sexta-feira, 7 de novembro de 2014

vendo a morte, do verbo olhar



Ontem eu me vi presa no trânsito, num horário que raramente tem carros naquela rua. Lembrei que estavam pintando ciclofaixas naquela região e aceitei pela causa maior. De repente, quando eu cheguei no cruzamento onde achei que veria uma linda faixa vermelha, tinha um monte de cavalete, lixo, cadeira, uma barreira de tralha, que não apenas fechava a rua, mas direcionava o fluxo dos carros pro meio da favela. Essa favela fica no caminho da minha casa em praticamente qualquer lugar que eu esteja, então eu descobri umas 97 formas de não passar por dentro dela, obrigando inclusive taxistas a fazerem o mesmo. Ou seja: eu não conhecia o interior do local, com exceção de duas ruas que minha mãe insiste em passar, mesmo comigo berrando NÃÃÃÃÃO dentro do carro. De modos que um pânico tomou conta de mim e pensei "ferrô" e comecei a tremelicar. Mas olhei nos meus olhos pelo retrovisor e gritei VIRA HOME e usei todos meus neurônios pra tentar botar ordem nas ruas e achar o rumo de casa. O milagre aconteceu, eu achei o caminho, aí lembrei de uma história que tem o maior potencial pra ser engraçada, mas pra ter todo o impacto necessário, eu preciso contar detalhes que

a) expõem pessoas;
b) revelam o quanto eu sou horrível.

Eu imagino que nenhum dos envolvidos leia isso aqui hoje em dia, massss, caso leia, lembre-se de que não disse nomes e vocês só serão reconhecidos por meia dúzia de pessoas.

*****

Eu tenho um problema de vibe. Eu mando as vibe errada pras pessoas. Eu tô vivendo lá, tranquilinha, vem um amigo e fala, DO NADA, "fulana se declarou pra mim, mas eu disse que não tô interessado porque a gente tem aqui esse lance mal resolvido e eu achei que seria injusto com ela". E eu o.O. Tipo que nunca nem notei que a gente tinha um lance, tava aqui achando que era amizade e o amigo #chatiadíssimo que brinquei com os sentimentos dele. Sério, acontece DEMAIS. Hoje em dia eu saio falando que não sou afim de ninguém, nunca, pra pessoa não ficar aí entendendo errado e me culpando.

Então nessa época estava acontecendo uma coisa importante que ninguém sabia.

Era uma amizade colorida que eu tinha com um amigo de uns anos já. Ou seja, eu achei que ele me conhecia o suficiente pra levar o negócio suavemente. E a gente decidiu que pra funcionar, seria secreto. Nenhum dos dois queria a sociedade cobrando da gente o que a gente não se cobrava. Mas nego começou a reclamar dos meus amigos, numa onda de namoradinho. Perguntei se queria mudar o status do relacionamento (não que eu fosse dizer sim) e aí ele começou a me acusar de grudenta. DECIDE AÍ, NÉ?

Mas tava tudo bem no relacionamento numa semana específica (milagre) e a gente saiu num grupo de 8 amigos em comum. Entre eles, um amigo meio perturbado, mas muito gente boa, que geralmente dava carona pra todo mundo até o bar e raramente ficava lá. Nesse dia ficou. O saldo era: duas pessoas com carro e seis pessoas necessitantes de carona. Eu e meu peguetchy concluímos que o casal que tinha carro carregaria 3 pessoas, o amigo perturbado seguiria pra sua casa, fora do caminho de todo mundo e a gente iria embora de táxi, dizendo que rolaria uma divisão porque a casa dele era no caminho da minha. Parecia um plano excelente, mas fuén.

O casal que tinha carro resolveu levar as 3 pessoas sim. Mas uma delas morava no mesmo prédio que meu peguetchy, então eles acharam super lógico que ele fosse no carro junto. Seis pessoas num carro já é meio desconfortável, mas pense que eram 3 gordos e 2 girafas entre eles, então ficava um pouco ridículo. Enquanto isso, diziam que o amigo perturbadinho me levaria em casa e eu dizendo que não precisava não, que isso, que eu ia de táxi, até dividiria com alguém do carro lotado, quem sabe uma das girafa e etc, meia hora de discussão, o BANANA com quem eu me relacionava se enfiou no carro com as outras cinco pessoas e eu fiquei sem graça de dar um fora no que me levaria pra casa e fiquei 23 quadras em silêncio dentro do carro dele, mandando hate messages pro meu peguete burro.

O motorista do meu carro então quebra o silêncio. Diz que eu não preciso ficar constrangida, mas não vai rolar.

- q

- eu sei porque insistiram em enfiar seis num carro.

- ah, sabe?

- queriam te deixar sozinha comigo. Querem juntar a gente.

- NÃO QUEREM NÃO.

- fica tranquila que não vou ficar estranho com você, mas não rola mesmo.

E assim eu levei um fora não requisitado.

Escrevi a história pro peguete burro com muitos caps lock, escrevi pra todo mundo que se enfiou no outro carro, fiquei MUITO BRAVA e prometi que nunca mais pegaria carona na vida. Não cumpri e fuén.

*****

Aí sei lá que erro que deu na matrix e o amiguinho do fora não requisitado descobriu que me amava e fazia muita questão de deixar isso claro e eu não entendia mesmo. Meu peguete banana reclamava, mas não fazia o favor de ir lá conversar com ele, só ficava reclamando comigo, que tava na minha. Tava muito difícil minha vida e mandei todo mundo pastar, viajei por um período semi longo e desapareci.

Postei no twitpic (história nova) uma foto do lugar onde eu tava, peguete banana veio puxando conversa, pedindo uma chance, eu tava bem sem critério, falei que a gente conversava quando eu voltasse.

No dia que eu voltei, ele me mandou uma mensagem dizendo que estava de plantão, mas me encontraria ~no lugar de sempre~ até umas 21h. No lugar de sempre estavam um milhão de pessoas conhecidas, como sempre. Mas tinha um moço novo, que eu não conhecia, mas que parecia gente boa. Fiquei ali fazendo hora e peguete banana dando reports de atraso sem fim. A temperatura foi caindo, foi começando a chover e eu bem feliz considerando ir pra casa dormir sob as cobertas e ele pedindo pra eu não desistir pelamordedels e pra ir pro bar que todo mundo fosse, onde ele me encontraria, sem falta, até 1h da madrugs.

Na hora de dividir os bocó por carros, quem tava lá com vaga sobrando? Isso mesmo, o do fora não requisitado. Mal ele falou que tinha 4 lugares no carro, o cara novo falou "eu também tenho". Antes de ele terminar a frase, eu respondi VOU COM VOCÊêêEêê. Veja bem, eu queria desesperadamente fugir de outro fora, só isso que me motivou. No fim das contas, eram 4 motoristas e 4 caronistas, de modos que eu pensei UFA.

Chegando no bar, tudo muito bom, tudo muito frio, eu já querendo mandar tudo pra pqp e ir pra casa ficar seca e quente, peguete banana avisa que tá chegando. Só que depois de um tempo, ele raramente aparecia nos lugares onde eu estava, porque era realmente burro e achava que isso era ~dar bandeira~. Azar dele, né? Mas nesse dia todo mundo ficou chocado com o fato de ele SER VISTO e, ó que mongolice, saber ONDE a gente tava. Falei que eu que mandei mensagem convidando e ele ficou muito apavorado e fez o que? Isso mesmo, saiu berrando "ééééé, porque eu tô solteiro e hoje vim pra pegar alguéééém!!11".

