quarta-feira, 28 de maio de 2014

my so boring life

disk significa apenas o fim de um ciclo e renovação. OREMOS.


Sabe quando você fica uns 2 meses sem encontrar alguém e a pessoa pergunta o que tem acontecido com você e a resposta é ~nada~? Pois é. Aí tava arrumando o layout do meu próprio blog (não deu certo, como vocês podem reparar) e tinha que ficar olhando esse post da falta de criatividade. Me dei conta que não tenho sobre o que escrever porque nada.acontece., mas de repente, por que não escrever sobre isso, né?

Praqueles de vocês preocupados com a minha sanidade mental num post aí pra trás, eu digo: estou indo a uma psicóloga. Aqueles de vocês que me veem ao vivo ou nas redes sociais, se tocarem no assunto, negarei como se o doido fosse você :)

Disse isso apenas pra contextualizar algumas coisas. Por exemplo: tive que explicar pra ela como eu conhecia uma pessoa, que eu conheci por causa do blog, mas indiretamente. Aí ela me perguntou sobre o que eu escrevia e COMO PROCEDER quando você fala da vida? Já descobri que ela mora a duas quadras da minha casa e a gente vai na mesma padaria, sabe? Magina a pessoa colocando seu nome no google e achando seu blog diarinho? Eu tenho medo.

Em assunto parcialmente relacionado, eu acredito que não tenha dado tempo ainda de ter alguma grande revelação comportamental (q), a ponto de achar que qualquer coisa que eu faça ou decida seja resultado de organização mental mágica.

Porque assim, esses dias (ontem) eu tive um sonho muito deselegante. E eu tenho sonhos complexos, com sentido, que me perturbam o dia inteiro. Hoje em dia eu tenho uma magia bem idiota. Sabe aquele momentinho em que você ainda não acordou, mas já não tá mais dormindo? Se eu pensar a complexa sentença "SAI", eu normalmente apago o sonho da mente e fim. Mas tem uns que não tem mentalização que apague. Tipo esse.

Tava eu num lugar muito maravilhoso, onde rolava uma praia de cores muito bonitas (água, vegetação, céu), que eu podia ver através do vidro do restaurante onde eu ia comer. Era praia, mas estava frio (01 cenário perfeito), dentro do restaurante tinha um monte dessas lareiras que tão na modinha (eu moro em Curitiba, restaurantes têm lareiras internas, várias, pra gente não desistir de comer e ir pra casa. Elas parecem um cogumelinho, sabe?). Aí um buffet bem bonito, cheio de comida boa, mesas e cadeiras de madeira, cortinas de algum tecido esvoaçante, voando de leve com o movimento do ar circulando. Um lugar bem bonito mesmo.

Eu estava numa das cadeiras do canto, com vista privilegiada pro ocaso, o ar quentinho, cheiro de comida ficando pronta. Olhei pro lado e vi andando na minha direção um desses namoradinhos dos quais a gente acaba esquecendo ao longo da vida. Na época, parecia um romance épico, com direito a temporada separados por 10 mil quilômetros, ligações enlouquecidas de cinco minutos por um real (pois é, faz tempo), emails e promessas. Depois virou num nada, cada um seguiu seu rumo, nunca mais vi. Então, me diga: de onde raios meu subconsciente tirou essa pessoa pra enfiar num belíssimo sonho? NÃO SEI.

Pra agravar a minha situação desoladora, o mocinho, enquanto jovem e existente na minha vida, usava um cabelo muito do medonho, comprido, cheio de cachinhos fora do lugar, um topinho de brócolis praticamente. O outfit todo trabalhado no moletom marcado pelo uso constante, tênis desmanchando. Pois no sonho o cabelinho estava bem cortadinho, e o outfit consistia de terno.bem.cortado. e sapatos novos. Num vô nem aqui entrar no mérito da qüestã que o infeliz não é adepto das rede social e eu tive que ir no google e ADIVINHA se não tava rolando uma fotinho de terno e gravata? Além de trazer uma pessoa aleatória pro sonho, ainda traz correspondendo com a realidade, muito eficiente meu cérebro. 

01 análise: onde estava essa belíssima aliança no sonho?

outra análise: como uma pessoa tão revoltadinha contra o sistema
 se torna isso aí? isso porque não mencionei a profissão, função social e etc.


Pois vinha esse senhor, nesses trajes (devo dizer que tem um par de óculos no meio da cara e eu tenho assim UM PONTINHO FRACO no que diz respeito a óculos [emoldurando dois lindo zóio verde]?), sorridente, andando na minha direção. Eu faço aquele movimento básico de conferir se é comigo mesmo, se não é com a pessoa atrás de mim. Mas não tem ninguém atrás de mim, então é comigo mesmo.

Eu levanto, né? Todas as minhas células se perguntando o que raios tá acontecendo e tal, ni qui ele chega bem na minha frente, me abraça, me levanta, jura amor eterno e tudo mais. Mas ele tá com pressa, sabe-se lá o motivo e não dá tempo de comer. Gente, até no sonho? Sério, vamo dar aqui um desconto pra mim e me deixar comer quando não engorda, pelo menos? PFV.

Nessa hora acho que meu cobertor deve ter caído, porque ele abriu a porta do restaurrã e veio aquele ventinho gelado, mas a cor de tudo era muito bonita mesmo e eu queria fotografar pro instagrão (haja), mas óbvio que meu aifone não queria funcionar. Pensei "whatever, vou olhar aqui abraçadinha nesse lindo" e sim, meu despertador tocou.

QUAL É O OBJETIVO???? FREUD? JUNG? LUCIABO?

Olha, gente, eu fiquei revoltada. Sério. Acordei #chatiadíssima, catei o celular antes de o olho desgrudar e fui procurar o fio no google (donde vem a foto acima) e fiquei mentalmente brigando com o meu próprio cérebro.

POR QUE JÁ DEU.

Esse negócio de desenterrar gente do passado, pelamor, chega, vamo evoluir. Não me basta o caso de amor que eu não posso resolver e já complica a minha vida o suficiente, meu cérebro quer ir lá mexer em quem tava quieto?

O mais bonito é que o engravatado feat. pilar da sociedade aí em cima foi um belo dum sem vergonha em outros tempos. E eu tive que lembrar de todas as conversas embaraçosas entre mim e ele, entre mim e outras pessoas SOBRE ele e - segura - entre mim e a mãe dele. Mas pra mãe, os filhinho tudo são um doce, né? Eu que era a bruxa, que deveria segurar minha péssima influência pra lá.

Onde a gente conhece pessoas novas ~pesquisar.

Katia cega me entenderia.

*****

Aí, como eu parei com esse negózdi tarô, horóscopo, previsão de futuro não intencional e tal, eu tava vivendo minha vida calmamente, quando fui limpar meus feeds e lembrei de um blog que eu não lia há meses. As atualizações deram uma boa diminuída, eu esqueço de entrar, mas aí tava lá este post. Eu vi e dei risada, como sempre, especialmente sabendo como funciona o recalque fraternal. Aí quando chegou na parte "Não reclamem se forem "A morte", "A depressão", "O loser", "O sem amigos", "O fala sério que você acredita nessa merda" ou algo do tipo. Vão lá por sua conta e risco.", eu pensei "mas não tenho nem dúvida de que se eu for brincar, vai dar uma dessas maravilhas aí. É memo? Pois veje com seus próprios olhos este absurdo.

