quinta-feira, 15 de agosto de 2013

oito faxa

Era pra ter postado isso na sexta-feira passada, mas a vida tá tão suave na nave (só que não), que vejem só vocês. Se isso for postado hoje, é lucro.


(Cêis não ficam chateados quando o trabalho atrapalha sua vida? haahhaha)

Então. Eu leio blogs como forma de auto punição, sabe? Eu vivo discutindo unilateralmente com as pessoas, por causa das coisas imbecis que elas escrevem. Aposto que vocês discutem unilateralmente comigo também, acho válido, eu sou muito imbecil. Mas a gente segue nesse processo de ler os outros, por amor, por masoquismo, por tédio, não sei. Tipo, outro dia uma pessoa que eu descobri que leio há 5 anos (a pessoa falou a idade e já são 5 anos a mais do que da primeira vez que eu ouvi dizendo a idade). E cara, eu gostava tanto no começo. Agora entrou numas de frases de efeito e eu fico aqui comendo o canto da mesa de vergonha. É ruim demais. E é um processo dolorido tirar dos feeds. Eu fico tipo ex, com a diferença que eu nunca faço isso com ex, porque ex bom é ex-terminado da face da terra, mas com blogs eu deleto e volto lá pra ver se num quero reatar e tal. Nunca quero, mas a separação é dura.

Q

Tô dizendo tudo isso só pra introduzir a ideia de que de vez em quando eu gosto de ler blogs, e geralmente é quando a pessoa indica uma música que ela ouviu e gostou. 70% das vezes eu odeio a música e desligo antes de 10 segundos, mas as 30% restantes são tão boas que compensam. Eu não ouço rádio, então é muito maravilhoso ter essa forma de descobrir músicas novas. (Mesmo quando o post é super apoteótico, com a pessoa dando lição de superação e sentimentaliszzzzzzzzzzz.)

As outras duas são: seriados e pulando no youtube aleatoriamente, sem ver os vídeos, é claro.

Não sou o tipo da pessoa "movida à música", acho isso até um pouco retardado e tenho ZERO paciência com quem não consegue ficar em silêncio ou usar fones. Deveria ser obrigatório por lei ouvir músicas em ambientes ocupados por mais de uma pessoa COM FONE. Meu saco enche muito rápido até das minhas próprias músicas, imagina das dos outros.

Por exemplo, meu carro conta apenas com um toca-fitas que eu ligo rarissimamente (tanto o rádio quanto as fitas hahahaha, sério), nunca no ~trânsito~. Se tem uma coisa que me irrita é você lá impedida de se locomover e escutando um barulho vindo do rádio. Dirigir é a melhor hora pra bater um papo com as vozes na cabeça, então eu dirijo em silêncio. A não ser de noite, quando eu posso acabar dormindo. Aí eu ligo o rádio e vou cantando.

Em casa também, eu só ligo algum som se vou fazer alguma atividade muito abstrativa, tipo arrumar armário. Lavar louça. Faxina em momentos que a casa está vazia. 

Música eu gosto de ouvir quando dá pra prestar atenção ou cantar alto. Ou no trabalho, pra evitar ouvir a quantidade infinita de asneira que é proferida ao meu redor ou até mesmo pra abafar o barulho do picador de papel do vizinho, porque, pelamordedeus, haja papel no mundo pra alimentar esse barulho infernal que nunca acaba.

Cêis sabe, né? Em um caso auto diagnosticado de Transtorno de Processamento Sensorial, a pessoa tem que se proteger de sons que iniciem uma *crise*.

Foi num desses dias, em que o potencial de estupidez estava atingindo todo um novo nível, que eu fiz esse trem de 8tracks.

Fiquei com muito ódio no meu coração que você não pode pegar, sei lá, links do youtube pra formar a lista, tem que fazer upload de tudo. Porque aqui no trabalho aconteceu uma catástrofe na minha pasta de música (eu realmente não sei como se deu e tenho preguiças eternas de arrumar) e virou tudo uma zona só e eu parei de fazer downloads e ouço tudo em listas no youtube. Aí fui lá downloadar pra uploadar, ai que saco, mas eu fiz. 

Quem já teve o prazer de ter que escutar o meu iphone porque todos os outros celulares estavam sem baterias sabe que eu só ouço musga deprê. Cresci ouvindo os brutos também amam - que vem a ser banda de roques pesados cantando sofrimento por muiés aleatórias e digivolvi pra essas porcaria que embalam momentos chorosos em seriados, um indie suicida, um folk corno, um pop merdão.

Então tentei fazer uma listinha que fosse do semi-alegre até a depressão profunda.

Sei lá, vai que tem alguém que 

************* péra que acabou de entrar um padre aqui pra benzer a sala **************

HAHAHAHA, então, vai que tem alguém que gosta, né?

*****

Disclaimer.

Faixa 1 - Maroon 5. Pop merdão, não entendo como Adam Levine faz sucesso com aquela voz e não entendo como eu gosto. Adoro essa música, especialmente porque eu acho que ela é um fora retardado. Eu dedico sempre pro meu travesseiro.

Faixa 2 - Phillip Phillips ♥♥♥♥♥♥♥. Isso é folk? Que raio é isso? Melhor música, cantarei de zóio fechado no show, com lagriminhas escorrendo pela cara e ficarei rouca em seguida. Declaração de amor do tipo que jamais farei na minha vida, gosto muito.

Faixa 3 - Emmelie de Forest. Como.proceder.com.gente.que.ouve.eurovision? Não sei, só sei que vocês têm que me amar mesmo assim hahahahah. Ouva essas flautinhas enquanto pensa em todas as lágrimas derramadas por amor. Como sofre!

Faixa 4 - Pink. Apenas a melhor cantora muié de todos os tempos. Até as musgas dela que eu odeio, eu amo. Até a voz errada desse moço do Fun deu certo com a voz dela. Mas essa musga todo mundo já ouviu na rádio, né?

Faixa 5 - Gabrielle Aplin da depressão. Não foi fácil escolher uma música dessa senhora, porque é uma melhor que a outra. Na próxima fita (kkk) vai ter outra dela, aguardem. Muita tristeza, me abraça.

