quarta-feira, 17 de agosto de 2016

manic pixie dream girl

título alternativo: unlovable



(I'm feeling) unlovable, unlovable

Eu tinha uns 10 anos e era encantada por um menino unanimidade, sabe? Na minha casa a gente chama essas pessoas de Jade, por causa de uma novela (O Clone?) em que TODO MUNDO era apaixonado pela mesma pessoa - a Jade. B. era ~modelo infantil~, fazia propaganda do Tang, tinha os olhinhos verdes e longos cabelos loiros, do tipo que só os anos 90 poderiam proporcionar. B. nunca me deu bola. Um dia, eu soube pelo jornal que ele estava namorando uma das meninas do condomínio. O Estadão estava fazendo uma matéria sobre namoros precoces e reconheci a piscina no fundo da foto antes de me dar conta de que se tratava de B. beijando uma menina. Uns 8 anos depois, a gente tava sentado num banquinho conversando sobre a vida, quando ele me disse "você deveria ter insistido mais, tinha chance". Olhei com a maior cara de ÃHN???? da minha vida, mas ele logo completou "não tinha não".

Eu tinha uns 12 anos e só conseguia pensar em R., um menino que era baixinho, gordinho e com um monte de cabelo rebelde na cabeça. Todo mundo era apaixonada pelo S., o surfista loiro, alto e de cabelos compridos (anos 90, né?). Não que eu não tivesse minha cota de encantamento pelo S., mas depois de ouvir repetidas vezes a pessoa me chamando de horrorosinha, eu tinha que deixar pra lá. R. também não tinha nenhum interesse na minha pessoa, mas adorava se juntar com as amigas pra rir da minha cara. Uns 4 anos atrás, no meio de uma conversa, eu fui pedir desculpa pelo inconveniente. R. disse que adorava até as cartas coloridas que eu mandava.

Eu tinha uns 15 anos quando conheci F. na escola. Ele estava duas séries pra frente, então a gente só conversava em eventos e no intervalo da aula, mas ele me seguia aonde quer que eu fosse. Um dia, uma amiga e o namorado dela me convidaram pra sair e, quando eu cheguei, F. estava lá. Foi levado especialmente pra me ~entreter~. A gente achou divertido que combinávamos tanto que até nossos amigos que nunca tinham nos visto junto quiseram nos juntar. Um dia, num desses passeios, F. apareceu com uma menina que eu já conhecia - sem aviso prévio. Essa menina era uma péssima criatura, com quem minha mãe (e muitas outras mães) proibiu a amizade. Pois F. acabou assumindo o namoro com ELA. A menina era realmente uma criatura horrível e F. se lascou catastroficamente do tipo ir preso e tal (eu acho é pouco), mas o pior foi estragar um monte de amizade no caminho.

Eu tinha 16 quando conheci P.. Eu ouvia quase exclusivamente rock de véio - Deep Purple, Pink Floyd, Dire Straits, Eagles, Supertramp, Scorpions e por aí vai - e não apenas não conhecia ninguém que ouvisse essas bandas, mas também não conhecia ninguém que SOUBESSE que essas bandas existiam. Pois P. conhecia. E pegava o violão e tocava Hotel California pra mim, quantas vezes eu quisesse. A gente ria e se divertia e eu achava muito legal me relacionar com um cara que usava 16 brincos e calça rasgada, mas resgatava gatinhos em dias de inverno e escrevia letras românticas pra sua futura banda. Mas P. um dia apareceu também com uma namorada que ia na igreja e não podia sair de casa depois das oito da noite, porque esse é o tipo de menina que se namora, não aquela que vai no show de rock com você e sabe cantar a letra inteira de Living Wreck

Não foi muito tempo depois que eu conheci R.. Eu nem gostei dele, pois pedantíssimo. Porém fomos a um show do - se preparem - Negritude Júnior e R. era a única pessoa que sabia dançar um sambinha de parzinho, era extremamente inteligente (porém horrível, rolou intervenção por causa da feiúra do cerumano) e uma coisa levou a outra. R. me levava na casa da vó pra comer doce de abóbora, eu conhecia pai, mãe, irmão, participei do trote quando ele passou na USP e tudo mais. Um dia ele falou pra todo mundo que eu era grudenta e delirei todo o relacionamento (segundo ele, aconteceu apenas na minha imaginação) e surgiu namorando uma menina da minha escola que tinha um total de zero amigos, porque era a pessoa mais chata a já habitar o planeta Terra. 

Eu tinha 17 e conhecia H. fazia muitos anos já, da escola dominical. A gente sempre se via na escola, mas raramente conversava, porque H. era uma série antes da minha, por ser uns 6 meses mais novo. Um dia, percebemos que sempre éramos os únicos enfiados na biblioteca da escola, deu-se um estalo, a gente olhou um pra cara do outro e lá mesmo começou o ~relacionamento~. Um dia a mãe dele falou que achava um absurdo uma menina mais velha como eu se aproveitar da inocência do filhinho dela e ele simplesmente pediu uma menina da sala dele em namoro. 

Eu tinha 18 e era a única pessoa que falava educadamente com L.G.. Ele obviamente estava no grupo errado de pessoas, assim como eu, mas a gente não tinha lá muita escolha. Apesar de escolhas questionáveis de moda, cabelo e vida, L.G. era muito bonito (e rico) e acabou chamando a atenção de meninas desejadas do grupinho. Ele detestava a companhia delas, a conversa delas, os lugares onde elas iam, os carros que elas dirigiam e tudo que elas representavam, mas L.G. era homem e não podia recusar os avanços das meninas mais disputadas do ambiente. Alguns anos depois, no meio de uma conversa com muito chororô, eu e ele fizemos as pazes um dia antes de ele se mudar pra San Diego. Passamos o ano inteiro torrando fortunas em ligações internacionais e mandando longos emails. Quando L.G. voltou, uma das meninas supracitadas também reapareceu e ele escolheu ela.

Eu tinha 20 anos e me apaixonei por F.F., um homem casado. Eu escolhi respeitar o relacionamento, mesmo sabendo que o sentimento era recíproco. Mas com a convivência, a gente vai perdendo os parâmetros, até que um dia você esquece completamente que a outra pessoa tem uma esposa, porque é tanto tempo que vocês passam juntos que parece até inacreditável que exista mais alguém. Você sabe que ele já não gosta mais dela e, num mundo normal, já teria tomado providências para que vocês pudessem ficar juntos. Só que a religião dele não vê separações matrimoniais com muito bons olhos, então em nome de Jesus é com ela que ele fica.

Eu tinha 25 anos e conheci V.. Ele era a pessoa mais legal do mundo, entendia minhas piadas idiotas e meu gosto estragado pras coisas e a gente vivia rindo e falando bobagem. V. tinha uma namorada bem desequilibrada, de quem ele não gostava mais, mas eu não me meti e mantive distância. Quando ele finalmente terminou com ela - sem nenhuma influência minha - a gente saiu pra passear, como dois amigos, nada além disso. A menina descobriu e simulou uma tentativa de suicídio. V. voltou pra ela e finalizou a amizade comigo.