Vença seus fantasmas do passado, não lamente as perdas.

Como proceder com tamanho karma errado? Como vencer fantasmas do passado, por gentileza?

I ain't afraid of no ghost

O mais irritante é que não funciona muito bem se eu usar o ~nome artístico~ - mais conhecido por vaneça negão, que não vem a ser meu nome inteiro (embora verdadeiro e não inventado). Mas dá certo pra fase da vida em que eu passei a adotarlho. 01 MAGIA. E é tudo bem mais bonito pro nome artístico, acho que tô indo ali no cartório mudar.

E boa sorte aí pra vocês que vão clicar nesse link maravilhoso e ficar surtando a respeito, ou pra vocês que só me acham uma grande boboca. 

Mas é isso, gente. Rumo a uma mente sã (hahahahahakdjfsdkjfn).


segunda-feira, 26 de maio de 2014

dins e ól istar



No caso assim de alguém estar muito desesperado nesse momento difícil de falta de inspiração, tô tentando reviver aqui.

Não se animem.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

apenas 01 enquétchy

Querridos, me digam por aqui ou pelo ask, cêis que sabem:

Se eu postasse aqui umas coisas mais curtas, tipo as idiotices que a gente (eu) posta no facebook, tipo historinhas com poucos caracteres, duas frases, pensamentos imbecis, essas coisas, cêis acham que é trair o movimento dos posts gigantes ou é válido enquanto entretenimento também?

Eu me estou-me pressionando a mim mesma, porque às vezes eu tenho só uma historinha assim curtinha pra contar e nem abro o blog, senão vou ter que desenvolver e vai levar 6 horas (literalmente, gente, tem posts que levam seis horas inteiras pra serem paridos) e eu tô mentalmente esgotada e etc.

Só pra saber mesmo, pra ter um post com 30 comentários e tal.

HAHAHAHAHA (não)

sexta-feira, 9 de maio de 2014

you love who you love (who you love)




Dando continuidade aos posts filosóficos nos quais ninguém se entende, vou me repetir aqui falando sobre o assunto mais bocó de todos os universos e adjacências: amor, ah, o amor.

Vamo começar com uma ~polêmica~:

FRIENDZONE NON ECSISTE, é coisa que botaram na sua cabeça.

Estou começando com esse belíssimo tópico por motivos de ter uma lista infinita de """admiradores""" (stalkers) que ficam ofendidinhos, dizendo que são legais e fofos e perfeitos e eu, A BRUXA, coloqueilhos na indigníssima condição de amigos, de modos que mereço todo o horror relacionamentístico que venha a me acometer. Primeiramente:

VAI CAGAR.

1 - se você me ama e eu não te amo, mas eu gosto da sua pessoa por alguma razão, você é meu amigo e fim. Eu não sou obrigada a te amar de volta, meu bem, MIDESGUPI, mas essa é a difícil realidade do cerumano preso nesse planeta de baixo estágio evolutivo que é a: Terra. E não faz diferença nenhuma o quanto você acredita que é legal, que vem a ser bem diferente da quantidade que você é legal de fato. Eu não te coloquei em zona nenhuma em que você já não estivesse ou para a qual fosse predestinado para todo o infinito. As pessoas mudam, eu sei, e pode ser que daqui a 42 anos uma pessoa perceba que realmente gostava da outra e coisa e tal, mas no momento em que eu não te amo, você é meu amigo. Mesmo se você for o líder dos ursinhos carinhosos. E não é porque mulher (ou eu) goste só de babaca, de traidor, de cara que não dá a mínima. A gente só não gosta mesmo é de você.

2 - você nem sempre é essa coisa linda e maravilhosa, 01 presente de deus para as meninas, que você pensa que é ou que alguém te levou a acreditar que seja. Ó, às vezes só quem tá ali com a lupinha em uso que percebe o belo traste escondido debaixo da cara de mais bonzinho da cidade. Eu namorei pouco, mas já peguei muito e tô acostumadíssima a ver o ~moço perfeito~ virando um pesadelo bem diante dos meus olhos. 

Tinha o cara bonzinho. Todo mundo queria que o bonzinho achasse uma moça boazinha (não, eu, é claro), porque a vida do bonzinho era toda complicada e ele era muito solitário. Pois eu e o bonzinho nos aproximamos, ficamos amigos e eu era mais uma das pessoas que pensava "gente, mas que pessoa incrível, comé que o universo não conspira a favor?". Um dia, numa festa mais caída impossível, o bonzinho me jogou na parede e prometeu amor eterno. PROMETEU SIM, que temos sms, emails e DMs (que ano é hoje) pra provar. Eu gostava muito do bonzinho, mas não era amor. Avisei que não era amor. (Engraçado lembrar disso justamente hoje, porque foi num novedemaio pré dia das mães que me rendi aos encantos do bonzinho, que queria sair de novo no domingo e eu deveria ter desconfiado que um cara COM MÃE que quer sair no dia das mãe não pode regular muito bem.)

Pois o bonzinho tinha uma história obscura, que eu acabei descobrindo em mais ou menos um ano de convivência próxima e, olha que chocante, de bonzinho não tinha nada. Eu sou uma pessoa super estressada na vida, mas super fácil de lidar na realidade, porque eu sempre aviso que alguma coisa tá me irritando e geralmente me fecho no meu quarto pra evitar reações extremas e só discuto quando tô em condições de fazer isso com educação. Pois bonzinho me tirava do sério e uma vez eu fiquei no limite de jogar um barril de cerveja na cabeça dele. Algum avulso me segurou, eu parei, enchi uma jarra com a cerveja de dentro do barril em questão (uma cerveja especialmente nojenta) e fui bem louca na direção dele pra virar naquela cabeçona inútil. No meio do caminho, alguém me disse que bonzinho tava pra desmaiar e eu segurei a cerveja, pensando "se esse infeliz morrer, eu ainda vou ter que carregar, se eu jogar essa porcaria nele, vai encostar em mim" e foi o que me fez parar. Bonzinho passou muito mal mesmo, tive que carregar pra casa. O caminho todo ele foi me ofendendo por tantas razões que eu jamais compreenderei, até no corredor do apartamento dele me desafiar dizendo que eu estava levando pra casa errada, porque eu era burra demais pra lembrar onde o lugar certo ficava. Joguei o estrupício pra dentro, taquei uma garrafa de água na cara dele, saí, tranquei a casa e não consegui passar a chave por baixo da porta. Voltei e não sabia se deixava o infeliz destrancado naquela vizinhança suave ou se ficava trancada pra dentro com ele. Fiquei. Apenas movida pelo medo de que ele fosse encontrado morto na manhã seguinte por ser um babaca ou por ser burro. Na manhã seguinte, a personalidade boazinha já tinha voltado praquele corpo que, convenientemente, tinha esquecido o dia todo anterior. Larguei o bonzinho, não sem antes escutar que era ele quem estava terminando, porque eu estava envolvida demais HAHAHAHAHHAHAHA. Eu sempre acho ótimo quando os bonzinhos terminam comigo, porque sempre me dão a desculpa pra quando quiserem voltar (e SEMPRE quererão): eu não quero sofrer de novo quando você cansar de novo, melhor não.

HAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHA

Quando as pessoas souberam do fim, todos ficaram abaladíssimos pelo bonzinho. "Por que você largou ele, sua bruxa???". Se eu contasse que bonzinho até ameaçou me bater (e não bateu, porque eu disse que mataria ele em seguida ♥), as pessoas me diziam que eu estava louca ou inventando coisas, não é possível, ruim sou eu, o bonzinho só devia estar estressado pela minha presença massacrante.

E esse é só o pior exemplo. Tenho montes de bonzinhos aqui. O bonzinho que maltrata o garçom num dia e compartilha no facebook no outro "você sabe se uma pessoa é legal quando ela trata bem quem não pode fazer nada por ela etc" e essas bobagens? Toda vez que eu saía com esse infeliz eu passava fome, porque além de comer toda minha comida e me fazer pagar minha metade*, eu tinha certeza que vinha tudo guspido. 

*Eu pago MINHA PARTE com amor. Eu pago metade da conta se a gente dividir a mesma coisa, com amor. Eu fico brava se eu peço um negócio de 10 real, o outro pede de 40, COME TUDO A MINHA COMIDA e ainda quer dividir a conta no meio, sendo muito esperto e chamando o garçom e pagando primeiro quando eu saí pra ir ao banheiro. Aí eu quero mais é que exploda.

Então assim ó. Cê pode acreditar na sua condição de homem ideal o tanto que você quiser. Cê pode justificar feiúra com alma boa, cê pode justificar alma podre com beleza, cê pode acreditar no que quiser, meu amigo. Só não pode achar que é uma dádiva ser amada por você, porque nem é e eu não tô interessada e vou seguir aqui com a minha vidinha, pegando quantos idiotas (pelo seu ponto de vista) eu julgar necessário, até o apocalipse ou eu morrer, o que vier primeiro. 

*****

Tem um desses bonzinho aí que nego vive me perguntando "mas por queeee você não fica com ele?". Cara, mas que ódio eu tenho disso? Se você gosta tanto assim desse indivíduo, fica você com ele, dá sua mulher pra ele, sua filha, sua vó, sua mãe e vê se quica. E ó que é um bonzinho que serve pra amigo (hahaha ok, midesgupi), mas eu.não.quero.namorar.esse.infeliz.nem.morta. Não sugira isso, que um dia eu vou acabar tirando ele da minha lista de amigos só por causa dessa pentelhação. E eu sei que esse bonzinho namoraria comigo se eu quisesse e sinto apenas: dó. NOT GONNA HAPPEN.

Mas aí um dia eu tava conversando com esse moço sobre uma coisa de que eu gosto muito, mas sobre a qual ele sabe muito mais que eu. E era até por isso que era com ele que eu estava conversando sobre esse assunto, eu queria umas dicas. Mas, veja bem: não é o trabalho dele, ele não ganha dinheiro pra isso e eu não estava querendo consultoria grátis. Eu queria uma conversa com um amigo que sabe mais que eu sobre uma coisa pela qual eu me interesso e fim. Pois ele foi bem estúpido (ai, que bonzinho), falou comigo como se eu fosse burra (super bonzinho), me desencorajou antes de eu começar (bonzinho mesmo) e, pra ser bem sincera, nem olhou na minha cara enquanto eu explicava o que eu queria. ISSO É SER AMIGO? Não na minha cartilha. 

Então tem um não-tão-bonzinho-assim que vive dizendo que me ama e que busca a lua se eu quiser e eu só quero que ele milargue. Mas a gente tava conversando e ele também entende daquele assunto mais que eu, também não ganha pra isso, também perguntei coisas e levei um FUÉN no meio da minha cara que perdi até o rumo.

E aí tem o amorzinho da vida. Amorzinho da vida trabalha secundariamente na área que muito me interessa - ousseje: ganha dinheiro com isso -, de modos que eu nem fui perguntar nada, porque acho sacanagem se a pessoa pensar que eu tô explorando a amizade. Eu nem levantei o assunto nem nada, só comentei uma coisa assim meio por cima quando ele falou de um dos trabalhos dele. Não levou nem cinco minutos pra que ele se empolgasse completamente pela conversa e me perguntasse "ué, mas por que você não tenta?". Eu disse que não sabia por onde começar e que pra todo mundo que eu perguntava, eu levava um fora em resposta. Que todo mundo me dizia que eu estava equivocada, que eu não entendia o quanto era difícil, MIMIMIMIMIMI. Amorzinho da vida perguntou por que eu meu dou ao trabalho de conviver com essa gente (eu também não sei) e me explicou DETALHADAMENTE o que eu queria saber, terminando com "e se não der certo, você começa tudo de novo de outro jeito, ué". E ainda oferecendo pra ajudar com qualquer que fosse o caminho que eu resolvesse pegar.

CÊ VÊ AÍ, NÉ, BONZINHOS. TEUS FIOFÓ que cêis são as pessoas mais fofa do mundo. TEUS.FI.O.FÓ.

*****



Amorzinho da vida é um problema sério na minha vida, porque 98% das vezes em que eu percebo que tô pensando nele, vem a belíssima canção Genie in a Bottle na minha cabeça, porque em vez de "my body's saying let's go, but my heart is saying no", rola todo um "my heart's saying let's go, but my brain is saying NO".

Eu não quero dar aqui uma quantidade de tempo específica, pra vocês não ficarem aí sentindo pena, mas faz MUITO tempo que eu tento convencer a área mais estúpida da minha cabeça a entender que eu e amorzinho da vida não nascemos um pro outro, que no dia a dia a gente provavelmente faria a vida do outro extremamente miserável, eu sei que não suporto fazer muitas das coisas que ele mais gosta e que ele não suporta algumas das coisas que eu mais gosto, eu sei que a gente não poderia ser mais incompatível. Mas aquela área do meu cérebro que eu nunca uso, de modos que não desenvolvi, não compreende. Ela permanece obcecada com esse moço que não.vai.ficar.comigo.no.final.

Teve um tempo que eu consegui acabar com amorzinho na minha cabeça por anos (fuén). Tava bem quieta vivendo minha vida e chegou o orkut (fuén duplo na timeline, aqui). Aí ele postou uma foto. Não tinha legenda, não tinha explicação, não tinha NADA e foi o suficiente pro meu cérebro voltar naquele looping inútil do amor desconsolado. Achei essa foto salva no meu computador dia desses (a gente perde muita coisa na vida, mas essas fotos resistem às catástrofes, impressionante) e tratei de deletar. Não adiantou nada. E nem é uma foto em que ele esteja especialmente lindo, não tô falando de aparência (ainda que LINDO seja uma palavra super aplicável e tal). Era uma foto engraçada e bagaceira de uma pessoa que não tem necessidade de se levar a sério e essa provavelmente é a minha característica favorita nos seres humanos que habitam este planetinha. 

