sábado, 28 de março de 2015

darth vader, era de aquário e minha mãe



Primeiramente bom dia eu queria estar avisando que:

a) minha mãe às vezes lembra deste blog e lho lê, de modos que eu peço encarecidamente que não leia este post ou leia com a mente aberrrrta;

b) eu já fui ALOCA dos star wars num outro momento da minha vida, que eu também era loca do futebol, do bon jovi, essas coisas. Aí quando fiz o desapego, fiz com força. Talvez eu fale grandes bobagens relacionadas a esse universo, calm your inner nerd e segue em frente, tem outras franquia, MAS NÃO ME CORRIGE;

c) se você realmente acha que sei alguma coisa sobre o que vem a ser era de aquário, cê lê esse blog de menos. Eu não sei nada de astrologia, não acredito nela (sóri scdd), uso para fins de entretenimento quando me convém. 

Tejem avisados.

Pois minha mãe é uma pessoa religiosa. Estou aqui usando religiosa num sentido amplo, já que não é aquele negócio de se enfiar na igreja. Eu sou uma pessoa cristã e espiritualizada e com pouca paciência pra rituais e paredes, minha mãe é uma pessoa religiosa. Compreenderam onde eu quero chegar? 

Pois ela vive VINTEQUATRO HORA DO DIA na vibe ~o que Jesus faria~, o que eu acho muito incrível e gostaria que fosse aplicado no mundo todo enquanto comportamento, porque faz com que você pense "hum, olha essa merda que eu tô fazendo, que horrível" e você pára e faz certinho. De atravessar a rua a falar mal do amiguinho, funciona pra tudo. Não tô falando de culpa cristã ou de moral pelo pecado. Tô falando só de gente mais legal que eu e você.

Masssssssssss, mamai também deixa a gente um pouco atordoado com esse ETERNO "omg, o mundo, gente". Tem dia que ela chora porque deu enchente e pessoas morreram. É a natureza, é Deus, é a lei da vida, é o acaso, é Darwin. O que quer que seja, não foi a gente que foi lá abrir uma torneira pra afogar os outros, compreende? NÃO DÁ pra ficar sentido. Dá pra se sensibilizar, solidarizar, mas se responsabilizar não dá.

Ok, isso era pra vocês entenderem minha mãe.

E eu, né? Porque eu choro no meio do Jornal Nacional quando pessoas levam bomba na cara na revolta do vinagre, choro quando o copiloto derruba o avião, choro quando o cara é tragado pelo buraco de drenagem, eu choro o dia inteiro e ninguém pode me julgar.

Então minha mãe, que já é toda das evolução espiritual, começou a ir num psicólogo que segue a mema vibe. E eu sei porque eu tentei usufruir dos seus silviços de psicologia e não obtive sucesso. Quando começou aquelas vibe de pessoa índigo, meu deus do céu, eu saí correndo e tô correndo até agora. Eu não consigo misturar as coisas, sabe? Psicologia holístico-espiritual me deixa nervosa, porque tudo que eu não quero é ser responsável pelos equilíbrio energético do mundo, meu problema já é carregar o bendito mundo nas costas, ME DEIXA PENSAR EM MIM SÓ UM POUQUINHO, nem que seja nessa uma hora semanal.

Pois minha mãe compreende o universo, o eu e tudo mais, acho excelente, porém temos discussões contendo argumentos como "é a era de peixes, né, gente?". E todo mundo faz cara de que entendeu como se aplica no contexto.

Ela não fica muito nesse negózdi signo - grazadeus, porque quem guenta "sou escorpião, vocês têm que entender"? eu não - então eu tento acompanhar. E aí ela fala de ciclos, explica tragédias, meio que tenta dar sentido pro que é horrível no mundo e a gente não aceita com facilidade. Eu cresci assim e acho reconfortante, até.

E, finalmente, minha mãe tem uma certa tendência nerd. Eu sempre morro de rir quando ela conta que meu pai convidou pra ir no cinema assistir "o retorno de jé-di" porque ninguém fazia a mínima do que caramelos vinha a ser um jedi, né? E ela curte esses negócio tudo, assiste com o meu irmão um trilhão de vezes, vê Doctor Who, os filmes da Marvel, etc. Sempre foi de ler quadrinhos, de ler em geral, mas com as limitações que os anos 70/80 tinham e tal. Ela teve computador antes de todo mundo, internet antes de todo mundo, email antes de todo undo, celular antes de todo mundo. Uma mãe que vive na atualidade e não precisa gritar "como quiusa esses feice?". Uma mãe tecnologicamente independente.

*****

Mas minha mãe não sente medo. Não tô falando daquela visão infantil que adultos são onipotentes e corajosos. Tô falando que minha.mãe.não.sente.medo. Não é que ela não demonstra, cara. Escuta aqui: ela não sente medo. O inconveniente disso é que nós, os filhos, também não estamos autorizados a sentir medo :)

BEM SIMPLES ASSIM.

Mais simples ainda se você pensar que eu sou tipo a terceira pessoa mais cagona da face da terra.

Eu tive que ter ajuda psicológica bem cedo na vida por motivos de pavor. Eu tinha pavor de dormir, porque eu achava que ia morrer. Eu tinha pavor de cachorro e me joguei de uma janela porque um pinscher monstro estava me seguindo. Eu tinha pavor de gato. Eu tinha pavor de cair, de tomar um raio na cabeça, de me perder, de descobrir que eu era burra, de ninguém gostar de mim. Mas num era assim uma dificuldade, um receio. ERA. PA.VOR. Até hoje eu sou extremamente bundona e tenho metade desses medos ainda em larga escala. Tem outros maravilhosos que foram adicionados ao longo do tempo, tipo levar um tiro (muitos assaltos, será? gente invadindo minha casa durante a noite, talvez?), morrer afogada (eu sei nadar), ter um choque anafilático (alergia eterna de um sistema imunológico sem controle), perder coisas (de modos que elas ficam em casa ETERNAMENTE e eu nunca uso, pra não perder [?]) e medos que não tenho coragem nem de escrever, porque acho que ficam reais.

E num é um medinho assim normal, que a humanidade tem. É um medo incapacitante, que às vezes me impede de ultrapassar os limites do meu lar.

Tenho pesadelo desde criança, viver dentro da minha cabeça é uma tortura.

E sou filha de uma pessoa que não sente medo.

Como eu vivo falando justificando coisas com a frase "mas eu tenho medo", um dia, no meio de uma conversa, minha mãe me solta "foi o medo que criou o Darth Vader". Eu e minha irmã paramos por um segundo, depois passamos 4 horas gargalhando sem fim. Foi só aí que eu reparei que ela fala isso o tempo todo. Num pode escutar alguém falando a palavra medo, que vem ela e o Darth Vader. Quando eu e minha irmã estamos sozinhas e uma diz que tá com medo de qualquer coisa, a outra já responde com "ó o lado negro da forçaaaaa" e a gente ri. Porque qual seria a alternativa?

*****

Eu sou uma pessoa ansiosa. Não sei se o medo vem da ansiedade ou a ansiedade do medo ou se é tudo frescura. Mas as coisa tão aí, acontecendo, sem que eu tenha muito controle a respeito.

Aí tava tendo uma semana especialmente merdona. Cheguei um dia em casa pra almoçar já gritando, chutando tudo e minha mãe fechando a casa com medo de os vizinhos chamarem a polícia, de tanto que eu berrava. Porque quando eu chego no limite o negócio fica feio. Eu sou um doce, muito educada, muito controlada. Mas se a coisa for atravessada demais, eu sou uma bomba QUE EXPLODE e fim. As vibe que eu emanei foram tão errada que estragou a comida tudo, estragou panela, estragou dia, estragou. Precisei de muita meditação e abstração pra voltar pro eixo naquela semana. Mas eventualmente voltou.

Tava tendo um dia até que bem mais ou menos, quando comecei a contar alguma coisa horrível que aconteceu (meu trabalho é horrível, não falta esse tipo de relato) e minha mãe me solta uma frase deliciosa pra uma pessoa ansiosa feat. cagona: POIS ONTEM COMEÇOU A ERA DE AQUÁRIO FINALMENTE, não pode mais bad vibes. 

Mãe, cê vai ter que desenvolver aí o raciocínio.

Ela disse que a era de aquário é a da transformação e tal, essa parte que todo mundo (?) já sabe. Mas aí ela me veio com umas ideia que ó, ACABOU COM A MINHA VIDA. "Na era de aquário rola uma potencialização da força do pensamento."

AH É, esqueci de contar que rola também uma neurolinguística ou sei lá o que raios, aquele negócio que diz que o cérebro não processa o ~não~. Se você pensa "não quero ser gorda", o cérebro ouve "quero ser gorda". Então você tem sempre que pensar no positivo "quero ser magra", "quero ser rica", "quero amor" e por aí vai. Minha família inteira é devota dessa chatice e putamerda, é difícil manter uma conversa sã com a pessoa se você não pode dizer "não quero feijão", sabe? Porque não pode usar nada negativo "quero sem feijão" também não serve. Cara, sério, que viaAAaAAaAAgem. Mas é assim que a banda toca aqui.

De modos que, dando continuidade ao raciocínio da potencialização do pensamento, a gente não apenas tem que pensar nas coisas com cuidado, a gente tem que pensar com cuidado E NO POSITIVO. Porque pensou, o universo convergiu no pensamento E PÁ. Tipo ontem que eu pensei um negócio que eu queria, mas esqueci de avisar o universo que era PRA MIM e vi acontecendo com outra pessoa, enquanto eu tomava no fiofó de forma não prazerosa, concomitantemente. Tem que ter cuidado aí com esses sms pro universo, que ele visualiza LITERALMENTE.

Então, naquele momento, mamai ficou umas meia hora filosofando sobre a era de aquário e pensamentos, dizendo que tinha que mentalizar os desejos, tinha que mentalizar positivo, tinha que mentalizar coisas boas, porque quando a gente mentaliza coisa ruim ou idiotices ("queria estar morta") o universo não consegue separar o pensamento de você, então respinga pra tudo que é lado, inclusive o seu. Vamos aqui fingir por um momento que eu não estivesse emanando extrema negatividade pra c e r t a s p e s s o a bem antes de essa conversa começar e talecoisa.

Daí, quando eu já tava com 38 tipos de desespero mentalizatório, ela conclui: E NÃO PODE SENTIR MEDO, porque o universo não entende o que é medo e o que é desejo (tudo é dor e toda dor vem do desejo de não sentirmos dor, já copiou Renato Russo de alguém que não sei quem era) e, se você sente medo, ADIVINHA: é igual desejo e vem dirrrrlizando a desgraça na sua cabeça.