Faixa 6 - Brandi Carlile. Se você não conhece, não quero mais ser sua amiga, sai daqui kkkk aquelas grossa. Gente, eu amo Brandi. Eu quero cds da Brandi. Eu grito com Brandi. VAMO SÊ AMIGA E RECLAMAR DA VIDA JUNTAS, BRANDI. Ela também não tem música ruim, cêis vão ouvir muito nas minhas fita.

Faixa 7 - Florence ♥♥♥♥♥♥♥♥♥. Também, né? Não vai me dizer que nunca ouviu. Teve um tempo que essa música tava com encosto, porque eu upei uma versão e o 8tracks tocava outra, que nem no meu computador existe. Agora tá certo, tem que ser essa aí só do pianinho e tal. A outra não dá a emoção certa. NEVAH LET ME GO. 

Considerando que cêis são educado e tão de fone, favor colocar no alto. Qué dizê, eu sou surda, eu posso. Não vão estragar seus ouvidos.

Faixa 8 - Os Mumford tudo. Se você é team "as músicas são todas iguais", SAI DAQUIIII. Não são não, e essa é maravilhosa. Nessa versão também. Tem que estar emocionalmente estável e com a placa de som em ordem pra escutar. Alto.

Agora que eu melhorei o gosto musical de vocês e levei um splash de água benta, já posso continuar minha semana sabendo que fiz uma coisa boa pro mundo.

Quem quiser contribuir nos comentários com músicas de sofrimento pra minha coleção, ME GUSTA. (Tô falando com você, amigo que me indicou um vídeo maravilhoso uns posts atrás). Se quiser dar sugestão de tema pras próximas fitas, fique à vontade, mas lembre-se de que elas só acontecerão quando a conjunção astral certa aparecer.

De nada. :*

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

~cisney~ branco em noite de lua



Eu nem sei por que vou contar isso, mas é que eu tava outro dia tentando lembrar de um acontecimento do passado e acabei abrindo uns arquivos antigos e me deparei com essas fotos e lembrei dessa história idiota, que está guardada apenas no fundo do meu cérebro e provavelmente em outros 4 ou 5 cérebros e pensei "por que não destruir mais um pouco da minha imagem já tão escangalhada na internet?"

*****

Meu pai trabalha na Marinha do Brasil desde quando eu era muito pequena, de modos que é como se ele sempre tivesse trabalhado lá. Eu e meus irmãos passamos anos intrigadíssimos na portaria, porque ninguém menor de 18 anos podia passar dos portões. E morremos todos de tédio quando finalmente pudemos entrar e não vimos nada demais. Mas como papis sempre sentiu amor pelas forças armadas, hinos cantarolados pela casa sempre foram normais. Especialmente esse do Cisne Branco.

Não sei se vós vos recordais [/pedância], mas na época dos 500 anos do Brasil alguém achou maneiro fazer réplica das caravelas pra virem de Portugal pra cá e uma delas acabou virando o novo Cisne Branco. O barquinho é tipo Doctor, em Doctor Who, e vai regenerando kkk. Uma das funções desse navio é funcionar como escola. E essa é a introdução da história de como eu fui parar abraçada na âncora do Cisne Branco.

JURO.

Um dia eu resolvi que seria especialista em logística e em negócios internacionais. Aí tava eu lá na faculdade, sendo muito perseverante em provar que mulher também pode sim ter esse tipo de profissão, quando um professor muito jovem e muito bem relacionado resolveu oferecer a uma das 8 turmas que teve naquele ano um passeio por Paranaguá. Meu, sério. Qualquer outro ciclo em que eu tivesse resolvido fazer essa matéria teria me feito perder esse momento. Mas eu sou muito sortuda e estava com o timing muito favorável.

Pra quem não conhece (eu também num conheço, vou fingir propriedade no que tô falando porque não há vontade suficiente pra usar o google), Paranaguá tem um porto importante, tem um alto escoamento de soja e tem um parque de container que vinha a ser muito moderno 10 anos atrás, quando essa história aconteceu. Incrusível, o professor fez questão que fôssemos visitar o porto justamente pra ver um empilhador de container mágico, que fazia um pátio gigante parecer um joguinho de tetris.

Então fomos viajando bem bonitos de ônibus de Curitiba pra Paranaguá, uma pequena guerra dos sexos acontecendo lá dentro, uma pessoa me oferecendo um frasco de X-14 e eu respondendo com toda a minha meiguice, arremessando um copo de água mineral na cara do infeliz, rasgando a bochecha dele com o metal da tampinha (hahahahah) e coisa e tal. 

Chegando lá, fomos primeiro nos armazéns de soja. E se eu puder dar apenas uma dica pra vocês, minha dica é nunca vista preto ao visitar um armazém de soja. Eu fiquei marrom em 2 minutos. Felizmente me deram máscaras, porque pensa numa alergia? E ratos HHAHAHAHHAHAH. Cê acha que tá sendo lindo e vegetariano comendo soja, mas tem tanto rato lá no meio que talvez não.

Aí fomos num outro negócio (devo confessar que essa é minha parte menos favorita da logística e eu tava prestando mais atenção no clima que no evento?) de transporte de líquidos para o qual eu não tava nem ligando, porque a gente tinha que ficar vendo dutos e tubulaçõesZZzzZZZZzz e usar capacetes horrorosos e acho que ninguém tava mesmo interessado nessa parte.

quem estou de capacete diferente do de todo mundo?

Fomos pro maravilhosíssimo pátio de containers, a parte disneylândia da viagem pra maioria dos presentes, e ficamos lá, chorando água do mar, enquanto a pessoa dirigia um U invertido gigante empilhando e desempilhando containers colororidos. Quando achamos que nenhuma profissão era mais legal que essa, descobrimos o ofício de ~prático~ ou "manobrista de navio", pros leigos. COARENTA MIU DINHEIROS pra passar o dia de bermuda e chinela no mar, manobrando navio. Onde manda currículo?

Só tinha um navio gigantesco de Itu atracado, mas gente, o negócio era da altura de um prédio de 900 andares. Meu profes foi lá tentar conseguir que eles deixassem a gente subir no navio, até que alguém se tocou da bandeirinha chinesa, na época do hype da gripe asiática HAHAHAHAHA. Nem os pessoal do porto deixou, nem ninguém ia querer. 