Depois eu fiz outro esforço hercúleo (vish) e larguei mão da ideia desse menino de novo. Aí foi o facebook, né? Porque você para de passar de bicicleta na rua da casa da pessoa, mas vem a tecnologia e joga a pessoa na sua cara numa terça à tarde que tá chovendo, a tia do andar de cima tá fazendo bolinho de chuva e você não será convidada pra comer. E aí, ó, foi mais de um ano tentando convencer a minha linda cabeçona de que não vai rolar, amiga. Você e amorzinho não têm nada a ver. 

Aí a gente se vê ele é atencioso com o que eu falo, com o que eu gosto, com o que eu quero, com o que eu penso. Sabe quando você faz aquela piadinha que você mesma pensa "pelamor, eu sou muito engraçada e genial, eu queria ser minha amiga", mas evita? Aí ele vai e ri por 12 minutos e fala "só você pra ter essa linha de raciocínio". E meu eu interior gritando SÓ VOCÊ PRA ENTENDER, MEU FILHO, porque eu já falei isso pra 486 pessoas e ninguém captou. 

*****



E é aí que eu me pergunto: por que a gente gosta de quem a gente gosta, mesmo quando a gente sabe que não combina, que não vai dar certo, que não é correspondido, que não é o bonzinho dos sonhos (não)?

Quando eu penso nos meus ~grandes amores~, eu sei que todos eles têm essa coisa em comum, de prestar atenção no que eu falo, de gostar de como eu penso e de respeitarem minha inteligência. Sei que não é por isso que eles são tão especiais, mas sei que no fundo é isso que bota todos eles no mesmo balaio. E é isso que tira completamente da jogada os ~bonzinhos~ que me amam. Amam sim, a imaginação que eles fazem de mim, porque não é possível a pessoa que eles projetam em relação a quem eu sou. É impressionante. 

Fosse possível aqui contar as histórias sem identificar ninguém, seria mais engraçado ainda a forma como esses bonzinhos perfeito são equivocados quando se trata do que eu, a pessoa que importa neste caso, quer. 

Um tempo atrás eu comecei a achar o comportamento do amorzinho da vida meio estranho. Não comigo, com a vida em geral. Aí eu lembrei de uma coisa que tinha acontecido com ele num dia, depois eu lembrei de outra, de outra e mais outra. Aí a gente tinha combinado um negócio e ele descombinou e eu fiquei um pouco confusa por razões que não direi para fins de privacidade (risos) e fui juntando os pontos até encontrar a menina que estava afastando amorzinho de mim. 

Não foi uma surpresa, veja bem. Ele estava sozinho, nós não temos nada, ele é bonito, engraçado, inteligente, divertido, cheio de boas ideias e uma das melhores companhias que existem, o surpreendente era estar sozinho, na verdade. E meu cérebro trabalha melhor quando precisa usar a lógica, e a lógica é: se não fomos feitos um pro outro e ele achou alguém que por enquanto parece ser feita pra ele, minha filha, vamo largar mão desse menino de uma vez por todas e vamo viveeeeer. Sai dessa ideia fixa, meu amor. Olha quantos peixe no mar etc. Cêis compreendem, né?

Foi uma semana difícil, porque eu ficava trabalhada no WHYYYY, GOD, WHYYYYYY do bad things happen to good people cada vez que pensava nisso, me achando muito injustiçada e querendo virar freira pra evitar a agonia, mas eventualmente eu consegui parar de pensar no assunto e cheguei até mesmo a receber uma declaração de amor de alguém que não estava na história, no meio do caminho. Não que eu tenha aceitado e mudado minha vida, tá tudo a mesma porcaria e eu não estou amando, mas é que eu percebi que quando eu largo mão de ficar surtando por uma pessoa que não está nem aí pra mim (seria eu a boazinha dele? Jamais saberei), outras pessoas aparecem na minha vida. Ninguém que me interesse, é claro, mas as pessoas estão aí em algum lugar.

E, claro, como o universo não vai muito com a minha cara, no momento em que ele percebeu que eu estava ficando LIIIIIIIIIVRE pra voaaar, amorzinho da vida aparece.no.chat.do.facebook.

O mais emocionante é que o assunto que ele resolve usar pra isso é uma daquelas bobagens que eu vivo falando e todo mundo (TODO MUNDO, incluindo minha mãe) vive me mandando calar a boca, mas ele não apenas leva a sério como mostra que é possível fazer as coisas mais idiotas do mundo que passam pela minha cabeça funcionarem. Eu fiz uma coisa que eu nunca faço, que é fingir que não li por umas 4 horas, pra não parecer desesperada (porque quando se trata dele eu SOU desesperada) e respondo meio, "meh, no fundo nem é grandes coisa". Aí ele passa os três dias seguintes numa conversa de doido comigo, em que tudo é muito maravilhoso, o cérebro dele é perfeito, provavelmente funciona no mesmo esquema do meu e eu sei que não tem ninguém no mundo melhor que esse cerumano que não vai ficar comigo pra sempre e fuéeeeeeeeeeeen na minha vida.

E eu, sei lá, concluí que eu tô equivocada a vida inteira. Não é que eu não acredite no amor ou não ache isso possível. Mentira. Eu tô vivendo essa porcaria faz ANOS e nem tinha me dado conta. Porque não interessa o que esse menino faça, quantas noivas, namoradas ou peguetes ocasionais ele tenha, não interessa em que país ele more, não interessa quantas vezes ele troque de profissão ou de cidade ou de filosofia de vida, não interessa quantas bobagens ele fale ou faça ou o quanto ele seja chato com algumas coisas ou o quanto eu saiba dentro do meu cérebro em todas as partes dele que a gente não foi feito um pro outro. Eu sempre vou ficar aqui derretidinha quando ele vier falar comigo e deixar que ele seja feliz sem saber do quando eu sou enfeitiçada por ele, pra que ele viva contente com quem quer que seja e não se veja obrigado a me tirar da vida dele porque eu não sei me comportar. Tô começando até a acreditar que seja amor isso. E aí, meu bem, eu queria é que alguém viesse aqui me contar QUE TANTA GRAÇA QUE VOCÊS VEEM NISSO.



