quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

center of the universe


Eu tenho lá minhas razões pra ser paranóica. Acho que não foi na tentativa de seqüestro, quando eu tinha uns 9 anos, que a paranóia começou. Mas acho que serviu bem pra que eu não acreditasse na conversa cheia de informações dos malvados e esteja hoje sã (maizomenos, né?) e salva.

Também não sei se dá pra culpar aquele namorado biruta que mantinha uma pessoa na minha cola em grande parte dos meus dias, monitorando todos os meus movimentos, ligando na minha casa pra perguntar por que eu levei 23 minutos pra chegar, em vez de os 21 habituais – pra quem eu respondia “se seu funcionário já te contou que eu passei na padaria, por que você pergunta?” e ele nem se dava ao trabalho de negar.

E tem essa porcaria de internet, né? Onde qualquer um pode ser qualquer pessoa e eu desconfio até da sombra.

Nunca esqueço de um momentinho meigo no ano passado, em que um indivíduo passou a me seguir no twitter e, quando eu fui olhar o perfil dele, depois de mim, saiu seguindo todos os meus amigos em série, interagindo com um por um. Mandei alerta de perigo pra todos que não me achariam biruta e só suspendi as sirenes quando o cerumano em questã apareceu num encontrinho da galera.

Não me julguem, só eu sei o que eu passo.

Eu daria mais detalhes se não fosse a- dar muita moral pra maluco e b- parecer que quem é maluca sou eu.

Mas o caso é que quando as pessoas surgem do nada na minha vida e forçam uma intimidadezinha, podescrê que todos meus alertas estarão ligados.

E se a pessoa surgir aos poucos, como manda o figurino, tudo friamente calculado, eu vou estar com o radar ligado também. Just in case.

Meua migo, você nem imagina a minha lista toda trabalhada no excel, com gráficos pizza e tudo de nomes suspeitos. Sérião. Sabe aquelas tabelinhas de lógica, que você tem que descobrir a quem pertencem os 5 itens? João é quem bebe cerveja. O moço que tem um cachorro fuma Free. Adalberto é vizinho de Gustavo. Quem bebe café pinta a casa de azul. E por aí vai. Tenho uma tabela dessas hahahahha. Nego tá lá levando a vida na inocência e passa a me seguir no twitter? Boto o FBI, o CSI e a PQP atrás dele. Cêis nem imaginam.

E pra sair dessa lista precisa de muito esforço. A sorte é que a pessoa nem percebe que faz.

*****

Agora dei pra uma paranóia mais benloca ainda. Porque assim: o twitter eu meique abandonei. Qué dizê, eu até vou lá e posto de vez em quando, mas é tudo friamente calculado. Tudo tem um propósito. Se você não vê é porque o alvo não era você. Bem simples. De vez em quando vou olhar os replies e ignoro a maioria, DM eu vejo porque vem email. E só. Vou falar mais da minha vida ali inocentemente não.

Porque assim, eu tenho uns amigos, conhecidos, seguidores que têm problema. Eu só lembro informações sobre as pessoas que eu realmente gosto e quando acho muito relevantes. Tô nei aí pra alguns pequenos detalhes (desculpa, gente. Eu sou egoísta, os pequenos detalhes de mim ocupam espaço demais e não sobra pros dos outros). A pessoa vai me dizer 15 mil vezes que gosta de cheetos bola e eu não vou nem ligar, porque eu só me interessaria se fosse cheetos requeijão, entende?

Mas as pessoas parecem guardar every single detail a meu respeito. Sabem que meu chocolate favorito era Supresa de 1988 a 1997, que depois disso foi twix até 2004 e passou a ser reeses cups. Tipo, NEM EU SEI DISSO, sabe? A pessoa sabe que eu gosto de toddy, em vez de nescau. Sabe que eu não como carne vermelha e só como frango se for o peito. Sabe que meu sanduíche favorito do burger king é aquele de criança e que eu roubo batata frita dos outros. Sabe que eu gosto mais de ice tea de pêssego que de coca cola e que minha bebida alcoólica favorita (se é que dá pra dizer um absurdo desses) é malibu o que é tudo mentira, porque é cerveja stout. E eu acho muito importante que tenha gente catalogando e me mandando relatórios periódicos, facilita muito minhas compras no supermercado.

Alguém anota aí que eu acho papel higiênico colorido meio ridículo e que o chá verde com limão do carrefour é feito pela empresa da minha marca favorita, mas é mais barato e fácil de achar? Brigada.

Ok, eliminei a desgraça do twitter da minha vida. As pessoas sabem menos do que eu gosto e não sabem onde eu estou (não é incrível?). O orkut é um troço que eu lembro quando tenho que baixar séries e tenho um perfil todo especial pra isso, de modo que meu perfil original tá lá só pra assombrar os favelados virtuais meus irmãos, que se recusam a usar facebook. Facebook, esse lindo, onde eu acho que minhas preciosa informação tão meique travada, mas não sei. E onde eu tenho 98,37% de certeza que tenho “amigos” infiltrados. Né, cê não achou que eu era tão inocente de acreditar que aquilo foi pelo farmville. Gente que te adiciona pelo farmville não interage no seu mural. FICADICA.

Não deleto essas pessoas porque tenho certeza, né? Mas também, como grande causador de desgostos no meu passado recente, acho melhor não usar essa porcaria também. Tô diboua.

Agooooora, o que tá tirando meu sono (né? Acordada essazora, numa noite anterior a um dia cheide coisa pra fazer), é o tumblr. Gente, que instrumento do mal é esse negócio, não?

Primeiro que eu descobri que tem gente que assina o feed e eu super não compreendo o conceito. Eu sou da opiniã que o tumblr só faz sentido se visto por dentro. Que que a pessoa vai fazer com um post meu do forever alone se ela não tá no tumblr? Acreditar que eu estou de fato solitária e me mandar votos de união social? Sejemo franco, não aceito gente assinando feed do tumblr. Isso leva meus paranoid levels pro extremo.

Aí tem vem a pessoa me reblogando tanto, mas tanto, que meu dashboard vira um mar de notificações. Quando elas param, eu vou dar uma conferidinha e a pessoa começou a ir um passo antes do meu. Sabe como? Em vez de pegar o post de mim, ela vai e pega de quem eu peguei. Hahaha. Amadores.

Tem também a pessoa que escreve coisas deveras estranhas e segue só a mim. Ai, gente. Não é possível. Vamo ser mais discretos pra trabalhar no recadismo? Eu acho super válido e tal, mas todo mundo tem que superar as coisas um dia na vida. Seu psicólogo tá certo. (Só não tá mais certo porque não te prendeu numa instituição especializada. Mas aí come que fica o ganha pão, né?)