JÓIA, NÉ?

Pega aí então uma pessoa ansiosa, mistura com uma vibe de cagona, lembra que ela sente culpa até por estar gastando oxigênio e diz pra ela que não pode pensar negativo NEM ter medo e nossa, fica bem simples de viver, fica firmeza, fica MA.NEI.RO.

"Preciso avisar pro seu irmão e pra sua irmã, porque é importante todo mundo mentalizando positivo e wah wah wah wah" eu já não tava ouvindo mais nada. E, serião, ela ligou pro meu irmão lá do outro lado do oceano pra avisar. Avisou minha irmã assim que botou os pé em casa. ERA DE AQUÁRIO, GALERO. Sivira.

Só quero dizer pra vocês que esta última semana, que foi a semana que eu conscientemente vivi na era de aquário, meldels, essa semana foi uma merda. Eu tive só umas 8 crises de ansiedade e aí quando dava medo de, sei lá, tirar zero na prova de estatística, eu pensava PUTAMERDA ZERO COM UM NA ESQUERDA ZERO COM UM NA ESQUERDA ZERO COM UM NA ESQUERDAAAAAA. Agora cê reflita se a pessoa que passou 52 horas estuando tá em condição de se apegar a detalhes técnicos de mentalização pra não estragar a nota? E as fórmula tudo que eu tinha que decorar? E lembrar como calcula a ESPERANÇA? SOS. E eu tô usando o exemplo mais bocó que eu consegui encontrar, que é pra não assustar ninguém.

Aí é isso. Eu tô no looping do desespero, porque eu penso na vida como um todo (e ela não está sendo fácio), aí eu fico nervosa porque eu não posso ficar com medo, daí eu fico com medo de ficar com medo, aí eu fico com medo que aconteça o que me deu medo e esse post todo aqui deve estar canalizando um alto nível de bad vibes NOOOOOOOOO, eu preciso de alegria na minha vida, eu tenho um boy magia e 9inho pra conquistar.

*Mentaliza boy magia ME AMANDO POSITIVAMENTE, ATIVAMENTE E VEEMENTEMENTE*

Senão, gente, já pensou eu tendo que daqui um tempo, com a cara enfiada no meu inalador ou sei lá, num capacete preto, ter que encarar meu cachorro no olho e dizer "Joca, I'm your father"? 

Não considero uma opção válida.

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PS: no post anterior teve gentes falando que queria minha linda mizade no feici. Pois é só estar adicionando aqui. A única coisa que eu peço é um "oi, milarga", pra eu saber de onde vocês vieram, pra eu não deixar a amizade pendente forever hahahaha. 

quinta-feira, 26 de março de 2015

domingo, 22 de março de 2015

this friend ship has sailed

Vamo aproveitar aqui essas meia horinha de descanso que meu cérebro pediu depois de calcular um milhão de integrais pra filosofar.

Às vezes eu pego algum documento de identificação da minha própria pessoa e confiro a idade que marca lá, porque não é possível. Cê vê, eu não sou a mais madura das cerumanas do universo, mas eu me considero uma pessoa razoavelmente equilibrada, de modos que acho que passo por adulta, se não me mexer demais.

Porque tem uma coisa que acontece com uma frequência desconcertante na minha vida: as pessoas vivem me dizendo que "fulano te detesta, mas detesta muito!11".

Primeiro: dá uma olhadinha aqui na minha cara de preocupada com a opinião do fulano. Segundo: 98,7% dos fulanos que me detestam são pessoas que eu vejo, sei lá, 3 vezes no ano? Pessoas que eu não lembro que existem? Que será que acontece de tão intenso que a pessoa me vê em maio e tá sofrendo a respeito até outubro? Não sei e não me importa.

Agooora, o que cê tá fazendo mantendo amizade com esse fulano, eu muito me pergunto.

Eu, de minha parte, divido as pessoas em duas categorias principais, com suas respectivas sub-categorias.

- pessoas de quem eu gosto e
- pessoas para cuja existência eu cago.

Só tem esses dois tipos mesmo, num tem mais nenhum, que eu tenho coisa DEMAIS pra fazer na minha vida, pra gastar tempo sequer PENSANDO em gente que eu não gosto, então elas não ecsistem.

Falemos primeiro do grupo das pessoas de quem eu gosto.

- as pessoas por quem eu OBCECO. 

Eu tenho que controlar impulsos de entrar em contato quinhentas vezes por dia. A internet me transformou num indivíduo inconveniente, porque antes a gente precisava ir até o encontro da pessoa pra isso. Mas agora tem feici, tem uáts, tem email... nem as pessoas que moram um oceano inteiro pra lá estão livres do meu grude. Incrusível, as pessoas por quem eu obceco geralmente moram longe ou têm mais o que fazer, de modos que são as pessoas que eu menos vejo. Não sei se é a desgraça do universo ou se eu amolhas tanto porque vejo pouco. Ó que imbecilidade.

Vai ter gente nesse grupo achando que não tá nesse grupo, porque eu cheguei no nirvana do auto-controle e espero a pessoa estar disponível pra mim antes de despejar meus amor tudo. Porque eu sou assim, educada.

- as pessoas com quem estou em eterno contato. 

Por um tempo eram os grupos de apoio por email, depois pelo facebook e hoje em dia é mais pelo whatsapp mesmo. Gente que mora do lado e gente que mora na Irlanda, com quem eu falo praticamente todos os dias da vida. Engraçado que meus grupos de apoio mais próximos têm sempre um membro morando muito longe (ou na Europa). Esses são meus amigos mesmo, sabem das coisas mais idiotas que eu penso e normalmente apoiam em caso de necessidade. De vez em quando rola uma grosseria não solicitada, mas é tudo cerumano, né? Se for grosso demais, mando à merda e tá tudo bem.

- as pessoas que frequentam minha casa.

Nem sempre a gente tá em contato ou elas moram em outra cidade e nunca foram literalmente na minha casa, mas são pessoas que eu convidaria pra ir à minha casa. Isso raramente acontece, porque eu não gosto de receber pessoas, então se eu te convido pra minha casa, saiba que é extremo apreço. São as pessoas que eu gosto de ter por perto, que eu gosto de ver em caso de aniversário e que eu considero amigas, no geral. Tem pessoas que eu conheço só ~nas internet~ por questãs logísticas, mas se eu falo com elas quando estou no conforto do meu lar por qualquer meio social, elas estão na minha casa e neste grupo.

- as pessoas do círculo de amizades expandido.

Sabe aquelas pessoas que você convida se faz aniversário no bar? Se vai numa feira de rua? Que bota na lista de pessoas pra eventos de maior porte? Que você encontra na casa dos amigos em comum? Essas pessoas geralmente são pessoas que me agradam, mas num nível que num fede nem cheira. Acho divertido quando elas estão e não reparo quando não estão. É triste, eu sei. Mais ainda quando penso que sou círculo expandido dozotro. Mas é a lei da vida, tem gente que serve só pra fazer figuração. Pelo menos nesse caso é positiva.

- as pessoas que tão ali existindo.

Tem essas pessoas neutras, né? Sei lá, namorado de amigo do amigo, essa gente que a gente vê, sabe a cara, mas se largam os dois numa sala durante um evento, acontece um grande silêncio ou um diálogo sobre o clima. Se eu não lembro que essa pessoa existe ou não sofro por ficar sozinha com ela numa sala, então é sucesso, pode levar sempre.

Nesse grupo estão 90% das pessoas do trabalho. Eu acho divertido gente que consegue fazer AMIZADES no trabalho. Assim, como uma constante. Eu tive ali um total, sei lá, de 10 pessoas (em onze anos, se considerar só o de agora) com quem gostei de conviver, hoje esse número é bem pequeno, pessoas que eu autorizo ali no grupo do "frequenta minha casa". O resto é figuração mesmo. Gente que eu tenho que ver porque não tenho alternativa, mas caso dê-se o milagre de eu ir trabalhar com alguma coisa realmente satisfatória, JAMAIS LEMBRAREI O NOME. O problema é quando eles param de fazer figuração pra entrarem no grupo do ódio. As únicas pessoas que eu odeio no mundo são aquelas insignificantes com quem eu sou obrigada a conviver e isso só acontece quando alguém tá me pagando (quem começa na amizade, permanece na amizade, quase sempre).

*****

Aí tem aquele grupo de pessoas que nem tchuns, compreende? Aquela pessoa que alguém menciona e cê pensa "nossa, verdade, essa pessoa existe, que coisa".

Esse grupo tem apenas dois subgrupos.

- as pessoas que eu realmente não sei que existem.

Outro dia eu tava conversando com alguém no facebook e de repente a pessoa parecia estar usando tóchico, porque tava respondendo pro além. Eu falava, a pessoa respondia pra mim e pra imaginação dela. Mandei uma mensagem: "que raio que tá acontecendo aí, beibe? kd sentido nessa conversa?" e botei um print. A fia me manda o print de volta com toda uma pessoa extra na conversa, que não aparecia pra mim. Me perguntei que macumba era aquela e ninguém sabia e tal. Até que a amiga em comum descobriu que a fia - que eu nem sabia que existia - ME BLOQUEOU. Isso memo, algum dia na minha vida, a menina se sentiu ofendida pela minha existência a ponto de me bloquear no feici. Eu achei muito divertido pensar que tem gente que nem sei que existe que não me suporta assim +qd+. Fica à vontade.

- as pessoas que eu sei que existem, cuja existência tem absolutamente nenhum efeito na minha vida.

Tem esse cara que eu conheci um dia aí e me tratou muito mal, gratuitamente. Perdi meu tempo com essa pessoa? Não. Tava lá no meio do bolo de pessoas e eu preocupadíssima, só que ao contrário. A pessoa insistindo em me dizer que não ia com a minha cara e eu pensando "aimeldels, E O KIKO????" e prosseguindo com a minha vida e tal. Até que um dia, no meio de uma festa que tava acontecendo TANTO BAFÃO envolvendo minha pessoa que não gosto nem de lembrar, me vira esse idiota e se declara pra mim. Mas não podia ser dum jeito normal, tinha que ser aos berros, justamente quando todas as quinhentas pessoas da festa pararam de falar ao mesmo tempo e a música deu pausa. Todo mundo viu, certo? Eu caguei pra declaração, certo? "Sivira aí com esse seu amor". Pois até hoje, mil e vinte anos depois, o infeliz faz questão de dizer que eu minto sobre essa história (que nunca contei pra ninguém, pois todos estavam presentes) e que ele me odeia. Migo, eu não ligo, ninguém liga, guarda pra você. Eu não vou deixar de ir aos lugares porque ele estará lá, ele que se vire pra escolher se quer ou não lidar com a minha presença. Por que eu me importo? Eu não me importo: o que me incomoda é TO-DO evento com a presença dessa pessoa eu ter que escutar "nossa, mas ele te odeia mesmo, hein?". CÊ JURA? E QUE CÊ QUER QUE EU FAÇA? Eu realmente não sei, já que nem cumprimentar essa pessoa eu cumprimento. Parem de falar que ele não vai com a minha cara, gente. Não me interessa nem um pouco.

