicólogo?


Era só isso mesmo que eu queria saber, enquanto penso aqui em pombas esmagadas por ônibus pra tirar essa criatura dos meus pensamentos.

Brigada a todos pela atenção.




quinta-feira, 29 de outubro de 2015

o drama do estacionamento

Eu tenho 99 problemas e todos eles é que eu provavelmente vou morrer de stress antes dos 40 anos. Eu costumava dizer que seria antes dos 30, mas milagrosamente ultrapassei tanto essa marca quanto a dos 35. Segue em frente.

Pois eu trabalho no mesmo lugar desde 2004, gente. Não tem muita coisa aqui com que eu não tenha me estressado ainda. Mas sempre surge gente nova e aí facilita, porque eu posso me estressar com todo um novo conjunto de falta de educação que vem instalado em cada indivíduo, tipo o estagiário que roubou meu monitor duas vezes e ainda não estamos em condição de falar a respeito.

Vamos falar hoje de um assunto interessantíssimo, chamado: estacionamento.

Estacionamento em universidade é um troço muito irritante, por si só. Pessoas de 18 anos que já têm um carro são geralmente o pior pedaço da classe média, porque eu me lembro muito bem de ter 32 anos a primeira vez que consegui comprar um carro usado, já que ninguém da minha família tinha dinheiro sobrando pra manter uma tonelada de metal com impostos pagos, combustível e etc. Favor não vir defender jovens recém saídos da fralda conduzindo esse tipo de máquina.

O mundo é um lugar maravilhoso e horrível pra essas crianças. Porque elas acham que você TEM QUE prover um lugarzinho pra ela deixar seu carrinho. HAHAHAHA. Minha faculdade de gente rica não tinha sequer uma vaga de estacionamento, nem pra necessidades especiais. Os filho do rico tudo indo de ônibus, os dos muito ricos pagando mensalidade em estacionamento e os ricos mesmo indo de motorista. Se quiser, né? Se não quiser, pode ir pra outra faculdade, que a gente não liga. Mas faculdade pública é essa maravilha, um campus enorme e arborizado onde árvores são derrubadas pra que crianças de 18 anos possam estacionar seus carros zero. Whatever.

Os estacionamentos aqui são todos em vagas de 45º. Tem literalmente uma dúzia de vagas estilo supermercado e o resto é rua onde as pessoas param ilicitamente mesmo. Ou seja, não tem mistério de como estacionar, né?

AHHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHA

Uma das diversões no meu prédio é ficar na janela distribuindo darwin awards pras pessoas que não compreendem vaga de 45 graus. Sempre tem alguém parado numa rotação de 90 graus, inviabilizando 3 vagas ao mesmo tempo, sempre tem quem não chegue no fim da vaga e entupa a rua, quem pare de ré na contramão, um desespero. Eu tenho ÓDIO desse estacionamento, com toda a força do meu eu.

O estacionamento é separado em bolsões e só um deles é fechado pra funcionários. E ainda assim, alguns alunos furam o cerco e meu sonho é destruir os carros deles com bastões de metal.

Aaaaaaaaaaaaaanyway. Cê pensa que trabalhando numa universidade não vai ter erro de inteligência, pelo menos entre os funcionários, né? BÉÉÉÉÉ, errado.

Eu passei 9 anos da minha vida vindo trabalhar de ônibus, à pé, de bicicleta. Mas minha mãe trabalha aqui também e de vez em quando eu era obrigada a me relacionar emocionalmente com esse lugar horrível, até que eu adquiri meu próprio carro e a vida se tornou um lugar difícil pra se estar nos dias úteis às 8 da manhã.

