terça-feira, 1 de outubro de 2013

paulista, tipo a avenida

Ou a pizza.

Eu não sei como tá o nível de stalkeação do público desse blog, então, sei lá, vou começar do começo. Eu sou paulista. Grandes merda, eu sei, mas é uma coisa de identificação, sabe? É importante saber de onde viemos, pra onde vamos. Minha certidão de nascimento diz que não sou paulistana, mas é um pequeno detalhe. Babãe morava em São Paulo, fui feita em São Paulo (risossss), cheguei em São Paulo com umas 70 horas de vida. Mas dei azar de nascer numa tribo onde meus pais resolveram se enfiar bem na hora do parto.

Se você perguntar, vou responder nasci em São Paulo.

E cresci nessa belíssima cidade. Às vezes eu brinco que é equivalente a ser uma criança norte americana, num universo menor: a gente crescia sem saber o que acontece no resto do país e sem estar muito interessado também. Do tipo que perguntava se tinha eletricidade no interior ou se as pessoas andavam de carroça. Ou eu tava no meio de muita gente ignorante, vai saber hahahaha. 

Só sei que quando fui eu a pobrezinha a se mudar da capitar pro interior, virei eu também alvo da idiotice paulistana. TENHO CARTAS pra provar que meus amigos se preocupavam com a manutenção do meu estoque de chocookies e com jacarés na minha janela. Mas é verdadeiro o choque de sair de um lugar onde você vai ao supermercado de madrugada pra outro onde não só o estabelecimento fecha pro almoço, como não abre nos fins de semana ou depois das seis da tarde HAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAH. Quantas semanas vivemos de pão e queijo graças às padarias que funcionavam num horário mais ~amplo~? Quantas vezes tive que dizer pro filho do padeiro que NÃO, eu não estava interessada nele, que dizer "ai meu deus perdemo a hora do supermercado de novo" não era cantada, era apenas a realidade? Jamais saberemos.

*****

Nunca desapeguei de São Paulo.

Hoje em dia ninguém me julga uma paulistana de respeito, mas é porque a gente tem que se adaptar. Não dá pra passar o resto da vida chorando por um lugar onde você não mora mais. Todos sabe (?) que eu já voltei a morar em capital (oremos, nada contra interior, desde que eu não tenha que morar lá), mas Curitiba não é assiiiiiiiim aquela brastemp das capitais, né? Um lugar onde supermercado 24 horas não vinga em plenos anos dorrmil me deprime um pouco. Um lugar onde você é OBRIGADO a almoçar entre 11:30 e 14:30 inclusive no domingo, inclusive em churrascaria (ewww) perde um pouco do meu respeito. Um lugar onde as pessoas acham ok darem seta na curva e trocarem de via sem avisar o amiguinho de trás me faz querer mandar cercar e prender todo mundo aqui dentro, enquanto eu saio numa rarlei deivison e taco um isqueiro pra trás, rindo benloca e vendo as chama subino tudo. 

Eu.não.sei.por.que.eu.moro.aqui.

Porque é uma cidade pequena e predominantemente fria, provavelmente. Moro porque quero e não gosto se não quiser também.

A vegetação vive tentando me matar, as pessoas não vão com a minha cara, quando alguém me pergunta "o que tem pra fazer de bom aí?" normalmente a resposta é NADA, mas sei lá. As árvores são coloridas e raramente faz sol. Tá bom pra mim, por enquanto.

Massssss, como é impossível ficar aqui 12 meses no ano e manter a pouca sanidade mental que habita minha mente, eu faço o que posso pra sumir daqui nas férias.

Nem sempre dá pra ir pra Europa, né, meu bem? Então a gente faz o que pode e vai pelo menos matar saudade da caminha e do laguinho com patinhos do lugar onde cresceu.


*****

São Paulo meet and greet tour 2013 part I

Além de estar geográfica e emocionalmente o mais distante possível de Curitiba (essa cidade esgota o cerumano), eu tinha alguns outros objetivos:

- passar um tempinho com meu querido papai;
- ver o máximo de pessoas possível;
- ir ao máximo de lugares que conseguisse (num quer mais nada);
- encontrar o amor.

(Não que a parte riscada signifique um check.)

Vou dizer pra vocês que estou decepcionadíssima por não ter conseguido DE NOVO ir ao parque Burle Marx. Da próxima vez, só me comprometo a socializar se alguma alma boa prometer ir lá comigo. Pode ser até à pé, as pessoas acham que meu problema é o meio de transporte, mas não é, eu só.quero.ir.nesse.bendito.parque. Depois que alguém me mostrar o caminho uma vez, eu vou sozinha nas outras. 

Mas tudo bem, tão tudo perdoado porque me levaram em outros lugares um milhão de vezes mais legais (eu acho, né?) pra compensar.

~um parêntese pra sofrer sobre o fato de estar fazendo um resumón dessas férias antes do último capítulo das anteriores. HEH~

Acontece que no dia do meu próprio aniversário, por motivos de a festa ser quatro dias depois, TODOS.ME.ABANDONA.

Um não quis almoçar comigo (essa tá na tua conta, tangerino), outro ignorou minha mensagem singela no uazap, outra esqueceu que ia no parque comigo, e assim foi, em série. Gente, que sacanagi. De modos que eu passei o dia bem feliz não comprando nada no shopping (sério, primeira vez na vida que pisei no Morumbi e não saí com nem.uma.sacolinha.). Deve ser o bem sucedido detox Amora Campana que estou fazendo, já que Bento não vai querer ser visto comigo em público se eu continuar nessa vibe consumo feat. auto exposição (vão dando adeus a este blog e aos meus 349857 pares de all star).

q

Aí no dia seguinte eu fui brincar de turista pelo centro de SP. Nenhuma grande novidade, já que é o passeio obrigatório. Museu da Língua Portuguesa sem exposição itinerante, eu vou do memo jeito, mas acaba sendo mais rápido. E desta vez eu não fui sozinha, fui acompanhada passar medo. Não tô nem falando de almoços duvidosos na galeria pajé.


num é bonita a cidade vista de cima?

Cêis não pode imaginar a dificuldade que foi manter a mão firme pra tirar essa belíssima foto nessa altura, com esse céu de filme de bruxa (que eu acho particularmente lindo). Eu sabia que tinha uma razão pra minha família nunca ter me levado no topo do Banespa, sabe? Não sei porque não ouvi a voz do meu coração /exagerada.


 galeria pajé colorindo a cidade kkk

♥

vista da pessoa que estava pregada na parede tipo laRgatixa

Eu tenho assim um pavorzinho de altura, mas eu gosto de me fazer sofrer, então se no ano passado fui no chapéu mexicano de Londres, neste fui no topo dum prédio que nem vem a ser mais tão alto assim. Só que... cê já foi lá, caro amigo? Tem um espacinho minúsculo entre a parede e um parapeito que é baixo demaaaaaaais. Eu tava colada na parede no momento dessas fotos e ó minha visão. Tinha dois bombeiros muito preocupadíssimos com a minha inaptidão pro passeio, que dura infinitos CINCO MINUTOS, juro, não tô inventando. Cinco minutos pra ficar sofrendo nas alturas, depois te enxotam escadinha abaixo, pronto, cabô.