Nesse momento, nos demos conta de um naviozinho menorzinho, quase imperceptível perto do ponto vermelho gigante: ~cisney branco~ tava lá, atracadinho, de buenas, apenas apreciando a marola.

O profes muito do cara de pau se aproximou da belíssima embarcação e perguntou se 30 desocupados poderiam, de repente, assim, sem compromisso, visitar o navio. Pra nossa surpresa, a resposta foi sim. Aí começou meu pesadelo.

Eu tenho PA-VOR de água. Cê não tá entendendo. Eu sou a pessoa que entra numa balsa e desce imediatamente do carro. Se ninguém sai da minha frente, eu passo por cima das pessoas e saio pela janela, mesmo que o carro só tenha porta na frente. E isso é a descrição de um acontecimento. Eu pulei por cima das pessoas, dos bancos, saí pela janela e fui lá catar a bóia de salva vida. Se esse trem afundar, eu não quero morrer, ok? Eu sei nadar, já me salvei de afogamento em mar revoltado apenas com as minhas habilidades físicas, mas eu não quero ser tragada por um monte de ferro afundando. EU TENHO PAVOR DE BALSA, eu ando 300 km se puder evitar andar sobre o mar.

Nunca imaginei que isso se estenderia a um navio atracado.

Mas foi pisar no convés e imediatamente começar a passar mal. Eu não conseguia parar de pé com eficiência e o alto movimento de manobras naquela hora no porto deixava o mar agitado e o cisney branco balançando loucamente e eu ficando verde no convés. Aí eu fiz o que qualquer pessoa normal faria: me dirigi pra saída. Veio um marinheiro de 4 metros de altura e 2 de largura e me agarrou pela cintura de modos que meus pezinhos deram passos no ar, enlouquecido, dizendo "cê tá lôca? só sai daqui quando o capitão autorizar!!!!".

Meu, então cê vai AGORA achar esse infeliz, porque eu não vou ficar aqui não.

Alguém acabou obrigando o marinheiro a ficar de meu babá e eu fiquei lá reclamando e quiseram me dar dramin, mas eu tenho alergia a dramin (se eu falasse que a reação consiste em desmaio quase instantâneo que perdura por umas 14 horas, aposto que teriam amassado e me dado na água) e ninguém tinha mais nada pra ajudar, de modos que o marinheiro teve a brilhante ideia de organizar o povo em grupos pra irem fazendo uma excursão pela belíssima embarcação, apenas pra garantir que eu ficasse distraída.


    
tá vendo esse pequeno negão no meio da foto? meu personal marinheiro.

Então a gente foi pra sala de jantar de festa, um negócio de muito bom gosto, com um carpete vermelho cabaré e móveis escuros, lustre estilo candelabro, uma finesse. Tudo com telas pra vídeo conferência, muito moderno, parecendo coisa de filme do James Bond, sabe? Aí sala de jogos, sala disso, sala daquilo, desce aqui esse lance de escada, vamo ali na cozinha.

Uma cozinha gigante, linda, tipo industrial, com a típica cena de pessoas descascando batata (sério) facas ginsu gigantescas, o tio lá cozinhando loucamente e alguém sugere entrar no freezer. Entramos e é engraçado, porque parece filme, um frio infernal lá dentro. O marinheiro gênio diz que a porta é tipo cofre e eles se divertem fechando ozotro lá dentro e eu tenho o trigésimo oitavo ataque de pânico desde que botei o pé no navio e tenho que ser carregada pra fora do freezer aos gritos, e o moço me acalmando "ó, tá vendo, tá aberto, calma, calma".

Em minha defesa, só posso dizer que aquele balanço todo afetou a minha meninge (q) e meu labirinto e eu fiquei assim com as travas comportamentais mais quebradas que o normal.

Continuamos o passeio, tudo era mesmo muito bonito e espaçoso, ainda mais se comparado com o lado de fora (TARDIS, alguém?) e eu não me dei conta que já estávamos no quinto lance de escadas, quando chegamos num corredor estreeeeeeito, com quinhentas e vinte mil portinhas, mais parecendo um cenário de pesadelo. Vinha a ser o andar dos quartos. Fomos andando pelo belíssimo carpete vermelho, até chegar no quarto do nosso personal marinheiro. Ele abriu a porta e disse pra gente entrar e olhar à vontade. Aí eu fui lá olhar na janela e, especialmente burra como eu estava aquele dia, perguntei se ficava assim sempre embaçado por causa da maresia. Ele riu. Eu apertei o zóio e vi alguma coisa voando. Fui olhar mais de perto e vi que a coisa estava NADANDO. Comecei a gritar tudo de novo, me arrastaram pro corredor, onde eu tentava, mas não conseguia explicar que estava MORRENDO DE MEDO DE MORRER AFOGADA, porque eu fiz as contas e entendi que estava cinco andares pra baixo do nível do mar, socorro, SOS, mandem a guarda costeira, ajuda, mayday, mayday.

O marinheiro, coitado, me pegou por baixo dos braços e saiu me arrastando escada acima, enquanto eu gritava por socorro e dizia que não conseguia respirar (tô sentindo uma vergonha tão grande ao lembrar disso, pelamor) e aí os grupinhos espalhados foram se juntando, porque eu tava chamando só um pouco de atenção e de repente tava todo mundo no convés e eu no chão ao gritos, tossindo, tendo ânsias de vômito, fazendo a afogada e pedindo pelo amor de deus pra alguém achar o capitão, porque eu PRECISAVA sair daquele navio. Mas o capitão estava ocupadíssimo fazendo sei lá o que e não podia parar sua importantíssima atividade pra ir salvar uma mocinha indefesa.

Depois do chilique semi finalizado, o marinheiro tentava me botar de pé e eu desmontava tipo aqueles burrinhos que tinha na casa das avós, que a gente apertava embaixo e ele desmontava, sabe? Eu tentava andar em linha reta e fazia uma parábola. Não tinha condição nenhuma de sobreviver naquele ambiente inóspito, quando o marinheiro teve a brilhante ideia de me catar no colo, me levar até a âncora e falar "abraça aí, fia". Eu abracei. "Fica quieta", e eu fiquei. E fiquei lá por infinitos minutos, até todo mundo acabar de visitar o navio, o comandante finalmente aparecer e dizer que podíamos sair.