E tem a assombração máxima do tumblr, a ask box. Acho lindo, tenho um trilhão de mensagens fofoquísticas, sedutorísticas, brincadeirísticas. Só que mesmo quando tá todo mundo devidamente identificado, a gente não sabe nada de ninguém. Eu, por exemplo, não deixo lá pistas sobre nada de fora. As pessoas não sabem meu nome, quantos anos eu tenho, qual é meu blog (este lixo aqui), qual é meu twitter, qual é meu facebook. Então eu tenho todo o direito de achar estranho quando aparece alguém falando algo na linha “tá sabendo demais”, né?

E nos últimos dias, tá impressionante: todo dia são pelo menos 5 pessoas diferentes (e mais uns outro 5 anônimos) me fazendo perguntas pessoais. Gente querendo saber meu nome, onde eu moro, onde eu trabalho, minha pergunta secreta no gmail. Uns vêm assim, no seco e eu só deleto ou dou risada. Outros acham que tão sendo discretos, misteriosos ou só going with the flow.

De repente é até só isso mesmo. Mas eu não nasci ontem.

(E não tenho certificado de sanidade mental também, mas quando foi a última vez que vocês me viram errar alguma coisa?)

Pretensão é uma qualidade para poucos.

:)

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Fazendo as pazes com o ocaso

E é ocaso mesmo, seu analfabeto. Eu não quis dizer *acaso*.


Sabe, eu não entendo gente que gosta do horário de verão. Eu tento, mas não entendo. Eu tenho um metabolismo meio autista, ele curte uma rotininha simpática. Aquela coisa de acordar, comer, viver e passar por toda a pirâmide de Maslow nas mesmas horas.

Se a vanessalândia já estivesse instituída, eu jamais acordaria antes das 9h ou voltaria pra cama antes das 23h. Apesar de eu ser o tipo de cerumano que funciona fisicamente melhor de manhã, meu cérebro fica benloco depois que a novela acaba (mesmo que eu não assista novela há muito tempo). Então é a hora que eu sento em frente a esta bela máquina e saio fazendo coisas inúteis, tipo escrever esta abobrinha, desenhar, editar fotos, passar os amiguinhos no zuma. Aí eu tomo o banhinho da madrugada – quando patos não aparecem pra tocar o horror – e voldor mir.

De modo que quando o horário de inferno verão começa AND termina, toda minha vida vira um caos.

Até porque o mundo é chato e eu tenho que dormir “cedo” e acordar super cedo e nego ainda se pergunta porque meu humor é difícil. Qué me ver feliz? Não me acorda antes das 9h. Um dia eu chego lá.

*****

Teve um tempo da minha vida em que eu não podia suportar a visão do entardecer. Biruta é a senhora sua mãe, cê não paga minhas conta, MILARGA (got got?).

Mas era isso. Foi num tempo em que eu trabalhava à tarde e tinha a maioria das aulas da faculdade à noite. Saía do trabalho ali por 17h e corria pra algum lugar onde janelas não fossem importantes, tipo shopping ou o andar de laboratórios da faculdade e ficava enfiada lá até estar de noite.

No inverno era fácil. Menos de uma hora depois de sair do trabalho, já estava “segura”. Agooora, no verão... a única vantagem era aproveitar o ar condicionado de qualquer um dos refúgios.

Nessa época, alguém metido a psicólogo veio me dizer que o entardecer era algum tipo de metáfora pra vida. Que o “medo” do pôr-do-sol era meique um medo de morrer e tal. CÊ JURA, digo eu. Considerando que aquela foi a época da minha vida que fica em segundo lugar em volume de visitas ao hospital (nada barra a época da morte do rim, né?), tudo faz sentido.

O caso é que eu tenho mania de passar perto de morrer. E mesmo que tenha gente que ria quando eu peço colo e digo que passei o dia achando que ia desencarnar, mesmo que tenha gente que me faça concluir que eu passo por isso muito mais vezes que um cerumano normal, não diminui o medo que eu sinto quando eu estou lá, vendo a luz, ouvindo o chamado e jurando que não vai dar nem tempo de dizer tchau e falar pra todo mundo o que eu quero e fico controlando de modo a viver de acordo com o que obriga a vida em sociedade.

Sei lá quanto tempo durou essa vibe ruim com o pôr do sol. Mas acho que acabou na época em que eu trabalhava tanto num buraco, que teria sorte de escapasse de lá viva a tempo de presenciar o evento.

Só sei que um dia passou.

*****

Mais ou menos nesta época do ano passado, tava eu lá achando que ia morrer. Pode rir, pode chamar de dramática, mas não era você que estava sentado do meu lado quando eu peguei o papel com o resultado de exame mais assustador da minha vida adulta. E, se o grande medo da minha vida até ali tinha sido precisar de um transplante de rim, a ideia de uma possível necessidade futura de transplante de coração meique deu uma derrotada na minha pessoa.

Felizmente foi só o susto.

(Resultado de exame deveria ir direto pro consultório do médico, só digo isso. Mó irresponsabilidade deixar o indivíduo hipocondríaco consultador de google enquanto gente burra que não sabe de nada ler aqueles papéis ridículos com um monte de valor de referência furado.)

Então eu tava lá, chorando litros, visualizando a vida hospitalar, o médico dizendo que meu mono-rim não ia suportar a pressão, que meu coração tava corroído, que eu tinha 3 dias de vida, mas que ia ter que passar na cama. E o sol se pondo.

Aí eu tava lá, no médico, ouvindo que um resultado ruim só é ruim mesmo se forem dois (nem pergunte) e que eu nem ia morrer, só ia sofrer mesmo por uns dias, até aquela peste desistir de habitar meu ser, que ia ter que usar colar cervical *PAUSA*

Como a pessoa sai de transplante de coração pra colar cervical é uma coisa que jamais explicarei.

*FIM DA PAUSA* por uns dias, que ia ter que passar pela seqüência benloca de benzetacil (tá escrito certo, seu ignorante, num vem corrigindo não), que ia tomar drogas suficientes pra alterar meu dna (every single january), mas que entei passou por lá e tava tudo bem agora. E o sol se pondo.

E aí eu tava lá, com o flanco esquerdo completamente destruído por um remédio maligno e com os nelvo em frangalhos pela contagem regressiva oficial pra uma nova injeção do mesmo lado. (Isso foi de manhã, o sol tava só nascendo.)

Foi aí que aconteceu uma conversa cujo interlocutor nem deve se lembrar. Uma coisa boba mesmo, meia dúzia de frases. Aquele tipo de coisa tão besta que rende letra de música tão besta quanto do ira.

(Muito irônico que seja esse o cerumano que ri da minha desgraça hoje, em dias de medo da morte.)

E o sol se pondo.

Mas o caso é que, dolorida, estragada, doente, chateada e feia – meldels, como eu tava feia aquele dia – eu passei o entardecer com um sorriso bem mongoloids nas fuça.

Tava tão alterada que produzi até uma foto decente com o meu celular.