*****

Então eu passei anos sozinha, porque chega um ponto na vida que a gente cansa de ser a menina que não é pra namorar. Quando literalmente QUALQUER pessoa é melhor do que você, por qualquer razão que seja. Eu nunca acreditei em amor, muito menos em amor eterno, então achei que era pro bem de todo mundo que as coisas aconteciam dessa maneira. Não valia a pena o esforço de passar mais tempo com esses caras, se dali 2 anos eu mesma já não teria paciência pra nenhum deles.


*****

Mas um dia, eu conheci C.. Era até um pouco irritante o quanto C. era "perfeito", porque ele era engraçado, inteligente e bonito. Obviamente, não me dava a menor bola. Eu permanecia aceitando a graça de ter alguém como ele no círculo de amigos, mesmo vendo ele com uma menina diferente por semana. Um dia, sei lá que raio atingiu a cabeça desse moço (na verdade o raio chama eu com outro, em outra cidade) e ele surgiu num rolet que eu estava. Deixou bem claro que trocou turno no trabalho pra poder estar ali naquela hora e que foi exclusivamente por minha causa sim. Passamos muito tempo juntos em um relacionamento bem disfuncional. Eu dizia que não queria mudar status em rede social nem andar de mão dada e ele entendia que eu queria dar pra todo mundo. Eu dizia pra cada um seguir seu rumo e ele dizia que ia parar de ter ciúme. Ele me via conversando com amigos e enxergava traição. Um dia eu disse que a gente podia seguir como amigos ou que a gente podia assumir aquela palhaçada de vez, se ele fosse se sentir mais calmo. Ele disse que eu tava maluca e que ele nunca me prometeu nada. Segui minha vida e ele não aceitou bem, me agredindo sempre que houvesse oportunidade e falando coisas ruins a meu respeito pra todo mundo.

Depois de muito tempo surgiu D. A gente foi com a cara um do outro imediatamente. Nada romântico, a gente só ria das mesmas idiotices. Mas D. era casado e, mesmo toda a interação acontecendo na frente de sua queridíssima esposa, de forma inocente, ela proibiu que ele falasse comigo. Não sei quanto tempo se passou até que ele surgisse na minha frente, 100% divorciado. Foram meses de convivência até que eu descobrisse a mais de 10 mil km de distância que estava interessada por ele. Voltei pro Brasil e nada acontecia, porque D. é do tipo que casa e não lidava bem com o fato de que eu tenho 0% de intenção de casar. Um dia apareceu com uma menina que ninguém sabe de onde surgiu e obviamente foram morar juntos meia hora depois, casaram-se e estão felizes, desde que eu não apareça no mesmo evento social.

Um tempo atrás apareceu N.. A família vem de um país ~exótico~ e o pai falava comigo como se ele fosse meu prometido. O rapaz era, de fato, muito bonito. Também era razoavelmente interessante. Depois da resistência à aproximação resultante de tanta gente empurrando um pro outro, quando finalmente tivemos tempo de conversar por nossa própria conta nos demos muito bem. Estávamos sempre juntos e se o grupo de pessoas fosse grande, ele sempre vinha andar do meu lado, sentar do meu lado, comer do meu lado. Tudo parecia bastante promissor, até que uma fofoca intrincada de uma pessoa de sanidade mental questionável abalou o esquema todo. Eu, que sou mais inteligente, não dei ouvidos. Ele cortou relações comigo sem nem dizer adeus.


*****

Às vezes eu me sinto como Chuck em Good Luck Chuck. Ou como a Manic Pixie Dream Girl.  

Ou o cara não está minimamente interessado em mim.
Ou o cara passa um tempo comigo pra, em seguida, encontrar o amor da sua vida.
Ou o cara passa um tempo comigo porque é um homem de alma pura, que precisa aprender a enxergar as aventuras e mistérios da vida.

Eu sempre fui aquela menina que é a melhor amiga da pessoa, que é um dos bróder (que título bosta), que todo mundo adora, acha engraçada, chama pro bar, mesmo que eu não ingira uma única gota de álcool em nenhuma situação. 

Todo mundo sempre acha minha vida muito curiosa, minha companhia é sempre muito divertida, eu sempre tenho as melhores histórias, sempre estou junto com a pessoa nos dias mais loucos que ela já teve.

Eu sou a pessoa com quem dá pra ir ver um filme idiota, escutar música ruim, jogar videogame, correr na rua de madrugada, falar tanta bobagem no bar que todo mundo junta a mesa na minha, até desconhecidos.

Eu sou a pessoa com quem vão rir até a barriga doer, andar de bicicleta a 30km/h na rodovia, pular de bomba na piscina, dançar tango no meio de um lugar lotado de gente - onde não está tocando música nenhuma.

Eu vou ficar pronta pra sair pra passear no meio da madrugada, vou andar 50km atrás do sorvete perfeito, com a cabeça pra fora da janela do carro, gritando que esse é o dia mais legal da minha vida. E vou dividir um hambúrguer do tamanho de uma bola de basquete e jurar que nunca mais vou comer na vida. Vou andar de bicicleta do seu lado, usando uma mão só, porque na outra tem uma garrafinha de Coca de vidro, porque eu sou corajosa assim.

Eu vou te dar a mão na bebedeira (sua, não minha), vou com você procurar um pedaço de terra pra plantar o último pedaço de pizza e regar com cerveja, pra ver se conseguimos pizza infinita por meio de plantação.

Eu vou pegar na sua mão e vamos fugir pelas escadas do prédio, pra ninguém perceber que a gente saiu. A gente vai soltar bolinha de sabão (porque eu carrego um pote de bolinha de sabão na bolsa) e deixar as velhinhas todas nervosas porque estão manchando todas as janelas. E a gente vai rir por não ser velho, por poder ser ridículo e soltar bolinha de sabão num sábado de sol.

E eu vou te levar num cemitério pra você ver as esculturas e a gente vai inventar histórias pras pessoas que já morreram. E a gente vai inventar histórias pras pessoas da foto da exposição, pras pessoas nadando na piscina no clube, pra velhinha sentada debaixo do guarda-sol, pro nosso amigo que tá com vergonha do tanto que a gente tá rindo e resolveu andar 20 passos na frente, pra fingir que não conhece.

Vamos andar 40 quadras atrás de um bolo vegano, porque você acha que eu queria e eu acho que quem queria era você. E nenhum dos dois queria. E eu vou subir numa mureta pra te abraçar melhor, porque você é muito maior que eu. E vou andar me equilibrando e você vai me dar a mão, porque tem medo que eu caia e quebre metade dos ossos do meu corpo, porque eu também resolvi dançar.

Eu vou viajar pra outro continente sozinha, deixando você confuso quanto às minhas intenções. E vou falar com absolutamente todo mundo que cruzar meu caminho e fazer as amizades mais birutas e conversar sobre Dom Casmurro com um alemão bastante confuso e sair pra jantar sozinha e passar horas na beira de um laguinho falando com você no celular, porque na Europa é bem baratinho pra ligar pra outro país. Mas você vai achar que é só porque eu acho você importante que eu me dou a essas estravagâncias.

Mas se eu descobrir que não te amo, eu serei sempre a vaca desgraçada que destruiu seu coração.