Eu ia colocar 20 vezes o mesmo desenho, mas não vou não e vocês que volte nesse pra visualizar.

estacionamento da depressão 


Eu fiz bem menorzinho, tem umas 12 vagas de 45 de cada lado, é compriiiido. Os carros cinza são aqueles estacionados como deus mandou. Em azul, as únicas vagas paralelas. Só tem essas 3 mesmo, mas a fila nesse lugar costuma chegar a 8 carros atrapalhando a entrada do estacionamento (que é uma curva fechada). Os carros laranja são os imbecis que acham que qualquer espaço é vaga, mas o negócio institucionalizou e não tem quem convença que fica apertado e perigoso. Meu sonho é que pintem essa bosta no chão, pra eles aprenderem a parar direito, e que circule um aviso que SÓ PODE parar no meio depois que encherem as vagas de fato. Tem dia que tem 8 carros no estacionamento e tem imbecil entulhando o meio do caminho.

Teve um tempo, incrusível, que eu deixei de ir trabalhar de carro pra não ter que lhedar com algumas pessoas. Por exemplo, ali onde tem os carrinhos azuis. Era muito raro ter carros parados ali. De modos que, depois de alguns dias de observação, eu passei a usar aquela vaga, assim que comprei meu carro. Passei aproximadamente um ano estacionando sempre ali, uma das vagas mais longes do prédio, pra não ser cobiçada e eu não ter que ficar estacionando num lugar diferente a cada dia. Não gosto, me deixa. Até que um dia eu me atrasei e tinha um carro ali. Reparei, porque era um daqueles cherry qq, que eu achava muito simpático. Só que depois de um tempo, a pessoa do carro preto passou a chegar mais cedo, pra pegar a vaga. Aí eu ia mais cedo, aí a pessoa ia mais cedo. Até que um dia eu cheguei, estacionei, fiquei alguns segundos dentro do carro juntando minhas coisas pra sair, distraída. De repente, buzinas. Nem dei bola, porque eu não tava no meio do caminho nem nada. Terminei, peguei minhas coisas e saí. Buzinas mais loucas. Continuei andando e aí um carro veio pra cima de mim enquanto cerumano. Gritei com a pessoa que estava... num cherry qq. TÁ LOUCO, TIO????? "Não, louca tá você, que parou onde eu quero estacionar".

Gente, você estaria jurando?

Falei que ia na prefeitura da cidade universitária denunciar e o velho gritando comigo sem parar "VOLTAAAA, TIRA O CAARRO, SAI DALIIIIII, A VAGA É MINHAAAAAAAAAA". Sério. Até o ponto que o velho provavelmente parou de usar o próprio carro, porque ele estava pregado naquela vaga 24 horas por dia e pessoas aleatórias iam até minha sala interceder pelo velho desequilibrado. Parei de ir de carro, porque eu não sou obrigada, sabe? 

Quando precisei voltar a usar o carro, passei a usar um estacionamento ruim, lá nos cafundó do campus, que ninguém usava. Claro que hoje em dia é lotado e zoneado e eu vou ter um troço em breve. Por enquanto, eu tenho usado esse bolsão da ibagem acima, que rendeu o lindo post de hoje.

*****

Hoje falaremos dos gênios representados em vermelho.

O tipo 1 é o que para na frente da fila laranja. Não tem mais lugar ali, porque o estacionamento é de mão única e a pessoa precisa de espaço pra sair. Quantas vezes eu fiquei presa por culpa de um imbecil desses? Não sei. Duas semanas atrás, uma pessoa parou ali e aconteceu um esforço conjunto pra encher o carro de galhos de araucária (cêis já viram pessoalmente a desgraça que é um galho seco de araucária?) e o carro ficou riscado até a alma. E era um desses carros de gente rica, cujo nome inclusive desconheço, mas tem tipo uns 10 em cada cidade grande. E a galera dos carro véio passava lá ralando propositalmente. Eu, que sou muito boa motorista, levei 25 minutos mas saí sem bater em nada. Se não amasse a integridade do meu carro, teria contribuído com a destruição em progresso. Infelizmente a pessoa é rica o suficiente pra arrumar e parar lá de novo (ontem).

Esse tipo aparece em menor frequência.