Ainda tem uma tia que aponta um prédio rosa e diz "é mais baixo, mas dá pra ficar uma hora lá em cima" HAHAHHAHAHAHHA.


esse prédio aí nas esquerda é rosa, tá vendo?

Não fomos ao prédio rosa porque FOME e já vou fazer um spoiler aqui de que essa coisa de ter que ficar se alimentando ao longo do dia dá uma quebrada no movimento das férias, viu? Muitos passeios desestabilizados por necessidade de comer.

Depois foi o dia do ♥♥♥ show ♥♥♥. Eu sei que as xarope tudo tavam lá pra ver John Mayer. Eu sei. Eu não ligo. Eu gosto dele, ok? Eu só gosto MAIS do Phillip Phillips. Eu comecei 25 frases seguidas com a palavra eu, é caso pra psicólogo?

Então eu passei o dia na faxina, tomei banho, fiquei linda (cof) e só me atrasei porque precisei almoçar. Mas ok, cinco horas abririam os portões, cinco e dez tava eu lá naquele fim de mundo que vem a ser a localização da Arena Anhembi. A menina que foi de Cotia saiu de casa mais tarde que eu.

Bom, eu não tinha a menor pretensão de ver o show de perto. Sou daquelas retardatárias que não conseguem pegar o ingresso vip (nunca mais vou num show se não adquirir o vip), e lá no povão, né? Trintecinco mil pessoas, num ia ver nem a lembrança do palco. Só que eu cheguei, entrei na fila, achei que tava longe e me enganei. Eu tava no começo da fila. Tão no começo que o fã clube tava distribuindo bexigas pra gente jogar quando os fio entrassem no palco e tal. 

Entrei na arena e fiz o que qualquer pessoa sensata faria: fui ao banheiro e comprei água. Enquanto crianças corriam loucamente pra grade, eu andava despreocupadamente pelo local. Fui tentar encontrar uma pessoa que me disse que ficaria perto da área pra necessidades especiais e fui andando naquela direção até que, OMG, a grade. Estava eu na cara da grade, sem correr, sem sofrer. hahahahahahahah MIDESGUPI sociedade.

Obviamente isso faz com que você seja apertada de tudo quanto é lado quando as pessoas começam a chegar, de modos que eu acabei sendo sugada por um bolo muito educado de gentes gigantes e perdi toda minha visão do palco. O problema: a área vip tinha 400km de extensão, de Curitiba eu teria estado à mesma distância do palco que na grade da área do povão. FUÉÉEÉÉN.

Mas tava tudo bem, tudo lindo, só que eram 18h e o show ia começar 20:45 HAHAHAHAH. PÁÁÁÁ na cara do pobre sofredor que pagou apenas 300 reais pra ver ali do meio do povão. Sério, gente? Como é sofrido pertencer à classe média.

Aí todas as condições climáticas aconteceram, vi fias dizendo que estavam descabeladas ao fim do show porque choveu, MAS QUE MENTIRA, choveu coisa nenhuma. Deu uma garoinha sem vergonha, apenas.

Pontualmente às 20:45, Phillip começou a tocar :~~~~~~~~~~~~~~

O que se seguiu foi um horror. Eu via a área vip pulando e cantando junto, enquanto os pobre à minha volta gritavam "chegaaaaaaa", "cadê john mayerrrrr", "nem sei quem é esse cara". Três idiotas resolveram sentar no chão e eu quase caí no processo e perdi uma música inteira entre me recompor e discutir com o idiota, pra ele sentar na casa do chapéu. Meninas caíam à minha volta como moscas e num vinha um bombeiro catar. Uma hipopótama do meu lado (a menina não era gorda, era imensa pra todos os lados, devia ter 2,20m de altura) começou a me empurrar, porque queria cerveja. EU DEI UM ATAQUE. Gritei CALABOCATODOMUNDO, porque era isso ou perder o show que eu fui ver. Foi horrível.

Felizmente taí a novela das sete pra salvar (as metáforas da minha vida e meu show), na hora de Home os retardado tudo sossegaram e cantaram junto. Na hora que eu levantei minha câmera pra gravar, o imbecil da sentadinha ameaçou reclamar e eu ameacei enfiar minha câmera goela abaixo dele, de modos que o comecinho da música tá cortado. Nego nem em pé tava, vai reclamar da câmera na cara? NÃO NO MEU TURNO.



Aí acabou essa parte do show e alguns ânimos se acalmaram, a louca da cerveja, que já tinha brigado e feito as pazes 37 vezes com seu namorado paquidérmico desistiram e foram embora, as fias capotadas foram encontrando lugar na multidão pra irem ao posto médico e a paz voltou a reinar. Até a contagem regressiva pro JM entrar no palco. Aí aconteceu um 1, 2, 3 e já que eu muito não tava esperando e nego avançou loucamente em direção à grade, transformando o troço num platéia.zip e eu só percebi que ia morrer quando senti que meus pulmões já não tinham mais espaço pra expandir.

Eu quase não conseguia enxergar o palco, porque na compactada uma girafa entrou na minha frente. Eu não conseguia respirar, não conseguia ouvir a música, não conseguia nada hahahaha. Mas fiquei lá acreditando num futuro melhor. Chegou a hora das músicas que todos estão lá pra cantar gritando, hit combo de daughters, free fallin', stop this train e tal. Depois que eu consegui ouvir essas canções, eu tava diboa já. 

Nesse momento, eu não conseguia mais respirar. NÃO.CONSEGUIA. Foi me dando um ataque de pânico, porque eu tava lá sozinha e não sabia se alguém ia pedir ajuda ou só pisar em mim (isso que dá ser mal educada) se eu caísse. Botei a blusa no rosto pra tentar respirar, mas alguma coisa estava me sufocando e eu achei que ia morrer, até alguém gritar "PQP, AGORA TEM QUE AGUENTAR ESSA MAROFA AQUI?" e pronto, corri pela minha vida.

Levantei minha bexiga amarela que sinalizava que eu tava colada na grade, pra que os fofos fossem abrindo caminho igual ao mar vermelho pra mim. Meia dúzia de mulheres enlouqueciam, me seguravam pelos ombros e gritavam "NÃÃÃÃO, CÊ TAVA NA GRADE, VOLTAAAAAAA" e eu só fazendo cara de quem não tinha ar pra respirar. Quanto mais pro fundo eu ia, pior ficava. Lá atrás o acesso estava mais fácil, então as pessoas estavam bêbadas além de chapadas. Milhões de pontas de cigarro ameaçando me queimar nas mãos de gente que se balançava sem ritmo. Pareceu um ano o que eu levei pra chegar no banheiro e lavar a cara. Chamei o resgate e fui embora antes de o show terminar, porque eu não tinha mais condições. Cheguei em casa e comi dois sanduíches ahahhahahaha. Ô raça inútil que é essa de maconheiros.