E se eu descobrir que te amo e você precisar me assumir, andar de mão dada e apresentar pra mãe, você vai achar que não vale a pena, porque como é que se explica uma pessoa como eu pra sua mãe? Não foi pra isso que ela te criou. E você vai seguir em frente e conhecer a moça boa, que merece ser levada pra casa, segurar na sua mão e levar seu sobrenome.

Eu não sei se é a falta de beleza ou se é porque no fundo eu sou insuportável. Mas eu vejo todo tipo de pessoa arrumando parzinho e de vez em quando eu não consigo compreender a razão de estar sempre sozinha, a minha vida inteira.

*****

Eu tinha prometido pra mim mesma que ia ficar pra sempre sem ninguém, mas aí veio a vida e tacou L. na minha frente. Quando eu paro pra pensar nele, conteúdo e embalagem, eu acho que é tipo aquele filme Weird Science, feito no computador, a partir de especificações. É aquela pessoa que é boa demais pra ser verdade. A pessoa parece que lê meu pensamento e às vezes eu tenho a impressão que nunca mais vou conhecer alguém tão legal e tão intelectualmente compatível com a minha própria pessoa.E eu tenho um pouco de medo.

Obviamente, o potencial pra catástrofe tá todo ali, pior do que nunca.

Desde que ele não apareça semana que vem namorando uma moça boa e adequada, vai ficar tudo bem.

Vamos todos fazer uma prece pra que seja verdade aquele ditado, né?





NÃO, PÉRA



segunda-feira, 15 de agosto de 2016

22 coisas



Este post é excepcional e é uma tradução daqui, pra mandar pros amigos que não leem inglês :)

Eu sofro de ansiedade e realmente queria que meus amigos soubessem como agir em caso de crise ou comportamento estranho. 

O assunto é tão sério que o post não tem piadinhas, pode mostrar pros amigos sem medo :)

*****

Se você é amigo de alguém que tem ansiedade, é possível que você tenha passado por algumas situações estressantes, confusas ou simplesmente irritantes no relacionamento.

MENSAGENS NÃO RESPONDIDAS E CONSTANTES RECUSAS PRA CONVITES SÃO OCORRÊNCIAS TÍPICAS NESSAS AMIZADES, MAS TEM ALGUMAS COISAS QUE VOCÊ PRECISA SABER.

BOM, AQUI VÃO 22 COISAS QUE VOCÊ PRECISA SABER, NA VERDADE:

1 -  O que quer que esteja causando a crise de ansiedade pode parecer irracional pra você, mas é bem real pra eles.

2 - A crise de ansiedade pode acontecer a qualquer momento e, quando acontece, eles só precisam de uma coisa: apoio.

3 - Eles não estão dispensando você. É difícil fazer planos, e falar no telefone é igualmente difícil algumas vezes. Não quer dizer que eles não queiram desesperadamente passar um tempo com você e conversar, eles apenas não conseguem.

4 - Seja paciente com eles; ansiedade nem sempre parece um ataque de pânico. Às vezes, acontece em forma de raiva, ou parece uma grande frustração ou irritação.

5 - Não leve para o lado pessoal se eles demonstrarem frustração ou raiva, não é com você.

6 - Mesmo quando as coisas estão ótimas, existe a ansiedade e o pavor de que alguma coisa horrível esteja pra acontecer. A felicidade é transitória, no melhor dos casos.

7 - Quando eles estão quietos, nem sempre é porque estão tristes, entediados ou cansados. Ao contrário, há tanta coisa acontecendo em suas mentes que é difícil acompanhar tudo que está acontecendo à sua volta.

8 - Ansiedade nem sempre é explicável. Às vezes, nem eles sabem porque estão se sentindo ansiosos.

9 - Eles sentem muito pelos convites recusados, comportamento irracional e coisas ruins que disseram quando estavam se sentindo sufocados ou assustados. Eles sentem muito que sua ansiedade também te cause mal.

10 - Mesmo que eles sempre pareçam estar isolados, não desista deles. Eles precisam saber que você se importa e quer vê-los. Continue os convidando - significa muito que você convide.

11 - Ansiedade faz com que eles examinem tudo, o tempo todo. Pode ser exaustivo.

12 - Eles não querem que você tente "consertar" seus problemas. Em vez disso, querem que você goste deles como eles são em todo seu esplendor. Afinal de contas, são nossas imperfeições que nos fazem interessantes.

13 - Ansiedade nem sempre é óbvia. Algumas vezes você nem vai perceber que eles estão passando por uma crise, a não ser que eles te contem.

14 - Se eles se sentem desconfortáveis fazendo alguma coisa, deixe pra lá. Forçar só piora a ansiedade. Sorria e siga em frente.

15 - Interação social é difícil para algumas pessoas com ansiedade. Não assuma que os cancelamentos constantes dos seus planos são de alguma forma relacionados com falta de amizade ou preguiça. Quando você realmente precisar deles, eles estarão lá.

16 - A última coisa que eles precisam ouvir é "supere" ou "você está sendo bobo".

17 - Continue convidando para sair e fazer coisas com você. Ansiedade muda de dia para dia e alguns dias são melhores que os outros. Algum dia a resposta deles vai surpreender você.

18 - Quando eles disserem que chegaram no limite e não conseguem ir em frente, é verdade. Respeite e dê espaço para que eles respirem.

19 - Quando eles dizem pra você que não conseguem fazer alguma coisa, eles sentem mais desapontados que todo mundo.

20 - Algumas vezes eles só precisam ficar sozinhos. Ansiedade não é uma coisa que passa "fazendo alguma coisa divertida", e não pode ser resolvida usando os mesmos métodos que você usaria com alguém  que foi demitido ou terminou um namoro recentemente. Eles não estão bravos ou chateados, eles só precisam se reequilibrar e se acalmar.

21 - Quando eles conversam com você, eles vão examinar cada palavra várias vezes - o contexto, a gramática, as insinuações. E eles podem continuar obcecados com essas conversas por anos.

22 - Eles não são sua ansiedade. São indivíduos únicos que só querem o que todos nós queremos... ser amados incondicionalmente.

 Por Raven Fon












segunda-feira, 8 de agosto de 2016

o incrível caso da chinela voadera



Olha, gente. Eu vou contar a história aqui, mas as 3 pessoas pra quem eu contei (duas ao vivo e uma pelo uóts) não entenderam nada, então vocês se vira, ok? Não façam perguntas difíceis e aceitem que algumas pessoas não possuem controle sobre a vida ou sobre movimentos corporais ou sobre nada, no caso.

MOVING ON.

Cêis sofre de ansiedade? Conhece alguém que sofre? É uma condição desgraçada, porque a vida tá lá transcorrendo normalmente e de repente alguma coisa que o cidadão comum nem percebe te deixa miserável.

Pra entender a chinela voadeira do domingo de madrugada, temos que voltar 10 dias. POIS É. 