Outro dia rolou uns bafão quinta-série entre meus amigos (nenhum com menos de 30 anos) e começou o maior movimento de fofoca dois a dois em mensagens privadas do facebook. Cada pessoa que vinha reclamar pra mim de outra, eu dizia "resolve seus problema com a pessoa que te incomoda, parça" e seguia com meu dia. Mas tomou uma proporção sem fim de gente reclamando e mandei todos catar coquinho. Ni qui as pessoas, chatiadíssimas, começaram a me mandar prints do mesmo tipo de conversa em que os OUTROS reclamavam de MIM - que tava bem quieta, pra ser sincera. 

Agora cê veja se sou obrigada.

Chegar ao ponto de ter que intervir em briguinha besta AND ainda sair como a bitch da história. Sério, eu não sou obrigada.

Aí os infeliz me chamando de mimada, de grossa, de mal educada, quando usavam palavras educadas. O que eu acho mais bonito é que quem ofendia raramente me vê, então não tem nem razão pra se incomodar. E quem recebia era meu amigo de verdade e não gastou nem um "calma, cara" pra me defender. O que resultou numa coisa bem simples: extermínio existencial de quem não vai com a minha cara e rebaixamento de categorias pra quem não se importa. Eu acho uma coisa bem razoável.

*****

Teve um acontecimento social depois disso com todo tipo de gente, dos amigos do corassaum aos who cares. O povo que foi realocado achando muito esquisitíssima minha atitude enquanto cerumano para com eles. O fofo que me chamou de insuportável e o fofo que concordou, tudo tentando fazer os amiguinhos. Foram reclamar do meu comportamento indiferente. AH, GENTE. 

De modos que eu tomei uma decisão na minha vida de ficar bem quieta na minha casa. Estudando eu tenho muito menos tempo pra sair daqui mesmo, então tá tudo certo. Mas, de vez em quando, se eu caio na besteira de quebrar essa regrinha simples que estabeleci pra mim mesma, eu sou relembrada pelas circunstâncias de que eu não devo desistir.

Porque olha, fora a galera que eu admiro ou com quem estou em eterno contato, cada vez mais me dou conta que a essa altura da vida as pessoas vão filtrando entre amigos e coadjuvantes. E eu não tenho nenhum interesse em ficar ensinando pros coadjuvantes como o negócio funciona comigo. Se você já foi muito próximo a mim um dia e deixou de ser, eu tô aqui neste momento colocando a responsabilidade em você por isso. 

Inclusive, outro dia eu tava verbalizando uma coisa que eu acredito muito e fui repreendida, MAS NÃO ME CALAREI: se você faz questão da amizade de uma pessoa que eu sei que não me suporta, então você fica com essa pessoa e... MILARGA. Eu acho incompatível. Não faço questão nenhuma que você desfaça a amizade com a outra pessoa, mas a minha com relação a você tornar-se-á (ui, mesóclise) meramente figurativa. Se você consegue ouvir alguém descendo a lenha em mim e pensar "meh", você comprova que eu tô certa. Só num vem encher meus pacová com "cê não me liga mais, cê não me conta mais nada, nunca mais fui na sua casa comer bolo". NUM VEM MESMO, que eu num costumo botar x-9 aqui dentro. Ou cê é meu amigo, ou cê é amigo de gente ridícula, your decision.

E praqueles que eu curto pra caramba (não sei até quando), ainda que insistam em andar com babaca, um apelo: alguém te disse que não vai com a minha cara? Migo, guarda pra você.

*****

Ah é. E tem aquelas pessoas que acham que odeio elas. Assim, com o português sofrido mesmo.

Olha, cara, vou ser bem sincera aqui neste momento. Tem umas 3 pessoas no mundo que eu odeio sim e, como eu já disse, são pessoas com quem tenho que conviver porque recebo dinheiros em troca disso. Então se você não trabalha comigo, tem um total de 0% de chance de eu te odiar. Sério, cara. Se você acha que qualquer comportamento meu em relação a você é por motivos de ódio, repense. Eu provavelmente estou ignorando sua existência com tamanho vigor que cê acha que tô fazendo de propósito, mas nem é. Da mesma forma que eu sou incapaz de ser fã (de verdade) de alguém, porque não acho possível enxergar outro cerumano sem defeitos, eu sou incapaz de odiar pessoas aleatórias, porque pra isso precisa LEMBRAR que elas existem e eu tenho uma certa dificuldade. O mundo tá cheio de cachorro, gato, bexiga, estampa de coraçãozinho, livros, perfumes, paisagens, bicicletas, coxinha, chocolate, gente linda, capim-limão, sabe? É muita coisa boa pra gastar em tempos limitados, cê acha que vou compartimentalizar a ponto de ocupar com gente insignificante? Mesmo? Num vou, cara. Se parece que eu te odeio, foi mal, eu te ignoro.

E é isso. Eu sou muito da filosofia de se cercar de gente legal e coisas legais e pensamentos legais, sabe? Se você me acha emburrada, reclamona e pessimista, pode crer que eu tô reagindo a você. Porque eu sou um doce, um amor e super fácil de lidar.

E não tem um pingo de ironia nisso.


Bgos miu e escolham melhor suas amizades.


PS: em breve, o manual de COMOLHEDAR comigo, em caso de amizade. Porque meldelsdocéu, como cêis são difícil. Então eu deixo as regrinha básica do lado de cá e cêis se vira dos seus lado daí.

quarta-feira, 11 de março de 2015

SEGURA

q

Neste exato momento eu tenho:

- oito posts pela metade nos rascunhos, porque além disso eu tenho:

- um programa que nunca vi na vida em uma linguagem que nunca vi na vida pra entender o funcionamento e programar fórmulas estatísticas, até segunda;

- uma tradução técnica do inglês pro português pra fazer em poucas horas;

- uma apresentação pra fazer em português desse texto em inglês, em uma semana;

- um artigo pra fazer com uma velha burra (outra hora explico como fui amaldiçoada com essa velha na minha vida), que quer fazer em 8 semanas um questionamento de axioma (putaquelosparmito), porque ela SE NEGA a aceitar um dos princípios da administração e da vida e da sanidade mental;

- descobrir onde caramelos adquiro um livro que não existe, para montar uma AULA de um capítulo específico, com uma pessoa que nunca vi na vida, apenas porque nossos nomes estão próximos na chamada, pra daqui umas 4 semanas, talvez? não sei mais;

- uma lista de 80 exercícios de estatística que precisa do programinha lá em cima funcionando pra ser factível;

- DUAS PROVAS na próxima semana.

Ousseje, jamais postarei textão novamente.

Todas vaneça shora.



domingo, 1 de março de 2015

forevis young

Sentada no chão do SESC belenzinho, 
onde momentos depois DEITEI com a minha roupinha linda, 
limpa e de grife pedante. Cheia de anticorpo pra viver saudável.
Até o sabão em pó diz que se sujar faz bem.


Vamo falar de coisa boa, vamo falar de juventude.

Ou vamo falar de coisa que eu não entendo, vamo falar de véias.


Pra quem não lê frequentemente, fica já especificado que véias podem ter qualquer idade e qualquer gênero, véia é uma condição espiritual. Eu prefiro um filho pedreiro que um filho véia.


Eu sempre tive problema com véias, mas não sabia identificar exatamente o que era. No post passado eu finalmente me dei conta que véias estão EVERYWHERE. Migas, como vocês aguentam viver nessa prisão?

*****


Quando eu era criança, minha vó morava numa chácara. Mato, terra, água, VAI PLANETA, e eu, obviamente, andava descalça. Alinhais, eu andava descalça todos os dias da minha vida, sei nem como meu pé é tão macio. Felizmente, meus pais nunca foram véias e só me proibiram de andar descalça na época que tava tentando corrigir a rotação do joelhinho (não deu), mas depois de fazer o possível, ADEUS BOTA ORTOPÉDICA, rélou pé no chão. Fica aqui também o questionamento cósmico: por que pessoas acham que a palavra "descalço" não flexiona no gênero? Meninas falando que tavam descalço e eu comendo meu cotovelo de desespero. QUER ERRAR NO PORTUGUEIS ERRA DIREITO. ok. Foco.


Então num precisa dizer que sou alérgica porque cresci em são paulo em casa desinfetada. Eu pisei no chão, eu brinquei na areia do parquinho com cocô de gato, eu lambia o dedo que passava no asfalto pra saber qual mão do amiguinho estava comprometida no esconde-esconde. Eu fui uma criança nojenta. Neste momento, agradeço pela mente moderna dos meus pais.


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Eu trabalho no mesmo lugar há onze anos morte horrível e por um tempo minha sala era escondida atrás de outra sala (minha atual sala - q), de modos que as poucas pessoas que sabiam que eu existia raramente me viam. Aí fui obrigada a ir pra um lugar um pouco mais exposto e me mudei com minha mesa, meu computador, meus armários e meu ventilador. Se tem uma coisa neste mundo sem a qual eu não vivo é meu ventilador. 


Como sou uma pessoa alérgica, tenho dificuldades em manter o vento vindo de frente pra mim, na direção do meu rosto, porque o ar fica mais seco e meu nariz começa a sangrar sem fim (todo verão eu acredito que vou morrer de ensanguinação, inventei), então onde eu ligo o ventilador? Isso mesmo, nas minhas costas. Mas é todo dezembro/janeiro/fevereiro as véia enlouquecendo ao entrar na minha sala "minha filha, você vai morrer". Tia, no primeiro ano eu entendi seu desespero. No segundo eu achei que você tava de zuêra. No décimo primeiro eu esperava que você já tivesse compreendido que não vou morrer merda nenhuma, me deixa?


Aí, eu que curto muito chocar a sociedade com esse meu jeito rebelde, digo "cê nem sabe: em casa eu lavo o cabelo, não seco e fico sentada de costas pro ventilador até a hora de dormir, com o cabelo ainda molhado". As véia pira. E a sentença entre aspas é a mais pura verdade. Eu sinto calor, eu não seco o cabelo quando saio do banho. Nem um pouco. Sai pingando pra molhar a blusa tudo, é isso aí. AND, como eu acho porquinho quem não toma banho antes de dormir, adivinha quando eu tomo banho? ISSO MESMO, quando resolvo que tá na hora de nanar. De modos que eu saio do banho com o cabelo pingando, sento na frente do computador e de costas pro ventilador SIM, termino o que tiver que terminar e depois vou dormir bem linda de cabelo molhado.