Nem botei o vídeo que eu gravei desse show no youtube, porque tá muito ruim. Vão lá ouvir qualquer clipe do John Mayer que cêis ganham mais.

Acordei no dia seguinte destruída (é mêmo, é?), mas ainda tinha um belíssimo encontro em busca da coxinha perfeita à noite, então não podia me deixar abater. O dia da coxinha estava planejado fazia uns dois meses, o plano estava todo pronto e na hora. Bom, na hora deu tudo errado hahahaha.

Eu iria de metrô, acabei indo de carro, acabei pegando o maior trânsito da galáxia (eu não andava em SP de carro na hora do rush há uns 10 anos), chegamos 28 horas depois do planejado, ninguém conseguiu salvar uma mesa, pegamos uma fila que tava pior que a do SUS e desistimos da coxinha.

Ninguém teve coragem de buscar coxinha nas rede social, pra não ir parar em lugar indesejado. RISOS.

Acabamos indo pra um lugar que a placa me jurava ser na Faria Lima, mas se não fosse a placa, eu não reconheceria. Não que eu tenha de fato reconhecido em algum momento.

Na companhia das melhores pessoas do mundo pra comer coxinha, falando mal de todo mundo, que é o que une os povos, reencontrando pessoas não vistas por mais de 20 gerações de power rangers, sexta à noite foi uma coisa muito linda. Tá certo que teve gentes sendo assaltadas na porta da própria casa no processo e/ou sofrendo spasmos e passando fome, mas todos passa bem.

seduzino as coxíneas

(UPDATE: Como fui bem lembrada nos comentários, aconteceu todo um drama: como é o jeito certo de comer coxinha? Pela frente ou pelos fundo? Tipo, o certo é arroz em cima do feijão, também acho que a coxinha a gente começa pela ponta. Mas concordo que talvez seja igual sushi: a melhor é a que cabe inteira na boca hahahahhaa.)

Sábado era dia de festaaaaaa, ritmo de festaaaaaaaaaa e eu achei que a internet ia quebrar com a minha maravilhosíssima lista de convidados, mas só vou dizer que Patrícia era VIPÃO e eu dividi uma coxinha com as pessoas mais legais da crosta terrestre. 


chora, fã clube kkkkkkkkkk

Entre pessoas sofrendo problemas de saúde (não foi a comida, juro) e pessoas presas no extremo sul da cidade, salvaram-se todos.

Tava eu no meio dos procedimentos das festividades meio #chatiada com uma ausência (nega tem 24357846 convidados, vai ficar reclamando daquele UM que não foi), quando chega um belíssimo convite pra passear no dia seguinte. De modos que eu fui dormir 4 horas da madrugs, setemeia tava acordada de novo, pra cruzar o mundo para o meu primeiro passeio adulto na ZL.

E, se vocês me permitem (e se não permitirem também, ó minha cara de quem aceita ordem), os melhores detalhes do domingo eu vou guardar pra mim. Quem sabe um dia num post não contextualizado, né? Se você não é um dos azarados que me ouviu falando sem parar e por uma semana desse bendito domingo, vamos deixar você assim.

Apenas vos digo: fui ao SESC Belenzinho ver uma belíssima exposição (umas 5 horas andando sem ver o tempo passar e sem sentir fome). Se você gosta de fotografia e está em São Paulo, vá. Até 1º de dezembro. Se você não gosta de fotografia, nem vai, muito chato ficar atrapalhando ozotro e ficar tirando foto de foto enquanto a gente só quer ver o desenhinho na pele da pessoa fotografada.

Tem gente, por exemplo, que deita no chão de vrido por sobre a piscina e acha muito mais divertido tirar fotos ali. Arrependimento eterno: não ter fotografado o vovozinho que dormia bem feliz no sofá do SESC mais lindo que eu já vi na vida, quero ser sócia COMOFAS. Se precisar morar na ZL, vou me mudar pra casa da Lilha.














O fim desse dia muito maravilhoso me deixou meio #chatiada. Não consegui almoçar o falafel com que eu sonhei, ainda que por pouco tempo, não consegui ir ao cemitério (nem perguntem), não consegui passear na Paulista, a avenida, como tive vontade. Entrei meio derrotada no metrô (anos de prática em ir embora derrotada), arrumei minha mala e no dia seguinte dei adeus.

Deixar São Paulo é sempre um ritual muito triste. Deixar a casa em que eu cresci, o lugar onde eu olho pras pessoas e quase todo mundo eu conheço há mais tempo que conheço meus irmãos. Até gente que eu não esperava ver mais nessa vida é gente que eu conheço há uns duzentos anos. Quase pedi transferência e não voltei nem pra dar tchau, exatamente como fiz o caminho inverso, trocentos anos atrás.

Como sempre, 24 horas depois de chegar em casa, caí em tristeza profunda, no conforto da minha cama, do meu edredom e do meu cachorro. Felizmente (ou não), agora a vida está voltando ao normal e eu já posso me desenvolver com graça pela super boring realidade, até chegar novembro e eu poder voltar pra lá outra vez.

COMPRE JÁ SEU GOLDEN TICKET.

:*


quinta-feira, 26 de setembro de 2013

derrepentchy trinta



título alternativo I: eu crio expectativas porque sei o que elas comem 
título alternativo II: serendipity 
título alternativo III: perdendo os critérios 


Às vezes eu tenho um pouco de medo de me dar conta que perdi muito tempo da minha vida. Fazer aniversário tem esses inconvenientes, a gente fica pensando o que tá fazendo com a vida. (Como se não fizesse isso obsessivamente os outros onze meses do ano.)

Vai dizer que de vez em quando não dá aquela sensação de que você dormiu com treze anos, acordou com trinta e tudo que seu pequeno eu imaginou deu errado e você virou uma pessoa horrorosa, que não lembra em nada o que você queria ser, que não é nem o que você quer ser agora?

Tenho uns 48% de certeza que meu eu de 13 anos ficaria decepcionado e surpreso com o andamento dos fatos.

Um ano atrás, um pouco mais, talvez, esse eu estaria 89% decepcionado. Aí eu fiz uma lista imaginária do que estava errado e fui corrigindo. Dei umas derrapadas bem bonitas no processo, especialmente nas áreas nas quais eu não me desenvolvo naturalmente com graça – essa maravilha que vêm a ser as relações humanas. Mas eu tô tentando.

Devo dizer que na recentíssima história da minha vida, estou dando motivos pro meu eu de 13 anos ficar mais calmo.

Nesse processo de corrigir as vibes, recalcular as rotas e tal, é inevitável estabelecer metas. O que vem a ser apenasmente uma forma bonita de criar expectativas, cêis não acham? Eu acho. E eu tenho um dom, viu? Oda Mae Brown me entenderia, porque eu prevejo linda o futuro. Ou sei lá, sou chata pra cacildis e não paro até conseguir o que eu quero.

(às veiz não consigo)

Bom, o caso é que eu tenho umas metas recorrentes na vida. Não é que eu adapte pra fase que estou passando. É a MESMÍSSIMA ideia fixa, que de vez em quando eu esqueço, de vez em quando volta, de vez em quando fica.