A última semana de recesso escolar estava acabando, de modos que na segunda o campus estaria cheio novamente. Isso, por si só, já é um fator estressante para a minha pessoa. Só que no meio da sexta eu descobri que o campus estaria com um problema na segurança justamente na segunda, na volta às aulas. Como meu campus tem duas entradas (de alunos, uma por semestre), seria um dia cheio de gente, gente nova e pro.ble.mas.na.se.gu.ran.ça. Só que o campus cheio de alunos era O MENOR dos problemas que a pouca segurança podia causar. Ainda assim, me lembrei do começo do semestre anterior, tão suave que teve momentos como ligação na minha casa 8 da noite, quando eu já estava de pijama e jantando (como uma boa senhorinha), porque aluninhos estavam sendo presos em bares ou com álcool dentro do campus. Sabe? Aí cê pensa: magina esses IDIOTA livres enquanto a segurança tem outros problemas pra resolver? Eu já entrei em modo desgraça na própria sexta-feira. Lembrando sempre que: esse era o MENOR dos problemas.

Pois sábado eu fui ao campus e não apenas falei com estranhos - os seguranças que eu nem conhecia -, como dei meu celular para esses indivíduos me ligarem em caso de emergência. 

Domingo eu estava uma pilha de nelvos e, além de tudo, meu código do programa do mestrado estava faiado e eu não achava o erro. 

Segunda eu estava com 3 mochilas na mão (a da vida, a do mestrado e a da academia), andando em círculos pela sala de casa, porque tinha me dado conta que estava TÃO atrasada que não encontraria vaga pra estacionar no campus, de modos que teria que ir trabalhar a pé, de modos que não conseguiria carregar as 3 mochilas e teria que escolher apenas uma. Depois de extensos cálculos e modelagens matemáticas [/piada interna], reduzi tudo a uma mochila só. Porém, mais de meia hora atrasada, me peguei imóvel na cozinha de casa, chorando estilo super vicky, sem conseguir sair do lugar.

OITO DA MANHÃ DE UMA SEGUNDA FEIRA.

Em condições bastante precárias de existência, fui levada ao trabalho por uma mãe bastante compreensiva e passei o dia executada em modo de segurança (no pun intended), à beira de um novo colapso neuvosor a qualquer momento. A situação foi revertida apenas quando o moço dos queijo™ (um dia preciso contar a história do moço que traz queijos de minas pra gente de dois em dois meses) veio pessoalmente me catar na minha sala e me encher de requeijão em barra e provolone desidratado (vejem que eu estava contemplando suicídio pois ALERGÍSSIMA).

O resto do dia foi mei estressante, incluindo pessoas que acharam conveniente sair de férias em plena volta às aulas e gentes desaparecendo misteriosamente, mas eventualmente eu cheguei na minha casa sã, salva e com todos os compromissos do dia cumpridos.

*****

Terça eu tava surtando por um motivo completamente irrelevante, já que o resto das coisas já tinha voltado ao normal. Tava lá brigando novamente com o computador pra tentar entender o erro em uma linha do código e falhando miseravelmente, quando fui convidada para uma festa que eu julgava ser a maior furada do ano™ e fiquei naquelas de confirmo depois. No meio de uma tarde que parecia calma, 23 pessoas vieram fazer a social na minha mesa do trabalho, ni qui um cerumaninho de quem eu gosto gostava muito pega meu cubo de rubik e zoneia ele todinho sem que desse tempo de eu impedir. Da última vez que isso aconteceu, logo após a descoberta do fogo, eu tinha levado 3 meses pra botar no lugar de novo e foi uma emossaum ver todos os presentes EM SHOCK, jurando que eu ia matar C E R T O S R A P A Z. O próprio mandou um MIDESGUPI TO NEUVOSOR com pânico no olhar hahhahahahahahhahaahaha.



Entre mortos e feridos, salvaram-se todos, porém surgiu a informação de que pessoas de quem eu gosto gostava estariam na festa caída™ e eu pensei: por que não? 

Mano, tinha umas 5 mil razão porque não, né? Mas eu liguei e confirmei minha ida, que surpreendeu a todos. 

Que ideia estapafúrdia, meldels. O lugar cabia 20 pessoas e tinha 20 MIL. Eu fui pra ver ~a banda~, mas não conseguia me locomover pra chegar perto do palco. Quando eu finalmente cheguei, o cantô falou "é isso aí, brigada pela presença, adeus". Eu tentei ir embora, mas fui impedida. Tentei falar com C E R T A S P E S S O A e num conseguia, não tinha comida, não tinha água (depois tinha água), não tinha nada. Aí teve minutos de tensão sobre os quais não falarei (quando eu já tava fora do local e fui laçada pelo vórtex do ERRO EM SAIR DE CASA), o que fez com que eu ficasse bem doida mesmo. Cheguei em casa e não conseguia dormir de vergonha própria, fiquei vendo seriado até desmaiar de cansaço.

Pra ser bem sincera, eu não tenho muitas memórias do restante da semana, além de tentar estudar e falhar miseravelmente, trabalhar igual uma condenada pois todo mundo de férias, academia todo dia pois autoimagem péssima, tristeza, dor e sofrimento. Fora descobrir que uma das poucas pessoas que eu gosto gostava no trabalho não trabalha mais comigo. 

Sábado eu tava toda trabalhada na auto piedade, meu cabelo tava lindo e eu tava presa em casa, eu tinha conseguido descobrir o erro no código com ajuda de C E R T A S P E S S O A, mas não tinha conseguido andar muito além disso, tava calor e eu tava com fome, de modos que estava realmente mal humorada. Depois de horas na frente do computador, cujo único lugar possível de uso é na sala, enquanto o restante da família que nasceu bonito e bem sucedido aproveitava pra ver netflix, eu já não aguentava mais estudar ao som de Blacklist e alguém resolveu ver filme de drama e eu saí gritando que o mundo era uma bosta e eu ia largar tudo e vender miçanga na praia novamente (caceta, foi exatamente um ano antes), me tranquei no meu quarto com dois computadores, 8 apostilas e muito sofrimento. Meia hora depois 01 alma corajosa apareceu na porta falando palavras mágicas:

QUER PIZZA?



Claro que a pizza não viria até mim e eu teria que me vestir como se fosse colonizada pra sair de casa, mas o cabelo estava tão fabuloso que eu disse: sim.

O plano era sair, ver cerumanos, comer, falar com cerumanos se eu ainda lembrasse como, passar em alguns pokestops (vamo colocar as palavras pokemon go aqui pra ver se ainda atrai visitas?), voltar pra casa, tomar banho, dormir cedo, acordar feliz no domingo e partir daí.

Deu tudo mais ou menos certo, se a gente ignorar o fato de que eu comi PIZZA, que vem a ser um composto de QUEIJO e eu tava corajosa e comi PROVOLONE, de modos que cheguei em casa ENTUPIDA :)


01 pouco alérgica

O que a pessoa nessa situação faz? Ela manda mensagens sobre transformers (não pergunte) pra C E R T A S P E S S O A S que pacientemente continuam a conversa, provavelmente até dormir (como se espera daquele adiantado da hora). Quando fiquei sozinha com mim mesma novamente, tomei banho (duas da manhã), tomei um xarope de curandeiro que tem lá em casa e é MÁGICO para desentupimentos, deitei na minha cama e não consegui dormir porque não conseguia respirar. 