****

Aí tem o tipo 2, que é o pior tipo. É o animal que emparelha com a primeira vaga, onde não é vaga. Se ele parar na linha da calçada, a rabeira do carro será destruída até o fim do dia, então ele para em cima da calçada pra caber. Não sei, mas acho que se não tem a marquinha de vaga no chão AND precisa subir na calçada, fica um tanto óbvio que não.é.vaga.

Devido à dificuldade que é manter meu horário de trabalho inalterado, cada semestre eu tenho que chegar numa hora. Cinco meses atrás, além de eu passar a chegar mais cedo, a greve fez com que cada vez menos gente viesse trabalhar e a primeira vaga ficasse quase sempre livre. Vou parar lá longe? Não vou. Eu parava ali e tudo ia bem, até que um dono de um daqueles carros estilo minivan achou conveniente começar a estacionar em cima da calçada, do meu lado. Mas não basta ser babaquinha, tem que ser SUPER babaca, porque, além de tudo, ele parava de forma que eu não conseguia abrir a porta do motorista e tinha que entrar pela do passageiro.

¬¬

Minha mãe, que também trabalha aqui, um dia viu que eu estava presa e foi chamar o segurança do estacionamento, pra reclamar que isso acontecia sempre. Ficou por ali alguns minutos, o suficiente pra ver o dono do carro chegando e levando uma bronca do segurança, que ali não era vaga e que além de tudo estava prendendo o carro ao lado, etc. O que ele respondeu? Que certeza que era carro de mulher e mulher que não sabe usar automóveis.

¬¬

Pois eu gosto mais de mim do que de qualquer outra coisa do mundo, de modos que eu parei de estacionar ali por uns dias, porque não sou obrigada.

Mas a greve foi intensificando e durando eternamente, eu não via um único motivo pra não estacionar na melhor vaga. O que eu fiz? Passei a estacionar de forma que não tinha como botar outro carro ali, a não ser que ele ficasse completamente em cima da calçada. Por uns dias, tive sossego. Até o cara da minivan passar a parar GRUDADO no meu carro, retrovisor colado no meu. Passei a abrir a porta com violência, pra que fosse destruindo a dele gradualmente. Aí eu fui perdendo a paciência e parando o carro quase invertido na vaga e o idiota cada vez parando mais amontoado, somado a todo o stress que eu tenho passado, eu estava a ponto de arrebentar o carro todo no chute.

Sexta passada eu estava apressadíssima, saí cinco em ponto, porque tinha que estar cinco e quinze em outro lugar. Passei pela janela do prédio e vi que estava presa pelo cara da minivan e desci furiosa, acabei nem abrindo o guarda-chuva, num misto de pressa e desespero, dei uma portada no carro dele, entrei, sentei e olhei pra frente. Qual não foi o meu desespero quando eu vi pregado no meu limpador de para-brisa um bilhetinho, onde se lia "quando vai aprender a ocupar só uma vaga?".

PUTA QUE PARIUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU

A primeira coisa que eu pensei foi: NÃO ENCOSTA NO MEU CARRO!!!!!!!!!!!
A segunda coisa foi: EU.VOU.MATAR.ESSE DESGRAÇADO.

Esqueci a pressa, esqueci a chuva, esqueci a educação. Desci do carro e fui pegar um caderno e uma caneta no porta malas, escrevi bem educadamente:


Preguei o bilhetinho amoroso no limpador de para-brisa dele com muito amor e carinho e fui embora gritando e tendo um princípio de ataque cardíaco pelo caminho.

*****

Esta semana eu consegui a façanha de me atrasar 100% dos dias, de modos que na hora em que eu cheguei:

- a primeira vaga estava ocupada;
- o espacinho que não é vaga estava desocupado;
- a minivan estava estacionada em lugares aleatórios pelo bolsão, nunca em cima da calçada ou apertando o amiguinho da primeira vaga.

Senti até um calorzinho no coração ao me dar conta que ensinei uma coisa a uma pessoa burra e ela conseguiu aprender.