Não importa o quanto eu quase morra, o quanto as pessoas riam e me chamem de dramática, o quanto só eu sei que dói e o quanto eu tenha vontade de matar você de vez em quando (quem foi que disse que amor não é amor se você nunca teve vontade de matar o obejeto de dejejo?), eu sempre terei aquele ocaso.

Aquela tarde vazia ridícula, que me valeu o dia. Valeu o dia. (Na mente fantasia.)

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

misfit


Este post tem informações descontextualizadas ou omitidas, de modo a evitar identificação de lugares e personagens, perguntas bestas e preservar minha paciência intacta (pros seus bem).

Eu já cansei de me estressar com as pessoas que insinuam que eu talvez tenha vindo de outro planeta.

Vamo combiná que minha incapacidade de adaptação a este aqui abre margem pra esse tipo de dúvida. Eu mesma já fiz uma meditação pra ver se recebia a inspiração pra desenhar o mapa que me levaria até minha nave.

Não funcionou.

Mas o mais legal de me descobrir pertencente a outra civilização – a fim de compensar o sofrimento todo neste planeta – seria a manifestação de super poderes.

Não ia querer nada dessas coisas bobinhas, tipo ler pensamento, viajar no tempo (porque NÉ? Não acredito nessas abobra de dobra de tempo e meu ovo em chamas), invisibilidade, habilidade de voar... Nada disso. O que eu ia querer mesmo é exterminar um cerumano com o poder do pensamento. *PUF*, sumiu.

Veje bem: eu não quero que ninguém morra, longe de mim. Aceito coisas tipo viagem interplanetária, materialização em universo paralelo, permanência em países do interior da áfrica (ou no meio da Rússia, vai do gosto climático do freguês) onde eu nunca pretendo pisar, uma ilha no meio do pacífico. Sei lá, gente. Criatividade aí. Só sei que eu queria poder sumir com algumas pessoas, de modo que elas não pudessem nunca mais aparecer na minha frente. Nem pela internet. Nem nas memórias dos outros. JÁ ERA.

Hoje, por exemplo, teria uma atendente de McDonald’s a menos no mundo.

(Vê se ela tá em condição de fazer piada a respeito da minha necessidade de comer sanduíche com talher.)

*****

Eu já tenho um super poder bem mal utilizado, que é o de identificar gente podre na multidão. É um fardo [/drama].

Porque é assim. Eu digo pras pessoas que fulano não presta. As pessoas todas me dizem que eu tenho que dar uma chance. Eu finjo que dou (porque, né? I know better.) e só me lasco no processo. Algum tempo passa e, TCHARAM, todo mundo descobre que, olha só, nego não prestava desde o começo.

Minha vida se divide mais ou menos assim: 97% das pessoas que eu conheço não fazem diferença instantânea. Eu vou convivendo e pegando amor ou nunca mais vejo e nem lembro que existe.

Aí sobram 2% de pessoas que eu amo à primeira vista e não sei nem o motivo, de modo que não espero o acaso pra ficar forever together. Essa gente costuma sofrer muito, porque eu sou grudenta seletiva.

E aí o outro por cento (kkk) que sobra é composto por esse bando de babaca, né? Antipatia imediata, eu SEI que não vai prestar, mas por amor aos meus amiguinhos, eu vou suportando até a vida se encarregar de exterminar por si só.

Não seria mais simples se eu pudesse fazer o serviço? *zupt*

*****

Tenho pensado muito nisso ultimamente porque tudo na minha vida acaba me levando pra uma pessoa insuportável vez ou outra. (Mas nunca tive que conviver com tanto dementador como nesta temporada, credo). Tava eu fugindo de um desses sugadores de energia, andando no meio de uma multidão e pensando nisso, maizomenos no que escrever no começo deste post e talz.

Passei os olhos pelas pessoas que vinham na direção oposta e notei uma mulher de cabelos especialmente despenteados, que esticava a mão pra tentar chamar alguém que estava 3 passos à frente, já que repetir o nome da pessoa não estava adiantando.

A moça estava funcionando perfeitamente, até cruzar os olhos com os meus, enquanto eu pensava com muita veemência “por que raios não posso exterminar um cerumano com a força do pensamento, hein?” e POF, a mulher caiu estabacada no chão.

Deu pra entender a cena? Mulher saltitante (ela), menina amarga (eu), um olhar, um pensamento fulminante, desmaio, fim.

Avisei pra moça que estava sendo chamada antes que a amiga dela estava caída no chão e usei toda a minha experiência com gente desabando na minha frente pra chamar a ajuda (eu estava num lugar onde tinha ajuda). Me senti responsável, né? Vai que fui eu que derrubei a moça?

Fiquei ali matando tempo e pude ver quando ela voltou, sem maiores seqüelas (visíveis) que um par de olhos extremamente vermelhos, mas viva. Até porque eu realmente não tenho nada contra ela, fora aquela ausência de penteado.

Desde aquela hora eu fiquei pensando se devo avisar pro mundo temer. Nunca se sabe se foi a força do meu pensamento... E se eu aprender a controlar esse negócio, em breve a vanessalândia sai do sonho pra virar realidade.

E a babacolândia sai da minha vida pra entrar pra história.

Heh.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

o dia em que eu entrei na jardineira e nunca mais saí

linda fota roubada do amigo Musashinm


títulos alternativos: é uma cilada, bino, todos chora e o pior final de semana mais legal de todos os tempos

(Você precisará de muitas referências pra entender esse post.)

Querido diário,

Se alguém me dissesse alguns anos atrás que era possível existir no mundo real um grupo de amigos como os de Friends ou How I Met Your Mother, eu diria que era impossível. Sempre fui antissocial demais pra acreditar que mais de duas pessoas pudessem ter aquele nível de amizade, que agüentam se ver mais de duas vezes por semana, que se enfiam na casa de alguém, eleita praticamente o quartel general da galera.

Existe.

Temos lá o elenco fixo (que conta com mais de seis pessoas), temos eu, encarnando o Ted-forever-alone, imaginando quando contarei a história pros meus filhos (que não existirão) de how I met their father (não que eu acredite que haverá um pai também), temos o elenco de apoio muito presente, temos as Janices, os Richards, as Stellas, as Zoeys. Espero só que o Mike apareça logo e entre de uma vez pro elenco fixo, porque não é possívio.

Só que na minha vida a americanidade não funciona e eu ainda moro com meus pais, pra quem eu tenho que explicar muitas vezes por semana como é possível ver a cara da mesma galera quase todo dia e não enjoar. E eu vos digo: você enjoa de assistir as reprises infinitas de Friends e HIMYM? Pois então.

*****

Aí, como dizem meus amigos homens, enquanto representantes masculinos da espécie humana, no futuro essa história será contada com o seguinte início: “um dia, sua mãe teve uma brilhante ideia e as amigas dela concordaram...”. A parte mais legal é que o pai inexistente dos meus filhos inexistentes não vai poder contar a história assim, porque não estava presente. Kkk risos. Azar o dele.