E eu sou tão maravilhosa que meu cabelo não mofa, não quebra, não estraga. Viro o ventilador pra mim enquanto estou dormindo de cabelo molhado e não pego gripe (gente, eu juro, é  científico: o ventilador não transmite o vírus da gripe! É incrível!!!!111 Chuva também não transmite o vírus da gripe, nem o vento natural das ruas da cidade. Eu sei que é uma informação chocante, portanto REPASSEM). Acordo linda e maravilhosa, precisando apenas de uma chapinha pra franja apontar pra terra e não pro céu e um saco na cabeça porque não nasci bonita. O resto acorda em ótimo estado.


O arco-de-sonado também não transmite gripe, é incrível, cara. E, como alérgica, eu vivo escutando que não devo entrar em ambientes com esse tipo de aparelho maligno, mas adivinha só: ele FILTRA o ar, de modos que fica MELHOR pro alérgico, uma vez que frio não mata ninguém só ensina a viver, nem mesmo pessoas com sistema imunológico hiperativo, como eu.

*****

No post passado eu fiquei 01 pouco chocada porque em pleno 2015 ainda tem gente que não vai no quintal das próprias casas de noite porque "tá lá fora". Gente, mas eu sou tão feliz de não ser suas filha, suas parente, suas nada... Cêis nem sabe. Minha casa funciona num esquema assim: tacamo um portão gigante blindado super safe sbrubbles, de modos que da porta da sala pra trás, NINGUÉM ENTRA NINGUÉM SAI. Compreende? Tem um jardim na frente, que eu estrago com os pneus do meu carrinho (na verdade tem sempre uns 4 carros estragando o jardim), onde a gente vai com menas frequência, porque é um saco de abrir o portão gigante e não tem nada pra fazer lá. Mas do portão pra dentro, tudo é casa, ué. Ninguém nem fecha a porta da cozinha, por exemplo, porque toda hora tem alguém lá fora. Pode ser indo buscar a toalha pra tomar banho, pode ser indo ver o céu à noite, já que não tem poste de luz ali e fica legal de observar, pode ser porque tá mais fresco e você não deve satisfação pra ninguém, pode ser pra deixar roupas na lavanderia, buscar roupas na lavanderia, catar uma bolsa que cê enfiou numa caixa em 2007 e esqueceu que tinha, tentar assassinar um grilo que acha que é a madonna e não cala a boca, botar água nas plantinhas, essas coisas normal da vida da pessoa. E pode ser em qualquer uma das 24 horas do dia, não vejo uma razão pra que não seja. 

Essa área é toda protegida anti fuga de gato e cachorro, inclusive. Porque configura DENTRO de casa. Alguém comentou por aí que a família fecha a casa 22h e meu óculos ninguém sai. Magina o desespero se você lembra que esqueceu de buscar qualquer trem lá fora? Não vejo como viver dessa forma.

Alinhais, outro dia veio uns pessoal aqui em casa, pra passar a noite. Minha casa tem ZERO estrutura pra receber visitas. Não temos quarto extra, nosso sofá não presta (ninguém usa essa área da casa, ninguém se importa), não tem o que fazer. A gente tem uns corchón véio amontoado na churrasqueira que colocamos na sala mesmo, é o que dá pra fazer. Eram 4 pessoas, dois colchões de casal, pfv, sintam-se bem vindos (juro que a gente tenta, mas somos horríveis). Aí tava lá os pessoal se ajeitando pra dormir e eu achando ótimo, porque eu sou tipo a poliça mais maligna do setor, eu que fecho tudo, tranco tudo, apago luz, faço a contagem dos gato/cachorro e etc. Massss, naquelas de falta de contato humano, eu não sabia que pessoas de fato assistem samerda de UFC no conforto dos seus lares, QUE DIRÁ NO LAR ALHEIO. Eu achava que isso era background noise de bar ruim, mas não, tem na tv das nossas casas também essa morte horrível.

Só que como eu disse, somos péssimos anfitriões e, olha só que coisa, não temos tv na sala hahahahaha. Cada tonto tem sua própria tv, no seu próprio aposento. A política de visitação varia. NO MEU QUARTO NINGUÉM ENTRA. Num tem acordo, meu bem. Na minha cama e no meu sofá, só encosta bunda de banho tomado e roupa limpa, saída do varal. Num entra sapato, num entra pezinho sujo, NUM ENCOSTA PEZINHO NA MINHA CAMA EM NENHUMA HIPÓTESE, melhor deixe, né? O resto da família sei lá. Mas tinha uma peçoa muito interessadíssima na luta daquele overrated da canela do avesso, sabe qual é? O que fala fino? Naonde que a pessoa foi ver? Na tv da cozinha, que é de tubo e com antena de bombril. Tá bom, né? Eu tentei ficar acordada, eu juro. Mas num sou obrigada. Aí fiz a ronda que tinha que fazer e fui de muito mau humor na direção do meu quartinho, não sem antes avisar que era pra deixar a porta da cozinha ABERTA, isso era obrigatório. Aberta as in o vão de dentro pra fora da casa visível, num era destrancada, era ABERTA. Livre pro oxigênio entrar e pra gata e o cachorro saírem.

O que eu encontrei quando acordei? Isso mesmo, a cozinha trancada com chave. Eu não sabia nem que a cozinha da minha casa TINHA chave. 

Num sei que faniquito é esse que dá nos indivíduo de trancar a porta que tá por dentro de outras 3 porta trancada, gente. Se um meliante tiver chegado ali na cozinha, meu, num vai ser aquela portinha que vai segurar, né? Fico nervosa com essas coisas. Aí cê me pergunta por que evito visitas e taí a resposta.

(Inclusive são 22:23h e eu lembrei que tem uma revista muito importante na participação deste post lá na churrasqueira e, SISSIGURA VÉIAS, tô indo lá no sereno [hahahahah] buscar.)

(Tava garoando, ventando gelado e eu tô de short, camiseta e descalça. BU)

Porém importantíssimo mostrar que:


- frio não dá gripe
- resfriado não é gripe
- gripe não propaga pelo ar

PAREM.DE.FALAR.BESTEIRA.

*****

Uma vez eu trabalhei na roça região metropolitana e tinha um cara que me dava nos nervos, porque era o louco do "manga com leite não pode". Me pergunto se a vó dele nunca fez sorvete de manga em casa. Mas esse cara era in.su.por.tá.vel. Era o dia inteiro o infeliz vindo encher o saco pelas coisas mais idiotas. Ele almoçava com a gente e saía correndo sempre que alguém dizia que ia pedir café. Eu só achava biruta, mas um dia uma das pessoas perguntou qual era a razão pra essa maluquice. Pois vejem: a gente almoçava num shopping semi-abandonado, cheio de espelho por todos os lados e o doente mental achava que se uma pessoa tomasse café e visse seu reflexo no espelho, PÁÁÁÁ, morria imediatamente. Paramos os 4 na frente do espelho com um copo de café na mão, sobrevivemos e não foi prova suficiente pro doido. Que que eu posso fazer? Nada. O que ele pode fazer? NÃO.TORRAR.MEU.SACO.
Um dia eu tava ocupadíssima e peguei um cortador de unha e comecei a cortar minhas garra de gavião na minha salinha. Ele entrou como se quisesse salvar uma pessoa de um desastre e tentou me impedir. Aparentemente alguma desgraça dermatológica acontece com a pessoa que apara suas unhas em dias de semana. CÊ VEJA O QUE EU TENHO QUE PASSAR NESSA VIDA. Não contente com o ~SAI DAQUIIIIIIIIIIIIIII~ que levou nas idéia, veio um tempo depois desesperado reclamar que tava se arranhando todo, já que teve dois fins de semana ocupadíssimos e não pode cortar a unha e não queria morrer sei lá de quê se fizesse isso no meio da semana.

Façavor.

Quantas vezes meu pai mandou a gente parar de fazer careta? Até hoje eu faço barulho de galo cantando quando minha irmã fica vesga. Às vezes a gente pede pra outra cantar como galo pra ver se fica vesga pra sempre. Quantos chinelos tivemos que desvirar? Quantas vassouras atrás de portas? Quantas bisavós me mandaram não lavar o cabelo enquanto estivesse menstruada? Ou não sentar no chão nesse mesmo período? Me mandar repousar e não lavar a louça ninguém manda. Mandar me servir uvas rosa sem caroço, ninguém vai. 

Então pra quê viver nessa prisão de bobagens que cêis enfiam nas suas próprias cabeças de crendices sem base científica, de teoria de vó, de simpatia, de "melhor não, né?". Ai, gente, já não é fácil viver com ansiedade e overthinking, eu não posso me dar ao luxo de ser doida com coisas que não fazem sentido.

De modos que se você acredita que vento e chuva dão gripe ou que a pessoa num pode respirar oxigênio fresco se passou das 10 da noite, cêis fiquem à vontade, só num torra minha paciência quando eu for viver MINHA LIBERDADE.

:)





terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

monotema

Aparentemente era um poço. Ou um ofurô (?).

Que rica, né? Um ofurô underground.

Diz que a churrasqueira foi construída em cima de um cemitério indígena uma casa de um proprietário de ofurô e etc, e esqueceram desse detalhe na hora de tacar terra em cima.

O importante é que ninguém se entende e hoje o buraco está 4 vezes o tamanho original E ABRINDO. Daqui a pouco alguém descobre que é um poço de piche e encontra vovó Zilda lá dentro.

*****

Eu tenho andado com uma cara de bunda eterna, porque esse buraco desestabilizou minha vida. Lavar roupa é um tormento (quando é possível) e bitches love doing laundry, meu mundo caiu. Tem um pedaço da casa interditado, a gente vive com cachorro e gato presos, nos raros momentos em que eles saem é toda uma tensão, porque meu cachorro ri na cara do perigo e espera a gente se distrair pra inspecionar ~a obra~. Eu não durmo porque cismo que alguém escapou durante a noite, cedo aparece um engenheiro, um geólogo, um pai de santo, um pajé, uma deusa, uma louca, uma feiticeira. Aí as pessoas me perguntam o que aconteceu, eu falo que tô com um probleminha em casa, ninguém se contenta em escutar só isso e continua perguntando, eu falo que o chão sumiu, a pessoa insiste no "mas como???//" e eu conto a história e é tão legal quando eu conto pra véias (de qualquer idade e gênero), porque eu tô lá contando e começa o desespero.