Uma delas vem em ondas como o mar num indo e vindo infinito. Vou confessar: a primeira onda veio daquelas que mal vem já foi. Depois veio uma daquelas ondinhas que acabam fininhas na praia. Depois veio com espuminha, aí veio maiorzinha, aí veio já possibilitando pegar um jacaré, veio bonita pra surfista e, bom, uns cinco mêis atrás chegou o tsunami.

Quem nunca achou que podia sair nadando linda um tsunami, hein?

Peguei minha boia e fiquei aí prendendo a respiração, esperando a hora que eu chegaria na superfície ou a água ia abaixar.

TÔ ME AFOGANDO ATÉ AGORA.


*****

Quando a ondinha começou a bater, eu comecei a criar cenários na minha cabeça. Em todos eles eu sempre via duas saídas em algum ponto. Desde a primeira bifurcação até a última. Chegando, assim, nuns 1024 cenários diferentes, do completamente otimista ao completamente pessimista, tipo aquelas pesquisas eficientíssimas de satisfação.

Claro que como boa discípula de Summer, ficar no lugar do Tom me incomoda um pouco. E tendo a mentalidade pendendo muito mais pra Summer, eu tenho experiência em visualizar os quadrinhos de expectativas e realidades de formas muito próximas pra evitar desapontamentos.

Acontece que nesse caso específico tava falhando tudo. Eu não conseguia evitar o otimismo. Não conseguia evitar visualizar sempre o melhor resultado em caso de impasse. Eu tava o próprio Tom, creize expectations. Plano perfeito pra levar um stuplash da realidade.



******

Já ouviram aquela frase “never meet your heroes”? Tendo a aplicar essa frase pra tudo na minha vida e evitar me aproximar demais das coisas e pessoas que eu gosto muito, porque  né? Mais alto o pedestal, maior o tombo.


Mas você já parou pra pensar  que loco seria se essa pessoa pra quem você dedica tantos pensamentos superasse suas expectativas? Já imaginou ver tudo o que você planejou acontecendo como num script, a pessoa inclusive acertando as falas? E aí você precisa até se distanciar por alguns minutos, pra ter aquele momento de reflexão, tipo "TÁ ACONTECENDO MESMO, EU NÃO TÔ MAIS IMAGINANDO". Aí você volta pra realidade e BOOOM, ela, de repente, num incrível plot twist, fica ainda melhor do que você esperava.

Eu não sei vocês, mas não sei como proceder.










epílogo

A história tá no meio. Quer dizer, acho que tá. Acabei de acordar com 30 anos e ainda tava achando que a expectativa é melhor que a realidade. Acabei de perceber que a realidade é melhor que a expectativa. Pra onde as coisas vão daí, não tenho a menor ideia.

A vida ficou tão boa que eu parei de planejar e resolvi aceitar a minha ligação pro SAC 0800: agora é hora de esperar, porque minha ligação é muito importante, mas os atendentes todos estão ocupados.

Não é todo dia que sua vida fica parecendo um filme do John Cusack, não é todo dia que você se dá conta que Sara Thomas era mesmo importante na sua vida (e olha que as inúmeras referências a Sara Thomas [que nem é uma mulher na minha história] nesse blog eu acho que nem os mais stalkers serão capazes de pegar).

Aguardemos os desdobramentos da sessão da tarde. Que pode muito bem ser vale a pena ver de novo.

domingo, 22 de setembro de 2013

serendipity I

Cheguei em casa de madrugada, com um sono lascado, dor no pescoço e enfiando com força o pé no dorflex. Fiquei DUAS.HORAS. pensando sobre causas, efeitos, previsões e realidades, deprimi, escrevi um post, jurando que estava falando sobre um fim.

Muitas horas depois, descobri que estava falando sobre um meio.

E, gente, ainda bem que eu confiei na falta de noção que eu tenho de madrugada AND com sono e não postei. Teria transformado o meio em fim.

Assim que houver desfecho, o post vem.

Ninguém sabe que eu estava escrevendo e mesmo assim eu vim contar isso aqui. Deve ser porque faz 3 noites que eu não durmo mais que 5 horas e meu cérebro perdeu as travas do superego.

Boa noite,

Id.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

terça-feira, 10 de setembro de 2013

♥cardiff♥

Falta de vergonha na cara level: extreme é eu ainda não ter terminado de contar dessa viagem um ano depois de ela ter acontecido.

Mas o blog é meu, a vida é minha, milarga. HAHAHAHAHAH.

Mentira, gente. Não milarga.

Ou larga, cêis que sabe.

*****

bons drink

Tudo que eu vi na Europa era realmente lindo. Dublin cheia de brasileiro, Londres com cara de filme épico e capital de país. Mas Cardiff... Gente, que lugar mais lindo. Também é capital, mas num tem quem diga? De acordo com meu mapa, era uma cidade super pequena. E no espaço dela que eu pude percorrer, pareceu pequena mesmo. 

Eu fiquei hospedada perto da entrada da cidade, que vinha a ser MUITO perto do centro comercial, que ficava a 5 minutos de trem da baía. E se tinha mais que isso por lá, eu não vi.

Meu hotel era lindo. Um Ibis super pequenininho (quer dizer, pequeno pros padrões daqui, né? Lá tava parecendo super de bom tamanho), com uma cama gigantesca e um banheiro futurista (acho que já falei disso aqui :P). A vista era linda, mesmo sendo pro trilho do trem e tinha o shopping ali do ladinho. Mas como nem só de shopping vive a pessoa, mesmo ela sendo eu, peguei meu belíssimo mapa e acreditei nele. Fui desbravar a cidade. A intenção era achar a rua que parecia ser o ponto de referência de todo mundo, um restaurante onde não houvesse pimentas ou fish ou chips (a pessoa tem um limite, né?) e, de repente, umas lojinhas pra aproveitar os mínimos espaços que ainda sobravam na mala.










Considerando que eu cheguei em Dublin com as mão abanando, saí de lá pra Londres com duas malinhas de mão menores que minha mala da academia e saí de londres com quase 60kg de tralha... Era abusar muito da sorte. Mas quem nunca?

*****

Antes de eu viajar pra Europa, muita gente me assustou. OMG brasileiros sempre são seguidos nas lojas porque eles têm medo que você roube coisas. OMG brasileira sozinha vão pensar que é desfrutável (e se for, né? vão pastar). OMG tratam muito mal os brasileiros por causa da fama de má educação e blábláblábláblá.

Ó, não sei onde cêis foi criado, mas todo mundo me amou na Europa. Eu fui super bem tratada em tudo quanto foi lugar. Em Dublin eu não precisei andar sozinha, em Londres eu andei pouco sozinha, mas em Cardiff eu tava só na minha própria companhia. E se todo mundo me tratou bem em tudo quanto foi lugar, em Cardiff eu tava quase me sentindo celebridade.