AH ÉÉÉÉÉ? Então muito boa sorte, porque eu tô indo pra casa.

Achei que o zóio dele ia cair da cara quando peguei o telefone e comecei a ligar pro táxi. O ~cara novo~, com quem eu tinha ido até lá, falou "tô indo embora e vou levar a fulana pra casa, quer carona?". Com o olhar de pavor do peguete burro piorando, aceitei. A fulana em questão vivia dizendo pra todo mundo que morava cinco quadras pra frente da minha casa, pensei que era meu dia de sorte e fui.

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHHA ninguém mandou ser burra.

Entramos no carro e a fia falando que não lembrava o nome da própria rua. Falei pro motorista ir no caminho da minha casa, que de lá ela se achava. HAHAHAHAHAHAHA.

Eu sou muito tapada, meu povo. Eu não percebi o golpe. Não percebi nem quando ele falou "nããão, a gente leva ela primeiro". Já fiquei chati, porque se eu aceito o bonde da carona é só se vou ser deixada em casa primeiro, mas era gente nova, eu queria fugir do banana, acabei caindo numa armadilha. Quase pedi pra me largar em qualquer posto de gasolina pra que eu pegasse o táxi com que tava sonhando há horas, mas achei rude.

Então a gente foi indo meio sem rumo, a menina indicando o caminho, eu pensando "uéééé, mas isso não tem nada a ver com a minha casa" e consegui ainda ficar surpresíssima quando a gente foi parar na região metropolitana.

- MAS, FIA, ISSO AQUI NEM CURITIBA É MAIS....................

- É, e eu não sei como chega na minha casa.

CÊ.JU.RA.

A fia lembrou o endereço, colocamos no GPS e fomos seguindo, ninguém sabendo onde tava. Eu achando tudo muito horrível e considerando se não era melhor ter sucumbido ao banana, se não era melhor ter desmaterializado, ligado pra minha mãe, qualquer coisa. Fomos andando e seguindo as orientações do GPS e não chegava nunca e eu querendo morrer de catapora e nada e, cara, cê não acredita. O negócio mandou a gente virar numa rua que mal tinha iluminação e eu falando "não pode ser não pode ser não pode ser". Pois a gente entrou na rua, que era sem saída, onde estava acontecendo uma batida policial NERVOSA, porque era o meio de uma favelona. A gente num carro preto, com vidro escuro, uma e meia da madrugs, carrinho de preibói no meio da favela, gente, cêis tão entendendo? Quando eu vi que a rua era sem saída, comecei a rezar imediatamente. Mandei o dono do carro abrir o vidro, dar meia volta e ir andando bem devagarzinho. 

Nesse momento, os puliça tinham mandado os meninos que tavam revistando embora e tinha apenas 3 metralhadoras visíveis apontando na nossa direção. Não imagino quanta gente escondida deveria ter. Não quero saber. Eu, a essa altura, já estava com as mãos ao alto. O policial fez sinal pra gente parar, enquanto eu GRITAVA NO CARRO pra parar. Uma lanterna cegante foi posicionada a 10 centímetros da minha cara, juntamente com o bico da metralhadora. Eu não enxergava NADA.

- moço, boa noite. A gente é de Curitiba e veio dar carona pra essa menina que tá sentada aqui atrás. O nome dela é tal, a rua dela é essa, o GPS, se o senhor puder olhar ali no painel, mandou fazer esse caminho, sem dizer que a rua era sem saída. Eu não conheço esta cidade, nem meu amigo que está ali dirigindo, se o senhor puder fazer o favor de indicar o caminho, eu ficaria bastante grata.

Só Deus sabe como foi que eu lembrei inclusive o nome da rua da menina e fui capaz de falar tanta coisa sem chorar ou engasgar. Acho que a gente só tem noção do tamanho da coragem quando tá com uma arma apontada pro meio do nariz, né?

Com a lanterna e arma ainda na minha cara, ele apenas respondeu que a gente tava bem fora de curso.

- a gente tá perdido mesmo, a menina não sabe o caminho de casa.

Nesse momento, lembrei que a infeliz era menor de idade e temi mais ainda pela minha vida. Sem desviar lanternas e armas, ainda notei outro policial atrás de um poste, mirando em mim. Nunca tremi tanto na vida. Então ele começou a explicar o que a gente teria que fazer pra achar o caminho, eu muito atenta, agradeci, desejei boa noite, bom trabalho, pedi desculpa por ser burra e a gente foi saindo, eu com as mãos levantadas ainda, achei que nunca mais abaixaria.

Quando saímos da rua, eu comecei a gritar com todo mundo. COMO ALGUÉM NÃO SABE ONDE MORA??? COMO ALGUÉM OFERECE CARONA SEM SABER PRA ONDE TÁ INDO??? COMO VOCÊ ME DIZ QUE MORA NO FIM DA MINHA RUA???

Sério, eu entrei em modo insano, não conseguia parar de falar, de gritar, de tremer. Até eu olhar no retrovisor e ver uma viatura seguindo a gente. CARA, A VIATURA TÁ SEGUINDO A GENTE PRA VER SE NÃO TAMO MESMO INDO COMPRAR DROGA, EU VOU MATAR VOCÊS DOIS, CARA, ACHO BOM VOCÊS TEREM PRESTADO ATENÇÃO NO CAMINHO, VOCÊS SABEM QUANDO EU VOLTO AQUI NA MINHA VIDA? NUNCA MAIS, NUNCA MAAAAAAAAIS. Etc.

Paramos na frente da casa da menina. A viatura parou atrás. Tinha outra na rua transversal. As duas apagadas o tempo todo, sirenes e luzes pra direção. A fia entrou em casa, trancou o portão e fomos saindo, as duas viaturas ainda apagadas seguindo. Foram até o limite da cidade seguindo a gente e eu em silêncio, apavorada. Cruzamos a ponte que marcava a volta pra Curitiba e as viaturas abriram igual em filme, sabe? Cada uma foi pra um lado e a gente seguiu em direção à minha casa.

Eu respirei com a sensação que tinha ficado uma hora segurando o ar. Fiquei MUITO BRAVA MESMO, porque, gente, como explicar em casa que rolou uma metralhadorinha na cara? Uma visitinha no interior de uma favela perigosa? 

E tudo isso por que? Isso mesmo. Porque láááá no começo, quando eu me ofereci pra entrar no carro desse moço no começo da história, ele achou que eu tava querendo muito ele. Quando eu aceitei a carona, ele achou que NOSSA, eu tava querendo muito ele. E me deixar por último seria uma excelente estratégia pra eu colocar o querer ele em prática.

Minha vida não é fácil não.


*****

Pois eu namorei os dois, o cara da metralhadora e o peguete banana naquele ano. Com o peguete banana, inclusive, passei ainda mais de um ano, porque gente burra tem mais é que se lascar mesmo. Do peguete banana não quero ver nem a cor, mas o da metralhadora ainda é muito meu amigo até os dias de hoje (vai entender o que acontece na mente em momentos de tensão compartilhados, né?).