- aí era umas onze da noite quando eu voltei na lavanderia e...
- QUE?
- ué, que foi?
- o que você tava fazendo onze da noite fora de casa?
- eu não sabia que quintal configurava fora de casa.
- claro que é, depois de uma certa hora a gente tem que ficar dentro de casa.

??????????????????????????

- tá, mas e você tava onze horas no quintal por quê?
- pra levar a roupa suja pra lavanderia.
- mas por que levar tão tarde?
- pela razão óbvia de que eu tinha acabado de tomar banho.
- MDDC E VOCÊ TOMA BANHO ESSA HORA?

No meio do verão, um calor insuportável, a pessoa vai se chocar porque uma pessoa tomou banho onze da noite. Que eu tava lavando louça até dezemeia ninguém se importa, né?

- tomo, mas esse não é o foco do assun...
- e você sai do banho quente e vai na rua?
- MAS QUES CACETE NAONDE RUA
- como é isso pra você, tomar banho quente e sair no vento?

Aí eu desisto de contar a história, né? Porque com um ofurô antepassado buraco engolindo minha casa, a pessoa se pergunta como eu saio de um banho a 38 graus e encaro um vento de 30 graus, muito difícil, tô aqui com a cara torta, porque inclusive um galo cantou quando isso tudo aconteceu e eu tava tomando leite com manga, não sei nem como sobrevivi.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

o buraco era mais embaixo



Cara.
Gente.
Mano.

Ontem, gente. O N T E M.

Terminei o post, terminei o horário de trabalho, vim pra casa e fui pra academia. Cheguei umas 20:30h, o que é absolutamente normal. Estava faminta e perdi as esperanças de comer em breve, porque minha mãe estava pendurada no skype com o meu irmão, então lavei a louça, botei a mesa e fiquei lá torcendo pra que minha mãe resolvesse se alimentar ainda em 2015. Aí percebi que o chá que eu queria tinha acabado na geladeira da cozinha e fui buscar na churrasqueira. Tudo normal, como deveria ser. Era 21h. Atravessei todo o quintal, ida e volta, tudo funcionando perfeitamente.

Até a gente comer, terminar de ver a novela, eu tomar banho e etc, já era 23h. Fui de novo até a churrasqueira pra deixar as roupas pra lavar, quando vi uma falha de mais ou menos um metro de diâmetro no gramado. Me perguntei que raios minha mamai ia fazer ali naquele lugar. Será se ia aumentar a horta? Será se ia plantar uma árvore? Será se era o começo da nossa piscina?

Entrei em casa já fazendo piadinha

- ô, minha senhora, que raio é aquele rombo na grama? hahaha...
- tá louca, Vanessa?
- mãe, tem um SENHOR buraco na grama.
- não tem nada na grama, Vanessa, você tá chapada?
- MÃE, CÊ NÃO TÁ ENTENDENDO O TAMANHO DO BURACO!111

E minha mãe levanta voo da cama e vai pra janela, gritando que eu só posso estar desorientada, não tem buraco nenhum.

Como eu normalmente ando no escuro, voltei o caminho acendendo tudo quanto é luz, carregando minha lanterninha e PUTAQUELOSPARMITO, não era uma falha na grama, gente. Era uma cratera de quase dois metros de fundura. Dava pra perder oito Jéssicas e meia dúzia de mineiros chilenos lá dentro.

Pontos positivos: meu cachorro não estava saltitando nesse gramado quando desmoronou, eu não caí no buraco atravessando o caminho, a lavanderia ainda se sustenta em pé (embora pareça frágil) e são só esses mesmo.

Agora estamos aqui conjecturando se um viajante do espaço-tempo encontrou um wormhole que dá bem aqui em casa e sairá do futuro nos fundos da minha casa (are you the DOCTAH?), se uma estrela cadente capotou-se aqui no quintal, se as almas paulistas que habitam esta casa provocaram a aparição espontânea de um poço devido ao medo de falta d'água 400km pra lá ou se as galera da Petrobrás descobriram um poço de petróleo sob meu lar.

Aparentemente a onda de cocô ainda não acabou. Inclusive, vai que é uma fossa?

Façam suas apostas enquanto esperamos a honra da visita do técnico da companhia de água acontecer.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

a new kind of astral hell



A história a seguir se baseia em fatos será contada em forma de tópicos e não em forma cronológica porque eu sinceramente já não consigo mais fazer a linha do tempo da torrente de desespero e também acho que ninguém conseguiria acompanhar. Vou dizer apenas que os fatos relatados a seguir (law and order) aconteceram entre o começo de dezembro do ano passado e ontem. Ainda não sei como sobrevivi [/drama], mas aqui estamos nós, não é mesmo, minha gente?

Então assim. Minha mãe tinha uma viagem de duzentos milhões de dias pela Europa, meu pai não ia aparecer em casa por umas 4 semanas, meu irmão tava de mudança pra Irlanda e dezembro seria o mês da faxina e do netflix, na minha imaginação. Porque reflita: uma casa de 5 pessoas reduzida a duas, sendo uma delas a minha irmã, era praticamente HOME ALONE na época correta. Tava rindo de mim mesma fazendo armadilhas pros bandidos do natal e tudo. ~Lei do~ engano.

Antes de todo mundo vazar rolou aquele momento recomendação que muito me enerva. Rega minhas planta. Não zoneia meu quarto. Liga meus fusca (esse é importante). Tranca porta (como se não fosse eu o São Pedro residente desta casa). Lava a roupa, Cinderela, faz a sopa, Cinderela, etc. Quer viajar, viaja, mas não torra? Brigada.

Aí assim. Cêis sabe, né? Eu não acredito em astrologia, signo, sasbobrinha aí, mas acho muito divertido culpar o oculto das coisas pelas quais não quero me responsabilizar. Mas eu acredito muito nessas chatice de ciclo e vibes das pessoas e acho que é por isso que tudo fica uma merda no natal, por exemplo, porque a maioria das pessoas à nossa volta tá só pensando em calor e férias e compras e fim. Como eu já disse antes, eu faço isso no meu aniversário, de modos que o natal é só um feriado longo em que eu posso dormir e ver tv por mais tempo que o normal em silêncio, gosto muito.

Mas faz um tempinho que eu venho notado que o começo de dezembro é sempre muito pesado na minha vida. Teve anos que eu tirei férias nessa época, pra ver se conseguia me desenvolver com mais graça, mas não é possível, é uma época horrorosa, tudo dá errado. Aí me perguntei se não rola um inferno astral concepcional na minha vida, já que no aniversário mesmo não acontece. As pessoas se chocaram no feici quando falei isso, mas gente, se sua mãe nunca te fez o favor de te contar em que condições cê foi feito, é só contar 9 meses pra trás e pronto? No meu caso, por exemplo, o vale existencial aconteceria nos dias que antecedem o dia 17 de dezembro (confirmado pela instância superior), o que é muito inconveniente pra quem já odeia essa época por outras razões. Ou vai ver é tudo uma coisa só.

E eu só pensei nessa teoria inteligentíssima e trabalhada na lógica este ano, porque dia 17 de dezembro eu estava dentro de um carro, presa no trânsito, na chuva, num dia quente, chorando mais que a super Vicky, rains of castamere tocando no carro, provando que a vida pode ser realmente um grande cocô mole enquanto todos os vidros embaçavam (eu fico ainda mais quente quando choro) e tinha que ligar o ar quente pra desembaçar. O retrato do fundo do poço em toda sua glória.

Então numa bela quinta feira pedi despensa do trabalho e fui levar minha mãe e meu irmão pro aeroporto e fiz uma coisa que nunca faço (de verdade, não é ironia): passei no McDonald's pra pegar o "almoso", fui pra casa, abracei meu cachorro e minha gata e pensei "fééééérias". Mesmo tendo que voltar a trabalhar de tarde, mesmo tendo que ir numa loja de material de construção pra comprar espuma expansiva (nem pergunte) com urgência, academia, supermercado, louça e etc, tudo ainda na mesma quinta. Mas eu tava feliz. A perspectiva era duas semanas de desespero trabalho-academia-mercado-faxina, pra depois 20 dias de recesso tv-comida-tv-dormir-tv-perna pra cima-dormir-tv e um restinho de férias familiares até o meio de janeiro. Eu tinha uma esperança, eu tinha um sonho.

Não deu nem 48 e FUÉN na minhas fantasia.

O cartório

Tô eu bem tranquila juntando zona pela casa no sábado de manhã, quando me perguntam se eu vou no cartório levar o documento.

Vou sim, claro, QUE DOCUMENTO? QUE CARTÓRIO? QUEI SÃO VOSES?

Assim, tem uma casa na minha família que foi comprada no nome de três pessoas (da mesma família) e que resolveu-se vender pra outras três pessoas da mesma família. Sério, é isso mesmo. Mas uma das pessoas vendendo também era uma das pessoas comprando, que era pra ficar bem fácil. E das 5 pessoas envolvidas na transação, 4 são casadas, 2 em processo de divórcio. Fora que apenas uma estava disponível pra assinatura, de modos que as outras SETE precisaram de procurador, envolvendo, ao todo, mil quatrocentas e noventa e três pessoas no processo de compra e venda. Foram 10 meses de vai e volta de documentos, porque quando um mandava a certidão de casamento, a de nascimento do outro tinha vencido. Um mandava o comprovante de renda, a cópia da identidade do outro não valia mais nada. Sério, não sei explicar a tragédia grega que foi conseguir que todos os documentos estivessem juntos e válidos. Aí tinha essas taxinhas básicas de cartório que pagava-vencia-pagava-vencia-pagava... e aparentemente a última estava a um mês de expirar, de modos que era urgente que se levasse a pilha de documentos (antes que algum vencesse) naquela semana. E com todo mundo fora da cidade, no fiofó de quem que ficou a responsabilidade? Isso mesmo. No meu. Só que era sábado, tinha que levar na segunda e eu não avisei no trabalho, ousseje: não podia. Aí foi aquele rebu, Vanessa não faz nada nunca, não coopera, etc, donde desencadeou uma crise nos nelvo que não passou até agora.

Quem levou o documento me deixou um protocolo que eu amei, pois envolvia ligar para o cartório alguns dias depois pra confirmar que tava tudo certo e a data pra buscar. Por que outra pessoa não podia ligar? Essa é a única pergunta que eu faço, sabe? Mas eu liguei e, qual não foi minha alegria ao ouvir que tinha pendência e precisava buscar o documento IMEDIATAMENTE. Larguei tudo que eu tava fazendo (trabalho, óbvio) e atravessei a cidade de ônibus (não sei ir de carro), peguei o documento e descobri que o documento que tava faltando eraaaaa....... DO BANCO! Tá de parabains a pessoa que ganha exclusivamente pra isso e esquece de botar um documento importante na lista. Liguei pro meu pai, pra que ele ligasse pro intermediário, pra que ele resolvesse isso com o banco, porque aí já não sou obrigada.