TREZORA da manhã eu tava passando canais na tv e chorando por variadas razões, desde eu não ter ingressos para ver rugby nos jogos olímpicos, passando por "nas olimpíadas de Londres eu tava em Londres e agora nem no Rio de Janeiro eu tô" e chegando em ~vendo PS eu te amo~ pela milésima vez. 

O que acontece quando a pessoa chora? Ela ENTOPE. Mas e se ela tá entupida? Ela EXPLODE.

E foi nesse momento que começou o fim da saga das chinela (ah, é, né? era disso que a gente tava falando!).

01 PARÊNTESE: meu catioro tem problema na coluna que piora com o frio. Não que sábado estivesse frio, mas em dias quentes com noites frias (era o caso), é ainda pior por causa do choque térmico. O fiduma mãe não pode sair no quintal depois que esfria, a menos que esteja de brusinha, o que ele não estava. Tinha levado ele pro último pipi antes de infernizar os outros no whatsapp e, teoricamente, ele não sairia mais naquele dia.

Bom, 3:30 eu fiz um ritual de desentupimento bem sucedido e tava pegando no sono (FINALMENTEEEEeEeeEEEEeEee), quando ouvi passinhos de catioro debaixo da minha janela. Pensei "nossa, tô tão loca, afinal o desinfeliz tá dormindo aqui no pé da cama e..." NÃO TAVA.

Saí correndo loucamente pra catar o cachorro e guardar, muito feliz que ia ter que dormir tudo de novo. Mas o estrago estava feito e ele entrou em modo siricutico (acontece com frequência) que só passa quando ele fica confinado num lugar onde não possa correr. Só que isso tem que ser na cozinha, que é onde não tem poltronas ou camas pra ele subir e descer loucamente, aí meu corazón dói, porque ele não pode dormir comigo ou na caminha que ele sempre dorme. Mas era quase 4 da manhã e eu não tava no meu juízo perfeito, fechei a porta interna da cozinha, mas esqueci a de fora aberta. Não notei, porque o fiadamãe tava na caminha quando eu saí. Deitei na minha cama, pensando "vou dormir só sete da manhã, certeza", quando eu ouvi o que? PASSINHOS.DEBAIXO.DA.JANELA.

Gente, cêis não tão entendendo o ódio no coração!

Eu tenho sônia, eu tenho SONO, eu tava com sono e eu só não consigo dormir satisfatoriamente quando tô entupida - o que era o caso - e eu tava cansada e já tinha saído da cama umas 40 vezes e queria martelar minha cabeça... ENTENDE? Aí o cachorro, que já tava em modo sofrência me sai de novo no frio? Eu saí pronta pra matalo (figurativamente, né, meu filho nhoin nhoin nhoin). Quando eu cheguei no meio do quintal, o que eu vejo? O cão deitado na GRAMA MOLHADA.

Fiquei TÃO CONTENTE com a visão que eu fiz o chaves nervoso, mais ou menos assim:



Só que sem as caixas, chutei o ar.

Com uma força que eu realmente não medi.

Porque eu tava a uns 20 metros da churrasqueira (naonde vem a estar o telhado em questã) - e tava bem longe do catiorro também, porque tem gente que acha que eu tava tentando violência contra ele ¬¬

Foi tanto ódio daquela noite, semana, vida como um todo, que eu propeli a chinela com uma força inesperada. 

Inicialmente, quando eu vi o ~corpo em movimento~ se descolando da minha pessoa, eu jurava que atingiria a porta de vidro da churrasqueira, onde vem a ser o quarto do meu irmão. Já imaginei o vidro estraçalhando, a pessoa acordando assustada e cacos everywhere. Pra minha surpresa, o chinelo continuou subindo e subindo e subindo e voando e eu pensei PUTAQUEPARIU VAI PARAR NO VIZINHO!!11111 Quando a aterrissagem aconteceu, eu não acreditava na distância que ele estava (foi quase pro vizinho memo. Imagina acordar e encontrar UM PÉ de chinelo aleatório no quintal?). 

O que eu fiz? Catei o cachorro, guardei na cozinha - com as portas devidamente fechadas desta vez e choreEEEeeEEeEEEEEeei. Peguei o celular pra mandar mensagem prozotro novamente, mas vi o relógio marcando 4:17 e imaginei que talvez fosse inconveniente e não fiz isso. Deitei na cama cansada, entupida, sofrida e pensando que tinha um pé de chinelo no telhado e outro no meio da garagem, porque eu chutei esse também no fim das contas.

Peguei no sono e acordei 11 da manhã, com o som da família inteira na cozinha.

Dez segundos se passaram entre o despertar e as memórias voltando na minha cabeça. 

Visualizei a chinela voadora e... ri.

Ri mais.

Comecei a rir tão violentamente que engasguei, levantei da cama, e fui em direção à cozinha, avisar que não estava nem chorando nem morrendo, porém não obtive sucesso, porque eu ria TANTO que verbalizar não era uma opção. Quando minha família me viu, ninguém entendeu nada, obviamente. Mas eu não conseguia parar de rir e quanto mais eles tentavam adivinhar o que tava acontecendo, mais eu ria. Uma hora eu cansei e só arrastei todo mundo pela mão até o ponto que o chinelo fosse visível e todo mundo começou  a rir junto, porque QUANDO e COMO isso teria acontecido? Parecia um bando de bobo no quintal, todo mundo rindo igual uns idiota, até meu pai falar "o outro pé desse chinelo não tá lá no outro lado da garagem (uns 30 metros de distância, maizomenos)?

E todo riu mais 5 minutos.

Finalmente eu consegui contar a história, mas ninguém ainda consegue compreender que movimento conseguiu causar aquela propulsão toda. Pra ser bem sincera, nem eu. A pessoa que eu não acordei de madrugada me perguntou do ocorrido assim que viu a ibagem e eu juro que tentei explicar por mensagens, mas a resposta foi: 

tô ligada sim, kirido


Então eu realmente não consigo explicar pra vocês todas as leis da física aplicadas ao acontecimento. Eu só sei que eu estava mais exausta que luciana gimenez e perdi o pouco controle que tenho da minha coordenação motora.

Algumas horas depois, enquanto ginastas brasileiras deixavam as pessoas embasbacadas com o domínio de seus corpinhos, eu e mamai usávamos escadas e varões de cortina para pescar o chinelo do telhado.

Gostaria de avisar a todos que o par foi reunido e todos passa bem.

Com exceção da minha sanidade mental, que não se recuperou completamente ainda.

:)

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

disclaimer: this person is going to ____ your life

Ninguém vem com um selo.

Quando você vê alguém pela primeira vez no trabalho, na sala de aula, na academia, não é todo mundo que você registra. A pessoa fica ali orbitando na sua visão periférica e você nem sabe se daqui 5 anos vocês serão melhores amigos, se você jamais terão se conhecido profundamente, se vocês continuarão cumprimentando um ao outro educadamente sem nem saber como se chamam.

Cada vez que eu conheço uma pessoa nova e ela passa a ficar cada vez mais presente na minha vida, eu tento lembrar o momento exato em que ela chegou e como eu percebi aquela hora. 