*****

Fiz todo mundo ficar quieto sobre essa história, pra não ter que ficar de castigo aos 30 anos e tudo ia muito bem, até o dia em que eu tava contando sei lá que história pra minha mãe e ela dando chilique porque alguma coisa séria tinha acontecido e eu soltei bem inteligente "ah, mãe, isso não é nada pra quem já ficou na mira de duas metralhadoras, uma delas bem no narizinho".

HAHAHAAHAHAHAHAHAHAHA (não).

FUÉN.


domingo, 2 de novembro de 2014

a-a-a-a-a-a-a-a....



Quero avisar antes de começar esse post que não tenho intenção nenhuma de ofender etnias e culturas, eu não sei se isso vai acontecer, mas se acontecer DESCULPA. É só uma das histórias da minha família que de vez em quando eu lembro e tenho um ataque de riso e é muito imbecil e eu nem sei porque vou contar.

Parte I

Eu não su.por.to. gente que diz saúde quando alguém espirra. Acho uma falta de educação sem fim (neste momento já me preparo psicologicamente para os comentários dizendo "eu desejo saúde porque WHATEVS" e gente, fica à vontade, apenas evite fazer comigo). E, bom, não preciso dizer que espirro é um mal que me acomete diariamente, às vezes 837 vezes no mesmo dia. PENSA NUM PESADELO. Não basta a morte lenta e horrível de espirrar, tem que aguentar um avulso desejando saúde. Nossa, mas fez uma diferença aqui, tô saudável, cabô. 

AH VÁ.

Uma vez eu tive um estagiário inútil na minha vida, com um extreme sotaque de Curitiba - daqueles que curitibanos acham que não existe e não curitibanos e não moradores não conseguem imaginar - mas eu espirrava e vinha um sa ÚÚÚ dEEEE que me estraçalhava o coração. Se eu espirrasse novecentas vezes, ele repetiria novecentas vezes. Inconveniente dos infernos.

Eu nunca sei como proceder. Quero fingir que a pessoa não existe, mas ela tá achando que tá sendo super amorosa, aí eu tenho que responder, aí minha vó dizia que eu tinha que dizer "amém", porque eu tava desejando saúde de volta pra pessoa (nem ligo), mas já levei voadora por motivos de "não sou religioso", MEU, VAI CAGAR ENTÃO, ME DEIXA, MILARGA. Aí aqui nesta área do país as pessoas agradecem e eu não compreendo porque tô agradecendo o que exatamente? A pessoa ser mal educada? Não posso reforçar positivamente coisas que me irritam. Aí eu dou tela azul e a pessoa acha que a mal educada SOU EU e ó, não é fácio.

Mas nada supera o acontecimento da infância.

Parte II

Minha família sempre teve os próprios memes. Obviamente nunca chamamos assim, mas a gente sempre teve linguagem própria e brincadeiras repetidas exaustivamente até perderem a graça. Por alguma razão, que eu juro que já tentei descobrir e nunca consegui, toda vez que alguém espirrava, alguém gritava "chiba, bode!!!". Mas grito mesmo. Era alguém espirrar e se ouvia esse belíssimo coro.


Parte III

Cidade pequena é um horror. As pessoas se casam entre si e aí todo mundo é família de todo mundo e você só lembra com muito esforço que aquelas pessoas que você chama de tia são, na verdade, tias do seu tio, que por sua vez só é seu tio porque casou com a sua tia, então as tias do começo são, como direi, NADA SUAS.

Essas tias em questã eram aquelas típicas tias de história: várias véia que nunca se casaram e ainda moravam com sua mãe de 108 anos, tendo apenas UM irmão, esse sim, reprodutor, donde veio a continuidade da família. No fim das contas, as tia eram tia de todo mundo no universo. Tudo trabalhadas na pose, davam aula de etiqueta e de português e viviam nessa pose chaaata de falar tudo cor-re-ta-men-te e de colocar os pulsos na beira da mesa e chamar a atenção de desavisados falando TRUCE em vez de trouxe ou de bocós com cotovelinhos do lado do prato. Que educação é essa que te permite encher o saco dos outros, muitas vezes no conforto dos seus próprios lares, não sei. Mas as véia que eram os baluartes da finesse, quem sou eu pra contestar?


Parte IV

Eu devia ter uns oito anos, devia ser meu aniversário ou natal, eu estava na casa da minha vó, tendo uma festa chatíssima, contendo apenas véios e as tia (véia), ganhei um sem fim de lenços, sabonete e presentes reciclados, tava animadona, quando uma das tias resolveu... espirrar. Tia das etiqueta espirra e o que baby Vanessa faz? Isso mesmo, berra com toda a força do seu pulmão

CHIBA, BODE!!!!!!111111111

Agora você me pergunta o que aconteceu e eu te digo: eu levei a maior bronca da história. Até eu entender o que eu tinha feito de errado, era 2025 e eu não posso escutar uma pessoa interagindo com gentes espirrantes.

E eu só lembrei dessa história porque tava esses dias estrebuchando no quintal, lá pelo 87º espirro, só escutei minha mãe berrando de dentro de casa, adivinha o que.

Minha cara inteira entupiu imediatamente com o tanto que eu chorei de rir. O bom foi que eu parei de espirrar.



















tchim.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

mãe de quatro filhos

Eu cresci em apartamento, morei neles até os 12 anos. Assim que minha família se mudou pra uma casa, minha mãe achou que tinha chegado a hora de introduzir bichinhos na nossa vida, o que muito me causou pânico, porque eu sempre tive pavor de qualquer coisa do reino animal. Tenho mais de mil histórias pra contar, mas sempre lembram do dia em que subi na cama da mãe do meu amigo de tênis e tudo e comecei a sapatear, porque o cachorro dele escapou do quarto. Não lembro a raça, mas nada muito maior que poodle. Tem também o dia que eu me joguei de uma janela de pavor de uma pincher de uns 10 anos. Sim, eu literalmente me joguei da janela. Felizmente era uma janela baixa e eu só torci o tornozelo, mas eu tinha PA-VOR de bichos. A gente teve um caso bem mal sucedido sobre o qual eu não vou falar e aí, lá por novembro de 1993, chegava em casa a Kitty.



Foi a única época da minha vida que eu dormi de porta fechada. Ela queria deitar na minha cama, queria deitar em cima de mim, fazer ronrom, dar aquela amassadinha (tem gente que chama de massaginha) e eu tinha muito, mas muuuuuito medo. Então eu vivia de porta fechada, assistia tv em pé, de medo de ela vir no meu colo, fazia de tudo pra ficar longe. Atéééé o dia em que ela sumiu. A gente não tinha NENHUMA noção de adoção responsável, a casa vivia aberta e a gente não se incomodava se ela fosse passear. Aí ela sumiu e eu passei a tarde sentada no chão da sala chorando loucamente. Saímos pra procurar, nada. Reviramos a casa e nada. Achamos a fiadamãe umas horas depois, deitada no bujão de gás, enroladinha, dormindo com os anjos. Fazia um mês mais ou menos que ela estava em casa e foi aí que eu descobri que era amor. Eu virei a louca dos gatos. O lugar dela era oficialmente amontoada em mim e foi assim pelos 18 anos que ela viveu. A gente se mudou de casa quatro vezes antes de eu conseguir convencer minha família que lugar de gato é DENTRO de casa, 100% do tempo, SEM exceção. Ela devia estar com 8 anos a última vez que "sumiu", indo passear na chaminé do vizinho. Dali pra frente acabou. Telamos a casa toda, substituímos grades por portas de vidro, colocamos plantinhas pra dentro e assim foi. A única vez que ela saiu de casa depois disso, foi quando arrombaram minha casa durante a noite enquanto a gente dormia (sim) e ela ficou sentadinha na frente da porta até eu acordar e ir guardar. Quase morri do coração. 