PS: minha coisa favorita sobre a foto acima é que ela foi tirada numa época em que eu descobri o tumblr, então tava numas de ser a hipster das fotinha. Tirei, publiquei, fiquei feliz com os reblogs e coisa e tal, masssssss, não me dei conta de que tinha feito a coisa mais idiota do mundo: conectar tumblr e facebook. Um dos bonzinhos aí de cima, que ju-ra-va que eu tava amando - mas não era eu quem revirava as redes sociais alheias - me chamou pra uma DR importantíssima quando viu isso aí. Ficou três horas me explicando que hoje em dia os relacionamentos não podem ser rotulados, que falar de amor em alguns estágios é um pouco prematuro, que às vezes a gente só aprecia a companhia e mimimimi. Eu tava com a maior cara de tela azul do universo, tentando entender aquela conversa biruta e resolvi perguntar se eu me declarei dormindo, se mandei um sms errado, O QUE RAIOS tinha acontecido pro nego ficar tão apavorado. Aí ele falou que viu essa foto aí no meu tumblr. Sem nem pensar antes de falar (meu modus operandi), respondi "MÁ MEU FILHO, CÊ PENSOU QUE ERA COM VOCÊ? HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH" e pronto, até hoje tenho que aturar o recalque do rapaz, que vive dizendo que não só era o amor da minha vida, como eu ainda estou juntando os caquinhos do nosso amor.

Quiridinho, eu sei que você está lendo e essa é pra você! ♥
(Só que não :*)

segunda-feira, 28 de abril de 2014

why are we the way we are

fale isso três vezes rápido q



título alternativo: pendância extreme.

Desde quando eu era criança, eu sempre soube que meu cérebro não funcionava do mesmo jeito que os das outras pessoas. Não estou de forma alguma querendo dizer que o meu funcione melhor mas estou sim, porque eu não acho que seja esse o caso. Mas eu estou querendo dizer que eu normalmente entendo o que a pessoa quis dizer, mesmo que ela diga tudo torto e normalmente ninguém entende o que eu estou falando, mesmo que eu reformule 38 vezes, devagar e com desenhos.

Chego a perder o bom humor com o quanto as pessoas perdem o foco do que eu disse. Cêis nem imaginam o quanto o facebook é um exercício de paciência pra mim, que posto alguma coisa, tipo "o céu é azul", pra fins de falar sobre a cor azul. 97 comentários depois, tem gente falando que daltônicos veem o céu laranja e nem por isso é menos bonito e MEU AMIGO, não é isso o objetivo da minha discussão, compreende?

É assim com tudo. Com o assunto em casa no café da tarde, com os posts relevantíssimos do facebook, com este blog. 

Um.grande.exercício.de.paciência.

*****

Vocês também sentem que as pessoas não estão mais aptas a responderem perguntas simples? Que sim, não, um número, um endereço NÃO EXISTEM MAIS?

- Você vai lá hoje no jantar?
- Então, é que meu irmão tá com meu carro e eu queria comer pizza, mas amanhã tem um almoço de trabalho e hoje eu tinha academia e...

PELAMORDEDELS, MEU FILHO, NÃO PODE SÓ DIZER NÃO?

- Que horas são?
- Ah, é que meu relógio tinha entrado água e eu deixei meu celular dentro da bolsa que eu acabei nem trazendo e aqui no computador tá com uns cinco minutos de erro e...

Um simples "10 horas, mas pode ser 5 pras 10" ou "NÃO.SEI." seriam mais do que suficientes.

- Onde cê mora?
- Sabe aquela ponte que fica depois da curva da rápida sentido bairro depois da trincheira que fica do lado daquela Cassol?

NÃO, AMIGÃO, NÃO SEI. Rua Anfilóquio Eustáquio, número 438 super me ajudaria bem mais que esses seus pontos de referência lunáticos aí.

- Que dia você sai de férias?
- É que eu tinha um casamento pra ir no dia 29, mas aí a pessoa mudou pro dia 14 e eu quero aproveitar pra dar uma passada em Buenos Aires, aí...

Gente. GENTE. Sério, gente. SIM, NÃO, NÚMEROS, ENDEREÇOS.

Se sua historinha for relevante, cê conta ela depois, eu aceito, mas será que é muito difícil responder diretamente qualquer coisa?

- Tá com frio?
- Eu tava de blusa, aí tirei, aí bateu um vento, aí eu coloquei a blusa, aí fez sol, aí eu tirei, mas o vento ainda tava gelaajksdhfkjsdkjfhkdjfhsk 

SAI.

*****

Outro dia eu tava fazendo um balanço da minha vida nômade e me dei conta que guardei da high school apenas 01 número de 6 amigos. De todas as 135 escolas em que eu estudei.

A última delas é aquela da turma com quem você "se forma", hahhaha, acho que ninguém usa mais essa expressão estúpida nos dias de hoje, acho que as pessoas dizem que acabaram o ensino médio, né? Uma coisa que faz muito mais sentido, até.

Masss, no ano do senhor de 1500, quando eu terminei o que chamava ainda segundo grau, houve uma formatura, como sempre havia. Outro dia alguém no facebook achou algumas fotos desse maravilhoso evento (não) e de todos os outros naquele ano. Eu, que passei esses anos todos sem nem lembrar que aquelas pessoas existiam, não só publiquei as fotos dos meus álbuns, como disse tudo que vinha à minha mente.

"A fulana da extrema esquerda não valia nada, prometeu ~saliência~ pro menino que eu amava na minha frente, só pra ele não dançar comigo". "A infeliz de blusa rosa deu um ataque num dia que obrigaram a gente a ir na igreja dela [que era quem mantinha a escola] e numa festa em que a gente tinha que dançar em parzinhos, o fulano decidiu dançar comigo em vez de dançar com ela". E assim foi, comentários com muito amor no coração, sobre todo mundo cuja cara eu lembrava (dos nomes não lembrava nenhum).

Até que um marcou uma pessoa... que marcou outra... que marcou outra... E meia hora depois a escola inteira estava marcada em todas as fotos.

Por 38 segundos até me preocupei. Visualizei gente vindo tirar satisfação porque eu disse que seus namorados eram lindos, que seus pais eram ignorantes, que seus cabelos eram feios, que seus cérebros eram inúteis. NINGUÉM veio. Nem uma pessoa. Zero. Todos me adicionaram como amiga (os ofendidos e os nem citados), todos me mandaram mensagens amorosas e pediram meu celular (que obviamente não dei), todos pareciam genuinamente felizes em interagir.

Donde eu concluo que ninguém se deu ao trabalho de LER o que eu escrevi. 

Parei de ser estúpida e permaneci apenas naquela interação básica, no analfabetês que todo mundo já conhece e adora (não), até que eu percebi que as outras pessoas não estavam brincando, estavam escrevendo a sério. Pessoas com quem eu estudei numa escola de certo prestígio, gente cujas notas nem eram assim horríveis, que simplesmente não sabem mais escrever. Isso se souberam algum dia, não é?

Como muitos deles ficaram na mesma cidade ou nas cidades num raio de 50km, começaram a surgir planos de encontro. Como quase todo mundo me adicionou, eu comecei a ver o que eles escutam, assistem, frequentam e gostam. Como eu nunca tive nada a ver com essas pessoas, nem naquele tempo, muito menos agora, eu comecei a me perguntar como a gente vira o que a gente é. A gente vira o que a gente é? Ou a gente é assim e só... aflora?

Lembro que uma vez estávamos num grupo de meninas sentadas na rua principal da escola (sim, DENTRO da escola), conversando sobre viagens. Meio dos anos 90, pessoas que não eram especialmente ricas não viajavam constantemente pro exterior, o que era nosso caso. Então o assunto era viagens nacionais, mesmo.