Tudo bem que um dos dias a vaga estava sendo ocupada pela minha mãe, que parou toda torta para fins de graça, mas hoje já é quinta e o burrão da minivan permanece não amontoando nos amiguinhos, então eu acho que eu já ajudei um pouco a humanidade com a minha vida insignificante.

:)

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

corrigindo as rota

Gente, eu escrevo blog há 15 anos, né? Além deste endereço, só tive um outro, do qual fui expulsa, senão estava lá até hoje. 

Aí eu tava pensando aqui com os meus botões e acho que de vez em quando, com a leitura constante, cêis mei que confunde as coisa e começam a tratar blogueiras como ~gente famosa~.

Veje bem: não tô querendo me achar nem nada, mas vejo blogueiras tão inexpressivas quanto eu tendo fã clubes e tal e não entendo, mas aceito. Sei também que o mundo moderno das blogueiras de moda, lifestyle e que, DE FATO, ganham dinheiro confunde um pouco a mente de todo mundo. Minha opinião é que a população enche demais a bola de quem não vale uma coxinha com azeitona e fria, mas vocês que sabe de suas vida. Só que eu ganho um total de vários nada pra escrever aqui, sabe? Não que eu ache que quem ganha dinheiro mereça ser maltratado, não é isso, mas tratar blog rico como loja e acionar o procon é super válido. Mas vir aqui na minha tapera batendo a mão na mesa e gritando CÊ SABE COM QUEM CÊ TÁ FALANDO aí não dá, porque eu tô só no portão oferecendo água de graça.

Razões pelas quais eu escrevo:

- porque eu sou muito engraçada e me auto divirto, especialmente 4 anos depois, quando volto pra ler arquivos, eu muito me basto;

- porque eu sou muito engraçada e também bastante altruísta e divido minha graça com vocês (e também bastante ridícula, pois me sinto grandes coisa quando ozotro ri da minha piada);

- porque quero falar sem ser interrompida e mesmo que você não leia até o fim ou comente sem terminar de ler (acontece muito e dá pra perceber, viu, mores), EU FALEI ATÉ O FIM SEM NINGUÉM RETRUCAR;

- porque alguma coisa está me incomodando profundamente e eu não acredito em terapia e em amizade (suck it) e em conselhos (putaquemepariu, como eu odeio conselho????), então eu ponho pra fora aqui, porque a internet é minha e eu faço o que eu quiser. 

Basicamente é isso.

Então quando eu tô aqui falando com as paredes sobre um momento ruim e isolado da minha vida e alguém vem com MAS POR QUE VOCÊ PERMITE QUE ISSO ACONTEÇA???? eu quero dar um soco nas suas cara.

Primeiro porque eu não sou vítima de maus tratos, bullying ou abuso, minha vida deve ter uma quantidade de dias chatos normalmente distribuída, com média mu e desvio padrão sigma, igual à 99,73% das pessoas. 

Depois porque eu realmente fico intrigada com algumas coisas que me dizem.

Quando cêis falam "não sei porque você deixa esse tipo de pessoa fazer parte da sua vida", eu vos pergunto: é coisa dessa geração que não ouviu não quando era criança e agora sai batendo o pé quando é contrariada? Porque esse tipo de pessoa é geralmente:

- mãe, irmãos, amigos próximos

Você está de parabéns se nenhuma dessas pessoas ter perturba involuntária ou equivocadamente em nenhuma ocasião. De vez em quando a gente quer dar todo mundo pra adoção, mas infelizmente não é possível. E também não é possível discutir enquanto a cabeça está quente e a coisa te incomoda a ponto de escrever um post. Mas quando esse tipo de pessoa da sua vida te incomoda, cê faz o que? Bate na mãe? Deserda o irmão? Desfaz amizade? Não entendo. Eu espero a paz interior voltar pra discutir razoavelmente, o que não quer dizer que no momento de raivinha eu não vá sentir a raivinha em toda a sua glória. Mas eu queria MESMO saber como é que vocês eliminam esse tipo de gente de suas vidas.