A gente acha que ela só não viveu até os vinte ou mais por causa daqueles 8 anos de vida bandida. Foram muitos perrengues antes do lar seguro, não gosto de lembrar, de contar, de nada. Mas hoje em dia isso não acontece mais.

*****

Kitty devia estar com uns dois anos quando chegou o Holly.


Holly foi o único da ninhada que nasceu sem a presença do veterinário certificado e ficou sem pedigree. Quando a gente foi comprar um cachorro (eu sei, gente, mas isso era o meio dos anos 90 e eu tinha 14 anos), nem ofereceram o Holly. Mas ele veio correndo meio mongolóids até a gente, um cachorro de dois meses, mas imenso e desengonçado. O moço se referiu a ele como meio bobalhão e eu olhei pra minha mãe e falei "É ESSE". Foi quase de graça, porque era grande, bobo, desengonçado e sem pedigree. MELHOR CACHORRO, só digo isso. Holly salvou minha vida LITERALMENTE pelo menos duas vezes. Ele ficou imenso, não tinha nenhuma pessoa que chegasse na minha casa e não se assustasse. 

Minha maior tristeza é saber que esses dois morreram antes de conhecer a casa onde a gente mora hoje, que seria um lugar muito feliz pra eles. Masss, eu tenho certeza que a gente deu pra eles a melhor vida que podíamos e os dois morreram de velhos, de um dia pro outro, sem sofrer. Graças a eles, eu posso conviver com qualquer animal no mundo sem medo - já enfiei a mão em casa com pitbulls, pra passar a mão. Eu sou a louca dos gatos e dos cachorros, agora. E foi só por causa da presença dos dois em casa que eu consegui sobreviver à alergia de cachorros e gatos, por incrível que pareça. Se eu vivesse sem eles quando a alergia apareceu, seria muito mais difícil amenizar os efeitos dela.

*****

Os dias de hoje

Eu tentei gravar um vídeo, mas MEU DEUS como minha voz é fanha. Eu não me aguento falando, não sei como os outros conseguem. De modos que vai rolar um monte de foto mesmo.

O Holly tinha morrido havia pouco tempo quando entraram na minha casa e a Kitty morreu um pouco depois. Mas como era impossível continuar em paz naquela casa, minha mãe se mudou pra onde moramos hoje. Levou com ela primeiro o Joca. Depois, quando viu que era o único jeito de tirar o resto de nós da outra casa, levou a Mimi.

Primeiro veio a Mimi.



Estava chovendo muito quando minha mãe saiu pra trabalhar. Viu uma bolinha cinza rolando na enxurrada. Era a Mimizinha que vinha ali, bebê, e minha mãe não conseguiu ignorar. Era pra deixar em casa só pra se secar e arranjar alguém pra adotar, mas a gente não conseguiu achar ninguém que se comprometesse com janelas teladas, adoção responsável e tudo mais. Na última tentativa desistimos, demos nome e aceitamos pra sempre. Levou um tempinho pra Kitty aceitar que tinha que dividir a casa e as caminhas, mas acabou cedendo. Choro aqui um pouquinho de ter perdido as poucas fotos que tinha das duas dormindo juntas, porque era MUITO raro. Nunca fizeram bolinho de gato, mas não se estranhavam. Pra gente, tava ótimo.

Quando chegou o Joca, 



o Holly já tinha morrido. Minha mãe, pra variar, saindo pra trabalhar, viu uma coisa rolando debaixo do ônibus (viva). A gente imagina que ele tinha dias de vida, porque era MUITO pequenininho e quase não tinha pelo ainda. Minha mãe ainda tentou uns dois dias procurar o dono que pudesse ter perdido o auau, mas a gente não quis cometer o mesmo erro que cometeu com a Mimi. Demos nome, botamos roupinha, aceitamos na família. Pra sorte dele e nosso desespero, Joca tem um problema bem sério na coluna. Se não tivesse sido resgatado, não andaria. Nas primeiras vezes que levamos no hospital, mandaram que a gente se informasse sobre cadeirinha de rodas. Entre outras coisas, mudar de uma casa com escada (a do arrombamento) pra uma casa sem escadas mudou a vida dele. Raramente tem crises e hoje corre pra cima e pra baixo, sem medo de ser feliz. Ainda precisa de cuidados especiais, vitaminas, só pode tomar banho em casa, não vai no colo, tem ajudinhas pra subir e descer de lugares, mas leva uma vida feliz e saudável.

Pra vida deles ser tranquila e feliz, minha casa atual tem tela nas janelas frontais, no portão interno frontal e grades presas em mãos francesas nos muros internos. À prova de gatinhos e cachorrinhos. Então eles podem passear o tempo todo, inclusive sozinhos, no quintal interno. Tem sol, grama, terra, árvore, flor, pássaro, borboleta, tudo que distrai os pequenininhos. É a melhor coisa ver bichinhos que viviam guardados como em apartamento (porque a casa anterior era LACRADA) e hoje em dia podem deitar na grama e tomar um solzinho.

Ou seja: minha casa é térrea e tem tela na janela. Parece ridículo? Pode ser. Aqui ninguém se importa. A tela da mão francesa era horrível e hoje em dia estamos colocando trepadeiras e tá ficando tudo mais bonito. Mesmo que ficasse feio, pela segurança dos bichinhos, vale tudo.

Além disso, temos esquemas familiares pra minimizar o tempo que eles passam sozinhos em casa, viajamos em revezamento, pra que sempre tenha alguém com eles em casa. Se engana quem pensa que é só por causa do cachorro: gatos simplesmente NÃO COMEM sem os donos em casa. As minhas não comiam. Não bebiam água, ficam totalmente baixo astral. 

Então tem esse outro lado também, o lado que dá trabalho. Sabe quando uma mãe de bebê fala "acabei de trocar, fez cocô"? Pois é. Acabei de limpar o chão, os dois vomitam. Troco a roupa de cama, vomitam na cama. Troco móveis de lugar, tem xixi de cachorro. Passo a tarde fora de casa, a gata derruba alguma coisa quebrável do lugar. Tá calor e um quer dormir no seu pescoço e outro nas suas costas. Os dois querem a mesma caminha ao mesmo tempo. Os dois querem brincar de pega-pega 3 horas da manhã. Os dois se apavoram com fogos de artifício. Os dois lambem o iogurte que você deixou em cima da mesa. Assim vai. Fazem zona, brigam com as crianças que vêm em casa, enchem o saco da visita, estragam coisas... Igual filho. A diferença é que passam 10 anos e eles ainda não vão saber dizer onde dói e não vão aprender que a cama amarela é de um e a cinza é do outro. E você vai querer botar todo mundo de castigo e vai querer morrer de rir nos mesmos cinco minutos. E é a melhor coisa que existe. Principalmente quando você chega em casa arrasada, sofrida e tem lá duas criaturas olhando pra você como se fosse a melhor coisa do mundo você estar ali.