Pois então minha amiga teve a brilhante ideia de fazer um passeio turístico por Curitiba. Informações importantes:

*não havia nenhum turista entre os presentes;

* temos uma dificuldade incrível de conseguir que todo mundo apareça num mesmo evento, já que somos muitos;

* em Curitiba chove todo dia de janeiro;

* aqui tem uma linha de ônibus chamada “linha turismo” que, segundo o papelzinho aqui na minha mesa, circula todo dia entre 9h e 17:30h, faz um percurso de aproximadamente 46km e que dura mais ou menos duas horas.

Cê leu em algum lugar que o último ônibus era o das 17:30h? NEM A GENTE. Reserve.

Me lembro de uma das calega falando “vamos cedo pra dar tempo de fazer as três paradas” (Que no fim eram quatro. Contei não? Quando você entra na linha turismo, tem direito a descer 4 vezes do ônibus, dos 24 pontos turísticos disponíveis. Se tem alguém que escolhe coisas que não são o museu do niemeyer, o parque tanguá, o jardim botânico, a torre da telepar, EU NÃO CONHEÇO). E o cedo em questão acabou sendo 15h. Vai vendo.

Saí de casa carregando bolsa, remédios, protetor solar, casaquinho, guarda-chuva de bigode, máquina fotográfica digital, lomo, minha vó e a pia da cozinha, total na vibe turista de domingo.

Todo mundo deu uma leve atrasadinha, passamos na padoca pra fazer um lanche e comprar garrafinhas de água, uns 3 ônibus passaram pelo ponto enquanto não estávamos lá, até que 15:40h embarcamos no nosso lindo passeio.

A parte de cima do busão já estava cheia, ficamos todos emburrados num cantinho do andar debaixo. O que era pra ser o passeio de 5 meninas acabou virando um passeio de 7 pessoas. E estávamos lá, alegremente, ocupando 7 assentos da jardineira.

Aí chega uma vovó e saem azamiga do banco preferencial, pra ficar no corredor do nosso ladinho. Ok, são só 10 paradas até nosso primeiro destino, coisa rápida. Mas quiqui acontece lá pela terceira parada? Desaba o céu.

Acontece que o andar de cima da jardineira é descoberto e todas as 234576 pessoas que estavam lá em cima tiveram a brilhante ideia de descer e ocupar um pedaço onde cabem umas 30, se a gente for muito altruísta. Visualiza aí na sua cabeça a hora do rush, com chuva, janelas fechadas, gente molhada e feia e TCHARAM, foi o que virou nosso passeio, dum minuto pro outro.

Quando finalmente chegamos no primeiro destino, não tinha como descer. Não sei o que tinha mais: água caindo do céu ou gente entre nós e a porta. Todo mundo se olhou, chorou, se perguntou POR QUE, Ó DEUS, POR QUE? e continuou sentadinho (ou paradinho em pé) onde estava.

Mais 5 pontos nos separavam do segundo destino escolhido. Era pouco mais de 17h e eu orava em silêncio pra são pedro permitir a descida por lá. Foi só então que me ocorreu perguntar em voz alta quando passaria o último ônibus. Foi só então que descobrimos que era 17:30h. Foi aí que começou a cair o maior dilúvio formador das maiores enxurradas do dia. Foi só então que percebemos que ficaríamos FOREVER DENTRO DA JARDINEIRA.

Ao passarmos no Parque Tanguá – meu único objetivo nessa jornada fail – reprimi uma lágrima solitária que cairia do meu olho esquerdo. Estávamos perigosamente perto do horário final da jardineira e longe demais da casa de todo mundo, de onde o carro estava estacionado, de um domingo animado.

Duas enjoadas, uma com dor de cabeça, 6 pessoas grudentas e morridas de calor, 8 garrafas de água esvaziadas, uma barrinha de cereal invejada, muitos pingos de água de goteira, uma velhinha louca que quase matou todo mundo de susto, muitas risadas e piadas compartilhadas com meio ônibus depois, descemos alegremente às 18:20h no exato.mesmo.lugar.de.onde.saímos.

Quase beijei o chão.

Todas as fotos do passeio foram tiradas dentro do ônibus e minha lomo nem chegou a sair da linda bolsa de pimentinhas onde ela mora. Somando todas as passagens, 140 dinheiros que valem menos que barras de ouro foram gastos nesse lindo passeio, que poderia ter sido feito pela bagatela de UM REAL no interbairros II – que teria a vantagem das paradas no terminal, onde a gente poderia ter descido pra fazer xixi.

(Porque ólia, o banheiro estroboscópico em que a gente foi parar quando finalmente descemos do passeio da depressão era de chorar. E ter ataques epiléticos.)

*****

Depois de uma sexta-feira estragada socialmente (vou ser uma pessoa evoluída e não vou falar do mau gosto de alguns amigos coadjuvantes pra escolher seus outros amigos coadjuvantes) em que eu tive que sair com a galera do spin-off pra não morrer de odinho no coração, depois de um sábado com essa gente horrorosa que não se toca que não faz parte do elenco, depois de um domingo trabalhado no passeio de ônibus, quiqui a gente podia fazer?

Passar na padaria e gastar 90 real em guloseimas, pra comer na casa da nossa Monica e nosso Chandler, obviamente.

Comemos até começar sair pão com queijo pelo zóio, sentamos em rodinha e em pose de pin-ups japonesas espalhados pelo chão, de modo que o vento do ventilador acertasse todos nós, falamos mal de tudo e todo mundo (até do teletubbie roxo), rimos até os pulmões perderem a força (meu pulmão asmático tá aguentando nada, esse podre) e foi aí que o final de semana ficou realmente divertido.

Se fosse a vanessalândia, teria sido imediatamente convertido em sexta à noite, pra gente começar tudo de novo. Desta vez, do jeito certo.

*****

Não vou nem comentar que hoje, segunda-feira, a primeira vez que choveu na minha cabeça já passava das 19h.

São Pedro, cê tá de sacanaji.

http://www.curitiba.pr.gov.br/idioma/portugues/linhaturismo

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

chocolates, destino, dementadores e controles remotos

Lá pelos idos do ano 2000 (hahaha que vibe, o ano 2000 foi onze anos atrás), um cerumano que queria me subornar me viciou em dois bombons: twix e reeses cups. Nesse tempo lindo, em que eu nem precisava comprar porque era constantemente presenteada, dava pra achar essas duas belezinhas em qualquer lojas americanas, qualquer banquinha de jornal. Dos 903 kg que eu engordei de lá pra cá, acho que uns 830 são culpa desses dois chocolates.

Só que aí a moda do twix pegou e a do reeses não. Inclusive, minha primeira personal stalker (that I know of) provavelmente foi a responsável, de tanto que ela propagava aos 4 ventos que tinha twix como guloseima favorita (e cheetos requeijão, né? Mas aí no departamento dos salgados).