Meu avô sempre achou importante que conhecêssemos o Brasil e sempre enfiou todo mundo num carro - ou num comboio de carros - e saiu carregando por aí. Pro extremo sul, o sudeste todo, centro-oeste, os países em volta nas fronteiras: já vi. Pro norte e nordeste não teve quem me convencesse a entrar num carro E NEM TERÁ, porque se viajar por 14 horas já me deixa com ódio no coração, imagina o dobro. Em todo caso, até aquela altura da minha vida, eu já tinha passado por mais de 10 estados e inúmeras cidades.

Eu realmente não sabia que isso era muito mais do que a maioria das pessoas, não tinha nenhuma intenção de me vangloriar. Eu achava que viajar era normal e pra isso que serviam as férias. No meio da conversa, uma das meninas disse que nunca tinha saído da cidade. 

A cidade em questão era daquelas que nem ônibus circular tinha, de tão pequena. Com a minha bicicleta eu não levava mais que 20 minutos pra atravessar de um lado a outro, em qualquer sentido. Minha casa ficava num extremo, do lado do aeroporto (eu já disse essa parte, né?) e o clube ficava no extremo oposto. Quando eu não estava com vontade de pedalar, ia a pé, sem medo de perder o dia. Uma cidade MUITO pequena mesmo.

Naquele pedaço do interior de São Paulo, muitas cidades pequenas estão muito próximas. É mais rápido ir de uma a outra do que daqui de onde eu estou até o centro de Curitiba, o que é MUITO perto. Então as pessoas se acostumam a ir pra outra cidade por causa de restaurantes, pontos turísticos, casas de amigos, baladas, eventos sociais, supermercado melhor, loja de roupa, qualquer coisa. Os pais levavam as quiança pra aprender a dirigir nas estradas. A gente saía da cidade toda hora. 

Mas aquela menina disse "eu nunca saí daqui" e a gente achou que era ali daquele círculo de umas 20 cidades num raio de 100km. E ela disse "não, eu nunca coloquei o pé pra fora daqui desta cidade, incluindo ir no ~evento~ que tem na outra cidade logo ali".

A pessoa tinha 16 anos e nunca tinha pisado fora dum raio de 30 km (e eu tô aqui chutando alto).

O que me traz à pergunta: eu viajo porque sou esse tipo de pessoa? Eu viajo porque minha família é desse ~tipo~? Ela não viaja porque é ela? Porque a família dela é assim? Porque as pessoas em volta dela são assim? Por que eu sou assim?

*****

Quando eu estava no segundo grau [/véia], eu dormia MUITO cedo. Eu odeio acordar cedo com toda a força do meu eu, sempre odiei. Mas também não gosto de acordar tarde e perder o dia (milarga). Só que todo o ritual de ir pra escola às 7 horas da manhã dava uma boa desestabilizada no pouquíssimo bom humor que eu tenho.

Nessa época, minha mãe resolveu criar o amor entre os povos (só que ao contrário) e construiu uma casa gigante com apenas dois quartos: o dos meus pais e o que eu dividia com os meus irmãos. Não era um quarto pequeno, veja bem. Cada um tinha seu conjuntinho de cama e armário, tinha uma prancheta, um sofá de três lugares, várias prateleiras e um piano. Espaço, tinha. O que não tinha era como deixar felizes três criaturas de idades e gostos tão diferentes dentro de 20 metros quadrados. De modos que nas manhãs de dias úteis, era sempre um pesadelo. Cada um precisava de um tanto de tempo pra ficar pronto, o primeiro sempre queria acender a luz, o armário de alguém sempre fazia muito barulho, alguém sempre levava tempo demais no banheiro etc etc etc. 

Qual foi a solução da minha mãe? Acordar a gente com música. Mas com música que a gente gostasse? De jeito nenhum. Estando a família numa cidade do interior, o que fazia sucesso era a maravilhosa música sertaneja. Minha mãe se dava ao trabalho de ligar na rádio e pedir pra tocar Gian e Giovane lá pelas 10 pras 6 da madrugada. Deixava o rádio ligado. De repente, a gente só ouvia invadindo nossos sonhos "pros filhos da dona J., que estão acordando pra ir pra escola, sua mãe deseja booooom djiaaannnnnn". ♬ OLHAMORRRR, A SAUDADE DÓI DEMAAAAIS

PFV.APENAS.PARE.

Também nessa época, a vida social não era fácio. Cê vê: em casa eu ouvia rock clássico. Supertramp, Deep Purplo, Iron Maiden, Pink Floyd. Nos bares só tocava pagode. E era isso ou mofar sozinho em casa. Tinha também a especialíssima época de rodeios ou exposições agropecuárias, em que artistas que todos amam, como Beth Guzzo ou Rita Cadillac, faziam shows. Ou o clube, o único da cidade, que tinha um lago e uma ilha (sério), e promovia shows daqueles infinitos grupos de pagode dos anos 90.

Qual era a alternativa? Eu tinha amigos que iam pro posto (sim, de gasolina), com o porta-malas aberto, tocando as músicas que a gente realmente gostava e meia dúzia de latas de cerveja quente pra cada um. Tinha gente que ficava em casa, gente que fazia churrascos, gente que ia acampar. Eu não gosto de NADA disso. E entre todas as alternativas, eu preferia ir pro clube dançar a noite inteira ao som de Negritude Junior. 

E eu sei que sou o tipo de bocó que consegue se divertir em praticamente qualquer tipo de festa com praticamente qualquer tipo de som (tamo nem chamando tudo de música aqui). Mas se você olhar na minha ecletíssima (q) pasta de música, cê não vai achar pagode lá - talvez ache uma lista que eu fiz pra um aniversário do meu irmão, que supostamente tinha como tema irônico churrasco e pagode. Também não acha sertanejo, porque Victor e Léo pode ser qualquer coisa, mas sertanejo é que aquilo não é. Música hipster, pedante, indie, folk e pretensiosa de vários tipos, você vai achar. E ninguém na minha família nem no meu ~meio~ escuta isso. 

Por que eu gosto?

Será que se eu tivesse ficado pra sempre em São Paulo, com aquela visão limitada de criancinha paulistana - não que eu esteja generalizando, mas eu me encaixava MUITO no estereótipo - eu seria diferente? Meus amigos que cresceram comigo e ainda são meus amigos têm visões de mundo completamente diferentes das minhas. E gostos e costumes e atitudes. Meus amigos do interior também não têm nada a ver comigo. Meus amigos da faculdade (se é que dá pra botar no plural isso aí) não poderiam tem menos a ver comigo se eles tivessem vindo de outro planeta. Meus amigos de hoje em dia eu poderia dividir em tantas categorias que não terminaria nesta vida.

E eu? O que me faz ser o que eu sou? Quem eu sou?