Primeiro que durante o check-in no hotel as pessoas acharam curiosíssimo que alguém no Brasil soubesse que a cidade existia - vamo combinar, Gales é sempre aquele país que você esquece na prova que pergunta quem faz parte do Reino Unido, né? Aí, onde quer que eu fosse, meu sotaque era óbvio (seria em qualquer país, mas o de Cardiff é bem diferente do inglês do Harry Potter, impossível de imitar), então sempre depois de eu responder "de onde você veio?", as pessoas queriam muito me ajudar. Teve gente saindo do caminho pra andar comigo até onde eu precisava ir. Nunca conversei com tantos estranhos na vida.

Um dia eu tava no meio duma Primark, onde sempre tem oito mil mulheres ensandecidas, mas havia uma comoção especial do lado de um totem de acessórios pra cabelo. Pareciam umas buchinhas de banho, mas em forma de rosquinha. Eu reconheci imediatamente o original que as meninas brasileira copiavam fazia semanas com meias ou coisas do tipo, pra fazer aquele coque de princesa. Vi a mulherada lá tentando entender o que era, pra que servia, e fiz a louca: gritei "I knoooooooow" e vi juntar umas 30 mulheres em volta de mim, pra explicar como usava aquele troço no cabelo HAHAHHAHAHAHA. 

Numa das últimas lojas em que eu passei, uma tia me viu enchendo uma cestinha com tudo que tinha de coruja na loja: camiseta, relógio, bolsa, porcelana... Veio me perguntar se eu fazia coleção, perguntou de onde eu era, saiu pela loja catando corujinhas comigo, me levou pro caixa e ainda me deu a linda dica, que NINGUÉM tinha dado até ali, de que a gente pode levar as notinha tudo das compras no aeroporto e pegar os dinheiros do imposto de volta. Ó que amor, gente. Todo mundo é amoroso em Cardiff. Não tô mentindo quando digo que vou largar esse lugar quente e estúpido aqui pra ir morar lá e viver de geléia e cabras e 10 meses de inverno no ano.

*****

Passei a última tarde na baía. Não sei se era por ser meio de semana ou porque é sempre assim, mas o lugar era tão tranquilo que não dava vontade de ir embora. Mesmo estando do lado de um monte de restaurantes, centros de lazer, brinquedos pra crianças e coisa e tal. Se eu morasse nessa cidade, tenho certeza que ia ser na beira da água, conversando com os pato tudo que eu ia gastar os dias.



















*****

Só.falta.mais.uma.história.

Eu nem sei se vou lembrar dos detalhes que fariam ter alguma graça, mas né? Cheguei até aqui, não vou desistir agora.

Não desistam vocês também.

Pensem pelo lado positivo: neste ano vou apenas pra São Paulo, nem que aconteça uma coisa muito maravilhosa eu consigo produzir um ano de posts a respeito :P






segunda-feira, 2 de setembro de 2013

a coisa mais besta da vida é que ela continua.

(Eu já aviso que esse post pode não ser muito fácil de ler, porque está sendo realmente difícil de escrever)


Sexta feira, uma amiga minha morreu.

Todo mundo sabe que eu trabalho numa universidade, né? Se não sabia, sabe agora.

E eu trabalho lá há 9 anos, apesar de conhecer muitas daquelas pessoas muito antes, porque o meu primeiro chefe era o orientador da minha mãe no mestrado, muitos anos atrás. Quando eu cheguei lá, minha mãe já trabalhava lá. Meu amigo de sala tinha a mãe na sala ao lado. A gente conhecia filhos, sobrinhos, pais. Até meu cachorro eu levei pra passar um dia no trabalho comigo. É tipo família.

Depois de tantos anos, a maioria das pessoas estava acostumada com as minhas roupas que não fazem sentido, com os meus penduricalhos e com toda a sorte de porcaria absurda que eu levava pra lá. Mas ela não. Ela ainda achava tudo engraçado ou curioso e às vezes eu comprava um igual. Outro dia ela gostou de uma dessas coisas minhas e eu fui lá e comprei um pra ela.

No dia seguinte, ela me ligou.

"Vá, compra um pra mim?"

Eu já tinha comprado e ia dar de presente no dia seguinte, mas só disse que sim, eu compraria um pra ela.

No dia seguinte ela não foi trabalhar. Estava com muita dor de cabeça e tinha ido ao médico. Vocês imaginam o tamanho da dor de cabeça que motiva a pessoa a ir ao médico, né? "Mas não é nada, só um remedinho e amanhã eu tô de volta".

Pois amanhã ela estava em coma. Como ficaria por 40 e tantos dias e, por fim, morreria na sexta-feira. 

A morte, em si, não foi surpresa. Mas a condição, sim. Num dia você está falando alegremente com a pessoa pelo telefone, no outro ela está entrando em coma. 

Eu não perdi muita gente na minha vida. Perdi um avô quando eu mesma estava no hospital perdendo um rim. Perdi uma avó em outra cidade. Perdi meus bisavós que também estavam longe (quando morreram). Perdi outro avô que foi enterrado em outra cidade. Todos muito próximos e queridos, mas cujos velórios e enterros eu não participei. E velhinhos, né? Aquele tipo de morte que você entende. "Viveu bastante, faz parte". Porque as pessoas morrem desde a era das cavernas, mas a gente não aprende a lidar com isso. Eu, pelo menos, não sei. Nunca tinha perdido alguém do convívio diário, relativamente jovem, que não estava gravemente doente, sei lá.

A única coisa que me conforta é que minha última conversa com ela foi muito alegre e ela estava muito feliz. E minha última ação em relação a ela foi comprar um presente. (Aquele auto conforto que não pode ser mais egoísta, obviamente.)

*****

O mais triste quando alguém morre, é ver que a vida continua.

Você ainda tem que fazer coisas básicas como escovar os dentes e comer. Você tem que lembrar de ir à farmácia e à padaria e colocar água pro cachorro e colocar a roupa no varal. E você pensa na família da pessoa, nas coisas que você queria poder fazer por eles, mas não pode. E você tem que trocar o gás e buscar alguém no trabalho e lavar a louça.

Chove e você não reclama, porque alguém não pode mais ver chuva. Faz sol e você não reclama porque alguém não está mais lá pra sentir calor. Venta e você não reclama porque alguém não está mais lá pra ficar despenteado. Você fica preso no trânsito e aceita, porque alguém não vai chegar em casa pro café. E por uns instantes você também não aceita que essas coisas todas sejam boas, porque parece injusto ficar feliz por estar vivo, quando alguém não está.

E aí vem a segunda-feira e você volta a trabalhar. E todo mundo tá trabalhando como se nada tivesse acontecido, como se ninguém tivesse faltando. E eu m lembro de todas as vezes em que eu fiquei doente e me recusei a faltar no trabalho pra me recuperar ou ir ao médico e minha mãe dizia "se você morrer, esse lugar continua." Eu não podia imaginar o quanto ela estava certa. Se você não faz, alguém faz. E a realidade passa como um rolo compressor sobre o fato de que você não existe mais.







quinta-feira, 15 de agosto de 2013

oito faxa

Era pra ter postado isso na sexta-feira passada, mas a vida tá tão suave na nave (só que não), que vejem só vocês. Se isso for postado hoje, é lucro.