O caso é que um dia meu suprimento de reeses acabou e eu não achei mais pra comprar. Quiqui eu fiz? O que qualquer pessoa sensata faria: liguei na hershey’s aos prantos. Piorou muito quando eles me disseram que tinha saído de linha no braziu e nunca maaaaaaaais voltaria. Chorei, gente. Chorei.

Não bastava a Unilever exterminar meu sabonete favorito, o doritos nachos sumir das prateleiras, agora isso? Não aceito.

Pois então isso já faz uns bons 5 anos e qual não foi minha surpresa nesta semana, ao passear pelos corredores das lojas americanas e encontrar uma linda caixa chamada “clássicos e importados” onde figurava aquela embalagem alaranjadinha que enche meu coração de amor?

Comprei.

(Apesar do preço superfaturado, obviamente.)

A tristeza é que são só dois reeses por caixa e eu tive que voltar lá meia hora depois e comprar mais uma.

Você aí querendo caixinhas de milk duds, tô doando.

*****

Toda essa enrolação foi só pra dizer que eu enfrentei a fila mais longa das filas das lojas americanas e quase morri de tédio e calor no processo, de modo que peguei uma daquelas revistas par me abanar. Entre uma ida e uma vinda, olhei o que estava segurando e era uma superinteressante cuja capa falava sobre a ciência provando a idéia de destino.

AH, VÁ.

Olha, uma revista dessas casualmente na minha mão enquanto eu compro chocolates, falando sobre a prova científica de destino é uma piada cósmica bem grande com a minha cara.

E essa nem foi a única piada do universo com a minha pessoa no dia de ontem.

Às vezes eu vejo acontecimentos acontecerem (kkk) e não consigo evitar o pensamento de que com tanto espaço, tanto momentos, tanta gente, tanto universo, tantas voltas no rolo do tempo, eu tenha que passar pelo desgosto de *censurei*.

Isso num lugar onde eu nunca vou (pelo menos não às terças-feiras).

Encontrar casualmente o Zac Efron a 14km da minha casa o universo não providencia, né?

*****

Mas aí que a revista dizia que tudo já aconteceu, do big bang ao fim dos tempos. E pra você entender isso (força, você consegue), é só pensar no futuro como no passado e tal. Tudo ao mesmo tempo agora, já pronto, já resolvido, só passando aê como um filme benloco (e ruim, vamo combiná), enquanto você não tem o controle remoto.

Aí eu finjo que acredito concordo e faço a loca da madame vanessa da previsibilidade futurística enquanto sapiência antecipada de acontecimentos (mas só funciona pra mini desgraças, não adianta pedir o número da mega sena. Se eu soubesse, usava pra mim).

Tava eu lá semana passada escrevendo um post que não conseguia terminar (uns dois pra trás, eu acho), porque estava com uma frase ecoando na cabeça. Fiquei na dúvida se escrevia a respeito ou não, porque eu muito não sei quem lê isso aqui, né? Às vezes eu quero que leiam, às vezes eu quero que não, mas eu não mando nada e tenho que aceitar.

[E eu sempre acho que muita gente se faz de desentendida, mas bate cartão aqui. Tipo o cerumano que coincidentemente passou a me encher de emails depois de ver o post em que eu dizia não ter usado a foto do meu homem favorito usando vermelho porque ia dar bafón, ju-ra-no que era o fotografado. Não é, melbem. A foto em cueshtã foi tirada por mim mesma, no maior disfarce mal feito, porque não sabia se um dia ia ver o fotografado novamente. VEJE SÓ VOCÊ.]

Mas a frase que estava na minha cabeça era "é tudo tão novo pra mim que não sei se tenho mais medo de enjoar (como sempre) ou de que você enjoe".

E não é que, mais tarde naquele mesmo dia, nas primeiras horas em que hoje vira amanhã, essa frase surgiu alterada na conversa? E vos digo-lhes: foi muito mais triste na realidade que no meu pensamento. Foi muito mais triste em voz alta que no meu pensamento.

Então quando eu entrei na eterna vibe de repassar um trilhão de vezes a conversa na minha cabeça em busca de detalhes (pro bem e pro mal, acho importante estar preparada pra não ter surpresas nessa vida), fiquei muito chocada ao perceber que a conversa que tinha acontecido antes na minha cabeça tinha sido muito parecida.

Teve uma outra frase cem mil vezes menos previsível e um milhão de vezes mais engraçada na conversa anterior na minha cabeça que acabou acontecendo no mundo real. Mas aí é aquela que eu vou guardar pra mim, enquanto cerumano egoísta e previsibilador OIQ.

O importante aqui é o querido leitor entender que se existe essa coisa absurda de rolo do tempo, de tudo já existido e coisetal, eu tenho o controle remoto. Só que é tipo controle remoto de televisão moderna e eu sou tipo minha vó. Tá ali, de vez em quando eu acerto um botão e ele faz o que eu quero mas, no geral, eu tô apertando desordenadamente, sem entender o resultado.

Vou ali abrir um chat no skype com o Einstein e o João Bidu, pra ver se aprendo como esse trem funciona.

Mas é só porque eu estou realmente curiosa pra ver quem vai enjoar primeiro. :P

(Porque hoje em dia eu nem gosto mais de twix.)

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(Pelamor, vigésima oitava vez que eu tento escrever esse post e não sai direito. Desisto. Beijos.)


domingo, 2 de janeiro de 2011

evil tweety on drugs


Não sei que horas são, só sei que é de madrugada.

Não sei porque estou escrevendo, só sei que não deveria.

Porque, sei lá, nas últimas 72 horas eu devo ter dormido umas 4, de modo que meu tão precário raciocínio não funciona mais.

E eu peguei aproximadamente um milhão de táxis nesse período. Peguei o mesmo duas vezes seguidas. Numa delas, não estava sozinha, mas parei no meio do caminho. Na outra, tinha meique cruzar a cidade, o cara se lembrou de mim e me contou toda a conversa que teve com a pessoa que estava comigo antes. Achei fino.

Algumas horas depois (hahaha ok, horas de táxi em curitiba é só na minha cabeça), ele se lembrou de uma terceira vez em que me rebocou até em casa e foi muito engraçado, porque meu comentário a respeito daquela corrida foi “teria sido melhor ir pra casa de jegue”.

Mas agora me afeiçoei.

Aí que hoje eu peguei o taxista mais imbecil de todo o universo e eu não quero falar sobre isso. Mas eu achei que ia morrer.

Que derrota morrer no dia primeiro de janeiro. (Porque pra mim só é amanhã depois que dorme ou que amanhece. Se ficasse nessa do depois que dorme, ainda estaria mais ou menos no dia 30 de dezembro.)