Tem aqueles amigos de infância que você conhece há 30 anos (idosa) porque alguém estendeu a mão e ofereceu um brinquedo. Porque perguntaram se você queria entrar na quadra e jogar queimada, em vez de ficar só olhando pelo alambrado. Porque três crianças desesperadas procuravam uma quarta pra fechar duplas no jogo de tabuleiro. Vocês se apresentam e você nem imagina que dali 8 anos estarão sentadas no quarto de uma delas, chorando porque ninguém dança com você na festinha americana. Dali 20 anos estarão chateadas porque a outra casou com a pessoa errada. E dali 30 anos ainda estarão segurando a barra uma da outra, mesmo a 800km de distância. Ao mesmo tempo, uma daquelas 4 crianças do jogo de tabuleiro tomou outro rumo na vida e mesmo depois de vocês serem tão grudadas que todo mundo teve que raspar a cabeça, porque não paravam de pegar piolho juntas (true story), você nem sabe se ainda está viva tanto tempo depois.

Acontece.

Ninguém vem com um selo.



Você entra numa aula da faculdade totalmente na defensiva, porque sua vida social foi destruída depois de uma fofoca, mas você ainda sabe que aquele é o pior professor que já existiu. Então você pensa que o melhor a fazer é respirar fundo e torcer pra esse ano acabar (no primeiro dia de aula, pensa num wishful thinking). Aí você entra na sala e tenta compreender a enxurrada de informação que tá acontecendo, o pior professor que já existiu distribuindo grosseria sem nem saber quem são aquelas pessoas, você se dá conta de que será um looongo ano e segue sua vida, tentando se tornar invisível. Mas um dia ele - o pior professor do mundo -  senta na mesa ao seu lado e começa uma conversa que se parece muito com uma conversa pessoal. Seis meses depois ele te empresta um livro, mesmo tendo deixado bem claro que nunca emprestaria um livro na vida. Um ano e meio depois ele te pergunta se você quer sair dali e te leva pra tomar um refri e te apresenta pros amigos como sua pessoa favorita. Dois anos depois, você dá um item de vestuário de presente no aniversário dele e ele não apenas usa até gastar, como conta pra todo mundo que tá bonito porque você que escolheu. Dois anos e meio depois ele nem precisa perguntar o que você vai comer, porque já sabe. Ele inclusive faz seu prato de comida sem nem te consultar e acerta tudo que você colocaria dentro. Quatro anos depois ele aparece de bermuda e camiseta 8 horas da manhã na sua sala no trabalho, fica com ciúme do coleguinha que divide sala com você e tenta mostrar que ele que é o dono do seu coração. Cinco anos depois ele te conta que vai ter um filho (com alguém que não é você) e você sente o chão sumindo debaixo do seu pé. E você tenta lembrar como é que alguém que um dia chegou gritando que não gostava de pessoas e provavelmente não gostaria de você acabou se tornando essa pessoa, que derruba o mundo quando vai embora. E 10 anos depois você ainda se pega olhando na janela onde ficou olhando ele ir embora pela última vez, fazendo graça pelo estacionamento, porque foi ali a última vez que vocês foram felizes. E você se dá conta que não tinha como evitar nada disso.

Porque ninguém vem com um selo.


Um dia você tá tranquila entre seus amigos e chega uma pessoa nova, com quem você antipatiza logo de cara. E você evita ir a lugares onde ela está, porque você acha desgastante ter que gastar suas energias pra tratar bem uma pessoa que te trata com animosidade e etc. Coisas ruins acontecem, amizades se abalam, o mundo gira e um dia vocês dão um passinho, depois outro, depois outro e PÁ, a coisa vira amizade e seis anos depois, a pessoa com quem você mal podia trocar um oi sem revirar os olhos é uma das suas amigas mais próximas, uma das pessoas em quem mais você confia e que não te deixa na mão. Não tem como prever isso.

Porque ninguém vem com um selo.



Um dia você está lendo alguma coisa na hora do recreio e alguém senta perto de você. Você começa a rir e ele te pergunta o que você tá lendo, porque você parecia triste, mas aquilo te fez rir. E ele diz pra você não ficar lendo no sol, porque o reflexo na página do livro vai te deixar cega e você pensa "me conheceu faz 5 minutos e já tá dando palpite?". E ele passa a ficar sempre por perto quando você está lendo pelos cantos, até que você passa a ler menos e conversar mais. E você muda toda a dinâmica dessa meia hora diária, até o dia que nem lembrar de carregar um livro você lembra mais. Vinte anos depois, vocês estão no bar de madrugada, fazendo guerra de palitinho de dente picado, com fome, porque já fecharam a cozinha (dum mardito bar no meio da cidade de são paulo e nem são duas da manhã!). Dois dias depois vocês estão morrendo de fome novamente, porque aparentemente não sabem planejar refeições e perderam a hora numa exposição (onde chegaram 10 da manhã, mas esqueceram de almoçar até depois das 4 da tarde) e planejando visitar cemitérios pela arte. E você ainda guarda uma camiseta que ele te deu em 1994 (que um dia foi lilás e hoje é só branca e cheia de furo), mesmo ele não tendo a mais remota memória de ter te dado isso e ainda diga que revirou a casa procurando a bendita sem saber que fim levou. E a vida dele muda, sua vida muda, vocês moram a milhas e milhas de distância, mas você sabe que daqui mais 20 anos vocês ainda estarão rindo das mesmas bobagens e procurando a felicidade em bandeirinhas de são joão.

Ou você espera que estejam. Porque, né, ninguém vem com etiqueta.

"Esta pessoa vai ficar um mês na sua vida, vai desgraçar tudo, vai sumir e vocês nunca mais vão se ver."

"Vocês serão amigos por anos, um dia você vai ver o rosto numa foto e não vai lembrar o nome do indivíduo nem pra salvar sua vida."

A gente nunca sabe o que vai acontecer. A gente nunca sabe que impacto a pessoa vai ter na nossa vida naquele primeiro oi, na hora que alguém te diz aquele nome pela primeira vez.



Quando alguém te apresenta ele pelo sobrenome, que você tem certeza que já ouviu antes, você não sabe que um ano depois vai ter um mini ataque cardíaco cada vez que escuta esse nome de novo, quando alguém pergunta "você veio aqui só pra ver o ~infeliz~?". 

Quando ele se debruça no balcão na sua frente e olha pra sua cara por 30 segundos, com uma expressão indecifrável, e você sabe que é porque você provavelmente está fazendo a mesma coisa com a sua inseparável bitch face, você não imagina que um ano depois vocês não vão nem precisar usar palavras pra se comunicar.

Quando a pessoa insiste em puxar assunto com você, é tão incômodo que você ~posta no feice~ que não aguenta mais os subterfúgios pra arranjar conversa e que pelo jeito que a pessoa respira você já sabe que ela vai abrir a boca e começar a falar. E um ano depois, sua hora favorita do dia é quando vem um um "vaneça..." e o despejo de abobrinha sem fim, que faz seu dia ficar bem mais divertido.