(Cêis não ficam chateados quando o trabalho atrapalha sua vida? haahhaha)

Então. Eu leio blogs como forma de auto punição, sabe? Eu vivo discutindo unilateralmente com as pessoas, por causa das coisas imbecis que elas escrevem. Aposto que vocês discutem unilateralmente comigo também, acho válido, eu sou muito imbecil. Mas a gente segue nesse processo de ler os outros, por amor, por masoquismo, por tédio, não sei. Tipo, outro dia uma pessoa que eu descobri que leio há 5 anos (a pessoa falou a idade e já são 5 anos a mais do que da primeira vez que eu ouvi dizendo a idade). E cara, eu gostava tanto no começo. Agora entrou numas de frases de efeito e eu fico aqui comendo o canto da mesa de vergonha. É ruim demais. E é um processo dolorido tirar dos feeds. Eu fico tipo ex, com a diferença que eu nunca faço isso com ex, porque ex bom é ex-terminado da face da terra, mas com blogs eu deleto e volto lá pra ver se num quero reatar e tal. Nunca quero, mas a separação é dura.

Q

Tô dizendo tudo isso só pra introduzir a ideia de que de vez em quando eu gosto de ler blogs, e geralmente é quando a pessoa indica uma música que ela ouviu e gostou. 70% das vezes eu odeio a música e desligo antes de 10 segundos, mas as 30% restantes são tão boas que compensam. Eu não ouço rádio, então é muito maravilhoso ter essa forma de descobrir músicas novas. (Mesmo quando o post é super apoteótico, com a pessoa dando lição de superação e sentimentaliszzzzzzzzzzz.)

As outras duas são: seriados e pulando no youtube aleatoriamente, sem ver os vídeos, é claro.

Não sou o tipo da pessoa "movida à música", acho isso até um pouco retardado e tenho ZERO paciência com quem não consegue ficar em silêncio ou usar fones. Deveria ser obrigatório por lei ouvir músicas em ambientes ocupados por mais de uma pessoa COM FONE. Meu saco enche muito rápido até das minhas próprias músicas, imagina das dos outros.

Por exemplo, meu carro conta apenas com um toca-fitas que eu ligo rarissimamente (tanto o rádio quanto as fitas hahahaha, sério), nunca no ~trânsito~. Se tem uma coisa que me irrita é você lá impedida de se locomover e escutando um barulho vindo do rádio. Dirigir é a melhor hora pra bater um papo com as vozes na cabeça, então eu dirijo em silêncio. A não ser de noite, quando eu posso acabar dormindo. Aí eu ligo o rádio e vou cantando.

Em casa também, eu só ligo algum som se vou fazer alguma atividade muito abstrativa, tipo arrumar armário. Lavar louça. Faxina em momentos que a casa está vazia. 

Música eu gosto de ouvir quando dá pra prestar atenção ou cantar alto. Ou no trabalho, pra evitar ouvir a quantidade infinita de asneira que é proferida ao meu redor ou até mesmo pra abafar o barulho do picador de papel do vizinho, porque, pelamordedeus, haja papel no mundo pra alimentar esse barulho infernal que nunca acaba.

Cêis sabe, né? Em um caso auto diagnosticado de Transtorno de Processamento Sensorial, a pessoa tem que se proteger de sons que iniciem uma *crise*.

Foi num desses dias, em que o potencial de estupidez estava atingindo todo um novo nível, que eu fiz esse trem de 8tracks.

Fiquei com muito ódio no meu coração que você não pode pegar, sei lá, links do youtube pra formar a lista, tem que fazer upload de tudo. Porque aqui no trabalho aconteceu uma catástrofe na minha pasta de música (eu realmente não sei como se deu e tenho preguiças eternas de arrumar) e virou tudo uma zona só e eu parei de fazer downloads e ouço tudo em listas no youtube. Aí fui lá downloadar pra uploadar, ai que saco, mas eu fiz. 

Quem já teve o prazer de ter que escutar o meu iphone porque todos os outros celulares estavam sem baterias sabe que eu só ouço musga deprê. Cresci ouvindo os brutos também amam - que vem a ser banda de roques pesados cantando sofrimento por muiés aleatórias e digivolvi pra essas porcaria que embalam momentos chorosos em seriados, um indie suicida, um folk corno, um pop merdão.

Então tentei fazer uma listinha que fosse do semi-alegre até a depressão profunda.

Sei lá, vai que tem alguém que 

************* péra que acabou de entrar um padre aqui pra benzer a sala **************

HAHAHAHA, então, vai que tem alguém que gosta, né?

*****

Disclaimer.

Faixa 1 - Maroon 5. Pop merdão, não entendo como Adam Levine faz sucesso com aquela voz e não entendo como eu gosto. Adoro essa música, especialmente porque eu acho que ela é um fora retardado. Eu dedico sempre pro meu travesseiro.

Faixa 2 - Phillip Phillips ♥♥♥♥♥♥♥. Isso é folk? Que raio é isso? Melhor música, cantarei de zóio fechado no show, com lagriminhas escorrendo pela cara e ficarei rouca em seguida. Declaração de amor do tipo que jamais farei na minha vida, gosto muito.

Faixa 3 - Emmelie de Forest. Como.proceder.com.gente.que.ouve.eurovision? Não sei, só sei que vocês têm que me amar mesmo assim hahahahah. Ouva essas flautinhas enquanto pensa em todas as lágrimas derramadas por amor. Como sofre!

Faixa 4 - Pink. Apenas a melhor cantora muié de todos os tempos. Até as musgas dela que eu odeio, eu amo. Até a voz errada desse moço do Fun deu certo com a voz dela. Mas essa musga todo mundo já ouviu na rádio, né?

Faixa 5 - Gabrielle Aplin da depressão. Não foi fácil escolher uma música dessa senhora, porque é uma melhor que a outra. Na próxima fita (kkk) vai ter outra dela, aguardem. Muita tristeza, me abraça.

Faixa 6 - Brandi Carlile. Se você não conhece, não quero mais ser sua amiga, sai daqui kkkk aquelas grossa. Gente, eu amo Brandi. Eu quero cds da Brandi. Eu grito com Brandi. VAMO SÊ AMIGA E RECLAMAR DA VIDA JUNTAS, BRANDI. Ela também não tem música ruim, cêis vão ouvir muito nas minhas fita.

Faixa 7 - Florence ♥♥♥♥♥♥♥♥♥. Também, né? Não vai me dizer que nunca ouviu. Teve um tempo que essa música tava com encosto, porque eu upei uma versão e o 8tracks tocava outra, que nem no meu computador existe. Agora tá certo, tem que ser essa aí só do pianinho e tal. A outra não dá a emoção certa. NEVAH LET ME GO. 

Considerando que cêis são educado e tão de fone, favor colocar no alto. Qué dizê, eu sou surda, eu posso. Não vão estragar seus ouvidos.

Faixa 8 - Os Mumford tudo. Se você é team "as músicas são todas iguais", SAI DAQUIIII. Não são não, e essa é maravilhosa. Nessa versão também. Tem que estar emocionalmente estável e com a placa de som em ordem pra escutar. Alto.