O interessante de virar dois dias é pular uma noite de pesadelos, né? Ou de sonhos com macarrão. Porque sonhos com macarrão só têm graça se forem concretizados com molhos empelotados ao acordar.

Nada disso faz sentido porque faz umas duzentas e trinta e dez horas que eu não durmo e tive incontáveis chiliques no meio do caminho. Mas também brinquei de videokê no preisteixon e destruí todos os pop merdão existentes, principalmente nas *musgas* de dona Britney. Sou muito boa nisso.

Aí fica aquela pergunta de sempre: por que raios não estou dormindo?

Porque o taxista me irritou e já não tenho mais horários disponíveis na agenda pro encaixe de calmantes. Sabe, esta semana pensei que ia morrer, pensei que tinha levado um fora, pensei que queria exterminar um cerumano folgado da face da terra, pensei que devo estar pagando um karma muito pesado nesta vida pra ouvir o tanto de coisa que eu não quero.

Mas se o primeiro dia do ano foi assim, cerebralmente esquisito, o último foi muito do bonitinho.

(Porque uma pessoa sendo extremamente estúpida com a gente lá pelas 4 horas da manhã, apesar de não ter amanhecido, a gente conta como hoje, né? Ou ontem, porque foi dia primeiro e hoje é tecnicamente dia 2. Apesar de que hoje não amanheceu ainda [qué dizê, eu nunca mais vou parar de escrever, então pode ser que já tenha amanhecido sim.], né?)

Uma pena só os pacotes de presente mais camuflados e amassados da galáxia ainda estarem na minha bolsa do animob.

Tô aqui pensando que não há nada como um banhinho da madrugs pra aliviar os pensamentos mongolóids, mas não quero acordar ninguém nem me arriscar a encontrar um flango na minha janela.

Eu pensando em banhinho da madrugs enquanto tem gente que provavelmente está se divertindo na balada, por que quem é que fica sábado à noite (tecnicamente domingo de manhã) em casa, não é mesmo, minha gente? Não aprecio.

Só sei que estou aqui linda na minha blusa de corujinhas que eu tenho pavor que encolha depois de lavada e encarando uma lata de guaraná jesus vencida. E pensando que preciso de um videokê pra cantar britney spears quando eu bem entender. E que preciso de um carro, pra parar de andar de táxi.

E que preciso, sei lá, dormir por 9385702345 horas.

Preciso de colo também, porque eu sempre preciso. E acho muito indigno que seu colo não estivesse disponível hoje, ontem e antes de ontem, whenever those days are. Porque na minha cabeça eles são todos um hoje muito longo.

Em que eu acordei do seu lado, tive que comprar um all star vermelho de tanta dor no pé por andar com o salto que me deixa horrorosa (eu ouvi isso, apesar do eufemismo), pintei as unhas de cinza, comi 14 potes de iogurte das mais variadas iogurterias, peguei 138 táxis, usei um vestido de coraçõezinhos, tentei fugir pra cozinha sem sucesso, contei uma mentirinha pra me livrar de um encostão, lavei os cabelos de manhã, brinquei de adivinhar bobagens de um lugar chamado notting hill, comi 909853 tomates, arrasei cantando britney spears, vi o filme nacional mais nojento e sem pé nem cabeça já feito, fui irritada por um taxista e passei por um milhão de horas de saudade, medo e pensamentos desconexos. Agora vou ali dormir, pra ver, finalmente, amanhã chegar.

Boa noite.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

involuntarily oversharing

Ih, gente. Eu tava ali tentando usar toda minha boa vontade pra transferir os arquivos pro blogspot. Até aí, tudo bem. Só que quem acompanha pelo reader vai a-do-rar o flood que vai acontecer.

Na verdade, nem ligo. A pessoa já assinou o atestado de mau gosto quando se inscreveu no feed.

Mas é meio chato pensar nas pessoas lendo coisas velhas porque eu meique esfreguei na cara delas. Tô quase desistindo.

Eu mesma andei dando uma revisada nesses posts do passado, pra ver o que eu vou passar ou não (cê acha mesmo que eu vou copiar tudo? Má nem morta.) e muito me espantei com o HORROR que é ler o que eu escrevo sem o contexto da minha cabeça. Por isso que as pessoas têm medo de mim.

*****

Falando em contexto, achei bem engraçado ver os arquivos. Os meses em que eu estou chateadinha, atormentadinha, que coisas estranhas acontecem, tem um post por mês. Nos ANOS em que eu fiquei meio de mal com a vida, tem só os posts que iam pra capricho. É bem engraçado o quanto tudo que tá lá escrito reflete minha vida. Logo eu, que detesto que as pessoas saibam o que eu estou pensando ou sentindo.

Mas fica aí a dica: tô escrevendo demais? A vida tá boa.

Qué dizê. A vida tá boa e eu tenho tempo, né?

Que às vezes tá boa, mas eu tenho mais o que fazer.

*****

Faz umas par de horas que tô com esse texto aberto e sem fim, porque eu quero falar de uma coisa e não sei se vai sair do jeito certo.

Então beijo tchau pra vocês, viu?

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

na madrugada tomando um red blues pra instalá o zóio


Se tem uma coisa pra qual eu tenho talento, essa coisa é viver em negação. Eu mando dona Elisabeth tomar no seu Kübler-Ross e não chego à aceitação nem se me oferecerem barras de ouro que valem mais do que dinheiro. Tudo bem que eu tento me adaptar aos pequenos cantos do bode às pequenas tragédias da vida, mas aceitar, JAMAIS.

Por exemplo:

- tragédia: ter 30 anos.

- negação: agir como se tivesse 17 anos americanos (em que a gente pode dirigir e tal. Beber nem me gusta, tá de bom tamanho).

- aceitação (impossível): o título de jovem senhora.

- adaptação: andar de taxi.

Porque chega um dia na vida que você reconhece que mesmo tendo tenros 17 anos americanos imaginários, não é justo chamar a mamãe pra ir buscar na casa do amiguinho às 6 horas da manhã, depois de virar a noite. (Tenho vontade de dizer que não é aceitável andar de ônibus também, mas não quero ninguém me chamando de esnobe.)

Não vamos entrar aqui no mérito da cueshtã “por que você não compra um carro?”, que eu não quero falar sobre isso. E minha mamis sempre disse que preferia ir buscar a me deixar dirigir pelas noites blábláblá. Acabei me acostumando com a idéia de motorista particular e agora tamos aí, angariando histórias.

A gente vê no Jô um taxista engraçadão contando a vida e eu não vejo mérito nenhum. Essa gente fala pelos cotovelos, comé que não vai ter história bizarra pra contar? Agora tô eu, quieta e com sono, minding my own business, e começa sempre um show de horror diferente. Vamos aos fatos.

O recorde de taxista biruta é meu e ninguém barra.