Se você me perguntar como foi que eu saí do navio, eu te digo: tenho a mínima ideia. Alguém provavelmente me arrastou pra fora. Só sei que fiz o papa ao botar os pés na terra firme e beijei o chão. Do porto. Se foi porque eu quis ou porque eu caí de cara, jamais contarei.

Voltamos para o ônibus em silêncio, 8 pessoas me amparando pra que eu permanecesse em pé. Para a sorte dos envolvidos, voltei em situação total de destruição, de modos que não pude mais atentar contra a vida ou a face de mais ninguém. 

Chegando em Curitiba, descobri que ainda teria que voltar pra casa de ônibus, porque minha mãe achou que não tinha nenhuma necessidade de dirigir até o centro da cidade pra me buscar depois de um dia que eu só fiquei passeando HAHAHHAHAHA. 

E, o mais impressionante: um dos meninos, que até aquele dia nunca tinha me dito nem oi, quanto mais tratado bem, declarou amor eterno. Mesmo morando no quinto dos infernos, foi me acompanhando de busão até em casa, só pra eu não ir sozinha e garantir que eu não fosse vomitar HAHAHAHAHAAHAHAAHAHAHHAAHAHAHHAHA. Eu realmente não vomitei, mas só constatei a beleza em que eu me encontrava ao chegar em casa. Marrom de soja, descabelada por um hit combo soja + maresia + colo de marinheiro, com a cara verde igual de desenho, olheiras e ó, nem um urubu me acharia cheirosa.

Como a gente desperta amor assim, jamais saberei.

O importante é que eu entrei num navio brasileiro feat. caravela comemorativa e você não. Fui carregada por um marinheiro negão maravilhoso e você não. Arranjei um namorado demente e você não. Tô contando isso num blog em que qualquer leitor de língua portuguesa pode ler e você não.

Reflita.

Para minha própria sorte, em 2003 as pessoas não tinham smartphones ou câmeras fotográficas de boa qualidade ou até mesmo redes sociais (oremos), de modos que não há registros da minha cara de pateta dando chiliques de hora em hora tipo a telesena, ou 27 status de instagram com a legenda #abraçada #na #âncora #vergonha #bafão #alok #paranaguá #cisney #branco #negão #labirintite #kkkkk #chantagem #seferrou #x14 #agressiva #vergonha #incidentediplomatico #orgulhinhodopapai.

*****

Nunca mais cheguei perto de um porto na vida, nunca mais pisei num navio (nem numa balsa) na vida, mas marinheiro eu vejo toda vez que vou visitar meu pai no trabalho. Incrusive, se alguém puder mandar umas ondinhas pra São Paulo pra eu ter desculpa pra ser carregada por um deles quando estiver por lá, tô aceitando. Só que não.

terça-feira, 30 de julho de 2013

dois bicudos



heads up: não consigo organizar as ideias pra esse post.


Meus pais sempre fizeram questão que a educação musical dos filhos incluísse absolutamente tudo que fizesse barulho. E se você pensa que funk é ruim, experimenta até sua mãe aparecer com um cd de música tribal, simulando os sons desde o início da humanidade. Cê prefere escutar qualquer ~qualidade~ de batidão a sons aborígenes, vai por mim. Cê prefere escutar Michel Teló que orquestra de flautas doce. MEODEOSDOCÉU, um dia eu vou martelar aquele cd da orquestra de flauta doce até a fissão nuclear dos átomos daquela porcaria. (Mãe, se você tá lendo, cê já sabe do meu apreço por aquele cd.)

Mas assim, a coisa não podia ser feita com amor. Quanto pior o gênero musical, pior a hora de execução. De modos que quanto mais potencial pra ser odiada, mais provável de ser tocada na hora do despertar (como cêis sabe, minha hora favorita do dia). Nunca vou estar esquecendo a época da oitava série e o eterno Gian e Giovani (não me interessa como escreve o nome desses dois, ok?). E não bastava cd, disco. Minha mãe tinha que ligar na rádio e oferecer a música pra gente HAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHA.

Meu pai sempre foi muito roqueiro, do tipos que tem banda cos 38 irmãos (ô gente pra ter filho essa do passado), então a gente pôde escutar muito Pink Floyd, Deep Purple, Queen, Supertramp, Iron Maiden, Metallica, Guns'n'roses e tal. Mas a gente tinha uns vizinhos meio pentelhos, então, quando eles começavam a gritar rock pelo corredor, minha família combatia com Chitãozinho e Xororó, Leandro e Leonardo, Zezé e Luciano. VALEO AÊ GALERA ¬¬

Minha mãe começou tocar piano aos seis anos e tocou a vida toda, fez tudo que é tipo de conservatório, faculdade de música, canto e tal OUSSEJE. Também crescemos ouvindo Beethoven, Bach, Vivaldi, Haendel etc etc etc. Mas de vez em quando tacava um Bananarama na vitrola e vamo nessa, né?

Grazadeus ninguém na minha casa curtia muito Beatles e Chico Buarque, oremos. (Guardem suas preciosas opiniões pros seus espelho, não me interessa, brigada.)

*****

Também tivemos muitos momentos de MPB, mas era o que a gente menos ouvia. Lembro de ter me interessado mais por Marisa Monte, Caetano Veloso, Gilberto Gil já maiorzinha, tipo depois dos 15 anos e com força na época da faculdade, com uns 17. 

Nessa época longínqua da minha vida, quando Alexandre Nero ainda não era famoso e tocava musgas num bar podrão em Curitiba, eu me apaixonei pela sua belíssima voz ao som de Magamalabares e Um Índio. Depois de um tempo eu fiquei tão insuportável que ele sempre oferecia uma dessas cançãs para a minha pessoa, quando eu tava debruçada no camarote ♥♥♥♥♥♥

E, com a finalidade exclusiva de cantar todas as músicas com o Nero, eu cavoquei a internet atrás de todas as músicas de MPB que fossem compatíveis com os meus ouvidos, excluindo terminantemente chicos, gals, vanessas da mata e outros engodos do tipo.

Foi assim que eu e Ana Carolina ficamos amigas kkk.

Por mais que eu seja super a favor de músicas de dor de cotovelo, que me afunde em Brandi Carlile, Gabrielle Aplin, Russian Red, eu tenho um probleminha com música de corno ou de baixa auto estima, sabe?