A gente nunca sabe quando uma pessoa improvável entra na nossa vida a importância que ela vai ter. A gente nem imagina o tanto que vai se apegar e o desespero que vai ser quando parecer que ela tá escapando (não porque quer, mas por força das circunstâncias). A gente nunca sabe o papel ridículo que vai fazer pra não deixar ir embora tão cedo, pra não acabar o que nem começou. Quando a pessoa chega e você não sabe nada sobre ela, você nem imagina que um tempo depois ela vai ser uma das suas pessoas favoritas, que vocês vão chorar de rir, que vocês vão falar sobre o nada madrugada a dentro, que vocês vão ter uma intimidade incompatível com o lugar e com o tempo e com todo o resto, que isso vai causar estranhamento em tudo mundo - porque você é uma pedra de gelo que todo mundo tenta derreter há duzentos anos e ninguém consegue - e você não vai nem ligar.

Quando a pessoa chega, você nem imagina que um dia o maior medo que você vai ter é que ela vá embora.


Não vai ainda não. Fica, vai ter bolo.

:)

quarta-feira, 20 de julho de 2016

when you're not your soulmate's soulmate (allegedly)

Quando você se apaixona por alguém incrivelmente mais novo que você, às vezes é triste pensar no quanto de tempo você esteve presente no planeta sem que aquela pessoa sequer existisse. Tudo que você viveu enquanto aquela pessoa ainda nem era. Em tudo que poderia ter dado errado nas linhas do tempo que levaram à existência dela. Na probabilidade extremamente baixa que seus caminhos tão diferentes se cruzassem. Na ideia de que talvez fosse melhor que nem tivessem (se cruzado).


*esse post tem nada a ver com a programação normal deste blog e não há necessidade para pânico



segunda-feira, 4 de julho de 2016

don't know how to life

motivaçonal

Eu estudava em uma escola técnica, que não era mais. Assim, praticamente tudo se manteve, menos o ~título~ de técnico em sei lá o que. As aulas estavam lá, inclusive compartilhadas com os coleguinhas da engenharia civil, mas a gente só terminava o segundo grau memo. Ousseje, muito trabalho pra pouco resultado, se você quer saber minha opinião. 

Ah, sim, as aulas eram compartilhadas porque a gente ficava DENTRO do campus da faculdade. Então tinha uma infinidade de salas para as engenharias tudo, um pequeno prédio pro segundo grau e um cercadinho pra primeira à oitava série. De modos que, talvez vocês tenham concluído, as quiança grande e os jovens adultos dividiam espaço físico sem portões ou fiscalização. Isso memo: a escola era toda aberta, cê podia inclusive ir embora se quisesse, não tinha ninguém interessado. Eu acho é ótimo quando você coloca esse tipo de responsabilidade na pessoa. Inclusive tava todo mundo sempre na aula. 

O importante é que era uma escolabarrafaculdade rica, moderna e tecnológica, de modos que mesmo nos primórdios dos anos 90, já contava com um PRÉDIO de informática, cheio de computadores. Mais computadores que gente interessada em usarlhos. Pequenos nerds sem vida, como eu, ganharam muitos dinheiros digitando trabalhos alheios após aprender o uso do WORDSTAR, nos tempos do monitor verde, disquete gigante e inexistência de mouse. Eu vivia enfiada lá. Mas a coisa mais maravilhosa dentro daquele campus era: o facebook rudimentar.

Na biblioteca, além daqueles arquivos de metal imensos, com papeizinhos contendo os números dos livros, existia um computador. Era um pesadelo, porque quase ninguém sabia usar, mas a forma oficial de consultar livros era pelo bendito computador. MODERNÍSSIMO. Como as pessoas burraldas preferiam continuar usando os arquivos com papel, o computador ficava ali, livre, pra gente ser abestado à vontade.

Pois um gênio incompreendido colocou lá o que? Um programa que era tipo um mural. Você se logava com seu número de matrícula e tinha uma timeline pública identificada; uma timeline pública anônima e sua timeline particular, com mensagens identificadas e anônimas. Era MARAVILHOUSER. Na pública sempre tinha alguém procurando aula particular, calculadora barata, anunciando festa, gente se ofendendo, mandando indireta essas coisas normais de rede social. A timeline anônima era sensacional, a gente se declarava pros crush tudo e depois ainda mandava mensagem privada anônima dando pista de quem a gente era. Bem adulto.

No começo, quase ninguém se aventurava no computador (só tinha aquele memo, 01 único computador, pras engenharia tudo e pra escola). Depois de um tempo, tinha uma fila desgraçada a cada intervalo. Eu e uma amiga ficávamos anotando os horários em que as pessoas usavam, pra ver se a gente identificava mensagens anônimas, porque a gente era assim bem ocupada no dia-a-dia. No fim, a gente ia lá em horários super bizarros pra poder se declarar pros boy em paz.

A desvantagem: o rapaz que eu amava estava na oitava série, ousseje: preso no cercadinho e sem autorização pra usar a rede social rudimentar. Eu inventava crush pras miga não me deixar de fora das conversas, porém eu só ia lá corrigir o português alheio mesmo (faço isso há 20 anos, ó que glória?).

**********

Eu nunca tive problemas em deixar claras minhas intenções ~amorosas~ com relação aos meninos do sexo oposto, DESDE QUE eu não estivesse sentimentalmente envolvida. Nessa época, tinha o menino que eu queria beijar muito e deixei isso bem claro pra ele desde o dia que nos conhecemos. Mas pro menino da oitava série que eu queria namorar, casar e ter 38 filhos, eu nunca falei nada. Quer dizer: eu vivia dipindurada nele, até uma revista de signo eu comprei, só porque dizia que os nossos combinavam, mostrei pra ele como 01 grande piada, rimos muito, não beijei.

Um dia eu estabeleci que era a última chance. Passamos o dia juntos, demos risada, aqueles cutuco amoroso próprios da idade... e nada. Na hora de dizer tchau, nem beijinho na bochecha ele deu. Estávamos do lado de uma das quadras do campus, onde meninos da faculdade se preparavam pra começar uma partida de futebol. Um dos caras, que estava procurando um lugar pra deixar a mochila, era daqueles que a gente sabe que é só dar abertura que ele vem, sabe? Pois eu fiquei tão brava de não ter beijado um que fui lá bem pirigueteante na direção do outro. E foi isso memo, eu beijei o aleatório só de raiva do amorzinho.

VINTE ANOS DEPOIS, tarra eu e o ex-amorzinho conversando sobre a vida e veio o assunto do dia fatídico. Falei que foi minha primeira frustração amorosa da vida, de acreditar que o negócio era recíproco e não era.

- mas era!

Senti meu corazón despencando de um metro e meio de altura quando ele falou isso. COMO ASSIM, KIRIDO?

Disse ele que tava super na mesma vibe amorosa, mas eu não dei nenhuma indicação de que tava interessada (?!) e ele não quis correr o risco de levar um fora. E completou: por que eu que tinha que tomar a inciativa? Porque eu sou homem?

Olha. Não.

A reposta pra essa pergunta é: porque a outra pessoa era eu.

Inclusive fica aqui o alerta: se eu tomar iniciativa para com a sua pessoa, é porque eu não estou emocionalmente investida.

Eu ouço as pessoas falando "o não você já tem", como se um não fosse a pior coisa que pode acontecer com uma pessoa. 