Passei uma grande parte da minha vida acreditando que eu era adotada. Quando meus pais se chatearam de verdade com essa história, eu comecei a achar que tinha sido trocada na maternidade. Infernizei um número enorme de pessoas com essa história, até me confirmarem que eu fui o único bebê nascido naquele dia, naquela maternidade. 

Então qual é a causa dessa completa falta de identificação? Nesse caso, intelectual, física, comportamental, geral. Às vezes gasto todo o período de uma refeição escutando a opinião das pessoas que moram na mesma casa que eu, só me perguntando como é que pode eles pensarem desse jeito se a gente foi criado tudo igual (ou POR eles). Não entendo. Não sei responder.

*****

Uma das maiores aflições que eu tenho na vida é fila de self-service. 

Primeiro eu fico nervosa quando a pessoa simplesmente entra na fila, sem olhar antes as opções. COMO essa pessoa vai escolher o que comer sem saber o que tem no rechô depois da curva? É muita falta de critério com o que ingere. Depois eu fico nervosa com a combinação dos pratos alheios. Gente, tem tomate, milho, brócolis e broto de alfafa, o que leva a pessoa a comer pepino, cenoura ralada, alface lisa e palmito? Tem risoto de limão siciliano, pra que gastar seu almoço com arroz comum e feijão preto? Que horror. Tem quiche, batata assada, falafel, bolinho de mandioquinha com queijo, frango à milanesa, abobrinha refogada. E a pessoa vai e pega panqueca de presunto e queijo, bife com bacon, couve. Por favor, gente. Vamo fazer uns pratinhos mais delícia?

Depois de muitas filas na vida, comecei a acreditar que essa bobagem diz muito sobre mim. Eu não consigo me conectar com as escolhas alheias, não consigo entender e, no fundo do meu eu, não consigo respeitar. Eu não vou lá virar o prato de ninguém e mandar tomar vergonha, mas dentro da minha cabeça, estou pensando "se era pra comer essa porcaria aí, era mais fácil ter feito em casa e trazido marmita pra esquentar no micro-ondas". E isso é uma grande ofensa mental, porque eu acho que não tem coisa mais horrível pra um ser humano que comida esquentada no micro-ondas. Essa porcaria tem 01 propósito apenas: estourar pipoca.

Depois de 8 dias escrevendo essa bobagem toda que não faz sentido nenhum, me dei conta que também não tem propósito.

Serviu apenas pra me deprimir ao lembrar da única pessoa no mundo capaz de me servir comida no prato de uma forma que parecesse que o prato foi feito por mim.

Porque eu não sei se vocês sabem, mas eu acho que cozinhar é a maior liberdade que o indivíduo pode alcançar. Quando você cozinha, você está 100% no controle. Do que você come, do que você dá pro outro comer. Quando você cozinha, você decide. O que quer, como quer, quanto quer, que horas quer.

E eu também acho que a maior demonstração de idiotice possível é esperar que alguém faça seu prato por você. Em que universo outra pessoa sabe EXATAMENTE o que você quer comer? Também me irrita gente que não escolhe o que pedir no restaurante, porque na minha cabeça, é a mesma coisa. Deixar nas mãos de outra pessoa uma das decisões mais importantes pra si mesmo.

Aí um dia uma pessoa simplesmente levantou da mesa no meio do almoço, sem dizer nada, e voltou com um prato que não tinha absolutamente nada do que ela gostava. Pois o prato era pra mim. E não poderia estar mais perfeito, nem se eu tivesse escolhido cada coisa por mim mesma.

Como é que isso acontece? E por que essas pessoas são sempre as que vão embora?

Não sei, não quero saber e fim.

sábado, 19 de abril de 2014

Às vezes eu me pergunto se alguém sentiria minha falta se eu morresse e a resposta é sempre: só o meu cachorro.

Por favor, não gaste o seu tempo e o meu dizendo que você sentiria minha falta, porque na internet é muito fácil sentir falta de alguém, quero ver é bater na porta da minha casa e aguentar minha cara feia porque eu odeio que venham sem me avisar, ir comigo num parque numa tarde sem sol ver árvores sem flores, ficar comigo na fila da loja lotada do shopping.

As pessoas falam dos amigos pra quem podem ligar às 3 horas da madrugada pra ajudar a esconder um corpo, mas eu só queria alguém pra quem eu pudesse ligar às 7 da noite, pra dizer "minha vida permanece uma merda, será que rola uma companhia silenciosa só pra eu sair desta casa por duas horas?".

Por favor, não gaste seu tempo e o meu dizendo que eu poderia ligar pra você e ir pra algum lugar só pra sair desta casa, porque ou você não mora nesta cidade estúpida e não adianta nada ou eu já te pedi socorro alguma vez e não fui atendida.

Eu acho que pessoas como eu, que passam a vida inteira literalmente lutando pra permanecerem vivas, não podem se dar ao luxo de ter uma única célula suicida no organismo. Mas às vezes eu entendo a falta completa de perspectiva que motiva as pessoas a simplesmente desistirem de continuar. Qual é o objetivo? Qual é a razão da existência desses dias absolutamente estúpidos, em que nada de relevante acontece? Pra que eu repito 250 dias no ano o ritual insuportável de acordar, trabalhar, voltar pra casa? Qual a necessidade de um dia irrelevante em que alguém resolve acabar com a sua apatia paz por qualquer razão estúpida, só pra não deixar que o dia passe em branco?

Não me acho uma pessoa essencialmente ruim, porque pra ser ruim a gente precisa aceitar dispender tempo em função de outra pessoa e eu não gosto de gastar nem um segundo do meu dia com outras pessoas, sejam elas do meu apreço ou não.

Entre qualquer outra pessoa e mim, eu sempre vou me escolher. Entre ficar em paz comigo mesma e agradar QUALQUER outra pessoa, eu vou escolher ficar em paz comigo mesma. Com exceção do meu cachorro. Talvez isso explique a razão de eu acreditar que ele seria a única criatura no universo a sofrer com a minha ausência.

E às vezes é só por causa dele que eu não me enfio no meu carro às 8 horas da noite de uma sexta feira e não saio dirigindo por aí até parar em algum lugar que torne minha vida menos idiota ou o suficiente pra pensar que tudo é tão idiota que o menos pior mesmo é voltar pra casa.

Ai, se meu cachorro não enjoasse no banco de trás.


sexta-feira, 4 de abril de 2014

sesame or pistachios



Meu pai está em Jerusalém.

Ele passou ou vai passar pela Europa, não sei, mas eu não tinha pedido pra ele trazer nada de Jerusalém. A única coisa que eu pedi foi pra ele trazer um bendito batom que vende em qualquer farmácia por lá pela Europa e aqui não vende nem por decreto.

Nunca peço coisas pra pessoas que viajam, nem que seja pra Minas Gerais, por duas razões básicas:

1) eu não gosto de trazer nada pra ninguém quando eu vou viajar e acho UM.SACO. quem pede e

2) ninguém acerta o que eu peço, nunca. NINGUÉM. NUNCA. NUNCA.

Isso me deixa tão nervosa que eu prefiro ficar sem, importar a preços exorbitantes pelo correio ou procurar um similar. Mas não peço.