A maior preocupação que esses bonitinhos têm hoje em dia é escolher onde dormir. Cada cômodo da casa tem uma caminha ou uma poltrona com cobertinhas pra eles escolherem. Também podem dormir nas camas com as pessoas ou no quintal, no solzinho. O sonho da minha vida é ter um lugar bem grande, onde eu possa encher de cachorro e gato. Na verdade, o sonho mesmo é bem mais complexo, tem todo um plano, mas todo mundo que escuta me enche o saco o resto da vida falando que não vai dar certo, então eu guardo pra mim. Porque I HAVE A DREAM que um dia todo animalzinho vai ter uma casa e uma família amorosa.

Porque eu não tenho dúvidas: eles são anjinhos que caem na nossa vida.



““Esta blogagem coletiva faz parte do projeto Abraçando Patinhas, uma iniciativa do Rotaroots em parceria com a marca de ração Max – da fabricante Total Alimentos (http://www.maxtotalalimentos.com.br/). Esta iniciativa reverterá na doação de 1 tonelada de ração para a ABEAC (http://www.abeac.org.br/), ONG responsável pelo bem estar de cerca de 1100 cães. Saiba mais sobre o projeto no site do Abraçando Patinhas (http://rotaroots.blog.br/abracandopatinhas/) ou participando do grupo do Rotaroots no Facebook (https://www.facebook.com/groups/rotarootsblogs/).”

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

10 abafo

I know, I get cold
'Cause I can't leave things well alone
Understand I'm accident prone

parece cara de bunda, mas é somente reação alérgica

De todas as reações alérgicas que eu tenho - que não são poucas - a que eu tenho com menor frequência é lacrime... jação? Lacrimejamento, houaiss me salvou, brigada. Só quando a coisa tá muito ruim mesmo é que meu olho chora sozinho. Pois é primavera? É. Eu estava em São Paulo, melhorando a ~olhos vistos~? Tava. Sempre piora quando saio de lá e volto pra Curitiba? Sim. Estou no meio de uma crise e não tenho a mais vaga ideia de onde estão meus antialérgicos e estou tomando mel com própolis e água de goji berry? Exatamente. Mas minha crise não está ruim o suficiente pra lagriminhas involuntárias. Inclusive estou respirando pelo nariz neste momento, de modos que não faz sentido nenhum.

Aí eu tava tentando lhedar com isso de forma racional, quando lembrei da minha pissy e da minha tia (já explico minha tia) falando que se não tem uma razão lógica pra essas pequenas manifestações, é o desequilíbrio psicológico descontando no corpinho. Então eu fui me perguntar se tinha alguma razão pra, sei lá, meu olho estar irritado há dias, vertendo lágrima como se não houvesse seca em mais da metade do país.

Super tinha.

Eu vi uma coisa que não queria ver e que eu não tenho poder de resolver. Se eu ficar quieta, me sinto conivente. Se eu falar, estrago umas 23 vidas. E aí?

Meu cérebro opera de uma forma que eu não consigo explicar. Meu ouvido não escuta quase nunca, né? Mas se tem alguma coisa que eu não posso ouvir, mesmo que a pessoa fale muito baixo, eu vou escutar. Eu consigo me fechar dentro do meu cérebro com a maior facilidade, mas se alguém tentar fazer uma coisa sem que eu perceba, disfarçando de propósito, todos os meus alarmes mentais vão disparar e eu vou notar. Por exemplo: eu não gosto de dormir fechada. Tem razões meio sérias pra isso, mas eu não fecho porta e janela ao mesmo tempo JAMAIS. Se fechar um, o outro necessariamente estará aberto, mas 98% dos dias eu vou dormir de porta E janela abertas. Se alguém achar que vai fazer barulho e me acordar, a pessoa vai até meu quarto fechar a porta e não leva nem 2 segundos pra eu despertar completamente. Não é uma acordadinha, que eu viro pro lado e durmo. É estado de alerta. Ou eu abro a porta de novo e durmo com o barulho, ou acabou o sono e o bom humor. Tem avisos pra todo lado pra ninguém fechar minha porta em nenhuma hipótese e minha janela fica debaixo de uma marquise grande, de modos que eu possa ficar com ela aberta mesmo que chova. Não controlo essas coisas, por mais que eu tente. Nunca tive uma festa surpresa na vida, porque não há nada que as pessoas façam fora de um padrão que eu consiga ignorar. Sério. Eu vejo padrões em tudo, nego saiu dele, eu já tô com os sentidos todos APITANDO.

E eu tava bem quieta, vivendo minha vida, em modo livro aberto, como sempre tô. As pessoas sempre sabem onde eu estou, o que eu tô fazendo, com quem eu tenho falado, essas coisas. É bem simples me evitar. E nego vai lá bem debaixo da minha fuça fazer merda. Tenho culpa? Eu tava bem feliz olhando o horizonte, decidindo o que comer no almoço, e PÁ, um trauma bem no meio da minha cara.

Sério, que karma errado é esse que eu tô equilibrando? Quanto será que falta pra acabar?

***** 

Eu sei que pode parecer auto promoção, mas eu não sei mentir. O que é muito ruim quando alguém te pergunta se a roupa tá boa, se o bebê é bonito, se você gostou da comida. NÃO CONSIGO MENTIR. Se eu tento, meu corpo inteiro entrega (não vou aqui dizer de que formas, caso você ainda não saiba heh). 

Mas agora eu tô descobrindo que não sei omitir também. PELO AMOR DE DEUS, Alguém acode? O problema nem é meu e eu tô aqui morrendo de catapora porque ninguém faz nada.

Sei lá a razão, mas isso me lembrou uma história muito imbecil, que vou contar aqui pra descontrair meu próprio cérebro.

Eu sempre tenho a morte horrível de fazer parte de grupos grandes demais, em que todo mundo é amigo de todo mundo e sempre leva algum avulso irritante pra fazer parte, as pessoas aceitam e o grupo aumenta, enche de gente chata e você acaba tendo que socializar com pessoas de que nem gosta pelo bem da amizade com aquelas que você gosta.

E tava eu lá, aguentando umas 50 pessoas pelo benefício de umas 5 (já parei com isso). 

Entre essas pessoas, tinha uma menina muito mal caráter, que resolveu piriguetear (tava no direito), com o probleminha de não respeitar ninguém, nem as amigas. Se pendurava nos pescoços dos meninos comprometidos sem dó, inclusive daqueles que não podiam estar menos interessados. Nunca vi alguém levando tanto fora e insistindo tanto. A menina era incansável e alguém insuportável de se ter por perto. Eu, que já não me relacionava amorosamente naqueles tempos, não tinha exatamente preocupação pelo comportamento sem noção, não gostava dela enquanto cerumano mesmo.

Um dia, um dos meus melhores amigos estava no banco da praça (sério) sozinho. Eu tava andando meio sem rumo pela rua, morrendo de sono, passei ali pra dar um oi, fiquei batendo um papinho. Tava naquele ritmo de encerrar a conversa e ir embora, quando a menina-motosserra apareceu e sentou ali. Sendo meu amigo namorado da minha melhor amiga, fiquei lá pra garantir sua integridade física. Ele era esses meninos de Jah, meio desligadíssimo, pensei que seria atacado e nem perceberia. Sei lá, eu não era feminista naquele tempo pra deixar que a vida seguisse seu curso em vez de ficar defendendo homem de mulher.

