quarta-feira, 3 de setembro de 2014

morando sozinha...

... no meu quarto.

Nossa, se tem uma coisa que eu não admito me deixa nervosa é esse povo do: saí de casa, e agora?

Aí vem tutorial de como ser feliz morando sozinho ou com o namorado e eu quero arrancar  a minha cara de nervoso com as dicas super inéditas, tipo "a roupa não se lava sozinha".

é memo, é?

Essa semana vi uma tag rolando pelas ~blogueiras famosas~ sobre as coisas loucas de morar sozinho. E morri de odinho tudo de novo.

Ano passado uma conhecida minha casou e eu encontrei com ela uns dois meses depois. A menina dizendo que toda semana levava roupa pra casa da mãe pra lavar, que tava morrendo de fome porque não aguentava mais delivery, que a casa tava nojenta porque limpar é chato. Eu só sorrio e aceno, né?



*****

PARÊNTESE: esse post começou a ser escrito um pouco antes e terminou um pouco depois  do anúncio dos temas da...


de modos que estou encaixando-lo no tema: independência.


Tem muita gente que faz cara de horror quando descobre que eu moro com meus pais. Alguns tentam disfarçar, mas a maioria solta aquele "ahhhhh, por iiiiisso que sua vida é esse sossego. Cama arrumada, comida pronta, roupa limpa, assim até eu".

POIS É. EU NÃO.

Eu tinha uns 10 anos quando, num dia de chuva, eu resolvi sair de casa de blusa branca. Na frente do meu condomínio tem um parque com lago, pato, árvore, grama e coisa e tal, um relevo bem complexo, com uns morros altos que acabam na beira do lago. Pois eu fui lá de blusa branca num dia de chuva e fiquei andando na beiradinha do morro. Pisei num pedaço de terra sem grama, o tênis escorregou e eu SHUUUUUUUUFFFF morro abaixo. Voltei pra casa chorando, porque eu caí em cima do cotovelo e achei que tava quebrado. Minha mãe abriu a porta e viu o marrom predominando na minha blusa branca e me levou pra lavanderia, me mandou tirar a blusa, colocar no tanque e só sair de lá quando estivesse branca de novo.

- mas e se meu braço quebrou?
- lava com o outro.

O braço não tava quebrado e a blusa foi recuperada depois de muita esfregação. Quando a roupa ficou limpa de novo, eu recebi instruções sobre como usar a máquina de lavar roupa, ganhei meu próprio cesto de roupa suja e, dali em diante, essa tarefa era de minha responsabilidade. Pra aprender que não é mágica a roupa limpa dentro da gaveta.

Além disso, ninguém na minha casa é adepto do ferro de passar, de modos que tinha que aprender a pendurar, dobrar e guardar, que era pra não sair com cara de desleixo na rua (até o presente dia, se há um ferro de passar na minha casa, não fomos apresentados. E as pessoas só descobrem que eu não passo roupa quando aviso, porque eu nunca tô amassada, BGO, SOCIEDADE).

Essa história aí aconteceu quando eu não tinha mais que 10 anos.

Nessa época eu era responsável pelo meu próprio uniforme da escola, por ficar pronta na hora certa, essas coisas. Lembro que um dia eu estava uniformizada, penteada, lancheira pronta, mochila pronta, sentada na frente do sofá esperando o almoço e... minha mãe se atrasou pra chegar em casa. Acabei fazendo um sanduíche pra garantir e tudo mais, de modos que minha mãe chegou à seguinte conclusão: você precisa aprender a cozinhar.

Primeiro foi arroz, que um dia ficava duro, outro dia ficava salgado, outro dia ficava aguado. Depois macarrão. Quando eu fiz 12 anos, passei de fase e ganhei o direito de usar a panela de pressão. Na mesma época, minha mãe voltou a fazer faculdade, meu pai deixou de morar na mesma casa que a gente, eu virei a cozinheira oficial dos dias de semana.

Claro que teve momentos de pura delícia, como aquele em que eu abri a geladeira e tinha nada além de um pote de molho de tomate. Reflitam que em 1993 não tinha google e eu tinha arroz e molho, concluí "risoto" e fui lá tentar fazer acontecer. Cozinhei o arroz, coloquei o molho, refoguei mais um pouquinho e... MEO DEOS QUE COISA HORRÍVEL.

Nesse dia eu estava sozinha em casa, porque meus irmãos tinham aula em período integral em alguns dias da semana. E não tinha mais nada o que cozinhar e eu fui comendo com muito desespero, até lembrar que tinha um dinheirinho em algum lugar e decidir ir na padaria comprar pão e queijo pra acabar com aquele sofrimento. Pois nesse momento tocou o telefone de casa e era meu pai, preocupado com o almoço, lembrando que ninguém tinha conseguido abastecer a despensa no fim de semana.

- ai, pai, eu fui fazer risoto com aquele molho da geladeira, mas não deu certo.
- que molho?
- o do pote marrom na geladeira.
- VANESSA DO CÉU AQUILO É GOIABADA!111!!!!11



Eu tava comendo arroz com goiabada, gente. Nunca façam isso. Desde esse dia, eu nunca.mais.comi.goiabada.

Eventualmente eu fui aprendendo receitas e técnicas culinárias, consegui me livrar da desgraça da carne de vaca, a vida ficou linda e hoje em dia eu cozinho deliciosas delícias na hora que me der na telha. Sou a rainha da panela de pressão, cozinhando almoços completos com 4 ou 5 delas de cada vez. Comida simprona, até porque eu não gosto de comida com firula. Mas eu acredito que saber cozinhar é um dos maiores geradores de liberdade do cerumano. A capacidade de fazer acontecer o que você quer e não depender de ninguém nem de restaurantes. Brigada, mãe, por ter me tacado na cozinha.

*****

Ainda ali com 12, quando eu me vi sozinha em casa, eu me dei conta que alguém tinha que limpar. E num mundo com lições de casa que sempre ficariam por fazer (eu era contra, me deixa), com opções limitadas de tv, sem internet e sem poder sair de casa por motivos de babá de irmãos, uma hora o tédio se abatia sobre a pessoa e ela - no caso, eu - ia descobrir como funcionava o aspirador de pó, ia lavar louça, limpar banheiro, tirar pó, organizar armários da cozinha, cadeiras da sala de jantar, produtos de limpeza, etc etc etc.

Depois de um tempo, aprendi a organizar a lista de compras, desde a comida até o veja limpeza pesada. Sabia quando precisava pedir gás pra cozinha. Sabia desligar o disjuntor e armar a escada pra trocar a lâmpada do quarto. Tinha uma rotina pra regar plantas. Corria pra pegar a roupa do varal - de quem quer que fosse - em caso de chuva. Sabia até expulsar os sapos que invadiam a casa, matar barata, usar veneno de formiga. Tudo isso antes de completar 15 anos.