Agora que eu melhorei o gosto musical de vocês e levei um splash de água benta, já posso continuar minha semana sabendo que fiz uma coisa boa pro mundo.

Quem quiser contribuir nos comentários com músicas de sofrimento pra minha coleção, ME GUSTA. (Tô falando com você, amigo que me indicou um vídeo maravilhoso uns posts atrás). Se quiser dar sugestão de tema pras próximas fitas, fique à vontade, mas lembre-se de que elas só acontecerão quando a conjunção astral certa aparecer.

De nada. :*

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

~cisney~ branco em noite de lua



Eu nem sei por que vou contar isso, mas é que eu tava outro dia tentando lembrar de um acontecimento do passado e acabei abrindo uns arquivos antigos e me deparei com essas fotos e lembrei dessa história idiota, que está guardada apenas no fundo do meu cérebro e provavelmente em outros 4 ou 5 cérebros e pensei "por que não destruir mais um pouco da minha imagem já tão escangalhada na internet?"

*****

Meu pai trabalha na Marinha do Brasil desde quando eu era muito pequena, de modos que é como se ele sempre tivesse trabalhado lá. Eu e meus irmãos passamos anos intrigadíssimos na portaria, porque ninguém menor de 18 anos podia passar dos portões. E morremos todos de tédio quando finalmente pudemos entrar e não vimos nada demais. Mas como papis sempre sentiu amor pelas forças armadas, hinos cantarolados pela casa sempre foram normais. Especialmente esse do Cisne Branco.

Não sei se vós vos recordais [/pedância], mas na época dos 500 anos do Brasil alguém achou maneiro fazer réplica das caravelas pra virem de Portugal pra cá e uma delas acabou virando o novo Cisne Branco. O barquinho é tipo Doctor, em Doctor Who, e vai regenerando kkk. Uma das funções desse navio é funcionar como escola. E essa é a introdução da história de como eu fui parar abraçada na âncora do Cisne Branco.

JURO.

Um dia eu resolvi que seria especialista em logística e em negócios internacionais. Aí tava eu lá na faculdade, sendo muito perseverante em provar que mulher também pode sim ter esse tipo de profissão, quando um professor muito jovem e muito bem relacionado resolveu oferecer a uma das 8 turmas que teve naquele ano um passeio por Paranaguá. Meu, sério. Qualquer outro ciclo em que eu tivesse resolvido fazer essa matéria teria me feito perder esse momento. Mas eu sou muito sortuda e estava com o timing muito favorável.

Pra quem não conhece (eu também num conheço, vou fingir propriedade no que tô falando porque não há vontade suficiente pra usar o google), Paranaguá tem um porto importante, tem um alto escoamento de soja e tem um parque de container que vinha a ser muito moderno 10 anos atrás, quando essa história aconteceu. Incrusível, o professor fez questão que fôssemos visitar o porto justamente pra ver um empilhador de container mágico, que fazia um pátio gigante parecer um joguinho de tetris.

Então fomos viajando bem bonitos de ônibus de Curitiba pra Paranaguá, uma pequena guerra dos sexos acontecendo lá dentro, uma pessoa me oferecendo um frasco de X-14 e eu respondendo com toda a minha meiguice, arremessando um copo de água mineral na cara do infeliz, rasgando a bochecha dele com o metal da tampinha (hahahahah) e coisa e tal. 

Chegando lá, fomos primeiro nos armazéns de soja. E se eu puder dar apenas uma dica pra vocês, minha dica é nunca vista preto ao visitar um armazém de soja. Eu fiquei marrom em 2 minutos. Felizmente me deram máscaras, porque pensa numa alergia? E ratos HHAHAHAHHAHAH. Cê acha que tá sendo lindo e vegetariano comendo soja, mas tem tanto rato lá no meio que talvez não.

Aí fomos num outro negócio (devo confessar que essa é minha parte menos favorita da logística e eu tava prestando mais atenção no clima que no evento?) de transporte de líquidos para o qual eu não tava nem ligando, porque a gente tinha que ficar vendo dutos e tubulaçõesZZzzZZZZzz e usar capacetes horrorosos e acho que ninguém tava mesmo interessado nessa parte.

quem estou de capacete diferente do de todo mundo?

Fomos pro maravilhosíssimo pátio de containers, a parte disneylândia da viagem pra maioria dos presentes, e ficamos lá, chorando água do mar, enquanto a pessoa dirigia um U invertido gigante empilhando e desempilhando containers colororidos. Quando achamos que nenhuma profissão era mais legal que essa, descobrimos o ofício de ~prático~ ou "manobrista de navio", pros leigos. COARENTA MIU DINHEIROS pra passar o dia de bermuda e chinela no mar, manobrando navio. Onde manda currículo?

Só tinha um navio gigantesco de Itu atracado, mas gente, o negócio era da altura de um prédio de 900 andares. Meu profes foi lá tentar conseguir que eles deixassem a gente subir no navio, até que alguém se tocou da bandeirinha chinesa, na época do hype da gripe asiática HAHAHAHAHA. Nem os pessoal do porto deixou, nem ninguém ia querer. 

Nesse momento, nos demos conta de um naviozinho menorzinho, quase imperceptível perto do ponto vermelho gigante: ~cisney branco~ tava lá, atracadinho, de buenas, apenas apreciando a marola.

O profes muito do cara de pau se aproximou da belíssima embarcação e perguntou se 30 desocupados poderiam, de repente, assim, sem compromisso, visitar o navio. Pra nossa surpresa, a resposta foi sim. Aí começou meu pesadelo.

Eu tenho PA-VOR de água. Cê não tá entendendo. Eu sou a pessoa que entra numa balsa e desce imediatamente do carro. Se ninguém sai da minha frente, eu passo por cima das pessoas e saio pela janela, mesmo que o carro só tenha porta na frente. E isso é a descrição de um acontecimento. Eu pulei por cima das pessoas, dos bancos, saí pela janela e fui lá catar a bóia de salva vida. Se esse trem afundar, eu não quero morrer, ok? Eu sei nadar, já me salvei de afogamento em mar revoltado apenas com as minhas habilidades físicas, mas eu não quero ser tragada por um monte de ferro afundando. EU TENHO PAVOR DE BALSA, eu ando 300 km se puder evitar andar sobre o mar.

Nunca imaginei que isso se estenderia a um navio atracado.

Mas foi pisar no convés e imediatamente começar a passar mal. Eu não conseguia parar de pé com eficiência e o alto movimento de manobras naquela hora no porto deixava o mar agitado e o cisney branco balançando loucamente e eu ficando verde no convés. Aí eu fiz o que qualquer pessoa normal faria: me dirigi pra saída. Veio um marinheiro de 4 metros de altura e 2 de largura e me agarrou pela cintura de modos que meus pezinhos deram passos no ar, enlouquecido, dizendo "cê tá lôca? só sai daqui quando o capitão autorizar!!!!".

Meu, então cê vai AGORA achar esse infeliz, porque eu não vou ficar aqui não.