O intermediário falou que eu tava com sorte, porque ele estaria passando a 10km de onde eu estaria, em horário comercial, e eu poderia buscar com ele o documento faltante. MAS SÓ PORQUE CÊ QUER, MERMÃO. Ele ligava pro meu pai, meu pai pra mim, eu pro meu pai, meu pai pra ele e ninguém chegava num acordo. Segui com a minha vida sem tranquilidade nenhuma, até que um dia resolvi almoçar em casa por pura obra do acaso e tive um ~desarranjo~ digestivo inesperado, que fez com que eu me atrasasse pra voltar pro trabalho. Tava eu lá tacando água na cara, toca a campainha. Olhei pela janela e o tio parado na porta da minha casa, sem avisar, sem telefonar, sem combinar. Entregou o documento e falou "pronto, pode ir pro cartório". Tio, tamo no meio do horário comercial e eu.tenho.que.trabalhar. "mas aí tem aquela taxinha de MILEOITOCENTOS reais de novo, né?". Voltei pro trabalho, larguei o carro no estacionamento, tive um princípio de ataque de pânico e olhei em volta. Apenas uma pessoa no meu andar. Passou 10 minutos e eu olhei em volta de novo, ninguém. Mais 10 minutos e eu me dei conta que ninguém trabalha nessa merda mesmo, deixei um aviso na minha mesa e fui pro cartório.

Bom, isso aconteceu umas 4 vezes, no fim das contas. Na última, dia 17 de dezembro, a moça falou: fica pronto dia 7 de janeiro. O que significa que só em 2015, o que significa que a parte da galera vendendo a casa só receberia o dinheiro neste ano. Eu liguei pro meu pai e falei "avisa que o primeiro que ligar infernizando que precisava do dinheiro vai levar uma voadora, porque podia ter ficado aqui de office-guél levando documento e faltando no trabalho, se quisesse agilidade no processo". Semana passada teve um chiliquento que eu mandei pro raio que o parta e minha mãe ficou tranquilizando. QUE.SE.LASQUE.

No fim, dia 7 de janeiro tava eu OITO HORAS DA MADRUGADA no centro da cidade (normalmente essa hora tô acordando), pegando o bendito documento e entregando em prazo hábil pra que ninguém tivesse que desembolsar mais com ITBI. Alguém agradeceu?

Isso mesmo, não. De 4 de dezembro a 7 de janeiro em função dessa divertidíssima atividade, na hora que me ligassem. Cê reflita.

A casa

Eu subestimei a zona da minha casa. Entre livros, revistas, folhas impressas e etc, tem mais papel do que oxigênio nos muros do meu solar. E tava tudo espalhado por centenas de metros quadrados, envolvendo casa principal e casa da churrasqueira, um sem fim de bagunça e traça. Eu começava a ajeitar em casa e tinha que levar pra churrasqueira (que acumula funções de lavanderia, depósito, despensa, biblioteca, cozinha e eventualmente um quarto - eu juro). Aí tava bagunça nas estantes da churrasqueira e eu começava a arrumar lá e tinha coisa de dentro de casa e eu levava pra casa e não tinha espaço e eu levava pra churrasqueira e... Perdi as contas de quantas noites, depois do trabalho e academia, eu fiquei sentada no chão organizando pilhas e mais pilhas de revista, folder, papel, prova, livro, lixo. Aí abria armários e zona. Roupa suja, roupa limpa, móvel fora do lugar, exames, panelas, eletrodomésticos. Era assustador.

Pra guardar as coisas, precisava desocupar lugares e pra isso tinha que limpar lugares, pra isso tinha que desocupar lugares, parecia que eu tava presa numa célula do excel com referência circular. Fazia semanas que eu não prestava atenção na churrasqueira e na quantidade de louça localizada na pia, não sabia quantos pacotes de macarrão estavam abertos pela metade, quais eletrodomésticos estavam funcionando (e existindo, em si, porque na minha casa tem cada coisa que a gente nem lembra que existe e pra que serve). Pois limpei balcões e armários, organizei potes e utensílios, lavei e guardei louças, destinei coisas pra novas funções, limpei gavetas, mesas e armários, joguei fora comidas fora da validade, lavei toda a roupa, todos os lençóis, toalhas e panos de prato, passei desinfetante no chão, deixei o lugar LINDO na medida do possível

Da churrasqueira (que não ficou limpa antes do natal), fui pro quintal interno, onde cortei gramas e pragas, incluindo flores que deram cria com a chuva e mataram o canteiro de cebolinha, de tomate e de alecrim. Lembrem-se de que sou SEVERAMENTE alérgica a esse tipo de coisa, especialmente grama e flores não nobres (essas tipo dente de leão que se alastram igual praga) e reflitam na alegria que era ficar entre essas coisas durante horas, rezando pra que chovesse e eu pudesse me curar dos arranhões, machucados e dificuldades respiratórias em geral. Organizei o gramado como pude, reguei flores, cuidei de vasos que voaram com o vento, guarda-sóis que se despedaçaram em tempestades, ferramentas e toda a sorte de tralha que minha mãe curte ter outdoor

Ainda tinha o infinito quintal da frente e a frente da casa e a árvore dos galhos infinitos. Milhões de espaços de grama pra aparar, folhas pra juntar e um total de OITO sacos de 100 litros em lixo da natureza. Mais uma mão sem movimentos durante 8 horas por intoxicação de plantas e 38 escoriações causadas por seiva ou pólen. Foi maravilhoso cuidar da vida verde da minha casa.

Com tudo isso em relativa ordem, parti para o interior da casa. Aquela faxina na cozinha, limpeza intensa do fogão (rola um amor por aquele fogão que impede que ele fique imundo, tá sempre praticamente limpo, mas taquei um mister músculo nervoso lá que era pra ficar com cara de novo), da geladeira... Aliás, talvez eu devesse contar que minha casa tem o número básico de QUATRO geladeiras, porque uma é só pra isso, outra é só praquilo e mimimimimi, de modos que a essa altura eu tava limpando a quarta geladeira - tópico ao qual voltaremos na seção: energia elétrica. 

Eu sou a louca do organizador e das prateleiras, minha casa tem mais de um bilhão deles, de todo tipo. Pois eu fui e comprai mais um monte, organizei organizadores (aloca), separei podrutos, cataloguei coisas, melhorei a lógica dos ~enfeites~, lavei, limpei, desinfetei, guardei, separei, destinei, etc etc etc. Lembro com carinho do dia 2 de janeiro, o último dia do recesso, que terminei de guardar a última coisa fora do lugar. Passei o dia 3 inteiro vendo filmes ruins do meu marido Ioan no netflix, saindo da horizontal apenas pra comer e tomar dorflex, já que não movia mais a articulação do quadril (é estragada e foi sobrecarregada, coitadinha). Tive exatamente um fim de semana de descanso, Ó QUE GLÓRIA? Pra quem tava sonhando com 20 dias, até que não foi uma perda considerável ¬¬

A energia elétrica

Já contei aqui que moro atrás de uma subestação de energia elétrica e que encheram minha rua de super postes, né? E que rola uma sequência desagradável de cortes de energia programados de NOVE HORAS DIÁRIAS, e os filho de combustão espontânea não têm amor no coração, programam essa merda em qualquer dia da semana, pode ser segunda, pode ser quinta, pode ser sábado. Eu espero que tenham uma morte horrível, apenas. Acendi uma vela (got it) quando dezembro chegou, pensando que ninguém teria coragem de programar desligamento pra época que o povo tá entupindo o freezer de tender, ervilha e peru, acreditando que minhas perspectivas de morar na frente da TV não seriam prejudicadas (hahahahaha, ai se eu soubesse que energia na tomada seria o menor dos meus problemas).

Pois o que eles fizeram, então? Isso mesmo, corte de energia sem aviso prévio. Cê tá lá lavando a louça e ouvindo clube FM (toda cidade tem uma rádio HORRÍVEL chamada clube ou só as que eu morei?), de repente Zoinoinoinnnnnnn ACABA TUDO. Saio eu correndo pra desligar disjuntor da casa principal, faz a maratona e desliga da churrasqueira, volta e religa só o das lâmpadas, acende uma luz que não seja muito grandes coisa (caso ela exploda quando a energia volta - true story) e fica fazendo atividades amish enquanto espera.

Aí rolou um capote da energia, fiz todo o procedimento padrão, duas horas depois a energia voltou, aique alegria. Verifiquei todas as coisas sensíveis à catástrofe: a tv da mamai, os aparelhos da tv a cabo, a geladeira principal, cujo painel já não responde bem a comandos simples POR CAUSA de tanta falta de energia, a máquina de lavar (meu objeto favorito na casa) e o freezer. Tava tudo vivo e passando bem, com exceção do painel da geladeira, tudo normal.

Passou uma meia dúzia de dia, faltou energia de novo, mesmo esquema, tudo vivo, menos a minha sanidade mental. Porque você reflita que tinha dias que eu tinha que ir ao cartório, limpar a casa e zuoooinnn, acabava a energia. Era tudo junto, facilitando minha vida.

Até o dia que acabou a energia num sábado de manhã, ali pelas 8h. Eu estava esgotada, mas acordei porque meu ventilador desligou. Pulei da cama como se tivesse sido catapultada e cumpri com graça o desligamento de disjuntor em distância, deixando apenas a luz do corredor em posição de acesa, pra saber quando voltasse. Voltei pra cama e tentei me auto hipnotizar pra dormir como se não houvesse calor e, quando tava quase funcionando, comecei a ouvir uma gritaria. Isso é até bem normal dado que sou vizinha de um hospício (risos) e as mulher tudo que moram lá se odeiam entre si, mas a gritaria não parava nunca. Elas são as loucas da chave. Uma sai sem chave e as outras trancam a casa toda e todas insistem em sair sem chave e trancar a casa. E ninguém abre pra quem tá pra fora, SEI LÁ, são todas loucas. Nesse dia foi a mãe que ficou pra fora apenas com o controle do portão, presa pra fora quando a energia acabou. Lá em casa rola uma regra: TEM QUE LEVAR CHAVE. Vai sair de carro, que ótimo, leva a chave junto, caso se dê uma tragédia. A chave do portão principal e do portão interno. Ninguém fica preso, obviamente. Mas isso não acontece na casa vizinha onde, inclusive, trancam as portas internas. Tia, se alguém já passou seus dois portões, sua cerca elétrica e chegou na sua porta, que diferença faz, né? Sério, essas mulher me tiram do sério.