Eu sabia andar de bicicleta pelos lugares, sabia ir à pé. Ia sozinha pra escola, pro clube, pra casa dos amigos, pro grupo de jovens, pra balada. Meus pais raramente tinham que me carregar pra algum lugar. 

Talvez não tenha sido a infância mais feliz do mundo, mas eu sou eternamente grata a habilidade de saber fazer sozinha qualquer coisa que eu precise. E se eu não sei fazer, sei quem pode me ajudar.

*****

Aos 17 eu fugi de casa (pra estudar, ai que rebelde), acabei tendo que morar de favor por um ano. As habilidades que eu ainda não tinha, tive que aprender. Cozinhar no micro-ondas (meu deus do céu, como eu odeio o micro-ondas, odeio até essa palavra, grazadeus não preciso mais usar esse objeto estúpido PRA NADA além de estourar pipoca da yoki), andar de ônibus em grandes cidades, andar de táxi sozinha, ir em médico sozinha, comprar meus próprios remédios e produtos pessoais no supermercado, com o meu dinheiro. Administrar meu tempo, minhas horas de sono, minha rotina, como um todo.

Quando minha mãe veio morar comigo de novo (plot twist: eu SAÍ de casa, mas minha mãe foi atrás), eu tava a louca da organização. Acordava antes das 6h, ia pra faculdade de ônibus. Voltava andando, pra fazer exercício. Chegava em casa e começava o almoço antes de ~as crianças~ (meus irmãos) chegarem da escola. Servia o almoço, lavava louça, passava aspirador, lavava roupa, limpava quintal, trocava ração de gato e cachorro, fazia lista de supermercado, estudava, fazia trabalhos da faculdade, assistia tv, botava ordem na zona das crianças, da mãe, dos bichos, ia dormir pontualmente 22h, repetia. 

Os anos foram passando, cada um foi cuidando um pouco mais da própria zona, CRIANDO um pouco mais de zona, a casa foi ficando apertada, eu comecei a trabalhar, depois trabalhar mais, depois estudar mais, a vida virou um caos, mas nunca, NUNCA, ninguém arrumou minha cama por mim. E eu nunca deixo minha cama por arrumar. Nem domingo. 

Em algum momento, me obrigaram a aprender a dirigir, coisa que eu não queria de jeito nenhum, porque sabia que significaria apenas uma coisa: mais trabalho. IR ao mercado. Sozinha. Levar pessoas. Buscar pessoas. Sair do trabalho pra levar gente pro hospital. Buscar no aeroporto. Essas coisas super adultas, credo.

*****

Meus pais sempre viajaram muito e eu sempre detestei viajar (essas viagens tipo ir pra casa da tia), especialmente de carro. Então eu sempre fiquei muito sozinha em casa. Sem nenhum problema, muito pelo contrário. Sábados de solidão são aqueles em que eu abro as janelas todas da casa sem ninguém pra encher o saco que tá ventando, tá sol, tá chuva, blábláblá. Coloco a música que eu quiser, na altura que eu quiser e ninguém reclama que o aspirador tá atrapalhando a tv. O varal é todo meu pra lavar cobertor, toalha, botar o travesseiro no sol. Eu posso almoçar purê de batata e nuggets de vegetais às quatro da tarde, tomar banho, deitar na cama e ver 38 filmes em sequência, mesmo que o último acabe 4:38 da madrugada, na altura que meu ouvido precisar. 



*****

Cê vê, hoje mesmo, tava eu chegando em casa e o portão eletrônico não abriu. Como eu tenho a sorte de morar na região dos super postes (don't get me started) e de desligamentos programados de energia to.da.se.ma.na., pensei "era só o que faltava, esqueci samerda de dia sem energia", larguei o carro pra fora e entrei pra fazer meu almocinho. Cheguei na cozinha e a tv tava ligada, como eu esqueci de manhã, de modos que eu pensei UÉÉÉÉÉÉÉ??////

Fiz uma linda tapioca, misturei com uns arroz que eu deixei pronto onti, catei uns nhoque recheado do domingo, taquei cebola em cima e comi essa refeição balanceadíssima, fiz uma inalação com berotec e saí sambando involuntariamente, dei rações, troquei águas, me dirigi pra saída da minha própria casa e tentei abrir o portão de novo e... NADA. Comecei a fazer a agenda mental de quando poderia receber o técnico, tentei lembrar onde estaria a chave pra abrir manualmente, cadeado pra botar lá enquanto isso, essas coisas que gente que mora com a mãe não é obrigado. Fui pra minha linda aula e deixei pra pensar mais tarde. Quando eu voltei pra casa, um dilúvio se aproximando e eu pensando nos próximos a chegar morrendo encharcados até descobrirem que o portão morreu e acharem suas respectivas chaves e etc e lembrei de uma manobra radical de dar uma porradinha no portão enquanto aciona o controle que ele volta. Tentei, né? POIS NÃO É QUE FUNCIONOU? Quase perdi a mão no tranco, mas o portão abriu suavemente pra mim e pros 3 que chegaram depois. 

E é por causa disso que eu não compreendo gente com mais de 20 anos que não tomou o rumo da própria vida na mão.

Veja bem: eu não acho que sou melhor que ninguém por causa disso. Mas não consigo admitir uma pessoa adulta que não consegue escolher o que comer no café da manhã

Vejo gente falando que tem que pedir pra mãe comprar remédio, pasta de dente, escolher médico, fazer almoço. Vejo gente falando que ai meu deus, a comida não brota na mesa, a roupa não brota no armário, tem que limpar o banheiro, tem que gastar dinheiro no mercado, o chuveiro queima, aparece barata, você é responsável por si mesmo.

CÊ.JURA.

Eu tenho trinta e três anos, onze meses, 16 dias, moro com meus pais, às vezes acho que cuido mais deles que eles de mim e já sei essas coisas faz tempo.

Hoje em dia, morando numa casa grande, dessas que dá até alegria passar aquele ♥rodo mágico♥ pelo chão, cada um vivendo praticamente no seu quarto, uma pia maravilhosa pra organizar e lavar a louça, um fogão gigante pra cozinhar deliciosas delícias, carro próprio pra trazer milhões de sacolas do supermercado, da compra paga com ~recursos próprios~, milhões de dinheiros gastos em lojas como leroy merlin pra deixar tudo bonitinho, mesmo as partes da casa que TEORICAMENTE não estão sob meu domínio, eu tenho mais problema ainda em entender gente que não captou como uma casa funciona depois de passar a vida vivendo em uma. 