Eu vou sair nessas horas de confusão
 Gritando seu nome entre os carros que vêm e vão
Quem sabe então assim 
Você repara em mim 

PFV, né, amiga? Vai reparar sim, vai chamar a polícia, vai te indicar o MADA, vai avisar os vizinhos pra tomar cuidado, vai pedir mandado de restrição. 

Mas sei lá, entre isso e Marisa Monte cantando sobre cérebro eletrônico, eu ainda prefiro isso. Acho que a gente acostuma.

(Eu tenho esse probleminha crítico mesmo quando eu gosto do artista. Eu tenho consciência de que é impossível gostar de todas as músicas e to diboa daquelas que são ruins.)

Então eu tava lá vivendo minha vida e apareceu um show da Ana Carolina na minha vida. Não lembro que ano foi isso por mais que eu tente, mas deve ter sido, sei lá, 2007. Lembro que o ingresso custava 60 dinheiros, 30 se a gente levasse uma lata de leite em pó. Lembro também que não sabia que tinha aquele bonito preconceito com cantoras de MPB e não tinha a menor ideia de que iria parar no meio da maior concentração de moças que gostam de moças do universo. Nem que meio mundo ia me julgar por ter ido sozinha. Ó MINHAS RUGA.

Cheguei cedo, fiquei perto do palco, que era baixo e tinha uma visão muito maravilhosa pros instrumentos. Eu estava esperando ansiosamente pela melhor música de todos os tempos (vale muito ouvir a versón ao vivo por causa de belos batuque que eu vi ao vivo111!!!1!!), mas sabia cantar absolutamente todas as músicas. Uma coisa assim muito bonita.

Aí apareceu uma pessoa louca na minha vida que se apossou das musgas da Ana [/íntima] (cêis sabe como é, né? quando alguém se apossa de uma coisa que você gosta e aí você é obrigado a detestar a coisa até expurgar o indivíduo da sua vida? tipo o que aconteceu entre mim e o twix, apenas que eu nunca mais vou poder comer twix na vida?) e eu fiquei de mal e deletei tudo do meu computador e nunca mais ouvi.

Mas meu HD morreu e eu resolvi baixar músicas que me fazem feliz e eu fui num show do Cauby ♥ (e aqui eu devo avisar que li que ele ia cantar retalhos de cetim e não sei por que raios meu cérebro ficou com retrato em branco e preto na cabeça E NÃO ME INTERESSA QUEM ESCREVEU SE NÃO SABE CANTAR) e eu baixei Ana Carolina tudo de novo.

Só que fiquei nas musgas antigas, nunca mais baixei nada novo e tava vivendo normalmente.

Até que alguém ligou o rádio do meu carro (coisa que eu NUNCA faço) e eu escutei que Ana Carolina estaria estando fazendo um show em Curitiba.

Será que vô? Será que num vô? Será que é na PQP? (é) Será que custará milhões? (sim)

Desencanei.

Tava deprimida por assuntos não relacionados, gastando dinheiros que não tenho, pintando unhas com cores que não gosto, toca meu celular.

- Cê gosta de Ana Carolina?

Meu, a falta de carboidrato na vida da pessoa é um assunto sério, porque eu só conseguia pensar em docinhos ocos cheio de recheio doce e ruim.

- Ana Carolina, sua anta, a cantora.

AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

- É que eu ganhei um ingresso extra pro show amanhã, cê qué?

OPA, vô querê!

De modos que no dia seguinte, tava eu linda, loira e japonesa na entrada do teatro que fica pra lá do raio que o parta, esperando pra ver o show da minha querida cantora brasileira favorita. Com uma diferencinha: num sabia música nenhuma.

*****

Quem me deu o ingresso não conhecia o teatro e disse que ficaríamos na fila 39. O teatro é gigante e a fila 39 é na pqp, então nem levei máquina fotográfica, fiquei apenas empolgada em ouvir as cantorias de uma pessoa que não desafina ao vivo - não tem como não amar.

Acontece que a gente ia ficar na CADEIRA 39, na fileira 6. Tipo assim, na cara da dona Ana, cê tá entendendo? Quase morri de catapora com a proximidade que não era suficiente pra essa porcaria de câmera de iphone. Mas não tem problema, porque eu tava vendo ela linda e maravilhosa e perfeita debaixo daquela luz horrível (tem que nascer muito incrível pra ficar bonita nessa luz) e ouvindo e ai ai.

E eu, que sempre tive um problema em me entender com a definição da palavra catarse, tive uma ali mêmo.

Aliás, esse teatro é o campeão. Ali eu vi a linda palestra maravilhosíssima com seu Ariano Suassuna que mudou minha vida, sabe?

Sou muito sortuda. Tenho os melhores amigos do mundo pra me darem um presente desses, viu? Eu e Ana estamos de bem agora.

Mas ó, se você num curte as MPB, recomendo que vasculhe a imensidão do repertório e ache alguma coisa compatível com seus belos ouvidos. Não desista porque um fanho overrated estraga tudo que escreve (heh). Não precisa nem ser Ana Carolina, sabe? Tem tanta música boa aí pra você ouvir e apreciar um pouco da cultura nacional. E ó que eu sou tudo menos xiita da cultura nacional. Só acho que é válido fechar o zóinho e cantar entendendo a letra, a menos que seja Djavan ou Pato Fu HAHHAHAHAHAHAHAHAHAHA.

*****

Gente, já fui em tanto show maravilhoso na minha vida. Tipo, Paulinho da Viola, não tem como resistir. SINTA ESSA CANÇÃO. Ao vivo ele também não desafina, é muito amor. Recomendo também Alexandre Nero, a canção mais triste do cancioneiro brasileiro, também tem essa, muito maravilhosa (também já fui a um show do seu Arnaldão), mas quem não estiver pronto pra esse desafino artístico todo, tem com uma moça e mesma musga. E obviamente esta e esta, né? Sem esquecer a segunda musga mais triste do cancioneiro brasileiro e tal. E, POR FAVOR, me poLpem de clarizzzzz falcão, loser manos, as vanessa tudo (NÃO HÁ UMA VANESSA AFINADA NESSE MUNDO, GARANTO) e seus amores fanáticos por pessoas que tão enriquecendo independentemente dos seus amores e dos meus desgostos.