Mas aí meu pai estava lá no fim do dia esperando o resto da galera terminar de se arrumar pra dormir e resolveu entrar no facebook pra contar das maravilhas de andar por onde Jesus andou e etc.

Ni que eu cometo a bobagem de perguntar se eles já tinham ido a algum mercado de rua ou se tinham planos de ir. Não, não foram, sim, há planos. VIVA. Porque tem uma coisa que eu queria e só tem lá naquela região, não tem conversa: halawi.

Eu achava que todo mundo sabia o que é halawi, porque na minha casa sempre teve um pote disso na geladeira, mesmo em épocas em que não tinha literalmente mais nada. Minha mãe é louca por esse doce horroroso, que ela sempre pronunciou "ralêu" e eu passei a vida inteira vendo isso na geladeira, sabendo onde tem no supermercado e comendo um pedaço de tempos em tempos (mesma relação de amor e ódio que manju). O problema desses que são encontrados no supermercado aqui é o eterno gosto de queimado. Não sei explicar, não gosto.

AH É: halawi, halawa, whateva, é um doce de gergelim com trezentos quilos de açúcar e manteiga (se não é, é o que parece). Uma pasta de tahine com alguma coisa, veja só se eu vou saber do que essas coisas são feitas, minha gente. Parece um tijolo gosmento. (Hum, delícia.)

Mas um amigo meu, que tem família em Israel, um dia ofereceu na casa dele. Eu disse não, afinal, tenho isso em casa e não como. Ele insistiu, dizendo que tinha um de café, um de pistache, um de sei lá o quê. Mas falou pistache, falou minha língua e eu aceitei um pedacinho.

QUAL FOI A NECESSIDADE DISSO?

O negócio era maravilhoso, era magia em forma de comida. E só tinha mais um pedacinho, só vende lá pros orientes, e era da família da pessoa, né? Eu não podia comer até o fim. Mas eu queria.

Eu tinha esquecido disso até antes de ontem, quando meu pai falou comigo no facebook e eu pensei "mas, gente, ele tá lá na fonte do negócio, vou pedir, me disseram que é baratinho". Aí eu mandei uma mensagem pra ele, bem assim ó: "pai, se você for ao mercado, me traz halawi com pistache? Parece uma pedra e não deve ser caro". Bem simples, né? Pois umas duas horas depois meu pai me responde "filha, sua tia disse que esse doce é de gergelim".

¬¬

Explico pro meu amado paizinho que é isso mêmo, eu quero doce de gergelim com pistache. E começa o diálogo insano.

- mas como é o doce que você quer?
- doce de gergelim, que chama halawi. Aí pede o que tem pistache.
- mas é doce de pistache?
- não, é de gergelim COM pistache.
- mas pede de pistache?
- tem que pedir halawi (pergunta pra guia como pronuncia esse negócio), mas o que tenha pistache.
- sua tia disse que é de gergelim.
- halawi, até onde eu sei, significa doce de gergelim.
- ENTÃO!
- então eu quero halawi COM pistache, é gergelim + pistache. Mas não precisa comprar não, achei que era mais fácil.

Falei a última coisa sem um pingo de recalque. É porque é um saco mesmo gente pedindo pra comprar coisa, você tá lá maravilhado com a sua viagem e tem que ficar decifrando o que nego quer, haja saco. Larguei mão mesmo, se eu quero o doce, eu que cruze o oceano e vá buscar. Desencanei.

Hoje vem meu pai no facebook de novo.

- filha, a gente vai num mercado amanhã, como é mesmo o negócio que você quer?
- não precisa, pai.
- é o doce de pistache?
- é gergelim com pistache, mas tem que pedir halawi.
- ah, se é de gergelim tá certo.
- mas não é gergelim puro, é com pistache.
- MAS ISSO NÃO EXISTE.

Tá bom, né? Falei que podia deixar, então. Ele me perguntou se eu gostava do de gergelim e eu tive que ser sincera e dizer que não. Mas eu sou muito inteligente da minha cabeça: isso significava que já tava comprado. Completei "mas a mãe gosta". Achei que o caso estava encerrado.

*****

Tava eu andando pela rua no meio dessas chuvas horizontais de Curitiba, tentando equilibrar ovos de páscoa, livros, bolsa, chave, guarda-chuva, quando meu celular avisa que eu tenho mensagem. Como eu estava esperando uma mensagem, malabarizei tudo e peguei o celular. Era uma mensagem da minha tia:

- Vanessa, não sei se você sabe, mas halawi é feito de gergelim.

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CA.TA.PLOF.


Não tenho nenhuma dúvida dentro do meu coração de que vou receber 8 tijolos de halawi comum, que eu poderia comprar ali no carrefour. Receberlhos-ei todos com amor. Prometo. (Mas não vou comer nenhum D:)


update: aparentemente acharam o negócio certo, VAMOS TORCER.

terça-feira, 1 de abril de 2014

the death of a fictional character

(Esse post levou mais de duzentas horas pra ser escrito e eu tô aqui sofrendo pra reler tudo. Se tiver erro não intencional SUCK IT UP e siga a vida. Uma hora eu corrijo.)

Você já parou pra pensar no exato momento em que você se encantou por alguém? Às vezes é alguém que você conhece há cinco anos e em algum momento dá aquele estalo e você pensa "pelamor, onde fui amarrar meu bode". Às vezes é alguém que você conheceu há meia hora. Às vezes é alguém por quem você já se apaixonou e desapaixonou 35 vezes, você pensa "agora chega" e dali 18 anos BAM, você cai na mesma armadilha do amor de novo.


Antes de prosseguir com esse post, você tem que saber duas coisas:

- a primeira é que eu não acredito em amor e acho isso incrivelmente triste. Toda vez que eu conheço alguém que me interessa, eu passo pelo processo de visualizar o fim. Em que eu acredito veementemente e sei que em algum momento vai chegar. Algumas vezes eu chego a afogar qualquer possibilidade de romancinho, só pra não ter que lidar com a perda catastrófica no futuro. E, por perda catastrófica, eu quero dizer que eu evito aquele momento em que você acorda um dia e percebe que não sente mais nada pela outra pessoa ou que não admira mais, ou sei lá o que raio aconteceu com o sentimento, mas acabou.

[Se você vem a ser meu ex, nem precisa procurar meu telefone na sua agenda, eu não estou falando de você :)]

Apesar de tudo, eu acredito em amor platônico PROFUNDAMENTE. Eu tenho uma coleção de amorzinhos eternos e revezantes, uns 10 indivíduos que entraram na minha vida 20 anos ou 20 dias atrás, com quem eu sempre penso: e se?

- a segunda, muito relevante, é: se você não está em dia com todas as séries que você assiste e não gosta de spoiler, não clique, DE NENHUMA FORMA, em expandir esse post. Sério. Vou escrever aqui meia dúzia de nome de séries. Se você assiste alguma delas e não está em dia, deixe pra ler depois.

Bones, Criminal Minds, Drop Dead Diva, How I Met Your Mother, Switched at Birth, The Good Wife.