No dia em que eu sair de casa de novo, não tenho a menor dúvida de que serei feliz para sempre comigo mesma. Vou poder me alimentar, manter a higiene, decorar, ouvir música sem fone, fazer pequenos serviços de reparo e ainda me servir de companhia. É capaz até de nunca mais botar o pé pra fora e fazer tudo pela internet, até a compra do mês.

Se bem que deve dar até uma alegria sair de casa sabendo que o pote de nutella que você comprou com tanto amor e esqueceu em cima da mesa da cozinha estará lá, contendo a mesma quantidade de recheio que continha na hora em que você saiu.



NUM.VEJO.A.HORA.



sexta-feira, 29 de agosto de 2014

push me and then just touch me

(não)

Eu sei que este blog nem parece tão véio assim, mas eu só mudei pra cá quando a situação ficou insustentável no blogger.br, então pra mim é tudo o mesmo, que eu tô usando faz uns 20 anos já (vinte não faz, mas faz uns bons quinze). E em vários momentos eu sinto a mesma coisa que estou sentindo agora:

Este blog não me satisfaz mais.

Porque eu não sou ~artista iluminada~ que se inspira com desgraça, tristeza e nada. Eu gosto de coisas felizes e engraçadas, sabe? Quando acontecem longos períodos de nada tendendo ao negativo, eu só quero ficar quieta. E uma das razões pra isso é que chega um ponto, depois de milhões de anos, que as pessoas que leem o que você escreve são muito íntimas ou acreditam que são, porque leem sobre sua vida há tanto tempo.

De modos que todo mundo se torna um insuportável caga regra.

Cê vem aqui falar de tristeza ou mimimi e as pessoas acham super ok mandar você se tratar hahaha. Amigue, você diz isso na cara das pessoas dessa forma rude? Qual a diferença? Cê vem reclamar de solidão e seus amigos se ofendem, mas no dia que você precisa da presença das pessoas, elas têm alguma coisa mais importante pra fazer e não é culpa delas ou elas estavam disponíveis sim, você que não chamou.

Depois que passou, todo mundo tava lá pra dar a mão, né?

Ontem, por exemplo.

Não, péra, um parêntese.

Talvez alguns de vocês saibam que se tem uma coisa que eu não suporto na minha vida, essa coisa é gente que tem uma característica maior que o todo. Explico: sabe aquela pessoa que quando você precisa identificar, você diz o nome e UMA característica e todo mundo já sabe quem é? Fulano + um nome de time. Fulano + uma religião. Fulano + uma característica física não apreciada. Eu acho isso péssimo. Tem coisa que a pessoa traz pra si mesma, né? Como a insuportabilidade de declarar o tempo todo pra que time torce. Vai na esquina e carrega uma bandeira, PELAMOR, CHAMPS, calm your tits, é só um time. Mas tem coisa que a pessoa simplesmente é. Tipo o Zé Gordão. Ok, gente, o Zé pode até comer demais e se recusar a fazer regime ou exercícios, mas gordo é o que o Zé É. Maria nariguda. Maria nasceu assim, gente. Ela não fica carregando uma bandeira do nariz ou tentando convencer ninguém que narigão é magia, você deveria ter um. E tem essas coisas (gordura, nariz grande) que a maioria das pessoas não quer ter ou ser, mas não tem alternativa, sabe? Então é um porre quando você usa isso pra identificar a pessoa.

A razão desse parêntese?

Outro dia uma pessoa queria me identificar sem dizer meu nome e me chamou de miss alergia. Eu nunca imaginei na minha vida o quanto isso me ofenderia, mas eu quis estourar a cara da pessoa. Ser alérgica é uma condição que independe da minha vontade (até porque, QUEM em sã consciência quereria viver com medo de morrer porque tá lá, sei lá, respirando?), que é eterna e incapacitante, que ninguém compreende, nem quem passa por isso. Outro dia uma pessoa me viu por 3 dias seguidos, nos 3 eu estava sustentando uma crise avassaladora. Aí a pessoa achou super conveniente dar seu diagnóstico médico imaginário e eu ignorando, até ela dizer "ninguém tem uma alergia que dure tanto". Pois é, ninguém. Tô aqui inventando porque eu curto um papel de coitadinha.

Se possível fosse, ninguém jamais saberia que eu sou alérgica. Mas tem um limite de "gripada de novo?" que a gente ouve na vida antes de explicar. Ainda assim, tem um limite de não quero comer isso, não posso ir nesse lugar, não tenho condições físicas pra isso, odeio dias de sol que eu preciso repetir um milhão de vezes, porque um simples "não quero e não posso" não são suficientes. Então eu tenho que explicar, né? ISSO.VAI.ME.MATAR. etc. É culpa de vocês, isso. Eu tô aqui só vivendo precariamente.

Fim do parêntese.

Eu fiz essa pausinha aí pra falar sobre ontem.

O problema da pessoa alérgica é que ela nunca sabe se está tendo uma crise ou se está tendo uma coisa completamente diferente, que qualquer outro cerumano poderia ter em qualquer momento. Demora um pouco pra identificar se é crise ou resfriado, crise ou gripe, crise ou enjoo, crise ou tuberculose. E geralmente é lá pelo terceiro dia de antialérgico não operante - e por antialérgico eu digo e terceiro comprimido ADICIONAL por dia - que você entende que se não melhorou, não é alergia.

Pois eu fiquei segunda, terça e quarta com uma tosse incapacitante. Mas teve umidade do ar menor que 30%, ventania e tempestade num mesmo dia, as três piores coisas pro meu tipo mais grave de alergia. Aí eu pensei que tava só morrendo mesmo, bem simples. Tomei o antialérgico do dia, o mais forte e o hard-core-motherfucker, porque tava mal mesmo e... nada. Adicionei pastilha pra garganta, spray, xarope... nada. Adicionei remédio pra dor na cara, no pescoço, na garganta... NADA. Aí comecei a piorar, né? Porque provavelmente o corpinho não conseguiu sintetizar a coisa toda e, geeeeente, pensei que foce morrer*.

*piada for dummies

E pra entender o quanto eu estava mal, eu saí do trabalho, fui pra casa e deitei na cama. Tinha academia pra ir, louça pra lavar, roupa pra colocar na máquina. Mas eu tirei a calça jeans pus o fio dental e deitei na cama e vi novela. Sabe quando foi a última vez que isso aconteceu? Quando eu tinha uns catorze anos.