Tamo entendido?

quinta-feira, 18 de julho de 2013

vamo falar de coisa boa,

vamos falar sobre mim. RISOS.




Vamos voltar a um tema recorrente: sônia.

Sônia, da minha definição, excesso de sono, antônimo de insônia, e não uma pessoa qualquer que pode até mesmo ter uma profissão exótica, como médica de áreas remotas do corpo humano, cujo nome da especialidade não vou dizer pra não correr o risco de o google me indexar na busca pelo nome da minha mais nova amiga. Q

Enquanto 87% da população mundial sofre pra pegar no sono, sente cansaço e não consegue dormir, perde o sono facilmente, posta no facebook às 4:39 da madrugs perguntando onde o sono foi parar (e eu sempre me pergunto que raios essa gente tá fazendo no computador ou celular se deveria estar dormindo), eu tenho problemas em permanecer acordada. Eu consigo dormir a qualquer hora, em qualquer lugar, em qualquer condição. Exemplo: eu posso ir dormir às 10 da noite, ininterruptamente até 9:30 da manhã, acordar, fazer um pipi, comer duas bisnaguinhas, escovar os dentes, ligar a tv no disney channel e estar confortavelmente dormindo de novo cinco minutos depois, até uma da tarde, quando acordarei com sono.

Tem gente que acorda parecendo o nyan cat, eu acordo mais nas vibe mumm-ra mesmo, independente da hora em que isso aconteça.

De modos que eu faço qualquer coisa que me garanta cinco minutos a mais de sono, porque eles são extremamente importantes para a manutenção da minha sanidade mental e para a segurança do mundo - ainda que apenas do que me cerca.

Por exemplo, eu vou trabalhar de carro, mesmo estando a apenas oito quadras do ambiente de trabalho. 

*****

Minha família acreditou por muito tempo que meu defeitinho era apenas má vontade de fazer as vontades dos outros. Neste último fim de semana, minha mãe teve a oportunidade de relembrar que não, eu sou incapaz de acordar cedo, mesmo.que.eu.planeje.

Eu sou a loca da loja de departamento, todos sabe. Aí a CyA lança coleção assinada, quem vou correndo ver? Pois é. Aí tava eu lá na quinta feira bem tranquila enchendo os braço de cabide, dos quais eu levaria provavelmente apenas uma peça de roupa (o padrão), provei um vestido, achei maizomenos, não levei. Minha mãe, por sua vez, comprou 345 vestidos, um deles o que eu gostei. Um número menor. Provei em casa, surtei, quis um pra mim. A missão: levantar sábado até 9h da madrugada, para efeitos de estar no xópem até umas 10:15, para evitar a) araras zoneadas e muita coisa no provador e b) gente. Reflitam que eu planejava estar pronta a jato, com o intervalo de uma hora entre o despertar e o comparecer em público (nunca acontece). 

Obviamente, não aconteceu.

Acordei 10h, super bem humorada só que não, cheguei quase 11h no shopping (fui descabelada e sem café da manhã), só tinha o vestido dois números menor que o meu, o sistema de cartão da C&A caiu e eu obviamente não tinha milhões de reais na bolsa. Mas o vestido dois números menor SERVIU LINDO e eu tive obrigação de comprar. Fui sair do shopping e o que acontece? Sim, meu carro desiste de viver. Sábado fucking à tarde. Estragar em horário comercial não pode, tem que ser quando não tem oficina aberta, que é pra dar o toque de cocô na vida da pessoa.

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Chorei todas as lágrimas que não chorei ou evitava chorar, enquanto dirigia pra casa esperando pelo milagre de chegar lá inteira. Cheguei. O carro ligava de novo? Não. 

Expectativa: trabalhar a semana toda sem carro.

- Mas, Vanessammmmm, por que raios você anda uma distância tão pequena de carro, sua destruidora de pandas, sugadora de oxigênio, gastadora de carbono?

Porque pra andar, leva meia hora. Se você acha que meia hora é pouco, é porque você não tem sônia. Eu.não.consigo.acordar.nem.cinco.minutos.mais.cedo, MAGINA se é possível acordar meia hora antes. NÃO.É.

- Então porque você não vai de ônibus, sua bruxa?

Porque são apenas 3 pontos entre minha casa e o trabalho e eu tenho vergonha, porque a linha que faz esse trajeto é uma linha utilizada quase que totalmente por vovós e elas fazem isso e eu sempre ri da cara delas FUÉN.

- Mas, sério, não dá pra ir andando?

Daria, viu? SE

1 - eu não tivesse um pequeno problema de temperatura interna desregulada, que faz com que eu sinta os maiores calores nas menores temperaturas, tendo que obrigatoriamente tomar outro banho e domar outros cabelos na eventualidade de andar por meia hora. Eu não quero trabalhar o dia inteiro com cara de doida, ok?

2 - eu fosse pro trabalho e voltasse do trabalho.

Nunca.Acontece.

Eu vou pro trabalho, vou pra academia, vou pro mercado, compro ração, busco alguém no ponto de ônibus, levo sei lá o que sei lá pra quem, passo num sei onde, dou a volta ao mundo em 180 minutos e volto pra casa. TO.DO.DI.A. 

Eu moro-trabalho-estudo-vivo num bairro bem abastado desta linda metrópole com cara de roça. Mas não daqueles bairros com prédios high-tech, cheio das ostentação e beleza. Um bairro tipo subúrbio americano, cheio dos casarão com famílias de dois filhos e três cachorros e velhinhos com 37 netos, sabe? De modos que a gente consegue a façanha de ser assaltada às cincoevinte da tarde, né? Cê vai andar à pé sozinha por aí? Eu não vou.

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Mas meu carro quebrou e fuén, se vira aí.

O plano no primeiro dia era acordar uns 15 minutos mais cedo, que era pra não correr o risco de perder o busão.

HAHAHAHAHAHAHAAHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Acordei milagrosamente na hora de sempre, me arrumei correndo, saí descabelada e mais mal humorada que o normal por motivos de café da manhã apressado. 