Meia hora depois eu ainda estava lá, caindo de sono, ouvindo a conversa CHATA daquela menina, que a essa altura, era a única que ainda falava. Pensei "dane-se, né?". Minha amiga que tinha saber o namorado que tinha, ele que tinha que se dar ao respeito, eu que não ia mais gastar meu tempo lá. Disse que ia embora e a menina acabou dizendo que ia também, ele falou que ia aproveitar a carona dela, já que estavam indo pro mesmo prédio. E foi apenas nesse momento que eu me lembrei de uma informação valiosíssima: eles eram irmãos.

Fuén.

*****

Ah é, minha tia. Ela é fisioterapeuta há anos, mas é muito pequenininha e com o passar dos anos começou a sofrer fisicamente com o peso das pessoas, já que quase todo mundo no mundo é maior que ela. Começou a procurar alternativas de tratamento e passou a estudar medicina oriental, especialmente acupuntura. Eu amo acupuntura desde a primeira agulhada que levei na vida, então fiquei bem empolgada. Recentemente ela passou algum tempo na China aprimorando as técnicas e voltou cheia de teorias novas. Conhecendo minha saúde de perto, semana passada tivemos uma conversa bem interessante, sobre como algumas coisas influenciam meu organismo, desde o que eu penso até a época do ano em que eu nasci. Quem já foi tratado na medicina oriental sabe como funciona. Eu nasci no inverno, por exemplo. Então meu elemento é água e meu corpo está sujeito a problemas no rim e no ouvido. Eu vou precisar de introspecção e frio. E terei problemas com a ingestão de laticínios. Num é de chorar de pavor? Aí tinha outras coisas que são aquelas que explicam POR QUE tudo isso permanece ruim e desequilibrado, coisas pessoais e etc, de modos que deu muito pavor pensar que tô aqui me maltratando e nem percebendo. Estou mesmo me boicotando, mas não só de forma psicológica, de forma física também. Existe mesmo uma razão pra meu me sentir tão desesperada na presença do calor e de pessoas, por exemplo. Sei lá, tudo teria uma explicação.

Seria ótimo se eu pudesse contar pra ela a fase horrível que eu estou passando.

Enquanto isso, fico aqui procurando um acupunturista de confiança, que atenda fora do horário comercial e me explique coisas que estou aqui lendo nas internets de forma desordenada.

Esperando pacientemente que meu cérebro desligue desses horrores que eu não queria ver, mas não tenho escolha.


All alone
It was always there, you see
And even on my own
It was always standing next to me

I can see it coming from the edge of the room
Creeping in the streetlight
Holding my hand in the pale gloom
Can you see it coming now?

Oh, I think I'm breaking down again
Oh, I think I'm breaking down



quarta-feira, 15 de outubro de 2014

distribuindo energia elétrica só que não

vista privilegiada de dentro do meu quintal


Eu sigo alguns blogs de estrangeiros que moram no Brasil, de preferência que morem na mesma cidade que eu, porque eu gosto de saber a percepção dessas pessoas sobre o lugar, numa forma de dar valor pra esse cocô que a gente vive de vez em quando. Sei lá, acredito muito na grama mais verde do vizinho.

Li outro dia uma pessoa falando justamente de Curitiba, a alegria de viver num lugar que vai na contramão da evolução, tacando poste pra tudo que é lado, quando deveria mesmo estar enterrando a fiação. Cê vê, eu trabalho num campus super moderno, que não tem UM FIO pendurado e é do governo. 

Bom, então assim. Eu moro num bairro residencial, cheio de véio, de casinha, bem com aquelas cara de subúrbio americano, com o adicional de grades e cercas e elétricas. Quiqui a rede de distribuição de energia achou conveniente? Isso mesmo, fazer uma subestação aqui no meio. Não tem padaria no meio do bairro. Não tem farol. Não tem NADA ALÉM DE CASA E MATO. Aí me enfiam uma construção alaranjada (cor mais horrível do mundo), bem na frente da minha casa, horrível, atrapalhando o já prejudicado visual. 

No começo tava só feio. Até o dia que começaram a cavocar a rua toda, maior zona na calçada da minha casa e um grande mistério que viria a ser: super postes. Cê já viu um super poste ao vivo, meu amigo? Precisa dumas três pessoas pra abraçar a base dessa porcaria e vai até o infinito do céu de altura. Com um buraco no chão correspondente pra manter isso aí em pé.

Só que era muito intrigante, porque se a estação está na rua de cima, POR QUE RAIOS OS POSTES ESTÃO NA MINHA RUA? Jamais saberemos. É claro que todas as pessoas do mundo desta rua ligaram pra fazer essa pergunta e claro que mandaram a gente ir falar com o batman.

Beleza, botaram os postes aí num dia (mentira, levou mil dias). Depois começaram a aparecer aquelas argolinhas. Depois outra coisa, outra, outra. Até o dia que foram colocar os fios. E, como nada nessa vida é simples, pra colocar os benditos fios, precisava de desligamento programado de energia. POR.NOVE.HORAS.

Eu saio pro trabalho 10 minutos antes de chegar lá e precisava ir de carro naquele dia, mas a energia acabaria ANTES de eu sair de casa. De modos que tive que acordar meia hora mais cedo, fazer tudo correndo, botar o carro pra fora, terminar de fazer só o que fosse possível sem energia (nem beber água é possível, já que a água só sai das torneiras aqui com compressor), desligar as coisas das tomadas e etc. Um transtorno. Um pavor de acontecer alguma sobrecarga com meus bichinhos sozinhos em casa. Passei um dia super cocô, mas aceitei, que doía menos. 

O dia passou, minha geladeira teve sérios danos psicológicos no processo, mas o resto tava até que legal e funcionando. Passou uns 5 dias e... AVISO DE DESLIGAMENTO PROGRAMADO. Gente, queiso? De novo? Não, porque agora era por DEZ horas. 

Acorda mais cedo ainda, faz tudo mais correndo ainda, desliga disjuntor da casa principal, esquece casa anexa (mas pqp, nem moro lá, quem mora que devia ter amor pelos seus eletrodomestiquinhos), tira carro, acha chave do cadeado do portão de pedestre, chave do portão automático, sofre, entra em pânico, ora pra jesus permitir que eles acabem logo esse negócio.

Mas na outra semana vem outro aviso. E assim foi, quando lá pelo sexto, pegaram um dia que eu tinha folga no trabalho. """"""""Folga"""""""""". A greve tava comendo frouxa e um c e r t o  c a n d i d a t o a governador do Paraná foi me agredir na minha sala, de modos que fui ~aconselhada~ a não ir trabalhar no dia seguinte, porque podia, sei lá, morrer. ABAFA.

Bom, aí eu passei a manhã fora (não sabia que ficaria sem energias), vim pra casa bem tranquila, a energia tava lá ainda, botei a roupa pra lavar e... NÃO SAIU ÁGUA. Como na máquina de lavar não precisa compressor, eu já comecei a ficar neuvosar. Fui até o telefone pra ligar na companhia de água e... CABÔ ENERGIA. Meu telefone é Net, de modos que estava isolada o universo. Fuén.