Aí eu tava lá naquela situação miserável e minha mãe estava viajando - é importante essa parte, porque mãe nunca abandona, a não ser que ela esteja geograficamente indisponível - e eu pensando "minha nossa senhora do passaquatro, e agora?". Ni qui eu pensei, "nossa, mas eu tô ótima aqui das habilidades físicas, posso pegar meu próprio carro e me dirigir até o hospital mais próximo, né?

Coloquei a calça jeans de volta, prendi os cabelinho que tava tudo revolts a essa altura, me enchi de blusa, casaco, cachecol e fui. Sozinha. Pensei na possibilidade de precisar tomar remédios na veia e ficar assim um pouco incapacitada pra função de motorista quando já estava no meio do caminho, mas não tinha como recuar, prossegui. Pensei em como seria meio boring ficar distribuindo meu pulmão pela sala de espera sozinha por uma meia hora, mas não tinha muita alternativa. Não deu tempo de deprimir por abandono por muito tempo, o hospital era realmente perto. Cheguei, estacionei, descobri que tinha que subir um fucking lance de escada - atividade que tomou uns 10 minutos - cheguei na porta do hospital, onde uma funcionária fumava sob a marquise como se fosse super normal tentar asfixiar os outros que já estão lutando pra se locomover e fazer sinapses com oxigenação reduzida, entrei no hospital, onde ninguém aparecia pra atender. 

A sala de espera até que cheia, mas a recepção vazia. E nada. O segurança percebeu que eu estava com sérias dificuldades respiratórias e foi chamar a recepcionista, que resolveu apertar todos os números de senha do mundo, mas nunca o meu. A SALA TÁ VAZIA, MOÇA! ME ATENDE, PELO AMOR DE DEUS.

A filha de chocadeira levou oito minutos contados no relógio pra chamar as senhas todas, três vezes cada uma. Chegou na minha vez, não me deixou nem falar oi: "não tem triagem, espera de três horas". Mas, moça, em três horas eu já morri! "Que pena."

Uma pena mesmo. 

Me arrastei pra fora do hospital, de volta até meu carro. Saí do estacionamento sem saber como lhe dar com aquele momento específico da existência e parei na frente do hospital e chorei por aproximadamente 17 minutos, porque não tinha uma pessoa pra quem eu pensasse "poxa vida, xô ligar aqui pra esse amigo tão maneiro que vai me ajudar a chegar no próximo hospital e segurar minha mão enquanto eu morro". 

FAVOR NÃO VIR AQUI DIZER QUE VOCÊ IRIA OBRIGADA

Eu não vou negar que uns quinze nomes passaram na minha cabeça, sabe? Mas como eu não falo no telefone nem sob grave ameaça de morte e eu não quero ter que ficar explicando (caso fale no telefone, tô nem falando de sms) que eu preciso de ajuda porque tá ruim assim mesmo, eu nem me dei ao trabalho.

Eu queria poder ligar e falar apenas as seguintes frases "frente do hospital x. morrendo. ajuda agora." e a pessoa estar lá num espaço de tempo entre 10 e 30 minutos, dependendo da sua localização no espaço no momento da ligação. "Ah, mas eu não tenho carro.", "ah, mas eu tô na aula", "ah, mas eu tenho um compromisso", "ah, mas..." eu.não.quero.ouvir. Se eu liguei e pedi ajuda, eu quero ajuda, ok. Reflita aí se eu morrer que diferença vai fazer a aula de introdução à babaquice que você perdeu hoje. Ou o vigésimo oitavo lanche do Mcdonald's que você ia comer com aquela pessoa neste ano. Ou o tempo que você passaria no ônibus. 

Talvez não fosse fazer diferença nenhuma mesmo.

De modos que eu me sinto solitária.

Porque quando seu ~estilo de vida~ é falar bobagem e ser engraçada, é muito fácil ter gente perto de você nessas condições. O tempo todo, se você quiser. Mas nas vezes que minha saúde ficou muito ruim na minha vida (o que é, provavelmente, a única coisa que me tira o bom humor), não sobra um pra contar a história.

Teve uma vez (eu já contei isso aqui e nem ligo, vou contar de novo) que eu namorava um cara que eu nem queria namorar, mas ele infernizou tanto que eu só parei de negar. Pois tava tudo maravilhoso (pra ele) enquanto eu tava sendo eu, era um grude insuportável, do tipo que eu cheguei a fugir da pessoa na rua, pra que ela não me visse. Foi eu ficar doente que nego arranjou amigos e compromissos da noite pro dia. Um dia eu estava tão mal que não conseguia levantar e andar. Eu liguei e pedi ajuda, porque a condição em que eu me encontrava dava muita sede e eu nem sempre conseguia levantar pra repor a jarra de água. A resposta? "Tá todo mundo no restaurante whatevs, cê não vai querer que eu fique aqui e perca isso, né?". 

NÃO, QUERO QUE VOCÊ VÁ PRO RAIO QUE O PARTA.

E foi pro restaurante e até hoje não compreende o que me acometeu pra terminar o relacionamento.

Sabe?

O ano passado foi um ano complexo pra minha saúde. E eu fiquei 120% amarga. E não sobrou praticamente ninguém. Os amigos que moram em outras cidades ou países e acham que não contam, tão muito enganados, porque muitos deles sumiram até do convívio digital. (Muitos sobraram, mas aqueles de quem eu não tinha dúvida que ficariam). Mas dos amigos in loco, que eu via até 4 vezes na semana em algumas ocasiões, dá pra contar nos dedos de uma mão (sobra dedo). 

E numa hora de profundo desespero, que você chora dentro do carro numa rua deserta, à noite, e o único pensamento que vem à sua cabeça é "se eu chorar, vai piorar pra respirar", não tem ninguém.

Mas depois que eu apertar o botão publicar, tem a galera que vai ignorar (chamando mentalmente de reclamona e etc), tem a galera que vai me mandar procurar ajuda ou cagar alguma regra e tem a galera que vai me mandar mensagem particular dizendo que tava disponível sim.

E é por isso que eu não quero postar mais porcaria nenhuma e tal.



quarta-feira, 20 de agosto de 2014

dia cocô

- doeu?

- sempre dói, né? 

- vai passar.

Tive um dia horroroso e tinha consulta na psicóloga que não dava pra desmarcar. Eu não gosto de falar quando tô tendo um dia horrível, eu sei que parece incoerente, mas não gosto. De qualquer forma, fui.

Na hora de sair tava com a cara tudo vermelha, porque eu choro se fico nervosa.

No corredor onde está o consultório tem também uma clínica de estética e um consultório de dentista.