Cheguei no ponto e vi o ônibus vindo na direção contrária, o que significa que ele ainda está indo pro freaking.ponto.final, ou seja: mais uns 20 minutos de espera e eu só tinha 10 pra chegar no trabalho na hora. Cê chegou na hora? Eu não. E andar de carro ainda te deixa imbecil, porque cê joga lá o casaco, uma sombrinha, a mala da academia, o tênis, sua vó e tal, e acaba tendo tudo que precisa. Pois eu saí de casa sem casaco, sem cachecol, com uma mala de academia pesando 200kg e morri de frio e de peso em menos de meia hora.

Passei apenas um pouco de vergonha depois de mais ou menos 1 minuto e 36 segundos, quando meu ponto finalmente chegou e eu desci. Só não fui vaiada pelo ônibus inteiro porque curitibanos, né?

Aí saí do trabalho correndo pra dar tempo de chegar na academia andando. Quiqui eu vejo na rua? Dois retardado de capuz na cabeça, bem nas vibe bandido (tô traumatizada, me deixa). Quiqui eu faço? Dou uma volta de 14 quarteirões correndo - seriam 4 pra chegar na academia - e chego já exercitada, quase desisto. Obviamente alguém tem que ir me buscar depois das 3 horas que eu passo enfiada lá, porque minha mãe me proibiu terminantemente de ir andando pra casa às 8 da noite. Se eu não morasse com a minha mãe, também teria me proibido. Se você acha ridículo a mãe de alguém de 32 anos proibindo alguma coisa, você lê este blog há tempo de menos.

No segundo dia o plano era ir de bicicleta. Aí eu lembrei que tinha que passar numa loja que não tem estacionamento de bicicleta, poste, nada na frente e eu não teria onde ~estacionar~. Então vamo andando, né? Coloquei os SEIS despertadores usuais (sério) pra meia hora mais cedo cada um, vamo acreditar, né?

Hora que eu deveria acordar 7:15.

Hora que eu acordei: 8:26.

AHHAAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHA

Saí descabelada de novo (o bom é que mesmo quando eu me penteio eu não obtenho sucesso, então as pessoas não sabem a diferença), sem comer, sem pegar tudo o que eu precisaria, peguei o ônibus (que chegou na hora nesse dia, ó que glória) e fui trabalhar. Saí mais cedo e fui levar o bendito carro no mecânico, porque eu não tinha mais estrutura emocional pra esse horror.

Claro que só ia ficar pronto no dia seguinte, de modos que eu teria que trabalhar sem carro ainda mais uma manhã.

Sem bicicleta também, porque num ia ter como levar pra casa.

Andando eu já sabia que não ia dar.

Então estava lá eu, pelo terceiro dia seguido, no ponto de ônibus, com uma blusa, um casaco, uma jaqueta, um cachecol, uma bolsa gigante, penteada, maquiada, alimentada, acordada e de posse de um exemplar de "a culpa é das estrelas", 8:50 da manhã.

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Só posso agradecer ao meu automóvel por ter quebrado apenas 3 peças facilmente trocáveis, minha mãe, meu pai, toda minha família e a xuxa por hoje, depois de ter ido dormir às 23h e acordado às 8h, ter pegado meu próprio carro consertado e com barulhinho de ferrari (i wish) para vir trabalhar linda e alimentada e de posse de todas as coisas que precisarei para chegar até o fim do dia, nessa cidade que tem o termostato que muda de geleira da sibéria pra lava vulcânica duas vezes no dia, de 12 em 12 horas.

São 15:30 e eu só caí com a cara na mesa de tanto sono duas vezes. 

Oremos.

(Vamos ver quem vai ser o  primeiro que vai reclamar do sofrimento da classe média.) 

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Doctor Who Experience



Eu sei que estou levando um ano (literalmente) pra contar dessa viagem, mas dá licença que eu tô vivendo dessas memórias e sofrendo porque não vou voltar neste ano? Brigada.

Bom, um aviso importante sobre este post: se você não tem nenhuma familiaridade com o universo de Doctor Who, ele pode realmente não te interessar.

No caso de DW estar entre seus interesses, devo avisar que vai ter spoilers. Porque teve gente que se recusou a ouvir sobre isso pra não saber o que vai acontecer quando for a uma hipotética DWE, sendo que a) nunca se sabe se vai existir uma próxima e b) elas raramente são iguais à anterior. Mas cada um com suas maluquices.

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Primeiro eu acho que devo dizer que achei que a localização da DWE fosse um pouco mais óbvia. Mas, na verdade, Cardiff parecia ter muito mais amor por Torchwood. Na primeira noite que fui até Cardiff Bay, eu vi as plaquinhas que indicavam pra que lado a DWE ficava, mas tanto pela placa quanto pelo mapa, eu achei que era só descer do trem no sentido do Millennium Centre, passar por trás do prédio e tcharam. Só.que.não.

Dei vinte voltas no Millennium Centre, fui parar num centro de exposições que tava promovendo a festa de uma rádio. No próprio Centre ninguém sabia exatamente onde estava o que eu estava procurando (ou meu inglês tava falhando ou nego era meio lentinho, porque não tem muito erro em "where's the doctor who experience?", né?

Eu ainda tinha uma hora pra achar o lugar e Cardiff não é exatamente uma cidade gigante, então fui andando pela baía, acreditando no amor, na sorte e na minha impressionante capacidade de localização no hemisfério norte (tive a confirmação de que nasci no hemisfério errado), mantendo sempre a direção da placa inicial. Uns 20 minutos depois, achei o lugar, meio afastado, mas nada que um morador local nunca deva ter visto.

Chegando lá, a coisa do horário dos ingressos era bem mais flexível do que parecia, especialmente de manhã, já que eles davam preferência pra que crianças entrassem juntas, sem adultos. No meu horário eram umas 30 crianças e a moça me perguntou se eu podia esperar. MAS É CLARO. Eu quis acreditar que não seria a única tia véia ali hahahah. E não fui. 10:30h tava cheio de bocó da minha faixa etária, esperando na fila ansiosamente.

No hall, objetos da River Song, pedaços de Daleks, paredes cobertas pela palavra exterminate. Encontrei a gift shop e me segurei pra não começar a comprar tralha antes mesmo de ter a experience. Voltei quietinha pro meu lugar na fila.