- parentes relevantes, chefes, colegas de trabalho

Vó, cara. Vó tem licença poética pra falar merda. Sempre entra por um ouvido e sai pelo outro? Não. Às vezes você gostaria de levar sua vó ao poço de piche mais próximo? Sim. Mas aí você ficaria sem aquele bolinho de laranja esperto que ela faz e tal. 

E tem as pessoas que trabalham com você. Sei lá, já ouvi boatos de gente que curte e faz até amizade, acho exótico, mas no caso de a gente odiar esse tipo de pessoa, eu acho um pouco complicado fazer a louca porque fui contrariada.

 (┛◉Д◉)┛彡┻━┻

Sei lá, vai ver é porque eu tenho ~estabilidade~ e curto muito ganhar dinheiro em troca de horas disponibilizadas para produzir. Mas se tem alguém aí que nasceu rico ou com extrema habilidade de ser contratado para diversos trabalhos, ou é blogueira e ganha dinheiro sem fazer nada e ainda justifica que trabalha pra caramba, tá certo mesmo de não aceitar desaforos. Eu, de minha parte, sempre fui acusada de ser rude e inteligente demais, defeitos IMPERDOÁVEIS em mulheres, de modos que nunca cheguei ao fim de uma dinâmica de grupo e tenho certo apego ao meu trabalho. Podem me falar aí nos comentários como eliminar esse tipo de pessoa, e eu nem tô incluindo as vovós. Cêis me dando a dica de como eliminar coleguinhas de trabalho com estabilidade, eu já tô aceitando.

- figurante recorrente

Esse é meu tipo de gente favorito!!!!!!!111111111 Tô aqui há horas imaginando como deixar de aguentar desaforo de figurante recorrente. Paro de ir à padaria, onde a mulher me corrige dizendo "DUZENTAS?" cada vez que eu peço duzentos gramas de folhadinhos? Parando de ir ao supermercado, onde a caixa me pergunta se eu quero CPF na nota, mesmo sabendo que eu quero sim, porque eu sempre quero? Entro na academia me jogando no chão e rolando pela extensão do balcão, pra que a recepcionista não possa me dizer o horripilante BOM DIA? Parando de ir ao posto de gasolina onde a frentista sempre quer olhar a água e o óleo que eu mesma confiro e ainda lavar meu vidro da frente, deixando a limpeza dessa área destoante da sujeira que acompanha o resto do carro? E AINDA ME OFERECE UM FUCKING PIRULITO E EU ODEIO PIRULITOOOOOO.

So many variáveis.

Cara, vocês são muito sortudos de viver num lugar onde gente chata é sumariamente eliminada sem consequências.

CÊ VÊ.

Uns anos atrás eu tava tendo um ano tenebroso de alergias, ia mais pro hospital que pra sala de estar. Quiqui aconteceu nessa ocasião? A enfermeira, cansada de medir minha temperatura, pressão e batimentos cardíacos passou a se achar íntima. A enfermeira, no caso, me via como uma pessoa unidimensional: a estragadinha da primavera. Ela sabia da minha vida? Não. Sabia que remédios eu tomava e com que frequência, e olhe lá. Pois eu era magricelinha, como sempre tinha sido a vida toda. Porém, alergias me causam dificuldades alimentares e eu estava obrigada a suspender temporariamente o leite da minha vida, já que estávamos testando a possibilidade de eu ter MAIS ESSA alergia. Acontece que eu bebia 4 canecas de leite diariamente e isso teve um impacto enorme na minha dieta e eu emagreci vertiginosamente, com a anuência e conhecimento do meu médico. Um dia eu tava lá na maca tendo meu pulmão cutucado pelo estetoscópio, quando a enfermeira acha conveniente me indicar um programa de apoio a anoréxicos, porque não tá certo a pessoa ser magra desse jeito, né? Além disso, ela LIGOU.PRA.MINHA.MÃE. Sabe quantos anos eu tinha? VINTE E SEIS. Vinte e seis anos, quarenta e nove quilos e um exército de intrometidos.