A mulher esperando o elevador trabalha na clínica de estética (eu sempre vejo ela lá) e acabou concluindo que eu tinha saído do dentista e que era a isso que se devia a minha cara de pizza atropelada. Não quis contrariar, porque envolvia falar e etc.

- dentista é um sofrimento...

Concordei com a cabeça.

Aí ela lembrou que o dentista não atende naquele horário.

- ahhhh, você não saiu do dentista, saiu da...

Concordei com a cabeça.

Aí a gente entrou no elevador e ela pegou no meu braço.

- isso também. Vai passar.

Chorei tudo de novo.

- quando você voltar, passa na minha sala pra gente tomar um café, tá?

Agradeci e saí andando. Mal sabe ela que 90% dos meus problemas envolvem a falta de conexão com a humanidade e que ali ela salvou meu dia.

Vai passar.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

o silviço público com vaneça negão

(meu talk show)

a fota retrata a luta eterna entre a tia da limpeza, a cortina e o fio do ventilador, 
que a tia da limpeza tá ganhando ~de lavada~ got it got it


Olar! Preparados pra sofrer?

E ó que ainda é segunda-feira e mal badalou 10 da manhã!!!11 

Pois aqui nesta instituição maravilhosa do conhecimento, rola todo um esquema de antenas wi-fi espalhadas, muito moderno, muito pró conhecimento. Assim como um sistema magya de uso da biblioteca, que você consulta periódicos pagos DI GRÁTIS (ó que primeiro mundo?), para isso tendo que fazer apenasmente, sem custo e sem dificuldade, um email da instituição. Você, pessoa moderna, pessoa inteligente, se cadastra no sistema de emails e GANHA a oportunidade de usar o wi-fi em qualquer campus e consultar a base de dados do mundo inteiro. Muito rico.
Massssssssssss, o que ninguém te conta [/discovery home & health] é que inteligência is overrated e não dá pra esperar disso da comunidade acadêmica de nível superior, de modos que alguns gênios não se cadastram no sistema, mas EZIJEM internet nos noutybuq e celular!!1111

E não é só isso! Tem as pessoas que vêm de fora ou até mesmo de outros países e precisam usar a internet. E a internet ~livre~ PRECISA DE SENHA que você consegue apenas se cadastrando no serviço de emails, que é só pra comunidade acadêmica oeeeee!

Fui eu que inventei? Não. Sou eu que cuido disso? NEM.UM.POUCO.

Pois meia hora atrás chegou uma funcionária-não-professora (tem que especificar) aqui me perguntando comofas ligar a internet no nouty. Eu explico que é com login e senha do email institucional. TELA AZUL - na pessoa, não no computador. Mas assim, respondi porque sou um amor, porque não é minha função e etc. A pessoa vai reclamar de mim do outro lado do corredor e dá o azar de eu escutar. Volta com a escolta de superiores, EZIJINDO que eu dê a senha do wi-fi e eu explico de novo, pra todo mundo, bem devagar.

- mas eu pego wi-fi ali num sei onde sem senhaaaaa!

Nossa, mas que bom pra você, vai pra lá então, ué. Aqui só pega esse que precisa de login de email, pode reclamar com o papa se for o caso.

Todo mundo vai embora com cara de cocô mole, acredito que o pior já passou, dá mais 10 minutos e vem um funcionário-professor (ui, que meda), que além de educadíssimo só que nunca, tá com aquele delicioso bafo de cigarro. Cochichando sem necessidade, porque acha que eu tô regulando mixaria, taca o celular na minha cara com a tela de login aberta e pede (ah, tá), MANDA, sem por favor, sem educação e em tom de segredo:

- a senha do whiiii-fhiiiii. *bafo de café*

- então, ó, é o mesmo login e mesma senha do email, tá escrito aí na telinha.

- qqqqqqqqqqqqqqqqqqqqqqq email?

- o institucional.

TELA AZUL. A pessoa não sabe o que é institucional.

- sabe seu email daqui da universidade? Usa o login, usa a senha e a magya da internet acontece.

- eu não tenho um email daqui.

- ENTÃO.NÃO.TEM.INTER.NET.

- e agora????///////////////

Aí eu explico que eu NÃO GANHO PRA ISSO, não tenho nada a ver com isso, não inventei isso, não é minha culpa, não é minha responsabilidade, não POSSO.FAZER.NADA., sou linda e digo quem pode resolver, ele diz que eu tô de má vontade e sai esbravejando impropérios sobre a minha pessoa, que só se lasca por aparecer pra trabalhar, né?

Quem não tá aqui não tem que escutar o desaforo.

Boa sorte pra mim nessa belíssima carreira que eu não escolhi, mas aceitei e boa semana de paz cintilante a todos.

terça-feira, 22 de julho de 2014

♥ minha banda favorita ♥

Primeiro, um disclaimer:

Eu tive uma longa e intensa experiência de quase morte nos últimos 15 dias, então midesgupi todo mundo que entrou em contato comigo nas mais variadas formas de comunicação. Eu estava MUITO mal humorada pensando que dessa vez morria mesmo. Larguei a internet como um todo, com exceção dos eloquentíssimos jogos do facebook and I regret nothing. Ainda estou lhe dando com os efeitos malignos da peste que se abateu sobre mim, mas vejo uma luz no fim do túnel, de modo que posso tentar concluir este post que está - não gritem - desde primeiro de julho no rascunho.

Oremos.






Gente, vamos por partes:

1 - blogagem coletiva e Rotaroots

Outro dia eu tava lendo o blog da Raquel e vi uma postagem marcada como blogagem coletiva e o rotaroots e tudo mais e fiquei pensando "meodeos, existe mesmo um lugar na internet que reúne pessoas que postam sobre a vida, o universo e tudo mais e não necessariamente que caramelos elas vestiram naquele dia ou que viagem alguma marca patrocinou pra elas? ONDE ACHA? Pois achava no rotaroots. 

Eu entrei em maio, mas já tinha postado sobre todos os temas de maio muito recentemente (ou não tinha nada pra dizer). Em junho também não senti a inspiração dirigida invadir meu ser e em julho é capaz de eu postar sobre os três temas. 

2 - o tema em questã: a primeira vez que eu ouvi minha banda favorita


Taí um assunto delicado. Eu não nasci pra ser fã de ninguém, gente. Eu sou uma péssima fã. Eu não sei tudo sobre a vida da pessoa, sobre a obra da pessoa, 90% do tempo eu tô realmente me lixando pra existência da pessoa no universo. E, ao mesmo tempo, dentro do meu cabeção, eu sei que eu amo muito a pessoa e etc. Não sei explicar como funciona, só sei que se você me perguntar minha banda favorita, eu vou ficar no "hummmmmmmm" uns 15 minutos, depois vou responder qualquer coisa que eu esteja ouvindo no momento, depois você vai começar a cantarolar uma música cuja letra eu não sei. RYZO.