Acho que a primeira vez que andei de taxi por conta própria na vida foi nos idos de 2003, no natal. Já contei essa história, a do taxista slash rei momo. Outro dia contei na mesa do bar e *alguém* chegou a descobrir que, ÓLIA SÓ, já morreu. Mas devo confessar que fico aliviada, porque quem achou que ia morrer naquele taxi fui eu. Não desejo pra ninguém.

***

Passei bons anos tentando evitar esse tipo de sofrimento até que, neste ano, voltei a dar uma chance pra esse tão belo meio de transporte. Menos de 12 meses de experiência e eu já estou considerando jurar amor eterno ao fusc... PEGADINHA, estou considerando encontrar um carro pra chamar de meu.

Outro dia, peguei um taxista repetido. Foi engraçado, porque o tiozinho tinha um nome bem aliterado, de modo que guardei na minha cabeça. Aí, quando ele reconheceu a frente da minha casa e disse “acho que eu já vim aqui”, eu dei a ficha completa da última corrida e ele ficou completamente shocks com os detalhes. Mas gente, eu mando ficar enchendo minhas orelha de abobrinha? Justamente as minhas, conectadas ao meu cérebro com incrível poder de retenção? Não mando.

***

Alguns finais de semana atrás, estava eu voltando da casa dos amiguinhos no digno horário da alvorada. Ousseje, o tio me buscou numa casa e me deixou numa casa. Achei muito deselegante quando ele perguntou em qual das duas eu morava e por que não tinha ninguém me esperando em nenhuma delas.

***

Teve também o mês da vanessa louca, em que eu fui a quinhentos mil bares em menos de 20 dias. E cada vez que saía de um deles, era recebida por um taxista perguntando se o bar era bom, que música tocava, se as outras mulheres presentes eram tão bonitas quanto eu (às 4h da madrugs, aham.) e se no *insira um dia da semana em que ocorreria a folga do cidadão* eu seria encontrada naquele lugar.

Meu medo é que essa gente sempre sabe onde a gente mora, né?

/paranóia.

***

Bom. Aí que sábado eu precisei de serviços motorísticos duas vezes no dia. Eu raramente ando de taxi com sol no céu (ainda que sobre as nuvens hahah... ok), mas é sempre tão mais tranqüilo... taxistas silenciosos, viagens serenas. Cheguei em casa em paz e alegria, tudo calmo, tudo bonito. Mas veio o ocaso, uma nova necessidade, um novo taxista.

Meua migo, que que foi aquilo?

Mal entrei no automóvel e fui atingida pela declaração de que “a noite rendeu hoje, hein?”. Muito me pergunto de onde veio isso, uma vez que eu tava com a maquiLAGE borrada de rir casamiga e só. O normal de todo sábado.

Mesmo vendo que eu não tava assim muito em condição de conversar, o tio veio me contar que tava com sono e que eu fui um grande azar na noite dele. Porque ele morava no bairro ao lado de onde eu tava, do lado oposto de onde eu moro. “Tava aqui encerrando a noite e agora vou ter que ir lá no fim do mundo antes de ir pra casa”. Muito fino.

E EU COM ISSO?

Aí falou que ia precisar de um red bush pra instalá o zóio. E riu da própria piada. Depois começou a falar mal de vegetarianos (só não me pergunte o motivo ou a conexão, eu não sei). E perguntou pra mim, PRA MIIIIIIIM, se tinha alguma coisa melhor que uma carninha.

- tem, tio. Azeitona.

Ele não entendeu (cê jura) e eu expliquei muito pacientemente (aham) que eu não como carne vermelha.

- ah, qué dizê que cê é daquele povo que acha que tudo que é verde faz bem? Bróco, alface, uma ervinha pra acalmá de veiz em quano...

Cê perdeu tempo explicando pra ele que tem alergia level extreme à erva que acalma? Eu também não. Eu só ri. Porque às 3h da madrugs, é tudo que a gente pode fazer.

Pois então ele achou interessante falar do clima, uma vez que era o primeiro dia de sol (à noite hahaha tô hilária hoje) depois de um milhão de dias de chuva.

- a rua fica até cheia, né? Parece tudo largata que tava fechada e saiu pra tomá um arzinho. Eu memo amanhã tomo minhas pinga.

JESUS AMADO, TÁ CHEGANDO A MINHA CASA?

***

Em algum momento o tio entendeu que eu estava em modo silencioso e parou de falar. Até chegar bem perto da minha casa e ver algumas mulheres carregando algumas tralhas de uma casa até outra.

- nossa, que bonito essas muié trabaiadêra. Eu tô sortero, quero uma muié trabaiadêra assim pra mim.

O que ele não sabia é que as muié trabaia é na zona de baixo meretrício que tem ali do ladinho de casa.

- e você, vanessa (num guento essa mania de taxista de chamar a gente pelo nome, criando laços de intimidade instantânea), é sortêra?

VÔ FALÁ QUE SÔ? NUM VÔ.

- não sou, moço. Eu tenho um relacionamento estável.

***

Aí eu entro em casa e prometo pra mim mesma que semana que vem eu vou adquirir um automóvel, botar fim nessa palhaçada. Só que semana que vem tem uma coisa imperdível na qual eu acabo indo, e aí eu volto tarde e aí eu pego outro taxi e...

FIM.

(Todos nós sabemos que é brinks.)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

onirodinia benloca

monstro gigante!

Outro dia eu tava com medo de fazer uma coisa.

*pausa*

Toda vez que eu digo que tenho medo de fazer alguma coisa, QUALQUER coisa, tipo subir no sótão e cair da escada, minha mãe diz “medo foi o que fez surgir o Darth Vader”. Sério. Pense nos danos à minha mente. Só queria dividir isso com vocês.

*fim da pausa*

Eu tava com medo porque eu não sou muito fã de ser contrariada. Ok, eu sei que ninguém é, mas eu tenho um problema meio grande com esse lance de ~contrariamento~. Sabe o piu-piu quando vira o evil-tweety? Nessa vibe. Contraria não. Vai por mim.

Mas aí, quiqui eu fiz? Mongolice, obviamente. Fui contra minha resolução anterior e abri a porcaria do personare. Má que idéia de jerico, viu? O bagulho resolveu me dizer pra ficar quieta, pra evitar me apressar naquele tipo de decisão e a carta que saiu dizia justamente o nome da situação pela qual eu estava passando (não é pra facilitar o entendimento, querido leitor). Quiqui eu fiz? Fiquei com aquela porcaria na cabeça, achando que era um sinal. Aí decidi que não era, mas dois dias depois. PERDI DOIS DIAS. Porque tudo deu certo.

Sorte que minha vida tem o dom de achar o timing pra algumas coisas.

Pelamor, gente. Larguem mão dessas tranqueira esotérica. Só atrasa a vida. Não me deixem cair nessa de novo.

Como tudo que tem acontecido nos últimos tempos, culpo as drogas.