Pois ficou a mãe berrando o nome de uma por uma das filhas no portão, acordando o bairro inteiro. Do mesmo modo que eu fui pra janela, foi todo mundo. Todo mundo perguntando se ela queria sentar nos seus sofás enquanto esperava. A tia desesperada porque precisava pegar uma coisa dentro de casa e berraaaaava. Aí ficou silêncio e eu fui dormir de novo. Não deu 10 minutos e um barulho assustador me acordou novamente, pra encontrar a tia pendurada no meu muro, escalando pela MINHA CASA. Tia do céu, vai dar ideia pra bandido???????????? Sai daíííííí. Aí veio uma vizinha e deu pra ela uma escada de metal, que ela apoiou na minha parede, subiu e parou em cima do muro, de cavalinho nas cercas elétricas, minha e dela. Segurou nos contatos e gritou pra quem tava embaixo "imagina se volta a energia agora?" e riiiiiiu. Eu tava imaginando justamente isso e borrando minha calça, porque além de véia, a tia tem problema cardíaco. Magina ela sendo arremessada dentro do meu quintal por obra de um choque? Eu tendo que ir ressuscitar e chamar ambulância? PQP. 

Aí a mulher empoleirada no muro faz o que qualquer pessoa sensata faria: pega a escada de 5 metros e levanta, passa por cima da própria cabeça (desviando de árvores e superpostes no processo), passa pro lado da casa dela, pula pro outro lado da cerca elétrica e desce pra casa dela pela escada. Passa a escada pelo vão do portão pra amiguinha e segue a vida. A dona da escada me olhando descabelada e de queixo caído, pede calma e vai embora. Eu fico ali apenas tentando pensar como foi que os caminhos da minha vida me levaram até aquele momento e sofro em silêncio. Três horas depois, minha irmã acorda e reclama que a máquina de lavar não tá funcionando (cê jura), a fia não reparou a falta completa de energia elétrica. Assim que voltou a energia, eu tenho um procedimento padrão de esperar meia hora antes de religar tudo, porque né? Da última vez a lâmpada da cozinha explodiu - e se você nunca viu essas lâmpadas de cozinha (sabe qual é?) explodidas, você não quer ver, vai por mim - e fez o maior estrago na região. Então eu estava um pouco relutante quando ela não quis esperar pra ligar a máquina de lavar (o que levaria o freezer, a outra geladeira e coisas pras quais não ligo a ligarem também), mas pensei QUICIDANE. É lógico que a energia caiu mais outras 5 vezes no espaço de duas horas e eu falei que tava na conta dela o que quer que queimasse, mas tudo sobreviveu.

No último sábado de folga familiar, tava eu almoçando e assistindo estrelas, porque a tv da cozinha só tem rede globo, quando algum pedante qualquer começou a explicar o segredo pra cozinhar uma coisa qualquer e a frase foi "o segredo pra isso ficar bom é..." ZUONNININNIN, cabô a energia. Segui os procedimentos de sempre, terminei de almoçar e fiquei lá bem contente lendo um livro na luz natural. Alguém notou que voltou a energia e começou o siricutico de aimeldels me devolve o netflix e eu falando que era cedo pra religar tudo, mas num mando nos outros, ligaram. Avisei que pra ligar tinha que verificar coisa por coisa e permaneci lendo meu livrinho. Sabia que tinha desligado meus filtros de linha (no meu quarto eu sou mais inteligente, tenho duplo sistema de segurança, filtro de linha desligado em caso de meda), então boa sorte aí vocês.

Dia seguinte eu tava guardando compras do supermercado na casa grande e ouvi uma conversinha na churrasqueira que consistia da finíssima frase "eu não vou ficar aqui, tá cheirando peido". (deve ser a primeira vez na vida que escrevo essa palavra horrenda) Pensei comigo mesma: limpei essa churrasqueira com o mais puro desinfetante que de tão forte manchou minha mão de azul por 3 dias. NÃO TÁ CHEIRANDO PEIDO NÃO. Fui lá e tava cheirando tempero, sei lá. Perguntei pros outros presentes o que fariam a respeito e "eu vou ficar longe daqui desse cheiro" e fim. Eu, que não sou dessas, comecei a cheirar cada canto daquele território, falando comigo mesma, como sempre. E eu ia dizendo "tá cheirando... tempero... tipo rolinho primavera... tá cheirando... BRÓCOLIS". E foi nesse momento que me dei conta de que tava cheirando brócolis sim e só podia vir de um lugar: do freezer. Abri a porta e MEU DEUS DO CÉU, nunca agradeci tanto na vida por ter uma família vegetariana, porque tava uma catástrofe de batata e vegetais dentro daquele lugar. Sério, foram dois sacos de 100 litros em batata, ervilha, brócolis e meia dúzia de sorvetes. Estragou tudo. Parabéns aí pra companhia de energia e pros felizes que ligaram o disjuntor na hora errada.

Os fuscas

Ai, como eu adoro esse capítulo. Alguém aí lembra do fusca com encosto, com o qual eu me relacionava uns 3 ou 4 anos atrás? Pois esse fusca foi reformado e remanejado depois que o fusca de número 3 foi roubado num episódio muito triste das nossas vidas. Então ficou o fusca do encosto com mamai, um fusca cheio dos friquefrique com meu irmão e os dois lá no "mimimi, tem que ligar dia sim, dia não senão a bateria acaba" e eu pensando aqui que não tinha mais o que fazer da vida além de passar dois meses ligando e desligando fuscas sem parar. Mas vamo lá, né? Até aí eu achava que passaria meus dias vendo tv e comendo, não chegaria a comprometer. Só que colocando na pilha das mil e uma coisas, sério, tava puxado. A garagem coberta fica na frente da cozinha e rolava uma poluição sem precedentes cada vez que eu ligava 5 minutos cada um. Botei um no quintal aberto pra amenizar a situeixon e era dia sim dia não 5 minuto afogada em gasolina. Até o dia que, é claro, o fusca número um não ligou. 

Girava a chave e fazia tec. Pisava no acelerador e tec. Tentava qualquer coisa e tec tec tec. Entrei em pânico, me perguntando o que foi que eu fiz de errado, porque não era possível de um dia pro outro não dar nem sinal de vida. Tec. Não ligava mais e fim. Aceitei o destino horrível e fui pro fusca com encosto. Girava a chave e nhoin. Pisava no acelerador e nhoin nhoin. Tentava qualquer coisa e nhoin nhoin nhoin. Cheguei a achar que algum encosto de graves proporções tinha atingido meu lar, porque num dia tava tudo funcionando e no outro nada.

Claro que eles seguiram funcionando durante umas três semanas e deram pau perto do natal, de modos que eu não sabia quem chamar, não tinha nada aberto, não tinha solução satisfatória. Sentei e chorei por uns 4 dias e depois mais 20 vezes em ocasiões separadas. Ajuda apareceu e tentamos chupeta na bateria, tranco, benzedeira, galho de arruda e nada e larguei lá. Até o dia que papai apareceu e eu sinceramente não consigo mais contar essa história, mas um deles estava zerado na gasolina e outro tem um fio frouxo no motor de arranque que se soltou. Assim que meu pai conferiu esses detalhes e colocou gasolina em um e prendeu o fio do outro (que chegou a ter a bateria desencaixada e recarregada num auto elétrico no meio do caminho), tudo funcionou. Até aí, me nível de calma já tava no negativo.

Resumi DEMAIS a parte dos fuscas, porque foi uma das que mais me deu trabalho e esgotou minhas energias, não posso mais falar dela pelo bem da minha sanidade mental e da minha pressão.

O hospital

Não vou dar detalhes sobre esse evento, porque minha família lê este blog (e pessoas que eu não conheço também), de modos que vou evitar a fadiga da falação mal intencionada. Mas eu tive uma dor de garganta, que é a pior coisa que pode me acontecer, eu tenho 8 horas pra procurar um hospital nesses casos (sério), e foi o que eu fiz. Só que tive que voltar apenas 4 vezes, porque ninguém descobria o que eu tinha e justamente as conjecturas que tavam de matar. Se eu dissesse os nomes de todas as doenças que testaram, vocês entrariam em choque. Só descartaram mononucleose porque eu já tive isso antes, mas o resto foi bem descendo a ladeira mesmo. Teve uma hora que eu acho que a recepcionista chegou a pensar que eu era hipocondríaca. Parei de ir no hospital no dia que tentaram me prender pra internar. Falei que melhorei subitamente e fui embora. Ainda levou 18 dias pra dor de garganta passar e jamais saberemos o que foi. Não sei quantos remédios tomei e como meu organismo suportou, mas tamos aí.

O banco

Essa parte curto muito porque NÃO TÁ RESOLVIDA AINDA até o fechamento desta edição :)

Como eu disse lá nas faxina, teve uma sexta feira que a casa tava limpa. Na semana seguinte os fuscas estavam vivos, não tivemos mais quedas de energia, tudo parecia correr bem. No meio da semana peguei o documento final no cartório, fiz compras de coisas importantes pra casa, ajeitei a vida e fiquei com um fim de semana completamente livre, já que o resto da família tinha mais o que fazer. Sexta à tarde descobri que sairia mais cedo do trabalho e pensei "meu deus, que vida maravilhosa, vou adiantar umas coisas do sábado de manhã pra chegar em casa hoje e dormir até tarde". Só que no meio do caminho fui interrompida por um motivo de força maior que não posso descrever pra não chatear ninguém, mas saí do curso dos meus planos por mais ou menos duas horas. Terminei o que tinha que fazer e resolvi me presentear com um pote de sorvete de tablito, pra iniciar o fim de semana do sossego quando... meu cartão foi cancelado sem aviso. Sexta, cinco da tarde, quando você tem 10 reais na carteira e mil coisas pra pagar até segunda às 10, quando o bendito banco abre, SEUS CARTÕES SÃO CANCELADOS NA FILA DO MERCADO. 

Gente, não sei nem explicar. Eu comecei a gritar. Eu estapeei uma palmeira. Peloamordeldels, era meu fim de semana de sossego, eu finalmente sairia pra almoçar depois de 40 dias cozinhando. Eu iria no salão. Eu iria no cinema. Eu tinha uma listinha de coisas pra comprar na loja de produtos de beleza pra me paparicar, repintar o azul do meu cabelo. Tinha uma blusa que eu estava esperando ter tempo de entrar na loja e provar. Tinha um milhão de coisas e fuén. Completamente zerada de dinheiro.

Eu sabia que o pior estava por vir, porque não era a primeira vez que isso acontecia. Normalmente são 15 dias até desbloquearem o cartão e vai o fim de semana inteiro pra desbloquearem a conta na internet. E como a pessoa vive 15 dias sem cartão? Com saques autorizados apenas na agência da conta, que é longe de tudo e que só funciona em horário comercial? Quantos dias eu ainda teria que faltar no trabalho pra resolver problemas?