Então vou fazer um top 5 aqui meio biruta e tentar justificar essas escolhas. Lembrando que vou deixar de fora as bandas que são resposta padrão de 9 entre 10 pedantes, tipo, sei lá, Nirvana, Led Zeppelin, Marisa Monte. Acho que ninguém deveria ser autorizado a dizer que essas bandas que ~todo mundo~ gosta estão entre as suas favoritas, porque isso É ÓBEVEO. Com exceção de Beatles, né? Que todo mundo sabe que até Molejo vem a ser melhor (não discutam, aqui não é uma democracia).




Brandi Carlile

Não importa qual banda eu esteja amando no momento, sempre estarei amando Brandi. Agooora, como eu tomei conhecimento dessa senhora eu não faço a menor ideia. Mas o bom da Brandi é que se você colocar no youtube, no rdio, no spotify, onde for, não tem erro. Não tem nenhuma música ruim. Até aquelas sobre as quais você não tem muita certeza, depois de ouvir duas ou três vezes se tornam a música favorita do momento. E a vantagem é que a maioria dá pra cantar gritando. Se tem jeito melhor de cantar que arrebentando a garganta, eu ainda não descobri.

Por incrível que pareça, além de The Story, que é aquela música que todo mundo diz "ahhh, sei qual é" quando começa, eu raramente ouço músicas dela tocando pelas rádios, seriados ou nos mp3 players alheios. Vamo mudar isso aí, gente. Brandi é amor. 

A primeira música que eu me lembro de ter ouvido: The Story
A música que eu mais tenho ouvido: Heart's Content
A melhor música de todas:







Eu estou tendo uma luta interna aqui comigo, mas acho que vou concordar comigo mesma que essa é a música que eu mais escuto ou canto pelos trânsitos da cidade. O incrível é que não tem gritos nela, veja só você. Mas é uma das músicas mais lindas que existem, letra e melodia. Sei lá, a última vez que eu pude acordar do lado de alguém com o sol batendo na cara, a coisa se deu exatamente assim, então acontece toda uma identificação. Anyway, eu amo a Brandi e meu modo de avaliação é: eu pagaria pra ver um show dela.

PLS COME TO BRAZIL, BRANDI.



David Cook

Eu nunca levei muito a sério programas tipo reality. Eu não tenho paciência pra ficar quatro dias por semana na frente da TV com hora marcada, eu não tenho paciência de ficar olhando pra TV enquanto as pessoas descobrem como se mover num palco, eu ODEIO aquele drama todo de "ele não andou até os 12 anos, então hoje é um milagre", porque, cacilda, ele tá cantando, cara. Eu só quero saber se a pessoa canta bem AGORA. E nem assim é garantia de que eu vá gostar da voz dela. Por exemplo: eu gosto da Beyonce, mas eu não suporto esse estilo de cantoria berrada. Gritar como a Brandi é uma coisa, essa vibe diva 8 oitavas acima, eu só quero morrer imediatamente. Magina minha aptidão pra reality de música. 

Então eu tava lá montando meu Rubik's cube das princesas Disney, passando por muita dificuldade no processo, quando de repente uma pessoa me chama a atenção no American Idol, a ponto de eu largar o que eu estava fazendo e olhar pra televisão. Era esse lindo aí cantando Hello, do Lionel Richie. Sem versão de estúdio, infelizmente. Daí pra frente eu passei a levar esse programa um pouco a sério, torcendo loucamente, entrando em fã clubes (2008 foi um ano difícil, mas já passou), comprando CDs, músicas no iTunes e etc.

Ali por 2010 aconteceu toda uma tentativa de viagem pros EUA, apenas por motivos de show dele (jamais virá pro Brasil, tenho certeza), mas não tive condições psicológicas. Deixei pra uma próxima oportunidade. Quem sabe 2018? Vamos torcer.


A música que eu mais gostei enquanto participante de reality: Billie Jean
A melhor música de todas, não há mais amor que isso: Always Be My Baby
A melhor música que não é versão:








Florence + The Machine

AILOVE a Florence, ok? Considerei a possibilidade de ir ao Rock in Rio apenas por conta dessa cerumana. Eu adoro a voz toda quebrada, aguda, gritada. Eu amo gritar com a Florence.

Tudo começou MUITOS anos atrás, uns 4 anos, provavelmente. Eu estava num site de roupas muito pedante, daqueles com musiquinhas que dão o play sozinhas, antes de você decidir se quer ou não ouvir ou até mesmo parar o que você já está ouvindo. Pois eu estava distraída, sem música prévia, com fone nazoreia (sempre) e começou essa belíssima canção: Girl With One Eye. Tive trinta e oito tipos de ataque, porque eu me apaixonei por essa canção. Fui procurar a letra imediatamente, porque não era possível acreditar nos meus ouvidos. Era aquilo mesmo, 

I took a knife and cut out her eye
I took it home and watched it wither and die
Well, she's lucky that I didn't slip her a smile
That's why she sleeps with one eye open
That's the price she'll pay

Olha, gente. A gente nunca sabe realmente o que motivou a letra, né? Às vezes a pessoa tá lá com os amigos no facebook, traduzindo Lorde do inglês pro bagacês e sai uma piadinha e tal. Mas que letra maravilhosa. De SAI DAQUI, FIA. TIRA A MÃO. TE DESÇO-LHE A BOFETADA. 

Apaixonei imediatamente e saí comprando CD, DVD, sonhando aqui com o disco (sim, de vinil memo, tenho tocador em casa que funciona, me deixa, milarga?). Só não comprei esse vinil quando vi na loja porque 99 dinheiros deu aqui um cãibro no meu bolso e eu não consegui. Mas ainda hei de. 

Também acho que a chance de uma turnê normal incluindo o Brasil é mínima e eu não tenho paciência pras esses shows povão ou festival (pedante sim, velha pode), então vou aqui juntar minhas libras pra verlha um dia em solo europeu.

Tava aqui ouvindo as músicas para fins de inspiração e lembrando do dia em que apresentei Cosmic Love pra um amigo e da reação enlouquecida da pessoa com essa música. Fosse ele ainda meu amigo, me daria ao trabalho de achar esses posts e fazer um print. Acho que só não curte Florence quem tem muitas restrições de estilo mesmo. "Só ouço rock". "Só ouço pagode". O resto pode clicar que é amor.