Fiquei a tarde toda no sofá, lendo, ouvindo o trabalhador braçal pendurado no poste cantando música ruim e gritando por socorro depois de quatro horas que largaram ele lá. Será se tava de fralda? Será se fez xixi o poste abaixo? Prefiro não saber. 

Achei que o tormento tinha acabado. AHHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHHADHJHHAJDHFDJFKS. Na noite da sexta-feira daquela semana, cansada, esgotada, destruída e cheia de roupa pra lavar, desmarquei todos os compromissos do mundo e fui pra casa com dois objetivos: tacar a roupa na máquina e dormir nas duas horas que ela levaria pra completar o processo.

Entrei em casa, olhei o celular - que tinha 23% de bateria - comi uma bisnaguinha, tirei a calça jeans e pus o fio dental, fui indo pra lavanderia e ZUIIIOOOOOOOOOOOOOINNN cabou a energia com um barulho medonho. Dei um grito de horror, tipo NÃÃÃÃÃÃO e fui tentar ligar pra companhia FUÉN QUE NÃO FUNCIONA TELEFONE. Do celular custa uma fortuna e eu não tinha bateria suficiente pra espera, tava nojenta e não podia tomar banho, sem banho não dá pra dormir, nasceu uma crise de choro desesperado e etc etc etc. A energia ficou desligada por mais de CINCO FUCKING HORAS. Teve um momento em que o desespero se abateu, peguei meu cartão de débito e saí pelas ruas escuras com uma lanterna (cabô até energia pública) e fui no shopping à pé comprar uma pizza e voltei. Sério, que fase.

Depois disso, acreditamos que a companhia não teria mais a cara.de.pau. de cortar nossa energia até a eternidade. 01 ENGANO.

Levou umas quatro semanas. Eu estava de férias. Era um dia que eu tinha UM TRILHÃO de coisas pra fazer em casa. Faria muitas coisas a manhã toda, encerraria com a louça do almoço e passaria o resto da tarde vendo netflix. Tava lá bem tranquila vivendo, alguém veio e pregou o aviso de desligamento na geladeira. Juntamente com um comprimido de calmante, né? Porque eu dei um ataque histérico.

Passei os dias anteriores ao desligamento resolvendo tudo que fosse possível, carregando netbook (bateria de 10 horas FTW), fazendo downloads, cozinhando, aprendendo a usar o fogão sem acendedor automático, estocando água, essas coisas que qualquer pessoa sã faria. MASSSS, eu lembrei que meu cabelo não pode ser visto em público sem auxílio de energia elétrica e, cara, teria que acordar cedo. Sério, não tem como explicar o desespero. De modos que eu ainda teria MAIS HORAS pra apreciar a vida sem energia elétrica. Fiz um minuto a minuto. Foi lindo.

7:30 - acordei de ótimo humor só que de jeito nenhum. Fui até a janela e tive o desgosto de ver que os trabalhadores educadíssimos já estavam lá, de modos que não era pesadelo. (Mas era.)

7:40 - ~penteei~ o cabelo e considerei apenas voltar pra cama, mas lembrei que o cabelo desmancharia. Chorei.

8:00 - liguei a tv da cozinha e fui assistir Bom Dia Brasil apenas pra me estressar mais um pouquinho (Chico Pinheiro pls). Engatei na Ana Maria e fuén, perdi a hora.

8:40 - saí correndo pela casa, vendo se teria alguma coisa ainda pra fazer. Me perguntei se largava o carro pra dentro e ficava presa forever ou se colocava pra fora e deixava na rua (eu nunca paro na rua), mas percebi que não daria tempo de fazer nada que prestasse mesmo e saí desligando réguas e tomadas e tudo mais.

8:55 - Desliguei tudo, os disjuntores todos, tinha 5 minutos pra praguejar, fui pegar alguma coisa na lavanderia e lembrei que tinha os disjuntores de lá  da casa dos fundos também que... EU NÃO SABIA ONDE FICAVAM. Saí procurando, não sem antes desligar as coisa tudo, quando notei um computador ligado. Mandei desligar e tinha apenas 97 atualizações (de verdade, esse era o número). Eu chorando limão e orando pra dar tempo, com o dedinho no disjuntor restante, sabendo que seria culpada caso desse errado.

9:05 - o computador desligou e não levou 10 segundos até as luzes todas apagarem. Oremos.

9:15 - eu já não sabia o que fazer com o dia. Vou lavar roup... não. Vou ver televis... não. Vou passar aspirad... não. Vou cozinh... não. Vou ler. NÃO VAI NÃO, PORQUE TÁ NUBLADO E NÃO TEM LUZ ENTRANDO PELA CASA. MDDC, o que eu vou fazer com esse dia?????????

9:20 - dormi involuntariamente.

11:40 - acordei emburradíssima, lembrando que não carreguei o celular, que não tinha wifi e não funciona 4G, 3G, edge ou sinal de fumaça na minha casa.

11:50 - comecei a arrumar a casa inteira. Limpar mesas, varrer chão (tentativa de suicídio), arrumar armários, essas coisas normais.

13:00 - fui esquentar o almoço mais sem graça da galáxia e almoçar com muito boa vontade.

14:15 - tentei descobrir como abrir o portão de casa sem o uso de eletricidade e, por algum milagre, fui bem sucedida. Não tinha nenhuma razão pra sair de casa de carro, tranquei o portão de volta.

14:20 - reorganizei todo o meu quarto no mais profundo silêncio e sem ventilador.

15:30 - agonizando com o silêncio completo, liguei o netbook pra ouvir música. Mas lá não tem música porque o HD é pequeno e não dava pra usar spotify ou youtube. Também não tem entrada pra CD. Olha, parabéns.

15:50 - lembrei que tinha um the voice baixado e pensei "serve de música, né?". Coloquei o pen drive no netbook e os codecs estavam desatualizados. Pra atualizar, só com internet ARGHHHHHHHHH

16:00 - acabei a organização do quarto e não consegui achar mais nada útil pra fazer sem energia. A claridade inviabilizava leitura. Entrei em pânico.

16:20 - liguei pra minha irmã e perguntei se queria que buscasse no trabalho. Ela disse que sim. Eu levaria mais de meia hora pra chegar lá naquele horário, então tinha que correr. Odeio dirigir, odeio trânsito, odeio sair de casa sem necessidade, mas PELAMOR, dava pra ligar o ventilador e ouvir música.

16:25 - abri o portão eletrônico, tirei o carro, fechei o portão, travei o portão, tranquei a casa, religuei o disjuntor das lâmpadas e deixei algumas acesas, pra servir de sinal quando voltasse pra casa, saí pelo portão de pedestre, tranquei, entrei no carro e fui rumo ao trânsito.

17:01 - estacionei num supermercado e aproveitei pra comprar guloseimas pra acalmar meu corassaum tão sofrido. Chorei.

17:15 - minha irmã chegou e começamos o caminho de volta pra casa, que fiz lentamente.

17:35 - NUNCA FOI TÃO RÁPIDO VOLTAR PRA CASA DO CENTRO NESSE HORÁRIO, apenas pela sacanagem. Nenhuma luz acesa. Chuva. Saio do carro, entro pelo portão de pedestre, pego a chave do portão eletrônico, destravo, entro com o carro, travo, tranco o outro portão, choro.

17:36 - vejo o vizinho entrando normalmente em casa, usando o controle do portão. Não sei onde está o controle da minha vida.