Alguém acabou obrigando o marinheiro a ficar de meu babá e eu fiquei lá reclamando e quiseram me dar dramin, mas eu tenho alergia a dramin (se eu falasse que a reação consiste em desmaio quase instantâneo que perdura por umas 14 horas, aposto que teriam amassado e me dado na água) e ninguém tinha mais nada pra ajudar, de modos que o marinheiro teve a brilhante ideia de organizar o povo em grupos pra irem fazendo uma excursão pela belíssima embarcação, apenas pra garantir que eu ficasse distraída.


    
tá vendo esse pequeno negão no meio da foto? meu personal marinheiro.

Então a gente foi pra sala de jantar de festa, um negócio de muito bom gosto, com um carpete vermelho cabaré e móveis escuros, lustre estilo candelabro, uma finesse. Tudo com telas pra vídeo conferência, muito moderno, parecendo coisa de filme do James Bond, sabe? Aí sala de jogos, sala disso, sala daquilo, desce aqui esse lance de escada, vamo ali na cozinha.

Uma cozinha gigante, linda, tipo industrial, com a típica cena de pessoas descascando batata (sério) facas ginsu gigantescas, o tio lá cozinhando loucamente e alguém sugere entrar no freezer. Entramos e é engraçado, porque parece filme, um frio infernal lá dentro. O marinheiro gênio diz que a porta é tipo cofre e eles se divertem fechando ozotro lá dentro e eu tenho o trigésimo oitavo ataque de pânico desde que botei o pé no navio e tenho que ser carregada pra fora do freezer aos gritos, e o moço me acalmando "ó, tá vendo, tá aberto, calma, calma".

Em minha defesa, só posso dizer que aquele balanço todo afetou a minha meninge (q) e meu labirinto e eu fiquei assim com as travas comportamentais mais quebradas que o normal.

Continuamos o passeio, tudo era mesmo muito bonito e espaçoso, ainda mais se comparado com o lado de fora (TARDIS, alguém?) e eu não me dei conta que já estávamos no quinto lance de escadas, quando chegamos num corredor estreeeeeeito, com quinhentas e vinte mil portinhas, mais parecendo um cenário de pesadelo. Vinha a ser o andar dos quartos. Fomos andando pelo belíssimo carpete vermelho, até chegar no quarto do nosso personal marinheiro. Ele abriu a porta e disse pra gente entrar e olhar à vontade. Aí eu fui lá olhar na janela e, especialmente burra como eu estava aquele dia, perguntei se ficava assim sempre embaçado por causa da maresia. Ele riu. Eu apertei o zóio e vi alguma coisa voando. Fui olhar mais de perto e vi que a coisa estava NADANDO. Comecei a gritar tudo de novo, me arrastaram pro corredor, onde eu tentava, mas não conseguia explicar que estava MORRENDO DE MEDO DE MORRER AFOGADA, porque eu fiz as contas e entendi que estava cinco andares pra baixo do nível do mar, socorro, SOS, mandem a guarda costeira, ajuda, mayday, mayday.

O marinheiro, coitado, me pegou por baixo dos braços e saiu me arrastando escada acima, enquanto eu gritava por socorro e dizia que não conseguia respirar (tô sentindo uma vergonha tão grande ao lembrar disso, pelamor) e aí os grupinhos espalhados foram se juntando, porque eu tava chamando só um pouco de atenção e de repente tava todo mundo no convés e eu no chão ao gritos, tossindo, tendo ânsias de vômito, fazendo a afogada e pedindo pelo amor de deus pra alguém achar o capitão, porque eu PRECISAVA sair daquele navio. Mas o capitão estava ocupadíssimo fazendo sei lá o que e não podia parar sua importantíssima atividade pra ir salvar uma mocinha indefesa.

Depois do chilique semi finalizado, o marinheiro tentava me botar de pé e eu desmontava tipo aqueles burrinhos que tinha na casa das avós, que a gente apertava embaixo e ele desmontava, sabe? Eu tentava andar em linha reta e fazia uma parábola. Não tinha condição nenhuma de sobreviver naquele ambiente inóspito, quando o marinheiro teve a brilhante ideia de me catar no colo, me levar até a âncora e falar "abraça aí, fia". Eu abracei. "Fica quieta", e eu fiquei. E fiquei lá por infinitos minutos, até todo mundo acabar de visitar o navio, o comandante finalmente aparecer e dizer que podíamos sair.

Se você me perguntar como foi que eu saí do navio, eu te digo: tenho a mínima ideia. Alguém provavelmente me arrastou pra fora. Só sei que fiz o papa ao botar os pés na terra firme e beijei o chão. Do porto. Se foi porque eu quis ou porque eu caí de cara, jamais contarei.

Voltamos para o ônibus em silêncio, 8 pessoas me amparando pra que eu permanecesse em pé. Para a sorte dos envolvidos, voltei em situação total de destruição, de modos que não pude mais atentar contra a vida ou a face de mais ninguém. 

Chegando em Curitiba, descobri que ainda teria que voltar pra casa de ônibus, porque minha mãe achou que não tinha nenhuma necessidade de dirigir até o centro da cidade pra me buscar depois de um dia que eu só fiquei passeando HAHAHHAHAHA. 

E, o mais impressionante: um dos meninos, que até aquele dia nunca tinha me dito nem oi, quanto mais tratado bem, declarou amor eterno. Mesmo morando no quinto dos infernos, foi me acompanhando de busão até em casa, só pra eu não ir sozinha e garantir que eu não fosse vomitar HAHAHAHAHAAHAHAAHAHAHHAAHAHAHHAHA. Eu realmente não vomitei, mas só constatei a beleza em que eu me encontrava ao chegar em casa. Marrom de soja, descabelada por um hit combo soja + maresia + colo de marinheiro, com a cara verde igual de desenho, olheiras e ó, nem um urubu me acharia cheirosa.

Como a gente desperta amor assim, jamais saberei.

O importante é que eu entrei num navio brasileiro feat. caravela comemorativa e você não. Fui carregada por um marinheiro negão maravilhoso e você não. Arranjei um namorado demente e você não. Tô contando isso num blog em que qualquer leitor de língua portuguesa pode ler e você não.

Reflita.

Para minha própria sorte, em 2003 as pessoas não tinham smartphones ou câmeras fotográficas de boa qualidade ou até mesmo redes sociais (oremos), de modos que não há registros da minha cara de pateta dando chiliques de hora em hora tipo a telesena, ou 27 status de instagram com a legenda #abraçada #na #âncora #vergonha #bafão #alok #paranaguá #cisney #branco #negão #labirintite #kkkkk #chantagem #seferrou #x14 #agressiva #vergonha #incidentediplomatico #orgulhinhodopapai.

*****

Nunca mais cheguei perto de um porto na vida, nunca mais pisei num navio (nem numa balsa) na vida, mas marinheiro eu vejo toda vez que vou visitar meu pai no trabalho. Incrusive, se alguém puder mandar umas ondinhas pra São Paulo pra eu ter desculpa pra ser carregada por um deles quando estiver por lá, tô aceitando. Só que não.