A música que todo mundo mais ouve, mas para a qual eu não dou a mínima: Dog Days Are Over
A música mais maravilhosa, que todo mundo conhece: Cosmic Love
A música que me fez sair atropelando pessoas pra comprar o DVD e está no repeat há meses:






Tem mutas bandas que eu ouço MUITO e amo, mas essas foram as primeiras em que eu pensei na hora de fazer o post. Então vamos ficar com essas por enquanto. 

E pras madame ufanistas, eu não esqueci do podruto nacional não.

Devo dizer que as letras em português, aquelas que a gente não pode achar desculpa pra interpretar errado (a não ser que sejam do Djavan) me deixam com um pouquinho de má vontade pra escutar alguns cantores ou bandas. Tipo a banda mais mongoloide da cidade com aquela repetição insuportável. Sei lá, se é em outra língua, talvez não canse o cérebro, não sei. Eu tenho birra com coisa que repete. Ou letra muito idiota (no meu ponto de vista, é claro), NÃO SEI. Só sei que é bem difícil pra mim a atividade de ouvir música em português, porque eu fico discutindo com a letra. Hoje de manhã, por exemplo, minha mãe tava cantarolando algum clássico da MPB e eu fiquei contando até um milhão, porque acho a letra particularmente idiota. Mas é clássico, é Chico, Caetano, Gal, NÃO FAÇO A MÍNIMA, mas é crime se você falar que não gosta.

Vou aproveitar e dizer que odeio Chico Buarque além de Beatles, assim já fica todo mundo avisado e não vem me indicar essas porcaria pra ouvir.

BÃO. Como no top 3 em inglês, aqui vou falar apenas de duas pessoas (ou bandas, tô confusa) cujos CDs eu tenho na minha estante. É assim que eu meço amor: ímpeto de comprar CD.


Ferananda Takai ou Pato Fu

OH MEODEOS COMO FALAR DO AMOR?

Na época da novela "Um anjo caiu do céu", cuja abertura eu ODIAVA, transferi o mimimi pra banda. Se tivesse rede social naquela época, estaria povoada de posts meus reclamando dessa música e dessa banda. Hoje a birra passou totalmente, incluindo a que eu tinha com essa canção. Nunca escuto, não tenho entre meus arquivos, mas acho super ok que ela exista.

Aí um dia eu escutei o melô do egocêntrico, Eu, e me apaixonei. Gente, eu queria tanto encontrar uma pessoa como eu, cêis não têm ideia. Depois disso eu aceitei muito a banda na minha vida, fiz toda uma programação em volta do show deles na virada cultural de 2010 e deu.tudo.errado. e eu jogo na cara dos responsáveis sempre que possível. Pelo menos daqueles com os quais eu ainda mantenho um relacionamento nos dias de hoje.

Mas a verdade é que eu gosto mesmo é da Fernanda. Acho a vozinha dela muito bonitinha e quando ouvi Diz Que Fui Por Aí, lacrou o amor. Ouvi essa música numa madrugada enquanto dirigia pra casa e "tenho a madrugada como companheira (...) estou por aí sempre pensando nela" era exatamente a vibe daquele dia e virou trilha sonora das minhas poucas madrugadas pelas ruas da cidade.

Recentemente ela lançou um CD solo. Não me pergunte se foi o primeiro ou se o Pato Fu acabou que eu não sei (mentira, o PF não acabou). Eu só sei que fui ao evento de lançamento que teve em Curitiba - como não amar quem não apenas está no Brasil, mas até mesmo vem no fim do mundo onde você mora? - e consegui foto, autógrafo e amor. A foto tá aí pra provar, o autógrafo esqueci de digitalizar. A coisa mais fofinha, assim como o CD.

Eu acredito muito naquela frase "não conheça seus ídolos", ainda que eu não consiga exatamente botar ninguém nessa posição. Mesmo assim, quando eu conheço pessoas que eu admiro um pouco, rola uma chance catastrófica de decepção. Pois Fernanda assassinou essa regra, sendo a pessoa mais simpática e paciente com quem já interagi do mundo da fama. Sério, a pessoa percebeu que tinha mais gente do que senhas distribuídas e mandou fazer uma lista pra atender TODO MUNDO que quisesse falar com ela, nem que ficasse ali mais 20 horas. Tá de parabéns, porque esse povo todo comprou CD a quase 30 dinheiros, então eu acho que tá certíssima.


oun

Parece legião, mas nem é e você TEM que ouvir: De um Jeito ou de Outro
Uma das minhas músicas favoritas NO UNIVERSO, que minha mãe toca no piano e eu adorei ouvir com letra: Odeon
A melhor música do CD, que é uma pena que vocês não tenham visto acústico ao vivo:






Alexandre Nero (e a Maquinaíma)

Já tô vendo as recalcada falando é que porque tá na moda ser fã do Nero, que ele é ator e eu estou equivocadas, que minha mãe é feia e eu sou gorda. Só que ao contrário de você que descobriu que ele existe duas novelas atrás, eu sou desocupada seguidora desse cerumano desde 2001, quando você ainda nem sabia que ele existia.

Tava eu num aniversário, muito contrariada, quando a música ambiente é desligada e eu penso "Pronto. Tava ruim conversando, magina agora com uma banda bagaceira qualquer". Pois a banda era Alexandre Nero e a Maquinaíma. Em uns 20 minutos eu estava amando. Nero tem aquele tipo de voz que não estraga nas caixas de som, sabe? Voz que não perde a personalidade. Aí ele cantou Magamalabares e Um Índio e eu pensei, MEU DEUS, que músicas são essas? Eu tinha 20 anos e JAMAIS tinha ouvido MPB na vida. Eu era do rock \m/, aqui é rock, SÓ OUÇO ROCK, MERMÃO. Era eu garrada no meu Deep Purple, Iron Maiden, Metallica, Led Zeppelin. Só ouvia isso. Aí escutei MPB na voz do Nero, garrei amor e saí comprando CDs por aí. Depois saí fazendo romaria em bares da cidade, pra ver a banda na sexta, no sábado, no domingo, na terça. 

Ao contrário das minhas amigas, eu estava amando a música e a voz, porque o Nero tinha uma vibe assim, como direi, mendigo. Eu não gosto. Eu gosto de gente arrumadinha, com cara de banho hahaha. Então deve ter sido a minha cara de desprezo eterno que fez com que um dia eu recebesse um email do nosso amado, idolatrado, salve salve. Era alguma coisa sobre sugestões de música e tal, mas foi o começo de uma linda amizade (ryzo). Naquela época, a banda era já bem conhecida em Curitiba, mas com o surgimento do orkut, eu pensei "será que não ajuda a promover?". Fiz a comunidade, convidei o Nero pra entrar - numa troca de emails completamente absurda, uma pena que perdi - e me auto intitulei a presidente do fã clube. Se ele tocasse com o Maquinaíma ou com o Fato, eu estaria lá. Bar, teatro, meio da rua. EU.ESTARIA.LÁ.