***

Lembrei disso porque ando tendo dificuldades noturnas. Culpo as drogas por isso também. Cê vê. Eu fui abrir o personare porque tava tendo dificuldades de raciocínio às 3h da madrugs. Dificuldades de raciocínio, na verdade, eu tô tendo o dia todo. Mas o sono meique sempre foi um agravador de sintomas. Aí somei sono, drogas e necessidade de decisão e lascou tudo.

Pois se eu estava com sono, o que raios eu estava fazendo acordada? – você se pergunta. E eu vos digo: evitando pesadelos.

Eu tenho esse probleminha desde a infância. Meu cérebro joga contra mim o tempo todo. Só que se eu mal consigo controlar quando estou acordada, dormindo meus neurônios fazem a festa. É avassalador.

De tempos em tempos eu consigo ficar livre desse mal, sofrendo só com sonhos malucos. Mas em outros tempos a pesadelação volta com força total. Sofro eu, sofrem meus familiares. Eu grito, digo oitocentos “nãos” seguidos, choro, resmungo. E nem tenho a felicidade de esquecer o enredo quando acordo.

Aí vêm os pesadelos recorrentes:

*casamento

Jesus amado, por quê? Não é brincadeira. É pesadelo mesmo. A última sequência de nãos foi na hora da fatídica questã. Que tipo de mente maligna se submete a esse sofrimento? E assim, se acontecer o acaso de eu ter alguém especial na minha vida no momento do pesadelo, ainda tem um agravante: não será essa a pessoa me esperando no altar. Será a pessoa na *platéia*, me olhando com olhos julgadores e movendo a boca de modo que eu leia desaprovação. Enquanto algum retardado cujo nome eu não posso nem pronunciar de tanto odinho me espera no fim do corredor. Sério, não posso com isso.

*labirinto

Não chega a ser assim, um filme da Xuxa ou do David Bowie, mas rola toda uma impossibilidade de atingir um destino. Tipos, aeroporto. Eu tenho que pegar um avião num determinado horário, num determinado portão. Tá tudo certo, até eu perceber que esqueci alguma coisa muito imprescindível. Aí começa a tortura. Não consigo voltar até o carro. Se consigo, não consigo voltar até o portão. O mundo vira um grande castelo de Hogwarts, as escadas adquirem vontade própria e nada nunca vai pra onde deveria ir. Fico parecendo personagem de vídeo-game em looping infinito de cenários. É uma delícia.

*perca

Eu perdo pessoas. Nego tava do meu lado num minuto. Eu vou olhar uma borboleta que passou e *puft* sumiu. Aí eu vejo tipos o relance do cerumano virando uma esquina e sigo. Hahahahhahaha. Vou seguir por HORAS, o resto da noite. E aí vou passar por lugares e pessoas e vou perguntar “viu fulano?” e a resposta vai ser “a-ca-bou de passar aqui". Infinitas vezes. Aí eu vou pegar o celular. Aí minha agenda vai ter formatado. Aí eu vou achar ou lembrar o número da pessoa, aí vai cair o sinal do telefone. E assim vai. Até eu acordar. É reconfortante.

*briga

Algum motivo assim, bem nobre, tipo alguém ler primeiro o meu gibi da turma da Mônica vai iniciar uma discussão que vai levar horas. Eu vou gritar, quebrar o pau, inventar descontentamentos. Eu vou ficar rouca, vou bater portas, dizer que não quero ver as fuça da pessoa nunca mais. Aí eu vou acordar pregada AND ficar de mal da pessoa no mundo real o dia inteiro. Eu até explico que brigamos no sonho, porque não tem o que faça passar a birra e é melhor manter distância.

*morte

Né? As pessoas que eu mais gosto no mundo morrem na minha frente porque eu fui burra demais pra evitar. Fim.

Pois eu estava numa onda onda olha a onda *clap* *clap* de pesadelos insuportáveis em que todos eles tinham como protagonista a.mesma.pessoa. (Fio, cê me viu casar, cê fugiu, nóis brigô, cê morreu.) E não tava agüentando mais. Quiqui eu fiz? Passei a ir dormir depois das 3h da madrugs, de modo a ir pra cama pregada e sonhar preto a noite toda. Meique funcionou. Resolver, não resolveu. Mas amenizou.

***

E é aí que todas essas divagações desconexas se encontram: no meu período lucubrante.

Porque aí outro dia eu tava lá, sem dúvidas, sem consultas ao personare, sem paciência e sem condições de raciocínio (não que eu tenha isso em muitos momentos da vida) e não sabia mais o que fazer pra me manter acordada. Quiqui eu fiz? Fui tomar um banhinho. Ni qui eu chego no quarto de banho, com que me deparo? Com um monstro dormindo na janela.

Vejem bem. Eu cresci em São Paulo, a gente não costuma ver essas criaturas da selva. Pois quando eu vi aquela pelota com penas, pés e sem cabeça, eu já abafei o grito de horror. Usei toda minha inteligência pra me lembrar que coisas com pena enfiam a cabeça em si mesmas pra tirar aquela importante soneca e entendi que não era nada decapitado, era algo dormindo.

Só que o monstro acordou com a minha movimentação e revelou um bico que era proporcionalmente gigante. E eu consegui visualizar o arrancamento cruel dos meus olhos, se tentasse perturbar o descanso da criatura. Mudei meu nome pra Melanie Daniels e fui lá discutir com Hitchcock. Kkk risos.

Mas, gente, voltemos à realidade. A janela do banheiro fica dentro do box. Se eu quisesse insistir na tarefa de tomar banho, teria que me aproximar perigosamente daquela fera e isso estava fora de cogitação. Só de pensar naquele bico GIGANTE, eu tinha espasmos de horror. Mas sem banho é que eu não ia ficar.

Fechei a porta do ambiente, porque tudo que eu não precisava era duas gatas descobrindo o potencial café da manhã e assustando a fera bicuda. Chamei a cavalaria (meu irmão), entramos no banheiro, fechamos a porta e rimos por 12 minutos da nossa incompetência com a natureza.

Sem a menor condição de decidir o que fazer com aquele possível assassino, ficamos ali, rindo e pensando “que foi que eu fiz pra merecer esse momento?” até que o pato se irritou e escorregou janela basculante abaixo. Eu e meu irmão choramos, achando que tínhamos matado a ave com a força do pensamento e fomos olhar o telhado pela janela. O pobre animal tinha sumido.

Obviamente pensamos que, ao aproximarmos nossas lindas faces da janela, o monstro voltaria e bicaria nossos olhos até desenhar “seus babaca” em Braille no nosso cérebro, mas nem. Tamos aí com os olhos e os cérebros intactos.

Qué dizê. Meu cérebro não tá muito grandes coisa não. Mas já faz uns 3 dias que eu não tenho pesadelos.

Vou ali tomar remédio e já volto. Tô torcendo pra não começar a pesadelar acordada. Oremos.

Fim.