Sabe?

Eu dirigi pra casa só dels sabe em que condições, gritando dentro do carro o caminho todo (6 quadras) e me perguntando que tipo de castigo era aquele no primeiro momento livre que eu teria em meses. Eu não lembro de muita coisa nesse dia, além de sentar no chão da minha casa e chorar por 4 horas seguidas, porque tudo que eu pensava fazer pra me distrair precisava de dinheiros que eu não tinha. E não tinha como arrumar por mais de dois dias. Só saí dali porque precisava buscar meu pai na rodoviária e fiquei no chão o resto dos dias.

Segunda feira eu fui até minha agência só pra ser informada de que tava lascada mesmo, pegar um dinheiro pra sobreviver por 4 ou 5 dias, já que era no centro da cidade e eu tava de ônibus e melhor ser pobre com dinheiros conceituais no banco que pobre porque me assaltaram e fui sofrer no conforto do meu lar, porque não dava pra comprar comida, não dava pra me divertir, não dava pra fazer nada.

Assim que foi possível, abri uma conta em outro banco, mas é uma conta cheia de limitações por razões que eu não quero mais explicar, me deixa, de modos que eu fico um pouco nervosa quando vou usarlha. Também explodi meu cartão de crédito (e eu tenho que explicar que se eu gasto mais que 200 reais nele, eu já classifico como falência, especialmente porque eu queria comprar um negócio caro em mil prestações e desanimei bem linda com essa pobreza toda acontecendo) e tô aí vivendo com um cartão improvisado, de uma conta que tenho que repor toda hora, enquanto meus dinheiros tão presos num banco porcaria, porque sou obrigada e também não vou explicar as razões. Já perdi as contas de quantas vezes fui na agência corrigir alguma bobagem que atrasa a reemissão do meu cartão novo que, além de tudo, vira com a maravilhosa bandeira elo. O que quer que seja essa merda. Devo ficar rica novamente, já que ninguém aceita essa porcaria e não terei como gastar meus dinheiros ainda assim.

Faz quase 3 meses que não vejo meus amigos porque tenho vergonha de ficar contando moedas pra fazer qualquer coisa. Mas quem precisa socializar?

O mestrado

A chave de cocô do período foi o bendito do mestrado. 

Eu estava fazendo matérias isoladas como aluna especial, que era pra ter certeza se queria isso pra minha vida. A resposta é não, mas eu tenho dificuldades em deixar as coisas depois que eu começo e o mestrado não só me garante mais dinheiro de salários (tipo em porcentagem, uma porcentagem bonita e gordinha), mas garante a possibilidade de aplicação num doutorado internacional. A vantagem do doutorado é sair do país com meu salário regular E bolsa, então estudar é um preço baixo a pagar pra viver na Suécia, na Holanda ou em Gales, os países que eu tenho interesse e propostas. 

Então eu fiz uma matéria e fui muito bem sucedida. Rolou um desespero um dia em que erraram meu nome e publicaram uma nota baixa, eu quase larguei tudo essa vida acadêmica. Mas foi só um erro e tava tudo bem com o meu boletim e eu pude seguir em frente. Fiz um artigo que foi muito amado e idolatrado pelo candidato a orientador e aí o jogo virou (kiridinha). Eu tinha passado um tempo tentando uma vaga em disciplina isolada (sem muito afinco, porque não tava decidida) e levando não. Aí eu passei a ser perseguida por professores, pedindo pelo amor dedels pra que eu entrasse regularmente no programa. Coisa que eu ainda não sabia se queria.

Quando as inscrições abriram? No começo de dezembro, justamente quando consegui entregar meu artigo, 4 dias antes de começar a odisseia de dezembro. Eu falei pro professor-coordenador-orientador que precisava do mês de dezembro pra pensar sobre o que faria em 2015, porque minha vida já é muito atarefada e eu tinha que projetar se seria capaz de dar conta de tudo. Aí veio a avalanche de cocô e eu ESQUECI que tinha que me inscrever nesse negócio. Passou dezembro, chegou janeiro, janeiro foi passando também e eu tinha mais o que fazer, como vocês podem ver. E todo santo dia, sem pular um, ele vinha me perguntar quando eu faria minha inscrição. Quando o banco cancelou meu cartão foi a gota d'água, porque eu não tinha mais como pagar uma GRU exclusiva do banco do brasil SE NÃO TINHA DE ONDE TIRAR DINHEIROS. E o desespero foi me consumindo, porque não gosto de parecer desinteressada, mas minha santa rita do passa quatro, eu tava consumida pelo desespero e por prazos, cê não me pressione, tio.

Quando minha mãe voltou pra pelo menos retomar as responsabilidades que eram dela (e me ajudar com as minhas), eu consegui respirar um pouco e juntar meus documentos e vamos aqui também evitar a novela dos milhões de históricos errados, porque TODOS os meus históricos estavam errados. Alguns minutos atrás eu tava aqui separando documentos no trabalho e percebi que tinha um dos meus entre eles, porque na hora de corrigir tudo, corrigiram PRA ERRADO a minha data de aniversário e tamos aqui na luta pra ter documentos corretos. 

De qualquer forma, como sou funcionária feat. os professores conhecem meu passado [meaning: fiz minha última especialização aqui e os documentos são internos], minha inscrição foi aceita no penúltimo dia e tava indo tudo bem, porque eu acreditei nos meus olhinhos que leram que as provas (ainda tinha esse pesadelo) eram dia 2/3 e na verdade eram dias 2 E 3. De fevereiro. Coisa que eu descobri isso mesmo DIA PRIMEIRO DE FEVEREIRO.

Agora cê pensa comigo, querido leitor. As pessoas me infernizando pra me inscrever nesse negócio, ao me verem afogada em problemas não poderiam ter dito "ó, se você não vai ter tempo de estudar, nem se inscrever?". Sei lá, eu achei que seria uma cortesia bonita. Ninguém falou nada. Se eu não tava tendo tempo de PINTAR A UNHA, cê acha que eu parei pra ler um edital de processo seletivo? Eu não fazia a mínima ideia que a prova era menos de uma semana depois de acabadas as inscrições, eu jurava que tinha um mês pra estudar, mas eu tinha 0 dias, porque, obviamente, segunda era dia de trabalhar.

Lá fui eu chorar no chão de casa.

Eu sou inteligente. Um pouco, mas sou. Tivesse estudado, teria uma prova digna. Cálculo, probabilidade, estatística. Eu estudei isso pela última vez em 1998. Não tem cérebro que retenha essas informações por tanto tempo sem uso. Tinha ainda umas provas nadavê, de criatividade (???), mas o que doía meu coração era pensar que a coisa mais fácil do mundo, que é cálculo, eu teria uma nota horrível por falta de tempo.

Chorei até desidratar.

Acordei na segunda e abri o navegador e botei uma aba pra cada tópico e fui relembrando loucamente matrizes, sistemas de matrizes, derivadas, integrais, limites, etc etc etc. Eu nem escutava quando falavam comigo, de tão concentrada. Fui pra casa almoçar com o livro colado na cara, voltei e fiquei na minha mesa até 20 minutos antes da prova, pra onde fui derrotada. Cheguei a considerar levantar e ir embora, mas fiquei, fiz e aceitei a sorte triste de ter que acreditar no feeling pra resolver duas provas, uma de cálculo e outra teórica. 

Saí da prova meio atordoada e vi que tinha sol no céu ainda, de modos que levei menos de uma hora pra fazer as duas e não entendi nada. Acreditei que era a ignorância, né? Quando a gente não sabe o que tá fazendo, faz mais rápido.

Dia seguinte teria mais cálculo e a prova de criatividade (hahaha), então trabalhei de manhã e passei a tarde em casa estudando até o limite de funcionamento dos meus olhos. Quando cansou, cansou. Tomei um sorvete e fiquei encarando a parede da sala por uma meia hora antes de sair pra prova.

Sentei na cadeira e quase chorei quando chegou a hora. Precisei de muita força interior pra não rasgar aquilo tudo e jogar pra cima. A professora aplicadora (que também acumula função de amiga da minha mãe e minha colega de trabalho) falou que não adiantava tentar entregar antes de uma hora corrida, então fui calmamente ler a prova de cálculo e me dei conta que sabia resolver 80% dela. E foi o que eu fiz. Acabei essa parte e fui lá gastar meu enroleixon na prova de criatividade e, quando vi, era 9 da noite. Três horas em cima daquelas provas e eu estava faminta e com sono. Entreguei nas mãos da professora e também de deus e fui pra casa comer pizza de milho.

Dois dias depois saiu o resultado e, eu não sei como, fui aprovada. 

Passei algumas horas acreditando que foi favor, mas lembrei que as provas foram corrigidas por gente que não vai com a minha cara, além de estarem todas sem nome, só com um número pra conferência de quem era o dono. Depois achei que tinha passado por cota, já que funcionário tem vaga garantida. Aí descobri que a vaga é garantida pra 10% da turma (no caso, 3 pessoas) SE e somente SE a nota for mínima pra entrada no programa. Olhei o nome dos outros funcionários e ninguém mais passou além de mim, ou seja, a cota estava com sobra de 2/3. Fiquei um bom tempo aqui tentando achar uma razão que me provasse que não foi mérito meu e descobri que inclusive pulei uma fase quando fui aceita pelo orientador, o que é tipo um milagre. Um terço das pessoas ainda passam por mais uma fase, que é achar um orientador que os aceite. Se não caí nessa repescagem, é porque minha nota foi mais alta que as dessas pessoas E de todas as outras que queriam o mesmo orientador que eu. Fazendo com que sobre mérito próprio pra explicar como eu consegui.

Ainda estou incrédula e me perguntando se tomei a decisão certa, mas meu cérebro precisa de um descanso e estou tentando prover.




*****

Algumas dessas coisas ainda estão refletindo até hoje e me dando trabalho, ainda não vi meus amigos (tem presente de natal alheio na minha casa ainda), eu ainda tenho ataques de stress ocasionais, tipo sexta, que esqueci de passar dinheiro da conta inacessível pra conta acessível porém zerada e passei mais um fim de semana na miséria. Mas se eu não me matei ou não morri de causas naturais nesse período, que além de tudo aumentaram minhas séries de musculação na academia e vivo 100% do tempo com dores musculares, articulares e existenciais, é porque eu devo ser muito mais forte do que pareço.

Não que eu goste, porque eu preferia ter a vida de uma herdeira de cabelo bom e nascida num país frio, mas se é isso que eu tenho, então que eu seja o Rambo pra aguentar.

+_+