Nero toca para a multidão

Se andasse de carro, a pé, se estivesse em casa, estaria ouvindo este CD. Cuja música mais escutada foi, sem dúvida, Assimétrico. Em algum ponto dessa insanidade, Nero foi fazer A Favorita e eu chorei, assim como muita gente, porque ficamos órfãos da nossa banda favorita tocando pela cidade. O que aconteceu em seguida foi ainda mais bizarro: como eu era dona da comunidade da banda no orkut, cada pessoa que se apaixonava pelo Nero e achava a comunidade me adicionava ou botava nos favoritos. Cada vez que ele falava comigo, era uma chuva de "pelamordedels me apresenta", gente que me mandava mensagem chorando, uma coisa de louco. Duas primas minhas entraram em desespero com a situação e queriam que eu pegasse autógrafos de qualquer jeito. Foi uma fase surreal.

o visual duvidoUso

Quando ele foi fazer Cabocla, acabou vindo fazer um show com o Fato em Curitiba (melhor musga) e eu finalmente consegui pedir os benditos autógrafos. Situação mais ridícula da vida é você pedir autógrafo pra alguém que você conhece há anos hahahaha. Tenho uma foto das meninas com eles em algum lugar.


selfie na balada antes do conceito de selfie

Bom, daí pra frente, cada vez menos o Nero estava presente nas apresentações do Maquinaíma, a banda deu uma entrada em coma - não sei se morreu ou se tá dormindo por um longo período -, os outros músicos se juntaram em outras formações pra outras coisas e agora eu vejo o Nero como todo mundo: pela televisão.

Ou, de vez em quando, se ele vem pra algum evento maravilhosíssimo em Curitiba. Tipo a virada cultural do ano passado, em que eu tinha cabelo de 3 cores, bronzeado de 3 cores, 3 toneladas e peguei meu primeiro autógrafo do Nero pra minha própria pessoa.

Nero me pegano e conferino minhas curva de outrora


foto oficial cara de bunda oficial 




No caso de você estar querendo as música tudo, com exceção do último CD, tem aqui. Aliáááás, a mera existência do último CD, Revendo Amor, já me causa extrema felicidade. Teve um tempo que achei que teria que me contentar com as músicas que já existem e com as minhas memórias das versões que ele cantava.

Melhor versão disponível em estúdio: Disritmia
Música maravilhosa do coração: Fila
Ouva urgentemente: Árvores Brasileiras, Sextas e Puta Que Paris

Melhor música de todos os tempos aimeldels, 01 pena que meu vídeo ao vivo ficou ruim:



Nem eu sabia que era tão fã do Nero assim, minha nossa. Dá até vergonha.

De modos que vai aqui uma última confissão antes de terminar esse post: uns anos atrás, quando ficou insustentável a vida no blogger.br, eu resisti até o último minuto trocar de endereço, porque meu blog estava linkado no site do Nero no outro e eu sabia que ele não teria tempo de arrumar. Se você olhar, tá lá ainda. Hahahahaha. Prioridades, gente. Prioridades.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

#100boringdays

day 1


Eu não sou uma pessoa essencialmente amarga, por mais que passe essa ibagem. Eu sou uma pessoa extremamente entediada pela vida e pelas pessoas e isso deve se refletir numa bitchface sem fim quando alguém me diz alguma coisa que parece espetacular no seu ponto de vista e no meu é simplesmente zzZZzZZzzzz (98% do tempo).

Aí eu tenho essa impressão que cêis tudo se contentam com pouco demais, porque meus padrões tão numa boa aqui, não sou eu que tenho que baixar. 

Um tempo atrás, não sei exatamente quanto, começaram a aparecer fotos na minha timeline (em todas elas, feicy, instagrão, tuíter, tudo) com a hashtag #100happydays. Até exatos cinco minutos atrás eu não sabia do que se tratava (e continuo não sabendo, já que não tenho a paciência necessária pra ler um site amarelo), e eu espero DO FUNDO DO MEU CORAÇÃO que todo mundo publicando nessa tag saiba de onde veio isso.

Ok.

Então eu tava lá vendo as fotos dos outros numa extrema má vontade, porque hashtag causa isso no meu coração, quando me dei conta que, MEU DEUS, seus dias felizes são CHA.TOS.DE.MA.IS. Eu queria poder descrever aqui o tipo das fotos que eu já vi, mas não quero ofender ninguém. Tipo, tem foto de trânsito com essa tag. QUEM FICA FELIZ NO TRÂNSITO? Não me importa se você tá no trânsito de NY e seu sonho sempre foi estar num táxi amarelo por lá, ninguém é feliz no trânsito. Provavelmente nem o taxista com o taxímetro ligado, meu amor. Eu já vi foto de sabonete com a luz estourada. Já vi foto de quina de parede. Já vi foto mal diagramada da cara da pessoa. Já vi foto da cortina empoeirada. AMIGOS, cêis tão precisando urgentemente de um dia feliz nas suas vidas. Essa tag não tá rendendo. 

Por mim, vocês podem publicar tudo under cem dias de conformismo e etc.

Postei no feicy umas duas meia hora atrás que "eu não tenho estrutura emocional pra participar dessa tag, desafio, chatice, whatever de cem dias felizes e tô pensando em criar a tag (caso não exista) 100boringdays porque tem muito mais a ver com as bobagens que todo mundo posta e eu me sentiria super incluída".

Está aí lançado o desafio pra você que sabe que sua vida só é emocionante se você mentir OU estiver de férias OU uma coincidência mágica acontecer. (Até mesmo a mágica de vocês aprenderem a usar a câmera dos seus celulares e os filtros dos aplicativos, haja preguiça.)

Entre você também nessa brincadeira pra diminuir a quantidade de fantasia na internet. Ou, que seja, pra adequar a categoria da foto do seu gato dormindo numa posição completamente normal na caminha absolutamente normal que ele tem. TODO MUNDO TEM UMA IGUAL. Quer ficar feliz com isso, fica (eu também fico). Mas favor não fazer a internet inteira acreditar que cê polianou nervoso aí na sua casa só porque seu gato tava dormindo e etc.

VAMO LÁ, QUE HOJE É SÓ O DIA 01.

(fotos na firma ganham BÔNUS imaginário)

:*********************