17:38 - percebo que liguei o disjuntor errado e a energia já voltou sim. Tudo funciona normalmente, com exceção da geladeira e seu painel cheio de frescura. Entrego na mão dedels.

18:00 - tenho um colapso nervoso e começo a fazer ganache de chocolate branco enquanto assisto Boogie Oogie.

19:00 - minha mãe chega em casa e me vê enlouquecida, liga pra companhia de energia e diz que vai pedir não apenas o valor necessário pra arrumar a geladeira, mas também pra arrumar minha cabeça.

*****

Duas semanas se passaram e não tivemos novos cortes de energia.

Estou de férias. Indo pra São Paulo, onde não tem água. Apenas oro pra que no dia em que eu voltar, tenha energia e água suficiente pra eu tomar um banho de 15 minutos (o dobro do normal, tô ostentando).

Enquanto isso, minha psicóloga vai enriquecendo feliz.

Fiquem ligadinhos nos próximos capítulos, porque eu acho que na casa de vocês não falta tanta energia assim.

*chora*

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

drops: prendas domésticas


Deveria ser drops: manicure, mas estamos aqui eterna sem tempo pra viver.

Bom, vamos às dicas de véia do dia. E, deixa eu explicar, é tudo científico, mas vai parecer que eu tô falando que se beber leite e comer manga vai morrer, mas ACREDITEM, tenhão fé.

Xô explicar antes.

Eu sou uma pessoa desastrada. Isso é muito inconveniente, porque eu cozinho e lavo louça todo dia, de modos que estou sempre causando acidentes. Inclusive sair dirlizando no chão da cozinha, porque derrubei óleo e tentei limpar tacando água (true story) ou porque derrubei meio litro de água com detergente mesmo (semana passada). Eu mantenho um pote de remédio pra queimadura sempre à mão, sei como lhedar com isso rapidamente - quem nunca teve que ir pro aconselhamento religioso da faculdade porque queimou os dois pulso fazendo um simples arroz e foi denunciada como suicida?

Mas se tem uma ~ferramenta culinária~ que eu evito, essa ferramenta atende pelo nome de faca.

Pois é, eu sei que é difícil compreender, mas eu faço TUDO que é necessário fazer com aquelas facas comunzona que vende até no bacião do supermercado, compreende? É claro que isso gera acidentes mil, mas ainda tenho os dez dedos das mãos e dos pés. Se eu usasse faca de adulto, certeza que já teria cortado uns 4.

Semana passada eu fui muito corajosa de ir almoçar em casa sem almoço pronto. Mas graças às minhas habilidades com a panela de pressão HEH, eu consigo fazer uma refeiçãozinha meia boca muito rápido. Taquei arroz em uma, batata na outra, peguei uns queijinhos, ovo, essas coisas e tava indo tudo muito bem, até eu ir fatiar o tomate.

Eu como tomate todo dia, toda hora, amo tomate. De modos que não vem a ser assim uma grande novidade cortarlhos. Mas nessa dia, bom, sei lá qual foi o erro que deu no sistema.

PARÊNTESE.

Um dia eu tava na casa da minha vó e fui pegar gelos no freezer. Tanto na minha casa quanto na dela, rola aquela geladeira que tem forminhas giratórias (forminha com giratória) e você quebra o gelo numa gaveta e etc. Sabe? E pra tirar o gelo da gaveta, eu taco a mão na gaveta mesmo e  puxo, bem fina. Só que um dia algum gênio pegou um utensílio doméstico dos anos 70 - eu nunca mais vi disso na casa das pessoas do mundo moderno - e tacou na gaveta de gelo por alguma razão. Era um misturador de bebida, desses que vinham ornando com jarra de suco, cêis lembram? Umas jarras de vidro jateado que tinham um negócio que parecia um alfinete gigante, juro, com uma bola em uma extremidade e uma ponta na outra. Colocaram esse bendito alfinete de vidro na gaveta de gelo. Ele estourou (cê jura) e ninguém percebeu e eu enfiei a mão lá pra pegar um gelinho e empalei o dedo.

Dei um grito de horror, pensando MAS QUE ESTALACTITE ASSASSINA e esperando que derretesse de uma vez, mas o ~gelo pontudo~ permanecia enterrado no meu dedo, eu permanecia gritando e ninguém.ia.socorrer.

Depois de muito chilique, entrou alguém na cozinha e eu virei de costas pra geladeira, segurando o punho da mão ferida com a outra mão e sangue jorrando tipo lágrimas da Super Vicky e aí gritaram mais que eu e minha mãe e vó vieram correndo e eu gritando que uma estalactite estava tentando me matar, até que o gênio que colocou o vidro na gaveta confessou o crime e minha mãe arrancou a lasca da minha mão e minha vó veio - agora a parte chocante - com uma casca de alho e tacou no furo e ele imediatamente parou de sangrar. Não precisou dar ponto nem nada e eu não precisei de analgésicos, em menos de 10 minutos não doía mais nada, não fez cicatriz e praticamente não ficou dolorido. 

Obviamente fiquei em shock, porque eu sou muito contra simpatias, crendices e coisas de véia em geral e só aceitei a casca de alho porque tava sofrendo muito de dor e não reparei no movimento.

FIM DO PARÊNTESE.

Então eu tava lá cortando o tomate, a faca escorregou parabéns pra você e eu CHUINNN no dedo. Como eu sou uma fofa delicada, eu dei um grito que ecoou pela casa e minha mãe achou que eu tinha cortado o dedo inteiro mesmo e veio correndo e eu berrando AIMEUDEUS NÃO TENHO CORAGI DE OLHAR O ESTRAGO PORQUE TÁ DOENDO MUITO e sangue voando como lágrimas da Super Vicky (eu só sangro dramaticamente) e ela surge do nada com uma baita casca de alho e taca na minha mãozinha. Mas dessa vez o corte foi feio e fundo e a casquinha de alho não é capaz de estancar e eu continuo chorrrindo com medo de olhar. Minha mãe taca minha mão debaixo da água e troca a casquinha por outra nova, levanta minha mãozinha por sobre meu cabeção (isso é ordem da minha tia fisioterapeuta pra cortes nas mãos e braços) e, como mágica, cabô sangue, cabô dor, cabô tudo. Dava ainda pra enxergar o osso (mentira) de tão fundo, mas no dia seguinte já tava as carne colada, hoje já não tem mais casca e provavelmente não vai sobrar nem cicatriz, não precisa nem band-aid. Mas eu uso, porque tenho vários lindos :P

Minha dica pras madame é: cortou a mãozinha? Taca casquinha de alho. Os membros inteligentes da família dizem que tem anti-inflamatório e cicatrizante naquela película insuportável de soltar do alho. Mas tem que largar lá uns 10 minutinho pra colar o dedo de novo. E pode fazer sem medo, que o alho não gruda no corte (mágica) e não dói pra tirar depois. A foto lá em cima é de 2 minutos depois de tirar o alho e cêis nem queiram ver como estava esse dedo antes disso.

Sério, salva vidas.

(E pras linda que se queimam fritano ovo, nunca se esqueça: taca a mão sob a água gelada imediatamente depois da queimadura e veja sua pele se acalmando e, dependendo da profundidade do acidente, nem fazendo bolha.)

De nada.