Minha mãe acredita em alergia tanto quanto eu acredito em homeopatia, de modos que ela sempre acha que eu paro de comer alguma coisa por motivos de dieta. E não só acreditou que eu estava anoréxica, como passou a me vigiar eternamente, porque mddc, vai morrer essa menina.

A SOCIEDADE NÃO SABE O QUE QUER.

É magra tá ruim, é gorda tá ruim, tá doente tá ruim, quer ficar saudável tá ruim, por que vocês não vão tudo cagar?

Naquele mesmíssimo desgraçado dia, eu entrei num regime intenso de corticóides e, dois anos depois, pesava 84kg. TÁ TODO MUNDO CONTENTE AGORA?

Claro que não.

Estou voltando nesse assunto porque assim ó. Você que tá lendo nesse momento, tem uma opinião formada sobre si mesmo, certo? Ficando nesse quesito, apenas, cê sabe se é magro, gordo ou se tá ali no meio, naquela linha tênue, que depende de opinião. VOCÊ ESTÁ INTERESSADO NESSA OPINIÃO? Eu, por exemplo, não tô.

Eu tenho um espelho em casa e sei qual é minha forma e não ligo a mínima se ela é compatível com a opinião que você tem sobre ela.

BOM.

Quando uma pessoa, podendo até mesmo essa pessoa ser eu, afirma que está gorda, ela está falando uma coisa sobre a qual ela tem consciência. Gorda, no caso, é a palavra que a língua portuguesa atribui pra pessoas que não são magras, não vindo a ser um palavrão, por exemplo. Não precisa entrar em pânico AI MEU DEUS GORDA NÃO NÉ MIGA SÓ NÃO É MAGRA que puta merda, não é magra, é gorda. Ninguém morre só porque foi chamada de gorda por si mesma.

Mas ó que incrível: uma afirmação não é uma pergunta. NEM um pedido de opinião. NEM um pedido de avaliação. Porque a gente fala que é gorda ou alguém vê a gente gorda e pensa automaticamente "come pacaraio, vive no sofá". E se for? Mas, olha só, E.SE.NÃO.FOR? Eu falo gorda, alguém fala carboidratos e meu cérebro spaces out automaticamente. Eu falo gorda e alguém fala atividade física e eu começo a planejar a lista de compras. Eu falo gorda e alguém fala QUALQUER COISA QUE NÃO SEJA "foda, né?", eu revejo meu romance mental com Ioan Gruffudd e me pergunto o que tá conte seno pra que demore tanto a se concretizar.

Deu pra entender?

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Fora isso, vou dividir um ensinamento aqui importante. Quando uma pessoa está sofrendo, você não dá conselho, não diz o que ela deveria fazer, não diz que avisou, VOCÊ NÃO FALA MERDA, compreende? Ou você fica quieto e ouve, que é a única coisa que a pessoa precisa naquele momento, ou você fala "sinta sua dor até passar enquanto eu seguro aqui delicadamente sua mão" ou você sai de perto e espera a pessoa se estabilizar pra PERGUNTAR se ela quer uma opinião. Lembrando sempre que a opinião só deve ser dada caso a pessoa responda SIM. Se ela falar que não, ofereça um suco e passe a comentar o capítulo mais recente de algum programa de entretenimento. Se você não consome entretenimento televisivo de nenhuma espécie, você é uma pessoa chata e deve então orar em agradecimento por ter amigos e gente que fala com você.

Procure no dicionário a palavra EMPATIA e pare de querer empurrar pro amiguinho sua experiência ou sua opinião de quem não sabe o que ele está passando e segue em frente, tem outras habilidade.







Respondendo suas pergunta: eu permito essas coisas na minha vida porque eu sou EXTREMAMENTE educada, um outro defeito horrível da minha pessoa, midesgupi.