Assim que a gente entrava, tinha um aviso de que durante a experiência não era possível filmar ou fotografar. O que eu acho muito legal, senão ninguém aproveitaria nada. Então ficamos todos num espaço como se fosse uma sala, todos em pé, na frente de um telão. Eu tenho um problema sério com telas de projeção, porque se elas não forem impecavelmente lisas e brancas eu perco o foco e em 5 minutos de filme eu já estava contrariadíssima com um risco bem no meio da exibição. Mas eu estava focadíssima em entender o que o amado Doctor me dizia (na emoção, no som abafado e sem legenda, eu tava com medo de me sentir analfabeta), então levei um tempinho pra perceber que aquilo era.a.fenda.do.tempo. ahahahhahahahaha.

Então tá lá o Doctor explicando que uma catástrofe aconteceu e ele perdeu o controle da TARDIS e nós fomos inexplicavelmente parar ali, de modos que se a gente podia ver aquela mensagem, é porque a fenda estava perto de se abrir E NUM É QUE A PAREDE ABRIU BEM NA FENDA? Felizmente eu não conhecia ninguém e pude ter um chilique bem ridículo nesse momento, porque só estando lá pra entender a vibe de tudo ficando escuro, a luz saindo do meio da fenda e aquele trem abrindo.

Quando a fenda abre, a gente tá numa sala meio zoneada, parece uma biblioteca e MEODEOS, Donna Noble has been saved, Donna Noble has left the library, é lá memo que a gente tá!!!11!1!

Devido à demora pra contar sobre esse evento, algumas coisas estão definitivamente confusas na minha cabeça agora. Mas eu lembro de a gente tendo que procurar coisas pela biblioteca, de barulhos, de uma tela com a imagem do Doctor passando instruções, até que a gente ouve uma explosão, a imagem do Doctor desaparece e só sobra a voz dele mandando correr. A gente corre e fica de cara com a TARDIS, que se materializa na sua frente. Sério, o efeito é sen.sa.cio.nal. Com barulhinho e tudo.

Aqui eu tenho uma pequena dúvida na ordem dos eventos, mas eu vou contar como eu acho que foi e whatever.

Aí corre todo mundo pra dentro da TARDIS e dá vontade de chorar, porque é a sala de comando do 10th e você acha muito que é a Rose enquanto sobe a rampinha de acesso. Aí todo mundo se posiciona em volta da mesa de controle e o Doctor reaparece numa tela na TARDIS e diz o que cada um deve fazer e quando. EU TIVE QUE PUXAR UMA ALAVANCA, TÁ ENTENDENDO? EU VOEI A TARDIS. Eu ouvi o barulhinho dos freio tudo puxado, eu ouvi a materialização, EU VI A MATERIALIZAÇÃO, cê tá entendendo?

Agora que vem a parte que eu tava em dúvida. Não lembro se os Daleks vêm antes ou depois de a gente estabilizar a TARDIS. Só sei que de repente a gente tá encurralado no meio de uma sala, com os fiduma ronquifuça apontando pras nossas cara, berrando ex-tah-mi-na-te e você quase borra as calça, porque é tudo muito real. Tinha criança lá em pânico hahahhahaha.

Mas aí o Doctor recupera o comando da TARDIS e salva todo mundo, tira a gente dali e deixa na mais perfeita segurança na Terra, em Cardiff, numa manhã que não é de domingo, porque domingos são boring.

Parece meio bobo contando assim (é mêmo?), mas não é tão rápido nem tão simples, nem bobo. É sensacional. Dá vontade de chorar e de ficar pra sempre e de achar a TARDIS e ir ver outros planetas.

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Bom, quando a gente sai, sai numa espécie de exposição de dois andares. No começo, tem várias TARDIS, o 11th, alguns vilões, algumas coisas originais guardadas, tipo as sonic screwdrivers, bengalas, objetos em geral dos 11 Doctors. E tem um manequim com todos os figurinos principais e um painel com explicações. Aí tem a sala de comando da TARDIS do 10th, PERFEITA, e um telão que mostra a cena da regeneração em looping e a gente pode chorar na frente dela sem ser julgado. Do lado, mais duas versões da sala de comando: a do primeiro Doctor e aquela que a Idris mesma faz. Uma mais linda que a outra.







cêis tão entendendo que sou eu na TARDIS? do 10th? com colar de TARDIS? METATARDIS?

















post its em gallifreyan ♥





Dá pra sentir o foco da pessoa andando pelo ambiente pela ordem das fotos. Deixei assim pra dar a mesma emoção hahaha.

Você pode andar por ali o tempo que quiser e eu confesso que enrolei horrores, porque achei que era só o que tinha. Aí eu subi as escadas e dei de cara com:

a cara de Boe ♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥

Não tinha como não amar. Tinha mais zilhões de coisas pra ver no andar de cima, também, pelo tempo que você quisesse. Fiquei lá milhões de anos.

Tinha a evolução dos Cybermen. Aquele primeiro outfit zoadíssimo, aqueles mais engraçados dos anos 80, os assustadores de hoje em dia. Todos. Mó pavor daquele zóinho que parece que tem uma lágrima. 

Um monte de lindíssimos Silence, oi quiqui eu tô falano mesmo? Hihihi


o.berço.de.melody.pond.



dalek colorido

walk like a cyberman







pior.personagem.do.pior.episódio.ever.

melhor ET ♥♥♥♥♥

de nada

Dei duas voltas nesse andar, tirei milhões de fotos que provavelmente só têm graça pra mim e saí, com muita dor no coração.

Fui direto pra lujinha, pra me acalmar gastando. Quero nem lembrar quantas libras mais pobre eu fiquei e quanto tempo levei pensando "isso eu não acho nunca mais, isso eu posso importar, isso eu nem queria tanto" e por aí vai. Ainda não tirei foto de tudo que comprei, mas o lego de vanishing TARDIS tá entre as coisas favoritas de todos os tempos.

No caminho de volta pra Mermaid Quay eu tive tempo de ficar admirando a TARDIS encalhada na baía.






Depois de o melhor passeio da vida estar feito, o resto do tempo era só pra aproveitar Cardiff. Se eu soubesse o quanto aquele lugar era lindo, teria ficado 20 dias lá.

Nos próximos episódios: uma ode a Cardiff e a viagem sem fim.

FALTAM.APENAS.DOIS.CAPÍTULOS.

Vocês aguentam, eu sei.