O "não" que a gente já tem é apenas uma hipótese. É um não bem confortável, que vem sempre acompanhado do "e se". O não que a gente não ouviu, olha só que coisa incrível: NÃO É UM NÃO. Enquanto você não ~pergunta~, nada é definitivo. A pessoa está com você? Não tá. Masss, também não quer dizer que não pudesse vir a estar. Às vezes quer dizer que você não tem chance, a gente até sabe disso, mas é muito mais suave dizer pra si mesmo que ainda não, agora não, talvez não, mas talvez sim, ué.




Eu não sei se culpo algum problema psicológico, se culpo o signo, as estrelas, o patriarcado... Mas eu não tenho estrutura emocional pra escutar um não. Eu sempre vou achar que é porque eu sou a pessoa mais feia, chata, burra e sem graça do planeta. Se o cara é só um cara, ok, eu sobrevivo. Mas se é alguém de quem eu realmente gosto, a minha praticamente inexistente autoestima sofre um golpe irreversível.

*****

Mas nada tão sensível quanto a frágil masculinidade.

Uma vez eu me interessei por um rapaz uns dois anos mais novo que eu. Na época, eu estava concluindo minha especialização, trabalhando como gerente de produção e vivendo como adulta, infelizmente. O infeliz, além de ter nascido dois anos depois, não se deu ao trabalho de concluir o ensino médio e trabalhava como operador de máquina e morava numa pocilga (sempre quis usar essa palavra?) com outros 3 bocós iguais a ele. Agora cê me pergunta: o que eu vi nesse cara? Jamais saberei responder. Eu olho pra trás e é só choque, acho que gases tóxicos na fábrica (+trabalhar 10 horas por dia, estudar + outras 4 + tempos de deslocamento = pouco sono) tiveram alguma influência nesse movimento.

O caso é que eu contei pra alguém na faculdade e me disseram que JAMAIS o menino tomaria a iniciativa. Ser mais velha, ganhar mais, ter maior nível escolar, morar num lugar melhor... se você tiver apenas um desses defeitos, pode até ser possível. Mas todos, combinados? De jeito nenhum. Talvez seja 01 sabedoria da natureza, porque realmente não tem condição de o amor render nessa adversidade toda, mas eu fui lá e beijei primeiro, porque eu sou muito corajosíssima. Enquanto isso, um outro moço da minha idade, com muito mais potencial e por quem eu tinha um certo pavor de me apaixonar ficou de lado.

Nunca mais vi.

*****

O que uma coisa tem a ver com a outra?

Calma, xô fazer um parêntese antes.

Eu tenho um amigo que insiste que mulher só se interessa por homens com carro e estabilidade financeira e eu sempre soube que ele estava errado. Só não mando mensagem pra contar pessoalmente minha atual situação, porque ele delira o suficiente pra achar uma ~desculpa~, mas vamos aos fatos:

- o crush não tem carro. 

E digo mais: não tem carteira de motorista também. Idade pra dirigir, tem. Tem sobrando, inclusive. Mas não dirige.

- o crush não ter curso superior.

Porque ele está JUSTAMENTE fazendo faculdade, o que é completamente compatível com a sua idade. O que quer dizer que

- o crush não tem emprego formal.

Tem estágio, trabalha, é 01 rapaz responsável e ganhador dos próprios dinheiros, que mal dão conta de cobrir o mês e é um tal de "liguei pra minha mãe pra pedir dinheiro" que é sensacional.

- o crush não tem senso estético.

A pessoa nasce linda e aí zoa o cabelo, zoa as roupas, não tem compromisso com a imagem exterior, num geral. É uma pena, mas o bom é que sempre tem a c&a pra gente mudar essa realidade em caso de necessidade.

O que ele tem, então?

Na minha opinião, coisas importantíssimas:

- senso de humor.

Outro dia eu vi alguém falando na rede social feice que é muito difícil achar os boy que entende os meme. Ele entende. Cêis precisa ver que coisa mais bonitinha é nossas conversa no uátis. Tá certo que ele perdeu o maravilhouser meme da petulância do cavalo, mas ele está 100% fluente em vaneçês, então é um plus a mais. A gente ri muito junto, do tipo que já chegamos à conclusão de que ficamos 01 pouco mais abobados quando estamos na presença um do outro e pessoas externas já disseram que querem separar a gente, porque a gente.só.ri. 

- sabe cozinhar.

Eu já escrevi isso antes, mas vou repetir: não consigo compreender que um cerumano, dotado de necessidades alimentares, NÃO SAIBA COZINHAR. Assim, não saber fazer pratos rebuscados eu compreendo. Mas não saber tacar alho, arroz e água numa panela e seguir meia dúzia de instruções é demais pra mim. Medo de panela de pressão é uma coisa que eu não consigo nem compreender. Você precisa comer pra viver, vai ficar vivendo de delivery e pão de forma com queijo? Acho indigno. De modos que uma característica muito importante em uma pessoa, pra mim, é saber cozinhar gostosas comidas. A gente inclusive troca receita, é 01 mundo ideal.

- 01 vozinha suave e um bonito sorriso.

A voz, gente. Ele pode ficar tagarelando por horas que eu fico bem sossegada da minha vida, porque a voz, afffe. E quando ele sorri, mddc, ele fica bonito demais. E o cílio, gente? Quando ele fala comigo meio envergonhadinho e olha pra baixo e a gente vê aquele cílio louro sueco de 8 centímetros em toda sua glória, eu só rezo pra jesus me segurar e eu não cometer um desvario. 

- 01 personalidade interessante

Lembrando sempre o DEGRAU etário entre nós e algumas diferenças básicas de interesse relacionadas a isso, além das diferenças usuais entre dois cerumanos (e algumas músicas muito bosta que ele ouve), a gente consegue manter um nível de interessância comum bastante elevado. 

E fora isso, o que mais importa, não é?

ENTÃO QUAL É O PROBLEMA, CÊIS ME PERGUNTA.

O problema é que me vejo diante da situação recorrente aí de cima: se eu não der o primeiro passinho, ficarei sem.

Qué dizê, é o que parece se configurar. Não que se eu der o primeiro passinho a coisa vá andar, tem horas que eu acho que vai, tem horas que eu tenho certeza de que não vai não. Mas acho que a única coisa certa é que ou eu tento ou eu fico sem. No caso, então, eu vou estar ficando sem.

De acordo com consultores experientes (não), parece que nesse desbalanço que está favorável pro meu lado, por causa de condição ~adulta~ de vida, mas eu acredito justamente é no contrário, gente. Mulher & velha (ainda que apenas por referencial, se a gente estiver bonzinho hoje), eu tô é em franca desvantagem.

E é isso. 01 pena pensar que a pessoa tá ali ao alcance da mão, mas vai ficar por isso mesmo, porque eu não tenho estrutura de escutar "mas olha, eu te acho ótima, mas te vejo como tia" esperando um "VEMK".

No mais é torcer pros rumos da vida dessa pessoa a levarem pra bem longe de mim, porque eu não quero estar à beira dos 50 anos e escutar que rolava todo um sentimento no ano do senhor de 2016.